sábado, 20 de novembro de 2010

Bergtagen (1994)

Feitiço de Solveig Nordlund é uma curta-metragem que apesar da sua importante mensagem não deixa de ser um tanto ou quanto aborrecida.
Ao longo de quase oito minutos de duração assistimos a filmagens a enormes arranha-céus que mostram o lado imponente de uma qualquer cidade ao mesmo tempo a que escutamos um conjunto de mensagens num atendedor de chamadas de uma avó, de uma mãe e de amigos de um rapaz ou homem que literalmente desapareceu. Ninguém sabe dele.
À medida que a acção decorre começamos então a assistir a um lado da mesma cidade mais sombrio e negro onde os imponentes arranha-céus dão lugar a prédios em construção ou até mesmo abandonados passando muito bruscamente para um conjunto ainda mais negro de imagens em que se mostram alguns toxicodependentes em pleno acto de consumo.
Ao assistirmos a estas imagens e ao escutarmos as mensagens que familiares e amigos deixam, percebemos muito rapidamente que afinal este homem também entrou por um caminho e estilo de vida que, em última análise, tal como os prédios decadentes e abandonados, também ele irá ter este triste final.
A mensagem é importante e até é bem conseguida numa apreciação geral mas ao mesmo tempo a curta não sai a meu ver totalmente compatível com a mensagem. Afinal, o Homem cai mas as cidades são eternas e por cá irão estar muito para além da nossa existência.
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4 / 10
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

The Lovely Bones (2009)

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Visto do Céu de Peter Jackson era o filme muito aguardado do realizador neo-zelandês e que conseguiu reunir um elenco de luxo onde se destacam as presenças de Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Stanley Tucci, Michael Imperioli e Saiorse Ronan.
Este filme conta a história da família Salmon, e em especial a de Susie (Ronan), uma das filhas do casal Jack e Abigail (Wahlberg e Weisz) que é morta por George Harvey (Tucci), um predador seu vizinho. A sua história não termina por aqui. Após o seu assassinato Susie continua a acompanhar a vida da sua família e como ela se vai destruindo pela ausência de um desfecho para o seu caso, e acompanha especialmente a sua irmã Lindsey (Rose McIver), pela qual George começa a nutrir uma especial atenção.
Nunca é demais referir que Visto do Céu é logo um atractivo para qualquer apreciador de cinema se considerarmos logo à partida o seu elenco. Saoirse Ronan, talvez a mais desconhecida de nós mas já nomeada a um Oscar como actriz secundária pelo seu desempenho em Expiação, tem uma vibrante e emocionante interpretação dramática como vítima de um predador que a assassinou. A sua prestação enquanto Susie Salmon demonstra a angústia de uma jovem que vivia a sua entrada na adolescência onde esperava pelo seu primeiro amor, aqui interpretado por Reece Ritchie, e também a vida de uma adolescente no seio de uma típica família que poderia ser de qualquer parte do mundo.
Stanley Tucci, que teve aqui a sua primeira nomeação a Oscar de Actor Secundário, tem um excelente desempenho como o vilão de serviço. Normalmente habituado a vê-lo a desempenhar personagens simpáticas ou vilões mais "cómicos", este trabalho, que acrescento lhe assentou que nem uma luva, foi no mínimo surpreendente e medonho. Muito ao estilo do que aconteceu com Anthony Hopkins n'O Silêncio dos Inocentes, simpatizamos tanto com o actor que nem mesmo o papel como vilão nos faz gostar menos dele.
A finalizar o elenco temos Susan Sarandon, Rachel Weisz e Michael Imperioli que têm desempenhos sólidos e credíveis no filme. Sarandon como a avó que tenta manter a família unida depois da morte da sua neta. Weisz como a mãe que não consegue aguentar a pressão do que se passa à sua volta e "foge" da família durante uma longa temporada e Imperioli como o detectiva que investigou o assassinato, compondo eles os elos que dão continuidade à vida e aos problemas que atravessam todos os membros desta família.
Finalmente a grande surpresa vem de Mark Wahlberg que nos entrega o desempenho mais dramática e sentido do filme como o pai de Susie que simplesmente entra em colapso por tentar a todo o custo investigar a morte da filha para além daquilo que a própria polícia tenta e faz. Não será um desempenho maior da sua carreira mas pelo menos mostra uma sua nova faceta para além do habitual "mau da fita".
Além de ter um fabuloso elenco onde se destaca este conjunto de actores que dão o seu melhor, e menos não seria de esperar, este filme reune ainda um fantástico conjunto de efeitos visuais que o tornam não só um magnífico filme dramático como também uma excelentemente bem executada explosão de cor e de movimento.
Todos os segmentos que acompanham a vida para além da morte de Susie Salmon são no mínimo magníficos. A explosão entre cores fortes e vivas que a guiam para a aceitação da sua nova condição em contraste com as cores nocturnas e mais pesadas reflexo dos seus sentimentos de pesar e de incapacidade de auxiliar a sua família a poder prosseguir com a sua vida são dos momentos mais felizes e bem conseguidos de todo o filme.
O único factor menos positivo, e que nem é culpa deste filme, é o facto de se aguardar que fosse outro Senhor dos Anéis, considerando que o realizador é o mesmo. Talvez esse aspecto tenha desiludido algumas pessoas que esperavam outro épico quando, na realidade, este filme prende-se mais com aspectos dramáticos e com a sobrevivência de uma família para além da morte de um dos seus, mais concretamente pela morte de um elemento que daria continuidade à própria família. E tudo isto visto do céu, pelos olhos daquela que partiu.
Temos então não um épico mas um filme íntimo, dramático e cheio de sentimentos e emoções que só a verdadeira família poderá na realidade sentir. Imperdível e talvez das obras maiores e melhor de Peter Jackson.
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"Susie Salmon: I wasn't lost or frozen, or gone... I was alive; I was alive in my own perfect world."
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8 / 10
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Shutter Island (2010)

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Shutter Island de Martin Scorsese é um intenso thriller do realizador de Casino e Tudo Bons Rapazes que marca uma nova colaboração com o seu novo actor fetiche Leonardo Di Caprio.
Scorsese reune aqui aquele que é um elenco de luxo onde participam além de Di Caprio, os actores Ben Kingsley, Mark Ruffalo, Patricia Clarkson, Emily Mortimer, Michelle Williams, Max von Sydow, Jackie Earle Haley, Elias Koteas e Ted Devine. Só pelos nomes já desejamos que o filme valha a pena, e ao considerarmos o realizador, temos a garantia de que mau filme não será.
Acompanhamos então a chegada do detective Teddy Daniels (Di Caprio) que chega a Shutter Island para descobrir o estranho desaparecimento de uma doente que se encontrava num quarto isolado e fechado.
Através de inúmeras incursões quer pela ilha sombria, misteriosa e cada vez mais alvo de uma tempestada que tudo e todos nela isola, assistimos àquilo que para nós é uma cada vez maior intriga política que afecta não só alguns dos doentes que nela se encontram como também os dois detectives que a ela chegaram para investigar o sinistro desaparecimento até que, já bem perto do final começamos a perceber que afinal nem tudo é aquilo que, à partida, parece ser.
Com um por vezes algo sinistro argumento da autoria de Laeta Kalogridis, Scorsese dirige este filme que, não sendo a sua obra maior ou sequer que suplante o anterior filme, consegue ser suficientemente pesado e com algumas ideias com as quais nós somos infelizmente obrigados a concordar e reconhecer que se calhar até aconteceram, e que tem na sua quase totalidade uma certa aura de desconforto.
E desconforto porquê? Bom... começando pela própria temática que envolve o desaparecimento de uma doente que se encontrava isolada é por si só já algo que nos deixa que pensar. Se juntarmos a isto o facto de a ilha/hospital psiquiátrico ter um conjunto de médicos que foram claramente médicos que estiveram em campos de concentração (não esquecer que a acção do filme se centra no período pós-Segunda Guerra Mundial), também o facto de a maioria das personagens assumir desde o início ao final um comportamente francamente estranho e que a personagem principal assume uma teoria de conspiração governamental na época da caça às bruxas... então isto não é desconforto... é quase mesmo a teoria da conspiração.
No entanto esta teoria, que perdura quase durante todo o filme, desvanece já bem perto do final para dar lugar à triste realidade que assombra as personagens centrais do mesmo.
Intensa também é a banda-sonora... Fez-me, por inúmeras vezes, lembrar a d'O Cabo do Medo em que o que realmente assustava era a interpretação de De Niro mas a banda-sonora do filme teve a sua quota parte de culpa em nos manter bastante tensos enquanto assistiamos ao decorrer da acção, e não me espantaria em nada vê-la nomeada a um Oscar na próxima edição em 2011.
Como disse anteriormente esta não será a obra maior de Scorsese ou pela qual este irá ser lembrado. Também não digo que será uma obra menor... Simplesmente não tem a mesma intensidade que têm outras obras, talvez também pelo facto do nome do realizador está fundamentalmente ligado a uma filmografia de filmes de Mafia. No entanto, não será com este filme que iremos ver novamente Scorsese nomeado aos Oscars. Acredito que além da banda-sonora como referi, que o filme obtenha mais umas quantas nomeações em categorias como o Guarda-Roupa, Montagem, Direcção Artística e Som. Pouco mais do que isso. Não será com este filme que Di Caprio irá conquistar a sua nomeação a Oscar de Actor apesar de, uma vez mais, ter conseguido superar-se enquanto actor.
Interessante como um filme de actores onde, além de Di Caprio, também Jackie Earle Haley e o eternamente grandioso Ben Kingsley se destacam uma vez mais de forma bem positiva. E claro, é sempre muito bom ver uma Patricia Clarkson a aparecer novamente no ecrã... só é pena que não em papéis de maior duração porque qualidade têm todos.
Interessante e bom filme de drama e suspense que nos consegue prender do primeiro ao último momento e que nos consegue surpreender na recta final de uma forma muito interessante e bem orquestrada. Como toda a filmografia de Scorsese, também este não se deve perder.
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8 / 10
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Arena (2009)


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Arena de João Salaviza foi a curta-metragem portuguesa que, em 2009, venceu a Palma de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Cannes para grande espanto e surpresa de todos (pelo menos por estas bandas).
O filme, que sejamos honestos seria completamente esquecido por Portugal não tivesse ele ganho a Palma de Ouro em Cannes, segue Mauro (Carloto Cotta), detido em casa com pulseira electrónica que é abordado por uns miúdos a quem fez uma tatuagem e estão descontentes com o trabalho feito. Como vingança entram na casa de Mauro, agridem-no e roubam o seu dinheiro, algo que gera no mesmo a sede de vingança.
Após sair de casa, violando claramente a sua sentença, persegue-os com o objectivo de recuperar o seu dinheiro e após prender um deles na mala de um carro, Mauro olha para o céu e enquanto faz a sua "mijadela" da praxe, rende-se perante o esplendor daquilo que apenas pode ser equiparado à liberdade, esquecendo assim todos os seus sentimentos de vingança. Nada mais libertador do que um homem aliviar a bexiga a céu aberto... *sigh*
Com interpretações contidas da parte de um Carloto Cotta que tem aqui o desempenho pelo qual a sua carreira já esperava há bastante tempo, porque sim o tipo até tem jeito só lhe faltam mesmo é papéis à altura do seu talento, este filme foi um justo vencedor do elevado galardão que recebeu.
A Carloto Cotta, como disse, era o que lhe faltava. O seu desempenho está bem dirigido e coerente, sendo assim a rampa de lançamento que lhe faz justiça. E podemos ver também como desde então o seu ritmo de trabalho tem aumentado estando ele presente em pelo menos dois filmes longa-metragem e em papéis principais.
João Salaviza está realmente de parabéns e o seu trabalho como realizador desta curta (que aqui pode ser vista na íntegra) é, na minha modesta opinião, notável. Em termos técnicos apenas posso destacar que o seu trabalho de câmara dá a clara sensação do sentimento de clausura enquanto Mauro se encontra no seu minúsculo apartamento e, ao mesmo tempo, quando dele sai sentimos também o que é de facto a liberdade. A imagem em que ele e o céu preenchem o ecrã é demasiado reveladora.
Justo vencedor da Palma de Ouro na categoria de curta-metragem só é pena que desde então não se tenha ouvido mais falar de Salaviza como deveriamos ter. Aguardam-se então novos desenvolvimentos.
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7 / 10
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Estoril Film Festival: palmarés

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MELHOR FILME: Tilva Rosh, de Nikolai Lezaic
PRÉMIO ESPECIAL DO JÚRI JOÃO BENÁRD DA COSTA: Isabelle Huppert, em Copacabana
PRÉMIO MONTBLANC ARGUMENTO: Andrey Stempkovsky, Anush Vardanyan e Givi Shavgulidze, em Reverse Motion
MENÇÃO HONROSA: Zaur Bolotayev (Fotografia), em Reverse Motion
PRÉMIO CINEUROPA: Tilva Rosh, de Nikolai Lezaic
MENÇÃO ESPECIAL: Song of Tomorrow, de Jonas Holmstrom e Jonas Bergergard
PRÉMIO MEO CURTA-METRAGEM: Sredni Vashtar, de Alana Osbourne e Sing Me Too Sleep, de Magnus Arnesen
MENÇÃO ESPECIAL: Le Dernier Instant, de Bouchra Moutaharik
PRÉMIO L'ÓREAL JOVEM TALENTO: Joana de Verona
PRÉMIO CONCURSO CURTAS-METRAGENS CANON: ETIC
PRÉMIOS ESPECIAIS: John Malkovich, Marisa Paredes, Alberto Garcia-Alix, Baltasar Gárzon, Giya Kancheli
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Carry on Cabby (1963)

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Com Jeito Vai... Motorista de Gerald Thomas continua a longa série de filmes que reuniu este grupo de actores britânicos entre os anos 50 e os anos 70 naquela que é de longe uma das mais divertidas séries de comédia do cinema daquele país.
A história deste filme decorre numa firma de táxis propriedade de Charlie (Sid James) que para ela dá tudo desprezando e desvalorizando o tempo que passa com a sua mulher (Hattie Jacques) que é cada vez menos, até ao dia em que ela farta resolve dar uma volta à sua vida, tornar-se mais independente e fazer frente à empresa do marido.
Longe dos tempos áureos desta saga britânica em que todos os filmes estavam altamente conotados com uma componente mais sexual em que a mulher é um objectivo para a devassidão de alguns homens, aqui a única coisa que se mantém é mesmo a grande batalha dos sexos que compôs qualquer um destes títulos se bem que de uma forma bem mais inocente.
Interessante como um dos muitos filmes desta saga que durou mais de vinte anos e que tantas e tantas gargalhadas causou aos seus espectadores e fãs mas, de entre os inúmeros títulos consegue ser um dos mais fracos porque já não é tão inocente como os primeiros títulos nem tão pouco é dos mais atrevidos e irreverentes.
Divertido e um bom elemento para causar algumas risadas para aqueles que são seguidores destes filmes mas é de longe a obra máxima de entre todos eles.
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6 / 10
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domingo, 14 de novembro de 2010

Sand Serpents (2009)

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Areias Perigosas de Jeff Renfroe é mais um daqueles filmes que mais valia a pena terem aproveitado o dinheiro gasto para apaziguar qualquer fome mundial do que propriamente no filme em si.
Um grupo de soldados norte-americanos capturados pelos Talibãs no Afeganistão enfrenta um perigo maior do que os ditos... E que perigo é esse? Ora... Nada mais nada menos do que, tal como o próprio nome original do filme indicado, um género de "serpentes" gigantes (e pelos vistos cegas) muito ao estilo do Palpitações mas aqui com muito menos qualidade.
À semelhança do que se passou com o Palpitações II, III, IV e seguintes (foram muitos), que perderam TODA e alguma qualidade e piada que o filme original poderia ter, este Areias Perigosas não foge à regra e é um filme pobre e de fraca qualidade, história e sentido.
E o que é que temos então com este filme? Absolutamente nada que se possa considerar de jeito! Vejamos então... Temos um grupo de heróicos soldados e todos com má pinta que vai para o Afeganistão lutar pela "liberdade" e contra o terrorismo mas que, por serem tão "bons", são capturados pelos talibãs e detidos numa qualquer ruína no meio do deserto. Depois, vindo do nada, quando estão prestes a ser eliminados, ouvem um estrondoso rugir fora do local em que estão e misteriosamente todos os que os capturavam desaparecem sem deixar rasto.
Os americanos, que lá conseguem escapar do seu cativeiro sem guarda, e após pedirem auxílio, quando este está prestes a chegar é literalmente comido por uma cobra gigante, e cega (atentemos aos detalhes), que a partir desse momento e até ao final do filme os persegue sem dó nem piedade.
Been there... Seen that... Nada de novo. É um estilo esgotado logo no final do primeiro de todos a ser feito e que mais ninguém, mas ninguém MESMO, deveria ter repetido o estilo porque em nada de nada adianta.
Perseguições e mais perseguições... Um bando de marines indefesos a fugir de um monstro gigante que os quer comer (mas atente-se ao detalhe que foi o mesmo que os "salvou" dos talibãs) que termina com apenas um ou dois sobreviventes e a eterna criança também ela indefesa mas que se safa para dar continuidade à espécie.
Calma. Não terminou ainda... No momento em que tudo parecia estar no fim e lá iam os sobreviventes no seu helicóptero, lá salta outra cobra gigante do meio do nada para comer mais um (sim, mais um) helicóptero, até que o herói do momento salta em pleno voo rebenta com ele... e com a cobra... Lindo... Muito lindo...
Pobre, fraco, sem graça, sem vigor, sem grande acção... Simplesmente pobre. O típico filme de sexta-feira à noite nesse grande canal que é a TVI.
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1 / 10
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sábado, 13 de novembro de 2010

Care Bears: Journey to Joke-a-Lot (2004)

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Ursinhos Carinhosos - Viagem à Terra da Brincadeira de Mike Fallows não passa de uma triste e pobre adaptação dos anteriormente engraçados desenhos animados que encheram os ecrãs televisivos nacionais da ida década de 80.
Eu já deveria ter desconfiado que não iria sair grande coisa deste filme não tivesse sido ele uma oferta para aqueles que, na campanha existente, comprassem As Crónicas de Riddick. Vin Diesel e Ursinhos Carinhosos não parece, logo à partida, um casamento feliz.
Aqui temos novamente as aventuras deste grupo de ursos multicolor que, ao contrário de tempos que já lá vão, não conseguem nem ser engraçados nem transmitir a agradabilidade que tinham. Porquê? Bom... na série animada que passava nos anos 80 recordo que os bonecos em si tinham, apesar dos eventuais meios menos evoluídos com que eram feitos, uma graciosidade de movimentos. Aqui, quase vinte anos depois, o que temos é um conjunto de animações que se notam claramente ter sido realizadas através de um programa computorizado que torna os bonecos e seus respectivos movimentos quase como se fossem uns automatos. Resumindo, tem momentos em que assustam mais do que propriamente conseguem provocar graça ou simpatia. Por breves momentos ainda me passou pela mente se realmente eles ainda eram os ursinhos carinhosos ou se por esta altura já estavam na fase dos ursinhos possuídos...
Àparte deste pequeno grande detalhe há também que refletir na própria história do filme. É certo que, sendo o principal público alvo as crianças, a história deve ser mais simples e acessível para que estas consigam captar certos valores e ideias como a amizade, a entre-ajuda e o companheirismo não se deve, de forma alguma, tratar aqueles que são mais jovens como se fossem imberbes que não conseguem captar ideias tão importantes como estas. Há que usar uma linguagem mais acessível, é um facto, mas não partir do princípio que por se ser mais novo se é, ao mesmo tempo, mais limitado e pouco dado a pensar. Ao ver este filme, a ideia que me ocorreu logo foi esta... A linguagem e a tentativa de transmitir ideias está tão básica que acaba por assustar só de pensar que será mesmo necessário recorrer a uma comunicação tão... rudimentar?
Os "ursinhos" podem de facto ainda ser carinhosos. Aliás, assim o serão para toda a eternidade... O que é certo é que qualquer tipo de magia e graça que tinham ficou enterrada, sabe-se lá até quando, tendo passado a algo mecânico demais para pensarmos que poderá vir a ter algum tipo de "salvação".
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1 / 10
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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sanguepazzo (2008)

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Sangue de Guerra de Marco Tullio Giordana é um excelente drama baseado em factos reais passado nos antes 30 e 40 numa Itália dominado por um regime fascista e segue a vida de dois actores da era Mussolini, sendo eles Luisa Ferida e Osvaldo Valenti.
Com este filme seguimos a vida de Luisa Manfrini (Monica Bellucci), mais tarde Ferida, uma figurante e secundária no cinema da era-Mussolini que captou as atenções dos realizadores da época pela sua beleza e graciosidade. Seguimos também o percurso de Osvaldo Valenti (Luca Zingaretti), actor, boémio e mais tarde companheiro de Luísa.
Aqui vimos o seu percurso enquanto actores emergentes e as suas vidas de boémia que passava pela droga e promiscuidade mas ao mesmo tempo pela admiração e respeito tanto dos seus colegas como do público até que, com o eclodir da guerra e o seu envolvimento excessivo com a máquina de guerra fascista, os tornou de amados a odiados e identificados na totalidade com o regime que levara Itália a uma guerra e, como consequência, à sua execução após o final do conflito.
É escusado esconder que este filme era já há muito aguardado por mim. O motivo é mais do que óbvio... Ter a presença da Monica Bellucci é a primeira e principal razão pelo qual me dava muita vontade de o ver. De seguida, ao ser um filme centrado nos acontecimentos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial é, digamos, a "cereja" no topo no bolo.
Quando factores destes se unem e quando o próprio filme foi um dos seleccionados aos Donatello em 2008, é natural que a curiosidade comece a aumentar. E com razão. Foi uma longa espera pelo filme, longa demais até, mas compensou porque o filme deixou uma significativa marca tanto pelos desempenhos como pela história que era, por mim, totalmente desconhecida.
De Luca Zingaretti muito pouco conhecia mas há que ser realista e dizer que tem um estrondoso desempenho enquanto Osvaldo Valenti. A sua loucura e dependências, quer da droga inicialmente quer de Luísa depois, são retratadas de uma forma tão convincente que na realidade acreditamos que as emoções que ele nos transmite estão de facto a ser sentidas pelo actor.
Quanto a Bellucci enfim... que dizer? Não só continua a transmitir a sua imensa, e intensa, beleza no ecrã como cada vez mais se nota que de filme para filme está cada vez melhor. E é deste tipo de argumentos que ela precisa realmente. Aqueles que lhe dão personagens com conteúdo intenso e onde o seu lado dramático pode brilhar muito ao estilo do que aconteceu em Malèna. Sentimos a sua revolta quando é comparada à classe operária sem ninguém sequer conhecer o meio de onde provinha. Sentimos a sua dor quando perde o filho que sempre quis. Sentimos o seu medo quando é perseguida e finalmente sentimos qual o exacto momento em que percebe que irá ser executada. Bellucci está no seu melhor... e cada vez melhor!
De destacar ainda o actor Alessio Boni, que interpreta Golfieri, o amigo de Luisa Ferida, que a lançou e sempre acarinhou como se fosse (e era) o amor que nunca iria ter. Um secundário de peso que em muito contribui para a tentativa de salvação de Ferida e de Valenti.
Este filme, como tantos outros que nos tentam dar um olhar e uma visão sobre os duros anos de guerra, não deixa de ser um intenso filme dramático sobre um período negro da História Europeia e, ao mesmo tempo, uma história de amor entre duas pessoas que apenas se auto-destruiríam com o passar dos anos. Uma relação que passou por todo o tipo de provações, que por uns foi desejada e idolatrada e por outros invejada e odiada.
Um filme que mostra o melhor e o pior das pessoas numa altura em que tudo e todos era questionado e posto em causa e que acaba por mostrar que num conflito acabamos sempre por escolher, (in)conscientemente, um lado. Mesmo quando esse lado é a neutralidade... Esta consegue ser mais vinculadora do que fazer uma escolha convicto do que se faz.
Tecnicamente o filme está, como não seria de estranhar, muito bom. Desde o guarda-roupa de Maria Rita Barbera, à banda-sonora de Franco Piersanti ou à fotografia de Roberto Forza, tudo é feito a que o filme esteja realmente credível, bem executado e que nos dê uma fiel ideia do período negro pelo qual a Europa passava.
Não sei se este Sangue de Guerra será o melhor filme do ano, no entanto, sei que se não o é... está lá muito perto.
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10 / 10
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Córtex - I Festival de Curtas-Metragens de Sintra

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dino de Laurentiis

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1919 - 2010
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Ferris Bueller's Day Off (1986)

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O Rei dos Gazeteiros de John Hughes foi um dos grandes sucessos do cinema teen dos anos 80 e que ainda hoje é um marco incontornável no mesmo na medida em que gerou um imenso círculo de fãs que, basicamente, o veneram.
Este filme serviu igualmente como uma rampa de lançamento para o seu actor principal que é, de longe, o grande e único motor do próprio filme. Falo claro de Matthew Broderick que aqui foi nomeado a um Globo de Ouro de Melhor Actor Comédia e que desde então não conseguiu, e provavelmente não conseguirá, semelhante papel que o coloque no "topo".
Neste filme acompanhamos um dia na vida de Ferris Bueller (Broderick), aquilo que em bom português chamamos de "chico-esperto" que, tal como o título do filme indica, é um profissional a faltar às aulas e que aqui decide ter a sua última grande gazeta que servirá quase como um grande desfecho a este perído da sua vida estudantil.
A acompanhá-lo na sua "folga" temos o seu melhor amigo Cameron (Alan Ruck) e a sua namorada Sloane (Mia Sara) ao mesmo tempo que Ed Rooney (Jeffrey Jones) o director da escola o tenta caçar e mostrá-lo como um exemplo do que não deve ser feito, e Jeanie (Jennifer Grey) a irmã que está farta de o ver escapar a todas as trapaças que faz aos seus pais.
Conseguirá Ferris escapar a tudo isto sem ser descoberto? Irá ele ter sucesso em celebrar a sua última e grande gazeta à escola? Estas são as perguntas que quem ainda não viu este filme (como será isso possível?!!) terá de responder depois de o ver...
E que temos então aqui? Temos um de muitos dos filmes que foram feitos por John Hughes sobre as vidas dos adolescentes que estão prestes a entrar na sua idade adulta e que, como tal, vivem todo o tipo de dramas quer existenciais quer sobre o que irão fazer no dia seguinte para dar continuidade às suas vidas.
Também este filme reflete sobre a ausência da família, ou pelo menos a presença de uma família disfuncional onde a materialidade e a valorização de objectos e de promoções são, na teoria, mais importantes do que a estabilidade emocional e afectiva entre o seio familiar. Temos isto muito presente na personagem de Alan Ruck que com o seu "Cameron" retrata na perfeição um adolescente que sente acima de tudo a falta de um pai que o estime.
Vários são os segmentos que neste filme atingem o delírio da comédia... Temos isso presente na parada germano-alemã que é "assaltada" por Ferris, a ida ao restaurante de luxo onde são quebradas quaisquer tipo de convenções ou mesmo os engenhos que a personagem principal encontra para poder fazer crer a tudo e todos que realmente se encontra em casa doente enquanto está a disfrutar os prazeres de uma vida sem preocupações em plena cidade.
Por sua vez também temos os momentos mais tensos e dramáticos, quase todos passados com Cameron em que percebemos claramente que temos ali um adolescente em pânico com aquilo que será o seu "dia seguinte". Assombroso o momento em que, no museu, olha para um quadro e em que percebemos que tal como no que lá está representado, também ele está num local perfeito mas com uma enorme vontade de gritar e de se libertar. Ele anseia pela liberdade. Tanto sua fisicamente como principalmente do seu espírito que vive atormentado e com medo.
Talvez como ninguém até à data, John Hughes conseguiu transpôr ao cinema os anseios, medos, frustrações, os amores, os sonhos e as vontades de toda uma geração que anseava em absoluto pelo futuro e pelo que ele poderia trazer de bom.
Talvez por isso mesmo os seus filmes sejam hoje em dia objectos de culto e com legiões imensas de fãs que vivem e respiram os seus filmes mesmo hoje, passados mais de vinte anos sobre aqueles que foram as suas obras mais emblemáticas.
Talvez por eles representarem aquilo que, basicamente, está na essência de cada um de nós... a vontade de liberdade... de poder sonhar... e principalmente de não perdermos aquilo que nos faz esperar pelo dia de amanhã... a esperança.
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"Ferris Bueller: Life goes by pretty fast. If you don't stop and look around once in a while... you could miss it."
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8 / 10
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quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mean Creek (2004)

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Uma Pequena Vingança de Jacob Aaron Estes é um drama teen que decorre numa pequena cidade do interior dos Estados Unidos e que tem nos principais papéis Rory Culkin, Trevor Morgan e Scott Mechlowicz.
A acção do filme decorre após aquele que parece ser mais um bullying por parte de George (Josh Peck) sobre Sam (Culkin). Depois de já estar farto de ser constantemente agredido, Sam combina com o seu irmão Rocky (Morgan) e com uns amigos deste em pregar uma partida bem forte a George para o humilhar perante toda a cidade.
Depois de convidarem George sob o falso pretexto da festa de aniversário de Sam, e de dirigirem para o rio onde iriam fazer canoagem, George revela inicialmente uma personalidade mais dócil e frágil até ao momento em que se sente novamente provocado e reage como sempre havia feito até aí. Momento este em que tudo muda de figura.
Este filme composto quase na sua totalidade por actores mais jovens toca num assunto que até há bem pouco tempo era totalmente tabu, ou seja, o bullying. Quantos não serão os jovens que maioritariamente no silêncio não sofrem ataques consecutivos de outros jovens, nomeadamente nas escolas, e que se fecham e isolam tentanto mostrar aos demais que não se passa nada?
Esta seria a premissa inicial do filme até ao momento em que a personagem interpretada por Rory Culkin desabafa e confessa ao irmão o que afinal se tem passado com ele. É então aqui que a história toma outros contornos e se assume como aquilo que ela na realidade é... uma história de vingança. Vingança esta que assumia inicialmente contornos não tão "graves" mas que, com o desenrolar da acção se assumiu como uma vingança pura e dura para alguém que fazia os demais sofrer quer física quer psicologicamente às suas mãos.
Este filme deixa-nos pensar onde está na realidade o agressor. Será ele George, um jovem problemático que mostra que a única atenção de que é alvo é aquela que tem das suas vítimas quando as agride? Serão os agressores os outros jovens que são diariamente alvos destas investidas violentas?
Por sua vez deixa-nos igualmente a ponderar sobre quem será a verdadeira vítima.... É George a vítima na medida em que tem pouca atenção em casa e ainda menos na escola, muito derivado também das dificuldades de aprendizagem que revela ter ao longo do filme? Serão os demais jovens que sofrem às mãos de George?
Quem é a verdadeira vítima e o verdadeiro agressor no meio de tudo? Nada mais simples do que pensarmos que existe apenas uma resposta para ambas as perguntas... A sociedade. É ela que permite que um jovem tenha e continue a ter dificuldades de aprendizagem e que não seja devidamente inserido num contexto de compreensão e atenção. É ela que permite que os mais jovens assistam a todo o tipo de violência e que pensem que essa é a única forma de obtenção so que querem, e não através do diálogo. Finalmente, é também a sociedade, e por sua vez a comunidade, a verdadeira vítima na medida em que são estes mesmos jovens que, de uma forma ou de outra, irão ser os futuros líderes e adultos da mesma, perpetuando assim um ciclo de violência que dificilmente consegue encontrar o seu fim.
Assumo que foram precisas duas vezes para ver este filme, e que ambas foram separados por cinco anos para que pudesse claramente perceber a mensagem que este filme tem. Não por não lhe ter dado devida atenção da primeira vez, mas porque há temas e assuntos que felizmente deixam de ser tabu com o passar dos anos, e podemos assim perceber acções que se passam à nossa volta e por vezes até mesmo connosco. É esta distância temporal que faz este filme realmente ganhar a importância que tem e tornar-se numa importante peça que testemunha aquilo que hoje vulgarmente conhecemos como bullying. Como este assume contornos perigosos que vão desde a violência física à psicológica e como nos compete a nós enquanto comunidade e membros da sociedade tomar medidas para que ela não se perpetue num ciclo vicioso do qual a juventude dificilmente escapa.
A ignorância não é felicidade. Nunca foi. Nunca deveria ter sido. Não é. E espero sinceramente que nunca o seja.
Um aplauso aos brilhantes desempenhos que este grupo de jovens actores aqui tem que retrata de forma exacta e coesa um dos mais fortes e pesados dramas da população mais jovem.
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7 / 10
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Fish Tank (2009)

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Aquário de Andrea Arnold é um interessante e muito bem dirigido filme britânico não só sobre a passagem da adolescência à idade adulta como também sobre a moral e os valores que devem reger o ser humano.
A dar vida às personagens principais temos Katie Jarvis, uma jovem actriz que tem aqui a sua primeira experiência de representação mas que conseguiu com este filme ser nomeada para inúmeros prémios incluindo o de Melhor Actriz Europeia. Temos também um dos pesos pesados do cinema Europeu da actualidade que é o excelente Michael Fassbender que uma vez mais surpreende e mostra aquilo de que é capaz com mais um forte desempenho.
Neste filme seguimos a vida de Mia (Jarvis), uma adolescente britânica que tem uma personalidade vincada e forte demais que a leva a enfrentar tudo e todos, pensamos nós, apenas por ser uma questão de afirmação. Perita em encontrar confusão por todo o lado por onde passa, depressa percebemos que mais não que uma forma de se proteger de uma sociedade da qual ela própria também vê ter pouco interesse.
Percebemos também pelo seu meio envolvente que Mia vive num ambiente pesado demais para ser uma pessoa dócil. Uma mãe (Kierston Wareing) ainda jovem e preocupada demais com a sua própria vida do que dar atenção às suas duas filhas adolescentes e uma vida de bairro social de onde percebe não conseguir sair facilmente, contribuem para que o seu comportamento seja adequado ao espaço em que vive.
Tudo muda no dia em que a mãe leva para casa Connor (Fassbender), o novo namorado, e por quem Mia vai desenvolver uma paixão secreta que percebemos ir longe demais.
Este filme que além de receber o BAFTA de Melhor Filme Britânico do ano foi ainda seleccionado para a Palma de Ouro em Cannes, tendo vindo a conquistar o Prémio do Júri, e no Fanstasporto recebeu ainda os Prémios de Melhor Filme e Realizador da Semana dos Realizadores, tem além de um óptimo argumento que reflete sobre o dia de uma jovem de um bairro social e sobre a sua adolescência, tem como o seu ponto mais forte as magníficas e credíveis interpretações compostas por Jarvis, Fassbender e Wareing, o trio principal de actores.
Katie Jarvis é, para uma actriz que compõe a sua primeira interpretação, simplesmente brilhante e todos os prémios para que foi nomeada ou que recebeu foram, sem sombra de dúvidas, merecidos. A sua composição enquanto uma jovem socialmente instável e desprotegida num meio que lhe é agreste é magnífica. Sentimos a sua vontade de procurar e ter algo melhor, algo que é mais que evidente quando tenta salvar uma égua que pensa estar a ser vítima de maus tratos. Como não o consegue para ela, talvez consiga para outro ser ainda mais frágil.
Percebemos igualmente o quão complicado é para uma jovem, forte mas francamente fragilizada, poder conseguir ultrapassar as adversidades que a sociedade ou uma família disfuncional lhe colocam, e como estes factores a podem levar a enveredar por caminhos que são menos próprios de um ponto de vista moral. Jarvis é, em todas as frentes, muito convincente no seu trabalho.
Por seu lado temos Kierston Wareing, a mãe, ausente, violenta, distante e socialmente inadaptada. Mãe enquanto jovem e desligada das suas filhas já adolescentes com quem não pretende manter qualquer tipo de relação amigável. As suas filhas nada mais são do que entraves para a sua vontade de farras diárias e, como tal, nada melhor do que as manter fora dos seus interesses e afastadas da sua vida.
Finalmente temos Michael Fassbender, como sempre brilhante, no papel de Connor, o homem que aparece inicialmente na vida da mãe mas que é da filha de quem vai gostar e com quem vai desenvolver uma relação, e tensão, bastante perigosas.
Gosto destes filmes sobre vidas marginais e inadaptadas. Pronto, assumo. Gosto destas histórias ou nem tudo, ou menos nada, é perfeito ou corre bem. Gosto de ver diferentes pessoas perante as adversidades e como, perante elas, conseguem (sobre)viver para que, no final, consigam dizer "eu passei por lá". Perceber como reagem, o que fazem. Perceber, ou não, os porquês e o que as levou a chegar a um determinado ponto ou situação. Como conseguiram de lá sair e como encaram depois tudo o que fizeram ou passaram. Se guardam ressentimentos, angústias ou assuntos por resolver.
Gosto de ver que do Reino Unido continua a surgir cinema de qualidade para além dos magníficos filmes de época que normalmente chegam de terras de Sua Majestade. É bom ver o cinema real, que mostra o que de facto se passa com grande maioria das pessoas que habitam espaços mais ou menos distantes daquele em que nós próprios nos enquadramos e que, em muitos casos, mantêm problemas tão parecidos com os nossos.
Simplesmente brilhante. Digno de destaque e de atenção. Soberbas interpretações que são magnificamente dirigidas por Andrea Arnold que também compôs o argumento. Que durem estas agradáveis surpresas.
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8 / 10
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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Vincere (2009)

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Vencer de Marco Bellocchio é um excelente drama histórico sobre a vida secreta do ditador italiano Benito Mussolini, deste igualmente grande realizador italiano que conta com as participações de Giovanna Mezzogiorno e Filippo Timi nos principais papéis.
Este magnífico filme inicia-se vários anos antes de Mussolini (Filippo Timi) chegar de facto ao poder. Assistimos à sua vida ainda como militante socialista bem como ao seu período como jornalista onde denunciava os crimes e atrocidades que eram cometidos na sociedade italiana, assim como o seu forte empenho anti-Monarquia.
Um dia conhece Ida Dalser (Mezzogiorno) que ganha uma obsessão quase doentia pela sua figura. Tudo o que ele faz ou diz é encarado por Ida como sendo feito por um deus. Mais tarde casam-se e têm um filho Benito Albino (mais tarde também interpretado por Filippo Timi). Assistimos então à ascenção meteórica de Mussolini ao poder e, ao mesmo tempo, à negação desta etapa da sua vida, de Ida e do seu filho.
Inicialmente Ida faz tudo por tudo para obter o reconhecimento legal por parte de Mussolini, que já era casado, escrevendo para o próprio, para o Papa e para os tribunais, fazendo apenas com que a ira deste político cada vez mais sedento de poder se virasse contra ela e a lançasse numa espiral de desespero e no consequente esquecimento, numa vida de clausura num convento para ela e para o seu filho onde ambos viriam a morrer.
Marco Bellocchio depois de magníficos filmes tais como Buongiorno, Notte e L'Ora di Religione, presenteia-nos com mais um estrondoso filme sobre a vida do ditador italiano num estilo francamente interessante que ora junta imagens de ficção onde os actores dão vida a estas personagens que ficaram na História de um período negro não só de Itália como da Europa, ora temos imagens de época que nos ilustram um pouco do ambiente e do clima que se vivia então. Esta junção de ambas as situações, que dão um ar de documentário ao próprio filme conseguem criar uma atmosfera interessante na medida em que para nós espectadores é ilustrada, e inserida num contexto específico e real, os verdadeiros acontecimentos a que assistimos ao longo do filme. É à custa desta situação que percebemos, como exemplo, o quão vã era a acção de Ida ao escrever cartas para o Papa sobre a sua situação com Mussolini, quando o mesmo Papa havia assinado nessa mesma altura, o Tratado de Latrão que conferia ao Vaticano a independência.
Os actores foram também brilhantemente escolhidos. Refiro-me, como é óbvio, aos dois que preenchem na sua quase totalidade os ecrãs, ou seja, Giovanna Mezzogiorno e Filippo Timi, que com estas magníficas interpretações conseguiram ser nomeados e vencer inúmeros prémios de cinema. nomeadamente a nomeação que ambos conquistaram para os Donatello de Actores Principais e no caso de Filippo Timi ainda a nomeação a Melhor Actor nos Prémios de Cinema Europeu.
Filippo Timi é francamente bom no retrato que faz de Mussolini nos seus anos de revolucionário, mas consegue ser a representar Benito Albino, filho não reconhecido do ditador italiano, que Timi é realmente "assustador"... O retrato de um jovem adulto à beira da loucura é no mínimo assombroso e percebemos muito claramente que estamos perante um enorme talento representativo.
E o mesmo se pode dizer em relação a Giovanna Mezzogiorno que com o seu fabuloso retrato de Ida Dalser comprova uma vez mais que não só é uma das melhores jovens actrizes italianas como é uma das melhores a nível Europeu e mundial. Mezzogiorno tem com este seu retrato, um trabalho digno de ser nomeado a Oscar e é, sem qualquer margem para dúvidas, a grande força de todo o filme, a quem se aplica sem reservas o próprio título... Vincere.
Igualmente em termos técnicos este filme sai vencedor. A execução dos espaços em que os vários acontecimentos relatados é muito boa e credível. As salas onde se reuniam a discutir se Itália entraria na Primeira Grande Guerra... e especialmente o convento. Convento que mais parecia um manicómio ou melhor, uma prisão para aqueles que eram considerados uma ameaça ao Estado e à integridade do ditador. Os espaços são bastante credíveis e o trabalho de fotografia de Daniele Ciprì, vencedor do Donatello na respectiva categoria, confere um ambiente ainda mais pesado que caracteriza na perfeição aquilo que nós imaginamos terem sido os pesados anos que foram.
Também de parabéns está o magnífico trabalho de guarda-roupa da autoria de Sergio Ballo, igualmente vencedor do Donatello, que se transforma de um vestuário elegante, discreto e cuidado na primeira metade do filme, para algo que de certa forma acompanha o real estado de espírito das personagens, que é como quem diz descuidado, pobre (do ponto de vista simples e não relacionado com uma possível riqueza) e que retrata o próprio desespero que Ida Dalser terá sentido ao perceber que nada nem ninguém iriam resolver o seu problema e tratar do seu reconhecimento.
Entre muitos, Vincere é um soberbo filme italiano que não só emociona e comove pela percepção da desumanidade que as pessoas atingem em épocas de poder e em que querem esconder um passado, como também nos dá um magnífico retrato histórico de uma Itália perdida e cujo único rumo seria a própria aniquilação em anos de ditadura e numa guerra que lançaria o país no caos e na miséria. Filme este que venceu os Donatello de Realizador, Fotografia, Design de Produção, Guarda-Roupa, Caracterização e Penteado, Montagem e Efeitos Especiais Visuais.
Um filme que ninguém deve perder quer pelo fantástico trabalho técnico quer pela História, bem como pelo magnífico leque de actores que apresentam um brilhante conjunto de interpretações dignas de figurar entre as melhores do ano.
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10 / 10
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domingo, 7 de novembro de 2010

European Film Awards 2010: os nomeados

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MELHOR FILME
Bal, de Semih Kaplanoglu
Des Hommes et des Dieux, de Xavier Beauvois
The Ghost Writer, de Roman Polanski
Lebanon, de Samuel Maoz
El Secreto de sus Ojos, de Juan José Campanella
Soul Kitchen, de Fatih Akin
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MELHOR REALIZADOR
Olivier Assayas, em Carlos
Semih Kaplanaglu, em Bal
Samuel Maoz, em Lebanon
Roman Polanski, em The Ghost Writer
Paolo Virzi, em La Prima Cosa Bella
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MELHOR ACTRIZ
Zrinka Cvitesic, em Na Putu
Sibel Kekilli, em Die Fremde
Lesley Manville, em Another Year
Sylvie Testud, em Lourdes
Lotte Verbeek, em Nothing Personal
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MELHOR ACTOR
Jakob Cedergren, em Submarino
Elio Germano, em La Nostra Vita
Ewan McGregor, em The Ghost Writer
George Pistereanu, em Eu Cand Vreau sa Fluier, Fluier
Luis Tosar, em Celda 211
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MELHOR ARGUMENTO
Jorge Guerricaechevarría e Daniel Monzón, em Celda 211
Robert Harris e Roman Polanski, em The Ghost Writer
Samuel Maoz, em Lebanon
Radu Mihaileanu, em Le Concert
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PRÉMIO CARLO DI PALMA FOTOGRAFIA
Giora Bejach, em Lebanon
Caroline Champetier, em Des Hommes et des Dieux
Pavel Kostomarov, em How I Ended this Summer
Bans Özbiçer, em Bal
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MELHOR MONTAGEM
Luc Barnier e Marion Monnier, em Carlos
Arik Lahav-Leibovich, em Lebanon
Hervé de Luze, em The Ghost Writer
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MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Paola Bizzarri e Luis Ramiraz, em Io, Don Giovanni
Albrecht Konrad, em The Ghost Writer
Markku Pätilä e Jaagup Roomet, em Püha Tönu Kiusamine
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MELHOR COMPOSITOR
Ales Brezina, em Kawasakiho Ruze
Pasquale Catalano, em Mine Vaganti
Alexandre Desplat, em The Ghost Writer
Gary Yershon, em Another Year
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sábado, 6 de novembro de 2010

Looking for Eric (2009)

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O Meu Amigo Eric de Ken Loach é uma brilhante comédia dramática britânica com a participação de Steve Evets no principal papel que lhe deu a nomeação ao Prémio de Cinema Europeu de Melhor Actor em 2009 e também com o ex.jogador de futebol Eric Cantona que tem agora algumas participações em cinema.
Evets interpreta Eric Bishop, um carteiro fanático por futebol e que se encontra na pior fase da sua vida... Sem mulher, com um trabalho para o qual já não encontra dedicação, dois filhos a viverem a fase da adolescência em que se metem em todo o tipo de problemas e uma filha de uma ex-paixão que o faz reencontrar-se com a mesma.
No entanto, nem tudo corre mal. Eric tem também o apoio dos seus melhores amigos que se encontram sempre por perto e, depois de um charro que lhe subiu bem à cabeça, passa também a ter o apoio do seu ídolo maior... o futebolista Eric Cantona em "pessoa".
Através de muitas "conversas" entre ambos Eric, o carteiro, passa a debater e discutir a sua vida e os problemas que ao longo dos anos lhe foram cruzando os caminhos, o que perdeu, o que abandonou e até onde isso o levou, e a receber conselhos e indicações de Eric, o futebolista. São estas mesmas conversas que o ilucidam sobre o que de facto tem e como deve rentabilizar e concentrar-se nesses mesmos ganhos, como por exemplo ser pai e avô ou o ter dois filhos jovens que precisam da sua orientação, em vez de passar o tempo a pensar naquilo que não tem. E especialmente na possibilidade que tem em poder recuperar e reconquistar a mulher que sempre amou, mãe da sua filha.
Como sempre, visto que já é digamos a "marca" do cinema de Ken Loach, aqui também encontramos uma personagem que não vivendo à margem da sociedade é, no entanto, alguém que a sociedade quase excluiu. Ou melhor, alguém que a sociedade esqueceu. Alguém que sempre passou no limite entre ela e algo que existe para além. Alguém que está "anulado" de ter ideias, objectivos ou sonhos. Alguém que simplesmente se limitou a "estar por lá".
São estas mesmas personagens marginais com as quais conseguimos encontrar pontos de referência com as nossas próprias vidas. Não necessariamente nos aspectos mais negativos, pois positivos também existem. Quer seja de uma forma ou de outra encontramos essas mesmas referências comuns, que existem devido à credibilidade e realismo com que as personagens dos filmes de Loach são elaboradas. Ele cria-as considerando que elas são mesmas pessoas. Pessoas como qualquer um de nós. Pessoas que têm vidas, problemas, tristezas e alegrias e que, como tal, são tão reais como qualquer um de nós e que as suas vivências podem, de uma ou outra forma, ser iguais a tantas outras pessoas.
Steve Evets, o actor que dá vida a Eric o carteiro, era para mim um actor totalmente desconhecido. Não recordo de nada em que o já tivesse visto representar. No entanto, verdade seja dita, que mesmo que este tivesse sido o seu primeiro trabalho de representação, seria totalmente justo afirmar que estaria perante um brilhante actor digno de estar na "galeria" onde brilham tantos outros nomes que conhecemos e amamos. A sua personagem criada num misto de alegria e amargura, de comédia e de drama, é um brilhante retrato sobre a condição humana. Sobre como os problemas que existem na vida podem, e muitas vezes conseguem, moldar o nosso dia-a-dia e como consequência o nosso futuro.
Já quanto a Eric Cantona, o seu retrato como "ele próprio", é uma brilhante lufada de ar, talvez não fresco pois já o vimos representar em outros quantos filmes em papéis secundários, mas impressiona pela sua calma, tranquilidade e dedicação a alguém que precisa de um enorme camião de auto-estima.
A dinâmica que se cria entre os dois "Eric" é, sem sombra de dúvida, um dos pontos bem altos do filme e que o lança num fantástico imaginário com que qualquer um de nós se pode identificar. Duvido que exista a pessoa que nunca se imaginou (não forçosamente à custa do poder do charro) a ter longas e fantásticas conversas com aqueles ídolos que amamos e estimamos acima de tudo.
Paul Laverty, autor do argumento do filme, está de parabéns por ter criado um rico e interessante filme sobre a auto-estima, a valorização pessoal, a amizade, a família e os sonhos... os que se cumpriram e aqueles que estão por cumprir. Brilhante filme dramático. Igualmente brilhante como filme de comédia que nos consegue despertar de uma forma muito natural alguns sorrisos e umas quantas gargalhadas que chegou inclusivé a ser, justamente, nomeado à Palma de Ouro em Cannes.
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"Eric: The noblest revenge is to forgive."
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8 / 10
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Jill Clayburgh

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1944 - 2010
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Robin Hood (2010)

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Robin Hood de Ridley Scott é o regresso do mítico herói desta vez interpretado por Russell Crowe e que tem um elenco de luxo a acompanhá-lo onde se destaca Cate Blanchett, Max von Sydow, William Hurt, Mark Strong e Oscar Isaac.
Robin Hood (Crowe) é aqui um arqueiro ao serviço do Rei nas cruzadas e que na sequência da sua morte em França, regressa a Inglaterra para estar de novo no seu país, e após algumas peripécias pelo caminho e a morte de Robert of Locksley, à qual ele assiste, faz uma promessa de devolver a sua espada, herança de família, ao pai de Locksley, Walter (von Sydow) e proteger Inglaterra de uma invasão francesa.
Historietas à parte, o que aqui temos é uma versão algo diferente daquilo que tradicionalmente conhecemos como sendo a história de Robin Hood.
Começa pelo próprio nome da personagem principal que, para mim, sempre havia sido Robin Locksley e aqui descubro que afinal o Locksley era outro. Continua com o facto de sempre, mas sempre mesmo, ter visto esta história com Marian (aqui Cate Blanchett) a ser a musa e amada de Robin mas que, nesta versão, aparece casada com outro. Depois os eternos amigos de Robin sempre foram "apresentados" como sendo fora-da-lei que este havia encontrado já na floresta aos quais se uniu na luta contra o temido Xerife de Nottingham, mas aqui são, tal como Robin, participantes nas cruzadas que agora tentam regressar ao seu país natal.
Confusão a mais para a minha cabeça numa história que, sendo simples, sempre cativou pela elegância, aventura ou acção com que foi filmada. Aqui, as sequências de acção são muitas e elas sim cativam a nossa atenção. No entanto, a história propriamente dita, aqui parece quase inexistente. Uma memória esquecida.
Russell Crowe e Cate Blanchett que são para mim excelentes actores e praticamente sempre consistentes nos trabalhos que fazem estão aqui quase como anulados. É um facto que estão lá e que são os actores principais do filme mas, no entanto, não têm o magnestismo que lhes é habitual e que nos consegue sempre cativar em qualquer um dos filmes que fazem. No caso de Crowe isto já vem sendo quase que uma "tendência", mas no caso de Blanchett ela sim surpreende. Encantadora como sempre mas... sem o poder interpretativo que lhe é reconhecido.
Um facto é impossível de negar... o lado técnico do filme é muito bom. Seja em termos das sequências de acção, do guarda-roupa da autoria de Janty Yates que não me surpreenderia de receber nova nomeação para o Oscar na respectiva categoria considerando que estão fielmente retratados à época e são sem dúvida um elemento muito rico em qualquer filme de época que se preze. Também a fotografia da autoria de John Mathieson retrata muito o espírito de uma Europa medieval, fechada e sombria que vivia sob a sombra das Cruzadas e da despovoação devido aos mesmas.
Como qualquer obra de Ridley Scott que se preze não estamos perante um mau filme mas, ao mesmo tempo, temos de ser sinceros e reconhecer que está longe do seu melhor. Está longe de um Gladiador, de uma Thelma & Louise, de um Cercados, de um 1492 ou de um Alien. Este Robin Hood não me convenceu enquanto espectador na sua glabalidade tendo conseguido apenas ser positivo em certos aspectos pontuais.
Ainda assim, e depois de tudo isto dito, não me espantaria que conseguisse ser nomeado em 2011 aos Oscars em categorias técnicas como Som e Efeitos Sonoros, Fotografia e Guarda-Roupa, não conseguindo, no entanto, chegar às categorias principais.
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7 / 10
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Reach the Rock (1998)

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O Desafio do Futuro de William Ryan é um filme que conta com o dedo do falecido John Hughes no argumento e na produção o que nos faz obrigatoriamente esperar por uma comédia com toques dramáticos, e que nas interpretações principais nos apresenta Alessandro Nivola, William Sadler e Bruce Norris.
Neste filme conhecemos Robin (Nivola) um rapaz à margem da sociedade na pequena cidade onde vive, pois todos o culpam pela morte de um amigo sobrinho de Quinn (Sadler) o chefe da polícia local. Quando Robin decide lançar o caos numa noite, Quinn e Ernie (Norris) vêem-se completamente abafados pela capacidade que ele tem de os enganar constantemente. Por meio de algumas perseguições inúteis pela cidade que se tornam no momento mais cómico e engraçado do filme, assistimos a pequenas confissões e desabafos por parte destes três homens que mais não são do que o revelar de pequenas frustrações e sentimentos esquecidos ao longo das suas vidas.
As personagens de Nivola e de Sadler são, no seio das três personagens principais, aqueles que mais se confessam e mais se revelam. Tornam-se naqueles que mostram por um lado ter medo de passar à idade adulta e enfrentar os desafios que se avizinham agora (Nivola) e por outro, encarar a realidade dos acontecimentos passados, tentar sarar as feridas e perceber que no meio de tais acontecimentos a culpa não pertencer na realidade, a ninguém (Sadler).
Das obras que conheço de John Hughes esta foi até à data aquela que considero mais fraca. Não que o filme seja mau ou não se veja bem, ou mesmo que não provoque alguns momentos mais bem dispostos mas, não tem a força ou o protagonismo que outros filmes têm ainda nos dias de hoje. Existe de facto a exposição dos problemas da adolescência e aqueles que se mantêm no início da idade adulta, e o cliché que a meu ver, prejudica um pouco o filme, quando a personagem principal interpretada por Nivola alcança de facto a pedra no meio do rio. O tal "Reach the Rock" que simboliza a mudança. A possibilidade de fazer algo mais da vida e dar um rumo aos sonhos que em tempos se tiveram.
Faco que acaba por ser quase irritante no filme é a constante música de fundo. Parece que todos os movimentos dos actores ou planos de câmara têm de ser acompanhados por uma qualquer música que é mais irritante do que agradável e, a partir de certa altura, já nos fere mais os ouvidos do que propriamente descontrair.
Para aqueles que apreciam a obra deste falecido realizador, que aqui assume o papel de produtor e de argumentista, esta obra não irá certamente impressionar ou manter-se como um das de maior referência mas não deixa, no entanto, de ter todos os elementos que caracterizaram a sua carreira cinematográfica. Elementos como a juventude... a passagem à idade adulta... os conflitos interiores e os conflitos para com a sociedade envolvente... os conflitos geracionais... estão todos lá, e sabemos perfeitamente que esta é mais uma obra de Hughes... simplesmente não a sua mais brilhante ou marcante.
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4 / 10
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

The Year of Getting to Know Us (2008)

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O Ano em que nos Conhecemos de Patrick Sisam é um pequeno drama com leves toques de comédia com a participação de Jimmy Fallon, Sharon Stone, Lucy Liu, Tom Arnold e Illeana Douglas.
Aqui conhecemos a vida de Chris Rocket (Fallon) um tipo que tem um enorme receio de assumir qualquer tipo de compromissos evitando assim a desilusão, a traição ou o abandono. Esta situação coloca-o de certa forma afastado de Anne (Liu) a mulher que ama.
Um dia recebe um telefonema a dizer que Ron (Arnold), o seu pai teve um enfarte, facto que o leva de volta à sua cidade natal onde reencontra Jane (Stone) a mãe, bem como um sem número de recordações a que nós assistimos em tons de flashbacks.
Através destas recordações percebemos o quão disfuncional era a sua vida familiar e como aquilo que ele é e vive no presente foi o resultado de um sem número de traumas pelos quais passou em jovem, incluindo o receio que tem em assumir um compromisso.
O filme que reune um conjunto de actores interessante, e que até certo ponto cumprem um bom trabalho, mostra algo do qual já sentia saudades, ou seja, uma Sharon Stone em forma e a mostrar que ainda é capaz de dar prazer de ver quando bem dirigida. A mulher é uma verdadeira força, e sentimos na perfeição toda aquela fúria e energia reprimida, causa de um ambiente que não é favorável a uma alma grande demais. Grande demais para o pequeno lugar em que vive.
Este é, possivelmente, o ponto mais forte de todo o filme que não passa de um nível mediano. Tenta aquecer mas nunca passa do morno, sendo que tem momentos engraçados mas é na sua globalidade muito fraco.
Versa sobre a família e os seus problemas. Os dramas que todas as famílias têm e que, nas disfuncionais, são abundantes. Mostra o afastamento que as pessoas podem ter, ou criar, entre si e que só causa traumas ou problemas existenciais naqueles que a constituem.
Este filme mostra-nos os sonhos destroçados e a incapacidade que algumas pessoas têm de viver e de sentir. Infelizmente, e apesar de um ou outro momento mais interessante, o filme não consegue ser suficientemente bom para cativar o público como poderia.
Interessante apenas para ver uma sempre magnífica Sharon Stone e ficarmos a perguntar como é que ela não tem papéis mais dinâmicos em cinema. Vale pelo esforço...
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5 / 10
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Globos de Ouro SIC/Caras 2011: previsões de Novembro

Mais um mês e como tal novas previsões. Com a estreia de quatro novos filmes portugueses, a listagem dos potenciais nomeados vai sofrer algumas alterações de peso. Comecemos então com os filmes estreados até à data:
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  • Assalto ao Santa Maria
  • A Bela e o Paparazzo
  • Cinerama
  • Como Desenhar um Círculo Perfeito
  • Contraluz
  • Duas Mulheres
  • Embargo
  • Fantasia Lusitana (doc.)
  • Filme do Desassossego
  • A Ilha da Cova da Moura (doc.)
  • O Inimigo Sem Rosto
  • Marginais
  • Mistérios de Lisboa
  • Páre, Escute, Olhe (doc.)
  • Perdida Mente
  • Quero Ser Uma Estrela
  • A Religiosa Portuguesa
  • Ruínas (doc.)
  • O Último Voo do Flamingo
  • Um Funeral à Chuva
  • Vai com o Vento
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E ainda por estrear temos também:
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  • América
  • Até Onde?
  • O Barão
  • O Cônsul de Bordéus
  • O Estranho Caso de Angélica
  • O Grande Kilapy
  • A Grande Jogada
  • Outro Sangue
  • Paixão
  • Quinze Pontos na Alma
  • Sangue do Meu Sangue
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Com isto, resta apenas divulgar aqueles que, segundo a minha opinião, serão os potenciais nomeados na próxima gala dos Globos de Ouro SIC/Caras em 2011, e são eles:
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MELHOR FILME
Como Desenhar um Círculo Perfeito
Embargo
Filme do Desassossego
Mistérios de Lisboa
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MELHOR ACTOR
Adriano Luz (Mistérios de Lisboa)
Cláudio da Silva (Filme do Desassossego)
Filipe Costa (Embargo)
Rafael Morais (Como Desenhar um Círculo Perfeito)
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MELHOR ACTRIZ
Beatriz Batarda (Duas Mulheres)
Dalila Carmo (Quero Ser Uma Estrela)
Joana de Verona (Como Desenhar um Círculo Perfeito)
Maria João Bastos (Mistérios de Lisboa)
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CinEuphoria Prémios 2011: segunda edição

Inicia hoje o período de votação para a segunda edição dos CinEuphoria Prémios relativos a filmes estreados em Portugal no ano de 2010.
Todos os filmes que irão ser considerados estrearam em Portugal entre 31 de Dezembro de 2009 e esta listagem estará em actualização até dia 20 de Dezembro de 2010 pelo que, poderão existir novos filmes que estarão seleccionados para esta edição.
Assim sendo, os filmes para já a considerar são:
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(500) Days of Summer
Alice in Wonderland
An American Girl: Chrissa Stands Strong
An Education
Antichrist
Away We Go
A Bela e o Paparazzo
The Blind Side
The Book of Eli
Bright Star
Brothers
Cinerama
Como Desenhar um Círculo Perfeito
The Crazies
Crazy Heart
Dear John
O Dez
Estômago
Filme do Desassossego
From Paris With Love
Green Zone
Les Herbes Folles
Humpday
Inception
Invictus
It's Complicated
John Rabe
Lebanon
Legion
The Lion Cub from Harrods
Looking for Eric
The Lovely Bones
Mine Vaganti
Mistérios de Lisboa
Nine
A Noite do Fim do Mundo
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
The Private Lives of Pippa Lee
[REC]2
República
The Road
Robin Hood
Salt
O Segredo de Miguel Zuzarte
A Single Man
Shutter Island
The Sorcerer's Apprentice
Un Prophète
Up in the Air
Vincere
Das Weisse Band
Where the Wild Things Are
The Wolfman
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Agora é só optar por seleccionar UM nome em cada uma das categorias: Filme, Actor, Actriz, Actor Secundário e Actriz Secundária, e aguardar pelos resultados que serão publicados no dia 13 de Janeiro de 2011.
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