quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Girl with a Pearl Earring (2003)

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Rapariga com Brinco de Pérola de Peter Webber conta com as interpretações principais de Colin Firth e Scarlett Johansson e Tom Wilkinson e Cillian Murphy como secundários, numa história ficcionada que gira em torno do pintor holandês Johannes Vermeer (Firth) e a sua obsessão por uma das suas empregadas de nome Griet (Johansson).
Numa época de dificuldades esta jovem e extremamente bonita rapariga é encaminhada pela sua família para trabalhar na casa do excêntrico e abastado pintor Vermeer. Lá encontra não só uma vida quase de submissão como também o fascínio do seu patrão que provoca as suspeitas tanto à sua mulher como à população em geral. Ao mesmo tempo, e afastada do que a língua do povo dizia, Griet aprende a observar pequenos detalhes nas obras de Vermeer e saber quais fazem a diferença entre um mero quadro e uma obra de uma extrema beleza.
Este filme nomeado para três Oscar, para a genial Fotografia da autoria do português Eduardo Serra que transforma um ambiente caseiro de uma cidade negra e fria num deleite visual muito intenso, e também para Direcção Artística e Guarda-Roupa, é inicialmente uma obra que pode não ser facilmente aceite. Eu que sou um caro admirador e apaixonado por filmes de época, assumo que foram precisas duas vezes para poder apreciar verdadeiramente este filme que por ser feito a um ritmo deveras "calmo" não se torna na mais fácil das visualizações.
Contemplativo quanto baste, passa uma boa parte do tempo centrado, quer através da própria observação de Griet quer através das explicações de Vermeer, nas técnicas que levaram à elaboração de algumas das obras do pintor. É assim que, numa fase crescente, se inicia a relação quer de admiração de Griet pelo pintor quer de obsessão desta pela jovem e bela empregada, que assistimos à elaboração do tão famoso quadro que dá nome ao próprio filme.
O essencial e que percorre toda esta história é a obsessão. A obsessão que assume várias formas e pretende atingir vários fins. Para Vermeer será a busca da beleza... a sua captura em todas as suas obras. Para a sua mulher será a obsessão de ter a incondicional atenção do marido. Para Griet o conhecimento que tanto procura em tudo o que faz. Para aquela família será a manutenção de um estatuto instável apenas obtido através do dinheiro que o patrono de Vermeer que fornece. O desejo e a obsessão unidos dão vida a todas as personagens que compõem este filme.
Inicialmente este filme não será de fácil "consumo", mas para aqueles que possam estar destimidos a um filme de época, à partida já por si mais calmo, e que subsiste através de uma forte componente contemplativa irão descobrir através da beleza crua das imagens um belíssimo filme que não irão esquecer num registo notável de Scarlett Johansson que foi nomeada para o Globo de Ouro Drama e que foi anunciada como uma das preferidas a ser nomeada a Oscar tendo, no entanto, falhado a nomeação.
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7 / 10
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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Maldito Vivo (2011)

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Maldito Vivo de Bruno Duarte é uma curta-metragem portuguesa e... de zombies... Bom, é só um zombie mas já dá pano para mangas.
Tudo se passa dentro de um apartamento através das suas várias divisões onde dois jovens, um zombificado e o outro ainda humano lutam, correm, vomitam as entranhas... e dançam. Sim, um zombie que dança.
Esta curta-metragem tem ali uns momoentos que me transportaram para outros tantos filmes do género e que por uma ou outra ocasião me fizeram sorrir. A dança, ao estilo do clip do Michael Jackson mas desta vez com música dos Queen, é dos momentos mais hilariantes que foram feitos neste filme. Este e claro, não me posso esquecer de referir a quantidade de objectos que foram atirados para a cara daquele zombie que mais parece ser ele a vítima atormentada de toda a curta.
A caracterização feita é o elemento mais pobre do filme. Pouco convincente ou realista apenas consegue ser "ignorada" à custa dos agradáveis momentos de comédia que retiramos, muitos dos quais feitos telefonicamente onde uma pseudo-vítima desesperada tenta saber tudo o que pode fazer para eliminar um zombie, num registo de um Shaun of the Dead seco e sarcástico.
Aparentemente amadora esta curta consegue recriar ainda alguns momentos nojentos quando os grandes planos são feitos ao morto-vivo, mas ainda assim não deixamos de por ele ter alguma simpatia depois de vermos que ele sim é quase torturado pelo vivo que lhe atira objectos, o põe a dançar e no final... bom, o final vão ter de ver.
Mais cómico do que de terror acaba por ser esse mesmo o seu ponto forte. Divertida e vale os seus quase vinte minutos.
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6 / 10
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Ataque de Pánico! (2009)

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Ataque de Pânico de Fede Alvarez é uma curta-metragem uruguaia que nos relata a invasão da cidade de Montevideo, capital do Uruguai, por um conjunto de robots gigantes que iniciam assim a destruição da mesma.
De um realismo intenso e com efeitos especiais muito bem executados, esta curta-metragem que eu desconhecia por completo até há um ou dois dias atrás, é um excelente exemplo de bom cinema de acção vindo de um realizador de quem espero vir a assistir a uma prolífera carreira.
Curiosa a adaptação da banda-sonora do filme 28 Dias Depois para esta curta, no entanto ela funciona tão bem que parece ter sido composta para aqui originalmente.
Mesmo para quem não aprecia o género... esta curta vale a pena ser vista.
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10 / 10
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China, China (2007)

China, China de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata é uma curta-metragem portuguesa que nos transporta para a vida de uma família chinesa em Lisboa.
Pai, mãe e filho... sente-se a tensão existente entre o casal e a mãe rapidamente demonstra estar farta do meio que a rodeia. No final, após a paz, uma trágica reviravolta nos acontecimentos faz pensar como a vida por muitos problemas que apresente pode ser bem mais importante do que as desagradáveis surpresas que nos reserva.
Gostei de ver esta curta que apresenta um aspecto bem interessante num momento até breve... a multiculturalidade da cidade de Lisboa claramente expressa enquanto a actriz principal desce aquela enorme escadaria sentada no corrimão.
Interessante, diferente e muito bem executada, gostaria que de curta tivesse sido uma longa-metragem para mostrar um outro lado não só desta família como desta Lisboa ainda pouco explorada.
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7 / 10
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Caminhos do Cinema Português 2011

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9 a 17 de Novembro 2011
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

The Truth About Charlie (2002)

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A Verdade Sobre Charlie de Jonathan Demme com a participação de Mark Wahlberg, Thandie Newton e Tim Robbins é uma história de espionagem e acção feita com alguns tons de comédia que decorre na cidade de Paris.
Tudo começa quando Regina (Newton), vinda de umas férias onde se preparava para o divórcio, descobre que Charlie (Stephen Dillane) o seu marido, fora assassinado. A partir daqui Regina na companhia de Lewis (Wahlberg) embarca num conjunto interminável de aventuras, algumas das quais quase surreais, em busca da fortuna que ele deixou para trás e que muitos andam à procura... inclusivé a estranha figura de Carson Dyle (Robbins).
Uma obra menor para o realizador que já nos deu filmes como O Silêncio dos Inocentes, Filadélfia ou O Casamento de Rachel. No entanto, este não deixa de ser um filme menor que, ainda assim, nos consegue divertir. Temos momentos que, ocasionalmente, nos conseguem divertir. Os tais momentos mais surreais e que para um verdadeiro e bom filme de acção seria impensável existirem. Refiro-me concretamente à situação na discoteca onde a troca de pares revela as mais curiosas situações. No entanto, há que ser honesto e dizer que tem também umas quantas sequências de maior tensão ou de uma intensa acção ao longo de todo o filme.
Aquilo que me parece não funcionar perfeitamente bem com este filme é mesmo a união dos vários estilos... a acção com a comédia e com o suspense. Algo fica "pendente" não dando muita credibilidade a qualquer um deles. Quero com isto dizer que na teoria os vários estilos existem e até estão bem executados, mas na prática a passagem entre uns e outros não está devidamente coerente.
O ponto mais negativo para mim é mesmo o facto da "mão do realizador" não se manter parada durante uma boa parte do filme tornando-o por vezes complicado de seguir. Felizmente a bom tempo temos esse aspecto resolvido.
Vale por alguma dessa comédia e da acção que lhe está inerente, por um argumento com alguns pontos interessantes e pelas participações do conjunto de actores que até fazem muito bem o seu trabalho, confesso a minha clara admiração por Thandie Newton, essa grande actriz... E que não se esqueça claro, a participação especial de Charles Aznavour já mesmo no final do filme que dá o ar de sua graça.
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5 / 10
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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A History of Mutual Respect (2010)

A History of Mutual Respect de e com Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt é uma curta-metragem de ficção portuguesa que nos mostra aquilo que aparenta ser uma viagem de dois adolescentes com o intuito de conseguirem procriar com alguma nativa que considerem "limpa".
A premissa por si só já é assustadora o suficiente para deixar o espectador de pé atrás. A confirmação vem com o decorrer desta muito "longa" curta que quase relata os devaneios de duas pessoas que parecem não ter mais nada de útil que fazer do que agir com uma qualquer atitude colonialista sobre nativos "pobres e coitadinhos".
Não bastasse a história já ser a meu ver fraca demais, a própria execução das filmagens não me parece ser a melhor. Ao visionarmos esta curta temos a leve, ou talvez não tão leve, impressão de estarmos a assistir a um qualquer filme série Z (não há mais letras no alfabeto...) dos anos 70 onde as filmagens pareciam pouco expressivas e naturais.
Dito isto, o resultado final não poderia ser outro que não uma nulidade total. Completamente dispensável.
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1 / 10
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Estrela da Tarde (2004)

Estrela da Tarde de Madalena Miranda é uma curta-metragem documental que, das duas uma... Ou é ficcionado ou então tem um sentido de humor tão fresco que parece ter sido muito bem encenado.
Esta curta leva-nos a acompanhar um dia na vida de uma dona-de-casa e dos seus pequenos grandes desabafos sobre a vida e sobre ela própria no mundo.
Esta mulher que através das actividades domésticas nos faz em muitos momentos rir com bastante prazer (ou não fosse aquela limpeza doméstica às suas garrafas de colecção, um momento completamente surreal), tem também algumas quantas reflexões sobre Portugal que são dignas de se tomar em consideração.
Enquanto documentário sobre uma mulher doméstica não se desenvolve muito, no entanto aquilo que lhe dá a sua "graça" é mesmo a prestação desta mulher e os seus desabafos. Esses sim, são dignos de se lhes ter atenção bem como os pensamentos sobre o facto de Maria Helena achar que "nasceu antes do seu tempo". Interessante pelas reflexões e pela comédia esta curta documental vale a pena ver de coração aberto sem tomar em conta a sinopse que dele é feita.
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"Maria Helena: Eu queria que o meu país fosse um país de alegria..."
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7 / 10
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Faial Filmes Fest 2011: palmarés

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COMPETIÇÃO LONGAS-METRAGENS
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Filme: Sangue do Meu Sangue, de João Canijo
Documentário: O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges
Menção Especial: Estrada de Palha, de Rodrigo Areias
Prémio do Público: Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut
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COMPETIÇÃO CURTAS-METRAGENS
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Ficção: O Ruído do Mar, de Ana R. Fernandes e Torsten Truscheit
Documentário: Hibernando, de David Pantaleón
Animação: Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro
Curtíssima: Dodu, O Rapaz de Cartão, de José Miguel Ribeiro
Filme das Ilhas: Dirty Friday, de Adrián M. Delgado e Tenesor Cruz
Filme Açoriano: Matança, de André Laranjinha
Filme Escolas: Dia do Desassossego, de Ricardo Feio
Prémio do Público - Filme Açoriano: Corre, Emanuel, Corre, de Emanuel Macedo e Bruno Correia
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PRÉMIO D. QUIXOTE - FICC
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Prémio Don Quixote: Viagem a Portugal, de Sérgio Tréfaut
Menções Honrosas: Sangue do Meu Sangue, de João Canijo (Realização), O Barão, de Edgar Pêra (pela Montagem de Tiago Antunes) e Estrada de Palha, de Rodrigo Areias (pela Fotografia)
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PRÉMIOS RTP2 - ONDA CURTA
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Prémio RTP2 - Onda Curta: North Atlantic, de Bernardo Nascimento e Vicky & Sam, de Nuno Rocha
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domingo, 6 de novembro de 2011

Je Vous Salue, Marie (1985)

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Eu Vos Saúdo, Maria de Jean-Luc Godard despertou-me o interesse a partir do momento em que era referenciado como um dos primeiros trabalhos de uma então muito jovem actriz chamada Juliette Binoche.
Esta história sobre o nascimento e a criação é uma adaptação da vida de Maria e José e da gravidez espontânea da mesma, muito ao estilo do que conhecemos dos pais de Cristo. A diferença é que aqui Maria é uma jovem estudante que joga basquetebol e José em vez de ser carpinteiro é um modesto taxista. Mudam-se os tempos...
De discussão filosófica a representações da Natureza que encarnam claramente uma ideia de pureza e divino, este filme deambula por um conjunto de composições clássicas que tentam transportar este filme para algo mais místico mas que no fundo acabam mais por pareer imagens sobrepostas umas às outras numa mescla que se torna mais enfadonha do que interessante.
Se a curiosidade para com este filme já havia desaparecido a menos de metade da duração do mesmo, os seus aborrecidos e quase monossilábicos diálogos, bem como a generalidade do argumento verdade seja dita, tornam-no quase impossível de suportar, fazendo com que a sua limitada duração seja uma experiência penosa. Chega a um momento que sentimos o nosso cérebro já a começar a atrofiar.
À excepção da música clássica que ecoa a todo o momento de silêncio entre diálogos, e que são muitos, e das ocasionais filmagens de belíssimos locais naturais, todo este filme foi, para mim, uma experiência verdadeiramente penosa e dolorosa.
É muito bom ser experimentalista e contar histórias mas quando são justificados em nome daquilo que pode ser um bom filme e não apenas sê-lo por pertencer a um reputado realizador.
Para apreciadores e fãs deste realizador compreendo que possa ser uma obra-prima indiscutível, no entanto para apreciadores de cinema que esperam ver um bom filme este deixa muito a desejar... de longe.
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1 / 10
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sábado, 5 de novembro de 2011

Pássaros (2009)

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Pássaros de Filipe Abranches é uma curta-metragem de animação que nos conta a história de uma mulher que vive rodeada de pássaros na sua casa bem como do seu filho que pensa que pode voar.
Achei esta curta francamente "negra". O ambiente sente-se pesado e as animações a preto e branco ao estilo de como se vê no próprio cartaz tornam-no algo agressivo.
Esta intensidade aumenta com a chegada do final da curta onde a história ganha contornos mais pesados e fatais num desfecho perfeitamente trágico mas que a eleva em termos de qualidade.
Diferente e interessante, gostei de ver uma animação, e portuguesa, com contornos de história "negra".
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7 / 10
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Fuera de Cuadro (2010)

Fuera de Cuadro de Márcio Laranjeira (Portugal) é um documentário em formato de filme curto que em voz-off nos dá a conhecer alguns pensamentos da vida do filho da pintora Alicia Boffi e a sua homossexualidade escondida. Das reflexões desde os tempos dos primeiros anos de escola às memórias de e com a mãe
Além de umas quantas reflexões sobre a falta de comunicação que existe entre este jovem e a sua mãe e a que já existia entre ela e a sua avó, esta curta não tem muito mais conteúdo que possa motivar ao seu visionamento quase resvalando para a total e perfeita banalidade.
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2 /10
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Assembleia (2006)

Assembleia de Leonor Noivo é uma curta-metragem documental sobre o lado oculto da Assembleia da República, que é como quem diz o lado de todos aqueles funcionários que contribuem diariamente para o seu bom funcionamento desde as cozinheiras, mulheres da limpeza e funcionários do canal televisivo da mesma.
Este documentário é interessante do ponto de vista informativa pois dá-nos uma pequena amostra do funcionamento daquele edifício (e instituição) contado através dos acontecimentos de bastidores e daqueles que garantem as actividades básicas.
Como obra informativa é interessante e dá-nos algumas informações interessantes mas no fundo não passa de uma obra que poderia ter ido ainda mais longe se não se limitasse apenas a um único dia na vida da Assembleia.
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4 / 10
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European Film Awards 2011: nomeados

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EUROPEAN FILM
THE ARTIST, Michel Hazanavicius (real.), Thomas Langmann e Emmanuel Montamat (prod.)
LE GAMIN AU VÉLO, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne (real. e prod.), Denis Freyd e Andrea Occhipinti (prod.)
HAEVEN, Susanne Bier (real.) e Sisse Graum Jorgensen (prod.)
LE HAVRE, Aki Kaurismäki (real. e prod.) e Karl Baumgartner (prod.)
THE KING'S SPEECH, Tom Hooper (real.), Iain Canning, Emile Sherman e Gareth Unwin (prod.)
MELANCHOLIA, Lars von Trier (real.), Meta Louise Foldager e Louis Vesth (prod.)
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EUROPEAN DIRECTOR
Susanne Bier, em Haeven
Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, em Le Gamin au Vélo
Aki Kaurismäki, em Le Havre
Béla Tarr, em A Torinói Ló
Las von Trier, em Malancholia
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EUROPEAN ACTOR
Jean Dujardin, em The Artist
Colin Firth, em The King's Speech
Mikael Persbrandt, em Haeven
Michel Piccoli, em Habemus Papam
André Wilms, em Le Havre
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EUROPEAN ACTRESS
Cécile de France, em Le Gamin au Vélo
Kirsten Dunst, em Melancholia
Charlotte Gainsbourg, em Melancholia
Nadezhda Markina, em Elena
Tilda Swinton, em We Need to Talk About Kevin
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EUROPEAN SCREENWRITER
Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, em Le Gamin au Vélo
Anders Thomas Jensen, em Haeven
Aki Kaurismäki, em Le Havre
Lars von Trier, em Melancholia
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CARLO DI PALMA EUROPEAN CINEMATOGRAPHER AWARD
Adam Sikora, em Essential Killing
Fred Kelemen, A Torinói Ló
Guillaume Schiffman, em The Artist
Manuel Alberto Claro, em Melancholia
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EUROPEAN EDITOR
Mathilde Bonnefoy, em Drei
Molly Marlene Stensgaard, em Melancholia
Tariq Anwar, em The King's Speech
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EUROPEAN PRODUCTION DESIGNER
Antxon Gomez, em La Piel que Habito
Jette Lehmann, em Melancholia
Paola Bizzarri, em Habemus Papam
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EUROPEAN COMPOSER
Alberto Iglésias, em La Piel que Habito
Alexandre Desplat, em The King's Speech
Ludovic Bource, em The Artist
Mihály Víg, em A Torinói Ló
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EUROPEAN DISCOVERY - PRIX FIPRESCI
Adem, Hans Van Nuffel (real.), Dries Phlypo, Jean-Claude Van Rijckeghem, Joost De Vries, Leontine Petit e Marleen Slot (prod.)
Atmen, Karl Markovics (real.) e Dieter Pochlatko e Nikolaus Wisiak (prod.)
Michael, Markus Schleinzer (real.) e Michael Kitzberger, Wolfgang Widerhofer, Nikolaus Geyrhalter e Markus Glaser (prod.)
Smukke Menesker, Mikkel Munch-Fals (real.) e Stine Meldgaard e Meta Louise Foldager (prod.)
Tilva Ros, Nikola Lezaic (real. e prod.) e Uros Tomic (prod.)
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EUROPEAN FILM ACADEMY DOCUMENTARY - PRIX ARTE
Pina, de Wim Wenders
Stand van de Sterren, Leonard Retel Helmrich (real.) e Hetty Naaijkens (prod.)
Vivan las Antipodas!, Victor Kossakovsky (real.) e Heino Deckert (prod.)
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EUROPEAN FILM ACADEMY ANIMATED FEATURE FILM
Le Chat du Rabbin, Joann Sfar (real.) e Antoine Delesvaux (real. e prod.)
Chico & Rita, Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando (real.)
Un Vie de Chat, Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli (real.) e Jacques-Remy Girerd (prod.)
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EUROPEAN FILM ACADEMY SHORT FILM
Apele Tac, Anca Miruna Lazarescu (real.) e David Lindner Leporda, Daniel Schmidt e Catalin Mitulescu (prod.)
Aterfödelsen, Hugo Lilja(real.) e Bonnie Skoog Feeney (prod.)
Berik, Daniel Joseph Borgman (real.) e Katja Adomeit (prod.)
Derby, Paul Negoescu (real. e prod.)
Dimanches, Valéry Rosier (real. e prod.) e Nicolas Guiot e Fred De Loof (prod.)
Frozen Stories, Grzegorz Jaroszuk (real.)
La Gran Carrera, Kote Camacho (real.) e Marian Fernández Pascal (prod.)
Händelse vid Bank, Ruben Östlund (real.) e Marie Kjellson e Erik Hemmendorff (prod.)
Hypercrisis, Josef Dabernig (real. e prod.)
Jessi, Mariejosephin Schneider (real.) e Hartmut Bitomsky, Bodo Knapheide e Maximilian Müllner (prod.)
I Lupi, Alberto De Michele (real. e prod.)
Paparazzi, Piotr Bernas (real.) e Adam Slesicki (prod.)
Smâ Barn, Stora Ord, Lisa James Larsson (real.) e Andréas Emanuelsson (prod.)
Tse, Roee Rosen (real. e prod.) e Sharon Benraf (prod.)
The Wholly Family, Terry Gilliam (real.) e Gabriele Oricchio e Amy Gilliam (prod.)
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Los Cronocrímenes (2007)

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Os Cronocrimes de Nacho Vigalondo, nomeado para o Goya na categoria de Realizador Revelação em 2009, conta-nos a história de Héctor (Karra Elejalde) um homem que após ver a partir de sua casa uma misteriosa rapariga (Bárbara Goenaga) no meio do bosque, embarca numa viagem no tempo que o coloca no meio de um ciclo sem fim de acidentes e mortes, as quais não parecem ter um término.
A premissa das viagens no tempo desde há muito que fazem as delícias de inúmeros filmes e arrastam consigo aquilo que se pode chamar claramente de uma legião de fãs. Várias são as obras que abordam esta temática passando por Polícia do Tempo, Retroactive, Stargate entre outros e apesar deste ter sido muito aguardada e nomeada inclusivé para diversos prémios, mas o que é certo é que fica a várias milhas dos filmes que agora referi.
A história que inicialmente abre com intriga e mistério sobre aquele casal e que apenas se intensifica à medida que Héctor estranha os acontecimentos em que se vê envolto, depressa passa a uma monotonia e repetição exacerbada que não apresenta nada em concreto... nem o porquê dos acontecimentos nem tão pouco o porquê destas viagens no tempo estarem a acontecer. Afinal o que se passava naquelas estranhas instalações? Não ficou claro... apenas se sabe que aquele outro homem, o próprio Nacho Vigalondo, resolveu efectuar aquelas experiências... De resto, tudo está envolto em mistério.
São estas "pontas" abertas e por esclarecer da história que a tornam francamente desinteressante. O potencial existe mas as histórias dentro da história que acabam por ficar em aberto não ajudam a que a mesma se torne credível e entusiasmante, limitando-nos quase exclusivamente a ver um homem que existe em várias épocas temporais ao mesmo tempo e que tudo faz inicialmente por alimentar aquele estranho acontecimento.
Nem mesmo a interpretação de Karra Elejalde salva o filme que, longe dos tempos d'Os Sem Nome, se limita a entrar numa correria quase frenética para fugir de si próprio. Pouco convincente e com pouca alma.
O filme vence de facto pelo argumento, apesar das pontas soltas, que tem potencial suficiente para o tornar numa peça interessante mas, ao mesmo tempo, através da falha da execução das mesmas deixa-o num certo limbo. Tem boas ideias mas... estas não são concretizadas.
Engraçado... não chega ao interessante, e ficamos com a clara convicção de que poderia ter sido muito, mas muito, melhor.
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6 / 10
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quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Le Livre de Marie (1986)

O Livro de Maria de Anne-Marie Miélville é uma curta-metragem que nos conta a história de um casal à beira da separação e que discute se devem permanecer juntos mas sem amor apenas em nome da sua filha. Feita principalmente através do olhar da jovem rapariga, esta separação acaba por se tornar invitável à medida que a mesma cresce.
Não me impressionou em nada. A história em si até tem potencial mas a forma como é filmada e contada deixou bastante a desejar e os últimos minutos onde a jovem rapariga dança mais parecem um pequeno ataque de loucura do que propriamente uma dança.
Banal.
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1 / 10
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Broken Clouds (2011)

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Broken Clouds (Nuvens Quebradas) de Yuri Alves era uma das curta-metragens mais aguardadas do Córtex 2011 em Sintra, naquela que foi uma noite muito "fria" em termos de público presente.
Esta curta-metragem decorre num futuro mais ou menos distante onde a Humanidade tal como a conhecemos presentemente já deixou de existir. As plantas não crescem e os sobreviventes são quase uma miragem. Acompanhamos um na viagem que faz para um local onde, constam rumores, elas conseguem florescer numa tentativa de recomeçar a vida no planeta e, ao mesmo tempo, através de flashbacks percebemos que ele perdeu o amor que em tempos teve.
Estes filmes catástrofe despertam sempre uma grande curiosidade na maioria dos cinéfilos. Uns por verem como poderia "ser" o mundo após um qualquer cataclismo (natural ou devido à acção do Homem), outros porque procuram uma história de sobrevivência. O que é certo é que na maioria deles temos um pouco de tudo. E certo é também que nos últimos anos a quantidade de filmes que abordam esta temática é imensa. Só este ano podemos citar além deste filme, Contágio, Fase 7, Stake Land e nenhum deles que é abafado pelos outros pois, apesar das temáticas serem próximas, a cinematografia consegue, de uma ou outra forma, torná-los únicos.
Única é também a premissa base deste tipo de filmes... a sobrevivência. Quer seja física, espiritual, da dignidade, da liberdade, da esperança... A sobrevivência está inerente a todas estas histórias.
Este Broken Clouds tem a particularidade de ser de um realizador luso-brasileiro, tornando-o assim numa estreia desta temática para a cinematografia nacional (ok, é maioritariamente produzida pelos Estados Unidos, mas...) e conseguir ser um filme bem coerente, e do qual assumo não me importar que tivesse sido uma longa-metragem pois tem todo o potencial para isso.
Interessante é também o trabalho de fotografia que esteve a cargo do próprio Yuri Alves e que consegue recriar e especificar claramente dois momentos distintos. Os flashbacks onde a luz irradia numa clara alusão à presença de vida e, por outro lado, os momentos pós queda da Humanidade todos em tons carregados e despojados de vivacidade numa clara representação da morte da vida no planeta.
Com esta curta o realizador Yuri Alves coloca a fasquia bem alta para o seu próximo trabalho o que, a meu ver, é bastante positivo pois a qualidade que aqui apresenta é digna de ser vista e apreciada pelos cinéfilos que anseiam cada vez mais por este cinema de qualidade que felizmente invade o cinema português.
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"Human evolution... just one long, drawn out suicide."
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9 / 10
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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O Vôo da Papoila (2011)

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O Voo da Papoila de Nuno Portugal foi para mim uma das grandes surpresas não só da edição do Córtex deste ano como mesmo do cinema português.
A história deste filme cruza uma fotografia e uma canção, da qual pus um extraordinário segmento aqui, com três marcantes personagens. Sebastião (Fernando Taborda) o fotógrafo, Joaquim (Fernando Ferrão) o militar e Rui (Filipe Costa) a criança que aparece na fotografia, reencontram-se trinta anos depois para uma exposição fotográfica onde se pretende recriar aquele momento tão importante e decisivo para a liberdade de Portugal.
Sebastião agora um homem de idade avançada contacta Joaquim, o militar que agora é um alcoólatra e Rui, a criança que agora é um sem-abrigo em Lisboa. Aquela fotografia da qual todos fizeram parte é agora uma simples, longínqua e apagada lembrança de todos os sonhos e esperanças que a liberdade lhes guardava.
Muito já tinha ouvido falar sobre esta curta-metragem. Foi ela um dos motivos pelos quais quis ir ao Córtex para confirmar tanto do que tinha ouvido e aquilo que confirmo sim é que corresponde a tudo e é ainda muito mais.
A história ficcionada não poderia corresponder àquilo que, arrisco dizer, ser realmente o sentimento actual de tantos e tantos portugueses. A esperança e a liberdade que percorreram o sentimento dos portugueses nesses idos anos 70 e que percorreram pela década seguinte, na qual eu nasci, está agora completamente apagada. O mesmo se poderá aplicar aos sonhos... extintos... inexistentes. Tão actual está este filme.
Normalmente, e sempre que me é possível, escolho uma frase do filme para colocar aqui nestes meus comentários. Com este tive de escolher duas por terem um tão forte impacto não só na história em si como também, e se formos pensar nisso, na realidade actual que vivemos. Sem grandes dissertações sobre as mesmas apenas as deixo aqui para aqueles que quiserem refletirem.
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Somos Livres
Não Voltaremos Atrás
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"Joaquim: O rapaz já deu tudo o que tinha a dar... Já demos todos."
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10 / 10
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Os Milionários (2011)

Os Milionários de Mário Gajo de Carvalho é uma curta-metragem de animação que passou no Córtex 2011 em Sintra que nos conta a história de várias personagens que elaboram um conjunto de esquemas e estratégias como forma de ficar com uma quantidade enorme de dinheiro. A ganância está definitivamente por detrás de todas estas personagens que uma atrás de outra num ciclo perfeitamente vicioso mostram que o dinheiro que tanto procuram não lhes tráz assim tanta felicidade.
A animação ambientada num clima perfeitamente negro, tal e qual como a "alma" que estas personagens mostram não ter, é ainda carregada com uma banda-sonora não só pesada como muito "dark", e consegue nos seus pouco mais de quatorze minutos contar uma história que reune intriga, perseguição, morte e engano sem que nenhuma das personagens consiga ficar a rir-se da próxima.
Um brilhante trabalho deste realizador que considero ter sido dos melhores que passou pelos três dias de competição nacional no Córtex. A não perder.
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8 / 10
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Pickpocket (2011)

Pickpocket de João Figueiras é uma curta-metragem de ficção feita ao estilo de documentário onde temos um homem, do qual não vemos a cara, a falar sobre a vida de um carteirista na cidade de Lisboa, sobre a solidão e sobre a melancolia que he invade a alma.
O que achei mais interessante desta curta-metragem de vinte minutos foi o facto de inicialmente assistirmos àquilo que se assemelha a uma entrevista/documentário sobre um carteirista anónimo e que, de seguida, dá lugar a uma história ficcionada sobre a vida do Homem e do seu lugar, ou inexistência do mesmo, no mundo que termina com um trágico desfecho.
Num mundo em mudança onde passamos de indivíduos e seres pensantes a meros anónimos de quem ninguém se irá recordar. Mais do que uma história sobre a vida de um homem à margem da lei, esta é sim a história de uma vida solitária.
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7 / 10
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Viagem a Cabo Verde (2010)

Viagem a Cabo Verde de José Miguel Ribeiro, que anteriormente já nos tinha entregue esse estrondoso filme que é A Suspeita, teve este seu novo filme de animação presente no Córtex 2011 em Sintra onde acabou por vencer o Prémio do Público.
Com esta Viagem partimos rumo a Cabo Verde onde à medida a que vamos assistindo às constantes aventuras da personagem principal, assistimos também aos pequenos conselhos que nos são dados sobre o que fazer, ou não fazer, nesta mesma viagem.
Interessante o estilo de animação que é aqui retratada, simplista mas com uma expressividade extraordinária, que nos representa uma história de auto-descoberta bem como daqueles que nos são mais próximos através das distâncias que deles por vezes temos.
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7 / 10
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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mariana (2011)

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Mariana de Maria João Carvalho é uma curta-metragem documentário apresentada no Córtex 2011 na qual a realizadora nos dá a conhecer em pouco mais de uns pequenos sete minutos a vida de uma mulher que já ultrapassa os noventa anos de idade.
Com contornos que tocam tanto na comédia como no drama, este pequeno documentário não deixa ninguém indiferente através das palavras e das histórias que aquela mulher ali nos conta sobre si e sobre a sua vida.
Comovente e muito bem estruturado esta tão pequena e simples obra não deixa de ser um dos melhores filmes que o festival de curtas de Sintra proporcionou àqueles que o acompanharam.
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9 / 10
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Universo de Mya (2010)

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Universo de Mya de Miguel Clara Vasconcelos passou na recente edição do Córtex em Sintra onde tive oportunidade de a ver.
Maria é uma jovem que recusa o mundo físico e assume um avatar de nome Mya. Aqui é interpretada por Catarina Wallenstein, Joana de Verona, André Nunes e Raquel de Oliveira.
Gostei da história e das reflexões que são feitas sobre assuntos tão próximos ou distantes como o corpo, o tempo, o divino, o amor ou a identidade. No entanto, algo me desiludiu. O facto desta história ser quase "contada" como se de um relato se tratasse e não uma "interacção" entre personagens e pensamentos deixou-me uma certa sensação agridoce.
A história tem muito potencial e os pensamentos que delam emanam acabam por a qualquer momento fazer parte das nossas próprias ideias, no entanto esta quase "não-representação" dos actores acaba por dar a sensação de boletim informativo e não de um filme.
Um viva para a captação de imagem e para o argumento... já a execução do mesmo (a nível de actores) acabou por não me agradar muito.
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6 / 10
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British Independent Film Awards: nomeações

BEST BRITISH INDEPENDENT FILM

Senna
Shame
Tinker Tailor Soldier Spy
Tyrannosaur
We Need to Talk About Kevin
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BEST DIRECTOR
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Ben Wheatley – KILL LIST
Steve McQueen – SHAME
Tomas Alfredson – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
Paddy Considine – TYRANNOSAUR
Lynne Ramsay – WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
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THE DOUGLAS HICKOX AWARD [BEST DEBUT DIRECTOR]
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Joe Cornish – ATTACK THE BLOCK
Ralph Fiennes – CORIOLANUS
John Michael McDonagh – THE GUARD
Richard Ayoade – SUBMARINE
Paddy Considine – TYRANNOSAUR
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BEST SCREENPLAY
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John Michael McDonagh – THE GUARD
Ben Wheatley, Amy Jump – KILL LIST
Abi Morgan, Steve McQueen – SHAME
Richard Ayoade – SUBMARINE
Lynne Ramsay, Rory Kinnear – WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
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BEST ACTRESS
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Rebecca Hall – THE AWAKENING
Mia Wasikowska – JANE EYRE
MyAnna Buring – KILL LIST
Olivia Colman – TYRANNOSAUR
Tilda Swinton – WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
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BEST ACTOR
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Brendan Gleeson – THE GUARD
Neil Maskell – KILL LIST
Michael Fassbender – SHAME
Gary Oldman – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
Peter Mullan – TYRANNOSAUR
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BEST SUPPORTING ACTRESS
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Felicity Jones – ALBATROSS
Vanessa Redgrave – CORIOLANUS
Carey Mulligan – SHAME
Sally Hawkins – SUBMARINE
Kathy Burke – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
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BEST SUPPORTING ACTOR
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Michael Smiley – KILL LIST
Tom Hardy – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
Benedict Cumberbatch – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
Eddie Marsan – TYRANNOSAUR
Ezra Miller – WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
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MOST PROMISING NEWCOMER
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Jessica Brown Findlay – ALBATROSS
John Boyega – ATTACK THE BLOCK
Craig Roberts – SUBMARINE
Yasmin Paige – SUBMARINE
Tom Cullen – WEEKEND
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BEST ACHIEVEMENT IN PRODUCTION
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KILL LIST
TYRANNOSAUR
WEEKEND
WILD BILL
YOU INSTEAD
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BEST TECHNICAL ACHIEVEMENT
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Chris King, Gregers Sall – Editing – SENNA
Sean Bobbitt – Cinematography – SHAME
Joe Walker – Editing – SHAME
Maria Djurkovic – Production Design – TINKER TAILOR SOLDIER SPY
Seamus McGarvey – Cinematography – WE NEED TO TALK ABOUT KEVIN
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BEST DOCUMENTARY
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HELL AND BACK AGAIN
LIFE IN A DAY
PROJECT NIM
SENNA
TT3D: CLOSER TO THE EDGE
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BEST BRITISH SHORT
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0507
CHALK
LOVE AT FIRST SIGHT
RITE
ROUGH SKIN
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BEST FOREIGN INDEPENDENT FILM
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ANIMAL KINGDOM, Australia
DRIVE, USA
PINA, Germany
A SEPARATION, Iran
THE SKIN I LIVE IN, Spain
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THE RAINDANCE AWARD
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ACTS OF GODFREY
BLACK POND
HOLLOW
LEAVING BAGHDAD
A THOUSAND KISSES DEEP
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domingo, 30 de outubro de 2011

Córtex 2011: palmarés

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Melhor Curta-Metragem: INFINITO, de André Santos e Marco Leão
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Prémio do Público: VIAGEM A CABO VERDE, de José Miguel Ribeiro
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Verónica (2010)

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Verónica de António Gonçalves e Ricardo Oliveira é mais uma das curtas que passou no Córtex 2011 e que nos transporta para um pequeno hotel de estrada gerido por um pequeno traficante de droga. O ambiente que se sente tenso apenas vai pior quando chegam duas mulheres que vão pernoitar por ali levando a uma desfecho que nenhum deles esperava.
Além das interpretações que a meu ver estão irrepreensíveis e deixam uma alegre sensação de frescura por ver caras novas no cinema nacional, os meus parabéns a João Craveiro, a Patrícia André e a Oceana Basílio, há também que dizer que esta história tinha pernas para andar muito mais além dos seus 18 minutos e que estes deixam uma sensação de amargo por não terem de facto durado mais.
Igualmente irrepreensível é a fotografia de Vasco Viana bem como os planos, para mim extremamente profissionais, deste dois realizadores que, pelo que me parece, têm este trabalho como um projecto de universidade. Se assim é, espero ansiosamente pelos próximos trabalhos ditos profissionais de ambos pois serão com certezas muito boas obras cinematográficas.
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6 / 10
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Lisboa - província (2011)

Lisboa - província de Susana Nobre foi apresentado na edição do Córtex deste ano pela realizadora como tendo sido feito com base num documentário que a mesma havia feito no IPO. Depois de uma investigação no arquivo do mesmo, é feita uma história ficcionada onde uma enfermeira vindo do Alentejo há vários anos atrás encontra o registo de uma sua amiga de infância que falecera de cancro.
Esta curta dá-nos a conhecer a vida clínica daquela doente e mostra-nos de uma forma avassaladora o arquivo onde centenas, se não milhares, de processos lá se encontram, correspondendo cada um deles a uma vítima desta terrível doença.
É interessante do ponto de vista documentário/ficção (que de ficção pouco tem além da "invenção" daquela suposta amizade), mas falta-lhe algo para lhe dar aquele impacto que só consegue ter pelas imagens desoladoras do arquivo do IPO.
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4 / 10
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Desassossego (2010)

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Desassossego de Lorenzo Degl'Innocenti é uma curta-metragem de animação que esteve em competição na edição deste ano do MOTELx e do Córtex em Sintra.
Esta curta transporta-nos para uma loja de produtos alimentares onde o seu funcionário é sistematicamente incomodado por todo o tipo de clientes com caprichos que ele já não consegue suportar. Não consegue especialmente porque o seu sonho de construir mobiliário é vezes e vezes sem conta interrompido por esses mesmos clientes.
Mas um dia... tudo muda...
Não posso deixar de referir o humor, algo negro, com que esta curta-metragem me surpreendeu. A mim e a todos aqueles que a visionaram na edição do Córtex onde a vi pela primeira vez. Os vários momentos em que aquele homem é selvaticamente perturbado deixariam qualquer um de nós em desespero... mas o que é certo é que também não deixamos de rir com os comportamentos "alternativos" que aquela clientela tem.
Muito boa animação, não só pela qualidade das próprias personagens que denotam claramente ter uma personalidade própria, como também pelo excelente argumento que não deixa ninguém indiferente.
Esta curta prova que se há tanta coisa em crise, uma delas não será certamente a criatividade do cinema português.
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8 / 10
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Incontrolável (2011)

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Incontrolável de João Henriques é uma curta-metragem amadora de suspense que centra a sua história na (con)vivência de três irmãos, e de uma misteriosa rapariga que a irmã mais nova encontra.
Não duvido do trabalho que esta curta-metragem deu ao seu realizador mas, no entanto, há que dizer que são mais os aspectos negativos a apontar do que propriamente os positivos. Começando pela parte boa, apesar de um pouco previsível em certos aspectos, nomeadamente no facto da irmã mais velha ser afinal a má da fita, gostei do argumento. Há algo nestas histórias onde uma das personagens tem um qualquer desequilibrio que me agrada. Talvez pelo facto de, normalmente, estas serem personagens ricas e que muito contribuem para o sucesso de qualquer filme, seja ele uma curta ou uma longa-metragem.
A banda-sonora é outro dos aspectos positivos. Gostei das sonoridades escolhidas para criar ambiente nesta curta mas, atenção, isto funciona também pelo lado negativo. Existe uma quantidade desnecessária da mesma nos momentos de diálogo dos jovens actores o que, normalmente, funciona mais como uma desvantagem tal como aqui acontece. Isto aliado ao facto de o som não estar nas melhores condições, oscilando muito entre as variadas falas, torna em muitos momentos quase imperceptível compreender o que dizem.
O segundo aspecto a comentar são as mudanças de planos que não são feitas nas melhores condições. Em certas situações existem movimentos de câmara que tornam um pouco complicado seguir a acção com fluidez deixando-nos um pouco "tontos" por estar a olhar para as imagens.
Finalmente, o terceiro aspecto que tenho a referir como mais negativo é a caracterização da actriz com aquela imensa peruca preta. Em primeiro lugar porque é difícil de acreditar que a irmã mais nova não a reconhecesse apenas pela peruca e em segundo lugar less is more... Não é aquela peruca que dará à actriz uma dupla personalidade... para isso bastaria uma simples mudança no seu comportamento o que não só lhe daria mais credibilidade como também nós, enquanto espectadores, não perderíamos tempo a olhar para o facto da dita peruca ser falsa.
Finalmente um destaque positivo para o cartaz muito bem pensado digno de um grande profissionalismo. Ao realizador, apesar dos comentários não serem os mais positivos, aguardo por futuros trabalhos.
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2 / 10
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sábado, 29 de outubro de 2011

In Hell (2003)

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Prisão Infernal de Ringo Lam é aquilo que é, arrisco dizer, um dos melhores filmes que Jean-Claude Van Damme nos deu nos últimos largos anos (tendo sempre em consideração o estilo de filme de que se trata.
Kyle LeBlanc (Van Damme) é um americano a trabalhar na Rússia que depois da morte da sua mulher e de declarada a inocência do seu assassino resolve fazer justiça pelas próprias mãos. Depois de preso e remetido para uma prisão de alta segurança onde só parecem estar os piores criminosos do mundo, Kyle não só terá de sobreviver ao desgosto da morte da sua amada como sobreviver na prisão num mundo bem mais cruel do que aquele que existia fora dela.
Antes de dizer seja lá o que fôr sobre este filme, assumo que o gosto de ver bem como à quantidade infindável de filmes deste estilo que tanto Van Damme como Steven Segal ou Chuck Norris fizeram e fazem. Não quero com isto dizer que eles estão na minha lista de preferidos ou daqueles que considero os melhores do mundo mas o que é certo é que não deixam de ser interessante exemplares de acção para aqueles momentos em que não só não queremos pensar muito como ainda para as ocasiões em que queremos um pouco mais de adrenalina que é como quem diz um pouco de "murro e pontapé".
Dito isto, e mantendo-o presente durante o resto do comentário, é impossível não gostar deste filme mesmo com todos os clichés a que assistimos até que o filme acabe. Vamos começar pela evidência... um casalito que nunca fez mal a ninguém é vítima de um brutal acto da vandalismo que resulta na morte da mulher. A justiça que tarda e raramente chega leva o marido a procurar a justiça pelas suas mãos e como tal é enviado para uma prisão onde nenhum dos que por lá estão são flores que se cheirem. Aqui não só tem de sobreviver à loucura, ao assédio, à pressão e à violência como tenta impôr a justiça àqueles que dela pouco querem saber. Cliché atrás de cliché e temos este filme totalmente explicado.
Pontos fortes? Bom, repetindo que temos de ter em atenção o estilo de filme que é, tem alguns. As intermináveis sequências de acção que são "fortes e feias", fazem valer o filme. Não têm qualquer tipo de explicação racional além de serem violência pelo seu puro prazer. No entanto, verdade seja dita, são elas que fazem deste filme alguma coisa. E ela é praticada por tudo e todos enquanto o filme decorre... pelo próprio sistema judicial, pelos guardas, pelos outros prisioneiros e até pelo próprio Kyle que insiste em se juntar a ela em vez de se lhe opôr. Mas nós gostamos... Sabemos que mais tarde ou mais cedo toda aquela "calmaria" vai ser contrariada.
Os pontos fracos... bom... esses... começamos pelo facto de estarmos a falar numa prisão russa que mais parece ser no México pela quantidade de presos latino-americanos que lá tem. Facto pouco credível ou consistente mas que nós até deixamos passar pelo "bem" do filme de acção que ele é.
Os flashbacks são outro aspecto negativo. Além de um tanto mal feitos remetem um dramatismo descontextualizado ao filme. Ao tentar que estes sejam os momentos "lúcidos" do filme, acabam por não se conjugar com absolutamente nada sendo apenas "algo" que ali foi editado. E isto já para não falar em todo o simbolismo da borboleta que se torna, arrisco dizer, quase absurdo.
Se olharmos para este filme apenas e só como um de acção, é impossível não o achar interessante e até, em determinados momentos, bem conseguido por não tentar ser mais do que aquilo que é. Mas se pensarmos no lado dito "filosófico" que pretende mostrar, e na tentativa de desenvolver o dramatismo que tem em segundo plano... então aí temos tudo estragado.
Apesar de bem feito, para o estilo, não consegue ser um filme bom... apenas um filme que nos distrai pelas suas sequências de acção e de luta.
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5 / 10
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Um Dia Longo (2011)

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Um Dia Longo de Sérgio Graciano é uma curta-metragem de ficção deste realizador de quem espero ainda ver muitos e produtivos trabalhos.
Nesta curta acompanhamos um dia na vida de João (Miguel Mestre), o dia em que esta criança descobre que o seu avô faleceu. Através dos seus olhos, e do mundo que o rodeia, vemos como ele recorda o avô, os momentos que com ele passou bem como nos revela os pequenos segredos que com ele mantinha.
Com João está Luísa (Catarina Mago) a jovem que não só cuidar dele enquanto os pais vão para o velório como também está a atravessar os seus próprios dramas pessoas através de uma gravidez não planeada.
Esta excelente curta-metragem que une pequenos momentos de comédia num ambiente profundamente dramático consegue ainda fazer uma muito bem estruturada história onde a vida e o nascimento se cruzam de muito perto com a perda e a morte com a singular particularidade de tudo ser visto através dos olhos de uma tão pequena criança.
Um Dia Longo é uma muito simples, mas nada simplista, curta-metragem dotada de uma extraordinária, melodiosa e igualmente simples banda-sonora da autoria de André Joaquim, e que culmina com um comovente final do qual não me irei esquecer.
Ao Sérgio Graciano... obrigado por fazer cinema assim.
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8 / 10
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Infinito (2011)

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Infinito de André Santos e Marco Leão é uma curta-metragem portuguesa de ficção, que vi no decorrer do primeiro dia do Córtex - Festival de Curtas-Metragens de Sintra, que acompanhamos quase em silêncio absoluto. Silêncio humano. Os sons da Natureza, do vento nas árvores e da água são constantes e preenchem quase em absoluto a própria curta.
Estes sons só são momentaneamente interrompidos pelo som de uma criança a chorar que, pelo que percebemos, vive com a sua mãe dentro de uma tenda entre toda aquela vida natural numa alusão que quase arriscaria dizer à Mãe-Natureza.
A fotografia e a descrição visual da vegetação, da água e, no fundo, de todo o meio envolvente acabam por ser os pontos mais fortes desta curta que, em termos de argumento, é francamente pobre.
Com algumas premissas interessantes, nomeadamente as que referi anteriormente, não conseguem ainda assim ser as suficientes para a tornar uma curta estimulante.
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2 / 10
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Signs (2008)

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Sinais de Patrick Hughes é uma curta-metragem australiana sobre o amor e os sinais. Descobri esta curta quase por acidente e devo confessar que foi dos melhores acidentes que alguma vez me aconteceram.
Jason (Nick Russell) é um tipo solitário que vive sem a perspectiva de ter ao seu lado alguém que lhe dê companhia, amizade e amor. Tudo isto até ao dia em que olha para o prédio do lado e "conhece" Stacey (Kestie Morassi) que, tal como ele, passa os seus dias simplesmente a trabalhar.
A relação, ou espécie de, que os dois desenvolvem a partir desse momento é simplesmente genial e deliciosa de se ver. Temos a perfeita história de amor cinematográfica que a todos irá agradar, contrariando a enorme tendência a que assistimos no início onde a solidão e a tristeza são as palavras de ordem.
De destacar ainda a originalidade desta curta em transmitir tanta emoção e sentido apenas e só através de pequenas mensagens escritas pois, à excepção de uma muito bem colocada banda-sonora, toda a curta é... muda. Genial e imperdível vale muito todos os minutos da sua duração.
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10 / 10
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Córtex - Festival de Curtas Metragens de Sintra 2011

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PROGRAMAÇÃO
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27 de Outubro (21:30)
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Um Dia Longo, de Sérgio Graciano
Desassossego, de Lorenzo Innocenti
Justino, Carlos Amaral
Infinito, de André Santos e Marco Leão
A Cova, de Luís Alves
O Voo da Papoila, de Nuno Portugal
Viagem a Cabo Verde, de José Miguel Ribeiro
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28 de Outubro (21:30)
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Carne, de Carlos Conceição
Homenagem a Quem Não Tem Onde Cair Morto, de Patrick Mendes
Conto do Vento, de Cláudio Jordão
Vicky & Sam, de Nuno Rocha
O Tenente, de Rafael Martins
Nocturnos, de Aya Koretzky e Rodrigo Barros
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29 de Outubro (21:30)
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Verónica, de António Gonçalves e Ricardo Oliveira
Pickpocket, de João Figueiras
O Universo de Mya, de Miguel Clara Vasconcelos
Lisboa - Província, de Susana Nobre
Os Milionários, de Mário Gajo de Carvalho
Mariana, de Maria João Carvalho
Broken Clouds, de Yuri Alves
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30 de Outubro (17:00)
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Le Frére, de Jullien Darras
Ctin!, de Cyrelle Trevon
Yoni & Tadeo, de Rómeo de Melo Martins
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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Family Stone (2005)

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A Jóia da Família de Thomas Bezucha é um excelente e surpreendente filme de família que tive a sorte de ver pela primeira vez muito recentemente.
A história gira em torno de Meredith (Sarah Jessica Parker), uma executiva conservadora que acompanha Everett (Dermot Mulroney), o seu namorado, na visita à família durante as festividades de Natal.
Aquilo que Meredith não esperava eram as diversas confusões e conflitos que esta suposta pacífica visita iria ter e muito menos apaixonar-se por outro homem... Ben (Luke Wilson), o irmão de Everett, e isto numa altura em que Sybil (Diane Keaton) a mãe do extenso clã, vive um grande drama pessoal.
Como em todos os filmes deste género não só acompanhamos a história através dos seus inúmeros momentos de comédia como muito especialmente dos dramáticos que acabam por compôr a linha fundamental de todas as personagens.
O elenco onde para além dos nomes já mencionados se destacam ainda as participações de Claire Danes, Craig T. Nelson e Rachel McAdams, não poderia estar mais em sintonia. Para Sarah Jessica Parker, que aqui recebeu uma nomeação ao Globo de Ouro de Actriz Comédia, foi um desempenho surpresa bem interessante. E digo surpresa por apesar de ser uma interpretação em tons de comédia faz com que a actriz de "descole" da sua eterna prestação na série Sexo e a Cidade. Aqui a sua interpretação como uma mulher algo austera, contida mas com um bom coração consegue convencer de que é capaz de muito mais do que aquilo que nos últimos anos nos tem mostrado com a tão afamada série (que aliás também aprecio).
Este filme, ou melhor este género de filmes, acaba por funcionar não com um actor ou actriz em destaque mas sim com um aglomerado de todos eles que com algo que lhes é característico contribuem para uma grande "massa" conjunta. Quero com isto dizer que o filme não funcionaria de outra forma ou com actores a menos. Todos eles desempenham o seu papel muito específico e, de uma ou outra forma, complementam-se. Encaro isso como uma forma positiva, atenção sempre considerando que isto é um filme de família e como tal todos devem ter o seu espaço ao protagonismo próprio, e é exactamente isso que acontece. Cada actor funciona como uma peça-chave para o bom funcionamento de todo o conjunto.
Finalmente falando do argumento também da autoria de Thomas Bezucha, este faz-nos sentir como se estivessemos de facto a assistir a um fim-de-semana em família onde todos acabam por discutir ou se desentender mas em que todos também sabem ser ali o seu lar e o local onde podem sempre encontrar o seu refúgio. Existe uma dinâmica bastante boa entre os actores, o argumento e a direcção que nos faz acreditar que ali sim reside uma família. Família essa que se prepara para receber um elemento novo mas que depois na realidade recebe dois (não vou divulgar quem, isso tem de ser visto), e a forma como ela reage à "invasão" desses mesmos novos elementos. Interessante esta dinâmica de auto-protecção... a preservação dos "seus".
Este filme consegue ser bastante emocionante. Emocionante e emotivo apelando não facilmente mas de forma certeira às emoções de cada um como se um elemento da nossa própria família se tratasse. Pensamos quase de imediato no "e se fosse com os meus?". É talvez aqui que resida o elemento mais forte deste filme que assim consegue conquistar de uma forma certeira os espectadores.
Gostei das pequenas nuances... das clivagens existentes entre os familiares... dos medos e receios... das expectativas... do abdicar de algo em nome da felicidade do "outro"... afinal, de tudo aquilo que na realidade esperamos quando estamos a assistir a uma história sobre aquilo que é o mais fundamental de todos os seres... a família.
Um filme bastante bom, coerente, cómico e dramático que assumidamente não esperaria ver passar tão tarde num canal de televisão... àquelas horas em que infelizmente poucas pessoas o iriam ver. O que é uma pena pois é um filme francamente bom.
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"Meredith Morton: Isn't there anybody that loves me?"
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8 / 10
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