sábado, 5 de dezembro de 2015

Rewind (2015)

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Rewind de Alek Lean é uma curta-metragem experimental brasileira e a segunda da trilogia sobre a obsessão que este realizador brasileiro dirige após Tormenta (2014).
Pedro (Rycher Juan) tem sonhos profundos. Neles, a escuridão e a incerteza predominam dando lugar à ansiedade e ao medo.
O argumento de Alek Lean segue a mesma linha condutora já em evidência em Tormenta ao expôr uma constante incerteza e insegurança sobre um determinado aspecto. Se neste último este factor se relacionava com o aspecto físico e a sua íntima relação com o psicológico, em Rewind o espectador aproxima-se destas incertezas mas sob uma aparente perspectiva daquilo que poderá - ou não - ser o futuro que o espera.
Entre incertezas e desafios, "Pedro" aparenta ser um homem atormentado pela desconfiança sobre a sua própria sanidade pois os momentos em que sonha e aqueles em que dele desperta mesclam-se numa viagem pelo desconhecido - real e irreal - que apenas confirmam o resultado de uma mente atormentada por uma qualquer realidade ainda não confirmada. É talvez nesta falta de confirmação de um fundo de base que justifique e valide a personagem interpretada por Rycher Juan que reside o calcanhar de Aquiles de Rewind onde - mesmo com todos os sucessivos retrocessos e repetições da história - o espectador fica por saber aquilo que atormenta "Pedro" - se é que algo.
Com uma direcção de fotografia desconcertante onde persiste a incerta da "realidade", Rewind tem alguns momentos técnicos menos conseguidos nomeadamente no que à imagem e focagem diz respeito mas, ainda assim, é um interessante objecto de estudo sobre as dinâmicas da mente humana sofrendo ainda de uma certa insuficiência de clímax por se assumir como o segundo elemento de uma trilogia que - esperamos - justifique aquilo que aqui não foi explicado.
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6 / 10
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