quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O Efeito Isaías (2015)

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O Efeito Isaías de Ramón de los Santos é uma curta-metragem portuguesa de ficção e uma das que esteve seleccionada ao Prémio MOTELx de Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror na passada edição.
Isaías (Rui Unas) chega à garagem e sai do carro. Está no carro e a rádio inicia. Volta a sair. E sai mais uma vez.
De los Santos aqui também enquanto argumentista, cria uma história sobre universos paralelos. Sobre buracos temporais e a perda da noção da realidade. Estará o espectador presente uma história que se repete? Perante uma que se sucede num ritmo sem fim criando a clara percepção de uma prisão temporal ou estará estes "Isaías" de Rui Unas num espaço mental perdido e tudo o que se passa à sua volta mais não será do que o fruto de uma insanidade?!
Num claro e aparente desespero, a personagem interpretada por Rui Unas vive a aparição de uma perdição. Seja ela fruto do já mencionado buraco temporal onde as diferentes realidades - ou universos - se cruzam criando uma sucessão de momentos que são, na realidade, sempre o mesmo, aquilo que o espectador retém com mais atenção é o crescente sentido de perda mental que caracteriza a sua personagem. Imaginemos então que cada passo que o sujeito UM desse seria imediatamente repetido diversas vezes em dimensões paralelas criando uma sucessão de potenciais respostas e reacções que, dentro do referido espaço, criariam um conjunto de personagens semelhantes mas em momentos distintos da sua vida. Com esta realidade em mente, consideremos então que cada movimento que se tem já está previamente estabelecido nesta mesma realidade impossibilitando - dessa forma - que o futuro imediato seja diferente daquilo que acabou de suceder instantes antes...
Nesta realidade paralela onde tudo está previamente estabelecido como uma realidade já consumada, o "Isaías" de Unas é assim uma vítima detida - ou capturada - numa prisão temporal e, independentemente do que faça, pense ou decida... tudo irá novamente repetir-se num esgotamento pessoal do qual ele não irá escapar. Desta forma, e prevendo que o Homem é o fruto de um conjunto de acções e reacções já programadas, a grande questão aqui colocada é... até que ponto é a Humanidade realmente livre?
Ainda que sujeita a pequenas e breves alterações na sua dinâmica, O Efeito Isaías é uma obra inteligente e socialmente mordaz criando um tipo de terror alternativo que detém o espectador refém a pensamentos sobre a liberdade, sobre a possibilidade das oportunidades ou tão simplesmente sobre a inevitabilidade de uma vida programada... mas não por si, a qual Rui Unas consegue dinamizar com uma forte e bem estruturada interpretação para o género em questão.
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7 / 10
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