sábado, 5 de dezembro de 2015

Jasper (2015)

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Jasper de Dean Anderson é uma curta-metragem britânica e um dos mais emocionantes filmes curtos dos últimos tempos.
Jasper (Kevin Golding) é um homem a quem a vida não sorriu. Desesperado por manter uma relação com as suas filhas Tiana (Brianna Wilson) e Lisa (Scherrikar Bell), Jasper comete um acto irreflectido que lhe irá trazer duras consequências.
Dean Anderson cria um argumento que é um triste e emotivo retrato de uma sociedade moderna na qual milhares de indivíduos se debatem com as amarguras de uma vida difícil fruto de um desemprego, de uma separação e de uma crise constante que os leva a uma existência no limite.
"Jasper" é um homem atormentado. Sem uma relação constante diária com a sua família - "Tiana" e "Lisa" - ele tenta que os breves momentos que com elas passa possam ser a tal referência que ambas precisam para nele encontrarem a figura paternal que tanto lhes falta. No entanto, o que acontece quando por um acto desesperado - e desesperante - as crianças ganham toda uma nova perspectiva e abordagem à imagem que têm do seu pai? A degradação da figura paternal como o elo de segurança e conforto tido pelos filhos, e que aqui "Jasper" está incapaz de garantir estando, dessa forma, comprometido é no fundo, a essência de toda esta curta-metragem que diaboliza - correctamente - através da sua interpretação, os malefícios e amarguras de uma sociedade que devora lentamente aqueles que não conseguem "acompanhar o passo".
Desta forma, num mundo em constante mutação - evolução seria aqui uma palavra incorrecta - como consegue o indivíduo manter a sua dignidade, os seus pertences, a sua família e a sua imagem integras quando tudo em seu redor parece ruir ciclicamente, nunca cedendo uma única oportunidade àqueles que estão mais vulneráveis? Assim, e sendo a imagem parental (neste caso) aquela que é imediatamente afectada, "Jasper" - e aqui também o espectador - questiona(m)-se sobre as impossibilidades da vida, o seu papel na sociedade e, no fundo, qual o legado (educacional e de valores humanos) que a sua existência deixa para aqueles que o testemunham?
Com uma interpretação dinâmica e comovente de Kevin Golding como um "Jasper" no limite que (se) assiste a definhar não só aos seus olhos como também aos olhos das suas filhas que o deveriam ter como a referência maior - o momento dos doces é do mais duro e cru deixando o espectador com o tal "nó" na garganta -, Jasper é uma curta-metragem triste, melancólica e sem esperança sobre as expectativas que morreram algures no caminho tomado pelo protagonista. Expectativas essas que as sonhou, que as esperou e desejou e que graças a momentos nunca explicados - não seriam necessários - viu toda a sua existência enveredar por uma estrada alternativa que nunca imaginou percorrer.
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8 / 10
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