quinta-feira, 17 de maio de 2018

Venux (2017)

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Venux de Emanuele Chianelle (Espanha/Itália) é uma curta-metragem que revela ao espectador Laura (Verónica Morales) que se atrasa para o aniversário de Leo (José Manuel Poga), o seu namorado. Este acto involuntário que tudo pode colocar em risco, cedo se transforma no momento em que Laura consegue salvar a dinâmica do casal... mas, a que custo?
O realizador e Juanma Cabañas Santo escrevem o argumento de uma história que surpreende não pelo seu conteúdo inicial mas sim pela forma como dele se aproveita para no final, prender o espectador com a sua originalidade. Ao espectador são reveladas duas personagens... A primeira é "Laura", uma mulher centrada em "algo" que  o espectador desconhece mas que compreende ser determinada e centrada num qualquer propósito que defende... Indiferente para com a dinâmica com um namorado que aparenta ter "controlado", as pequenas coisas que os transformam enquanto casal parecem momentaneamente ameaçadas pela falta de vontade em comunicar com "Leo" - a outra personagem. Este, relativamente mais centrado na sua relação e firmemente preocupado com a ausência sentimental - e psicológica - da sua namorada, revela-se como um homem potencialmente possessivo mas que, afinal, apenas pretende manter viva a tal chama que dê sentido e continuidade a uma relação a dois. Preocupado em tudo saber sobre os passos de "Laura", poderá "Leo" afinal controlar o seu impulso?!
Num universo no qual se confunde a dinâmica da relação sentimental com aquela que é potencialmente mais intensa - sexualmente falando -, ao espectador são revelados pequenos elementos que afastam a história de Venux de um qualquer conto sobre as relações amorosas modernas deixando-a, no entanto, mais exposta a uma dinâmica de "filme dentro do filme" que não é necessariamente o seu ponto mais forte apesar de manter a sua originalidade graças a este factor.
Se surpreende no final? Surpreende... se o espectador compreende algumas das inseguranças até então apresentadas? Claro que sim. No entanto, são estas que fazem com que o espectador perca a dinâmica ou a empatia estabelecida com esta história, compreendendo o seu significado mas tarde demais para que este filme curto seja, mais tarde, recordado.
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5 / 10
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Sin Titulo. Segundo Movimiento (2016)

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Sin Titulo. Segundo Movimiento de Ricardo Perea e Julio Lamaña (Espanha/Colômbia) é um breve documentário que recupera a importância da oralidade como parte indissociável da memória histórica. Num universo onde apenas os factos documentados parecem ganhar relevância como registo da História, que lugar permanece "disponível" para a oralidade enquanto "documento" dos factos que marcaram o passado?
Ricardo Perea e Julio Lamaña criam com este Sin Titulo. Segundo Movimiento um interessante registo sobre a importância da oralidade que, através de uma confirmação que passa pela comédia, pela tragédia ou até mesmo pelo inesperado, confirma o desejo de todos os que atravessaram a História, ou seja, a certeza de que o seu ser - mesmo que não presente - se mantém eternamente vivo pela certeza dos outros que confirmam a sua presença numa determinada época espaço-temporal.
A originalidade deste documentário curto chega, no entanto, pelo local em que foi gravado... um cemitério... o espaço onde todos se encontram depois de uma viva vivida e testemunhada por aqueles que nesse ido tempo presenciaram a vida dos que partilham, falando deles como parte integrante da sua própria existência e confirmando ainda a influência que estes exerceram no seu ser, verbalizando as suas últimas mensagens, palavras e, como tal as memórias que eles deixaram naqueles que ficaram e que hoje são parte integrante das suas recordações.
Relevante enquanto documento histórico sobre a importância da memória e da oralidade enquanto seu veículo transmissor, Sin Titulo. Segundo Movimiento sai como um filme determinante pela forma sempre emotiva com que são transmitidas as recordações desse vivido passado deixando o espectador com um inesperado desejo de poder saber mais daquelas vidas que o próprio desconhece mas que ali testemunha como sendo de alguém que, em tempos, lhe fora próximo.
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7 / 10
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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Hugh Dane

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1943 - 2018
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Joseph Campanella

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1924 - 2018
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El Precio de la Risa (2017)

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El Precio de la Risa de Gabriel Lechón (Espanha) é um documentário sobre a vida de Paco Martínez Soria, actor espanhol que dividiu a sua carreira entre os palcos e o cinema onde se iniciara em 1934 com Sereno... y Tormenta, de Ignacio F. Iquino até La Tía de Carlos (1982), de Luis María Delgado, naquela que foi uma carreira sempre muito conotada com os dias da ditadura franquista.
O argumento de Pablo Urueña recupera um conjunto de imagens da obra do actor e produtor teatral, acompanhadas de todo um leque de testemunhos de actores que trabalharam com ele tais como Emilio Gutiérrez Caba ou alguns dos teóricos do momento como o escritor Javier Lafuente, o director da revista especializade Cinemania, Carlos Marañón ou mesmo do filho cuja vida foi dedicada à Igreja, entre outros que enquadram a sua obra no tempo, na relevância nos dias de hoje onde assumem que alguma da sua filmografia é ainda líder de audiências na televisão espanhola revelando que a importância do seu trabalho é, portanto, intemporal.
Com uma referência às suas origens mais humildes às quais sempre regressou como forma de sentir o apoio e o carinho daqueles para quem o seu trabalho era, de certa forma, dedicado, El Precio de la Risa confere ao espectador uma abordagem fresca, dinâmica e francamente fluída do homem por detrás da obra. Com um claro enfoque nas obras que protagonizou e que se classificavam maioritariamente junto da comédia simples e popular, todos aqueles que deixam o seu testemunho são claros e esclarecidos sobre a sua empatia e proximidade com o grande público, tornando-o num dos rostos mais conhecidos do mesmo sendo abordado em qualquer parte do país em que se encontrasse. Mais, todos referem o drama que sentia quando viajava para fora do país, onde as suas obras não chegavam, e o desconforto causado por não se sentir próximo daqueles com quem se cruzava desejando regressar de imediato.
Todos são ainda claros nos pequenos grandes elementos que caracterizam a sua obra, nomeadamente em aspectos como a constante dicotomia entre campo e cidade e em interpretar homens que, vindos de origens mais humildes, encontram dificuldades nas grandes cidades e na vida que se espera tenham na mesma. Com uma grande aceitação popular nos meios rurais e cidades mais pequenas, Paco Martínez Soria apenas consegue encontrar o reconhecimento do público de Madrid em La Ciudad no es para Mí (1966), de Pedro Lazaga onde a sua personagem encontra na vida citadina uma constante corrupção dos valores morais que encontra no seu meio mais rural.
Para lá de uma análise ao seu percurso cinematográfico, este documentário entrega ainda ao espectador um olhar sobre a sua trajectória teatral onde, dono de uma companhia itinerante, exercia para lá da óbvia função formativa a todo um conjunto de novos actores onde se encontravam o já referido Gutiérrez Caba mas também José Sacristán, por exemplo, e, na qual, se tornava um profissional muito mais exigente e pouco descontraído ao contrário do sentido enquanto profissional de cinema.
Fluído e muito importante enquanto objecto didático e de estudo sobre uma das personagens mais queridas do cinema e do teatro espanhol, El Precio de la Risa é um documentário original ao abordar a História por detrás das histórias e das personagens do cinema do país vizinho e, como tal, indispensável para o conhecimento do mesmo.
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7 / 10
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En Medio de la Noche (2017)

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En Medio de la Noche de Marcos Sastre (Espanha) é uma curta-metragem que revela um momento na vida de Amélia, uma jovem que foge por uma estrada deserta de um carro que a persegue pela noite. Amélia (Esther Lastra) encontra refúgio na casa de Ruth (Alba Bermejo) com quem estabelece uma conversa ocasional que expõe os seus medos. Quem serão estas duas mulheres?
Marcos Sastre dirige este thriller com alguma paixão deixando transparecer toda uma vontade de entregar ao espectador uma história fértil em incertezas, inuendos e um clima de terror que o mantém em suspenso sobre quem será a verdadeira vítima... quem será o verdadeiro agressor e até que ponto é que aquilo que vemos é de facto a intenção primária de personagens que nem sempre se revelam tal como são.
Distraído que está o espectador sobre a fuga desta jovem por ruas sombrias, desertificadas e onde as casas que as circundam parecem, também elas, ausentes de qualquer manifestação de vida, En Medio de la Noche consegue - nesta perspectiva - criar um ambiente tenso e interessante que lança o seu público numa dimensão onde se mantém incerto sobre aquilo que observa. Mas, no entanto, também cedo compreende que são os pequenos detalhes e as alusões a um género cinematográfico específico que lançam as primeiras pistas sobre aquilo que poderá suceder nesta história.
Se inicialmente o espectador se deixa levar pela dinâmica de um qualquer thriller ou até mesmo um filme sobre uma qualquer máfia que persegue a sua vítima, não deixa de ser real a noção de que poderemos estar perante uma invulgar história de terror... de suspense assumido... ou até mesmo sobrenatural. É esta incerteza sobre o seu género que consegue afirmar-se como o elemento mais forte desta curta-metragem e confirmar que até bem perto do final o espectador observa uma história onde não conseguiu compreender quem realmente foge de quem e quais as verdadeiras intenções de "Amélia", de "Ruth" ou de qualquer uma das demais personagens secundárias.
Com uma direcção de fotografia fiel ao género proposto mas cuja dinâmica é interrompida por alguma fragilidade da realização e montagem que quebra o ritmo desta história, En Medio de la Noche consegue criar o ambiente correcto para o argumento que aqui é filmado mas, ao mesmo tempo, não se deixa levar por uma concretização mais firme que possibilitasse ao espectador uma maior expectativa sobre as suas personagens que, através de breves elementos, se denunciam cedo demais.
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3 / 10
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Ryoko (2018)

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Ryoko de Emilio Gallego e Jesús Gallego (Espanha) é uma curta-metragem de animação que leva o espectador a uma inesperada, original e surpreendente viagem de comboio na qual, um dos seus passageiros adormece, ignorando todo um conjunto de aventuras pelas quais atravessa.
Aquilo que se inicia como uma viagem pela cidade onde tantos se preparam para começar mais um dia de trabalho revela-se, desde muito cedo, como uma travessia pela floresta onde todo o tipo de animais cruzam os corredores do comboio ou pelo fundo do mar fruto das lágrimas que escorrem pelo rosto de alguém ou até mesmo pelo espaço onde estranhas naves e visitantes de um qualquer outro planeta se pasmam com a existência de "outro tipo de vida" até um inesperado despertar onde nada nem ninguém percebe pelo que passou.
Surpreendentemente fantasiosa e dotada de uma animação inteligentemente delineada, a brevíssima curta-metragem Ryoko da dupla Gallego e Gallego surge como uma clara vencedora quando consegue unir nos seus escassos minutos toda uma viagem por um mundo de fantasia que cruza todos os espaços possíveis e imaginados de um universo, por vezes, desconhecido... da floresta ao fundo do mar sem esquecer o espaço desconhecido, esta história apresenta-nos todo um conjunto de personagens que atravessam os sonhos mais aventureiros dos seus protagonistas lançando-os, inadvertidamente, naquele que será de facto a viagem das suas vidas.
Fortemente ligada a um imaginário de aventura e ficção, Ryoko desperta no espectador um inesperado desejo dessa mesma aventura e o pensamento de que todas as viagens para mais um dia de trabalho pudessem ser tão libertadoras como aquela que estes protagonistas conseguiram aqui ter.
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7 / 10
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terça-feira, 15 de maio de 2018

Untitled Film #1 (2018)

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Untitled Film #1 de Araque Blanco (Espanha/República Checa) é uma curta-metragem que revela a história de duas amigas - Lucy (Lucy Hadfield e María (María Giaever) - que se cruzam na cidade de Praga, na República Checa formando uma imediata amizade e um laço de cumplicidade que dará forma a toda a sua criatividade.
O realizador e Elpídio del Campo escrevem este argumento criando um universo de cumplicidade entre duas personagens estrangeiras numa terra que se quer de criatividade, criação e uma extrema expressão de sentimentos e emoções em relação àquilo que criam. Das conversas banais que revelam uma certa formação de carácter às pequenas cumplicidades e momentos em que a amizade ganha corpo, estas duas (recentes) amigas perdem-se pelas banalidades da vivência numa cidade diferente e onde ambas são o elemento "extra" influenciando - e deixando-se influenciar - pelos locais, pelas pessoas com quem se cruzam e pela forma como ambas experimentam toda esta nova realidade na definição e formação do seu próprio comportamento.
Como duas inesperadas exploradoras modernas, "Lucy" e "María" encontram neste lugar desconhecido a fonte de uma esperada criatividade buscando inspiração naqueles pequenos elementos - da cidade e das pessoas - excêntricos que as motivem para a criação. Num percurso de descoberta do espaço, das pessoas, da relação que mutuamente criam e principalmente delas próprias, poderá este ser o início de uma amizade duradoura ou apenas o motivo ou meio que encontram para unir esforços num espaço, não adverso, mas desconhecido para ambas?
Untitled Film #1 centra-se essencialmente na dinâmica da descoberta. Quer seja do espaço, das pessoas, das relações ou até mesmo dessa já referida e ausente inspiração como mote para a criatividade, as duas jovens são aqui um veículo para a alcançar. Uma descoberta que passa também, senão principalmente, pela forma como cada um se relaciona numa sociedade diferente e pela ideia que cada um modela (lentamente) através desta descoberta que influencia sobretudo a sua própria individualidade e independência. Quem somos nós no mundo a uma dada altura e como todos esses elementos externos influenciam o "eu" que se perfila no futuro?!
Numa esperança de conferir a esta curta-metragem uma modernidade realista, o realizador brinca o espectador com uma constante sensação de "câmara na mão", onde tudo é filmado na primeira pessoa como que este último seja um observador participante e relativamente activo na consciencialização das experiências que as duas protagonistas vivem. No entanto, se esta difícil experiência poderá retirar positivos contributos ao imiscuir o espectador na obra, não deixa de ser uma realidade que, ao mesmo tempo, pode também ser uma experiência cansativa para o espectador mais impaciente que vê nesta constante movimentação um atributo menos positivo e mais concentrador de uma dispersão - quase uma contradição - intelectual da obra.
Potencialmente interessante na sua forma e na sua origem pelo contributo e pela abordagem à ideia de "estranhos em terra estranha" e do inegável elo que se cria naqueles que partilham a mesma condição assim como pela forma como é nesta união que se pode criar não só uma amizade como principalmente uma forma detentora de uma potencial criatividade - diz-se que todos os artistas criam mais (ou talvez melhor (?!)) quando sob pressão ou em ambiente adversos -, Untitled Film #1 não consegue, apesar da sua premissa, criar uma imediata empatia com o espectador mais sedento de respostas que cheguem de forma mais directa e menos lírica. Enquanto um potencial filme curto artístico, a obra de Araque Blanco poderá figurar entre as mais dinâmicas e interessantes mas, no entanto, enquanto obra capaz de dinamizar a atenção do público... transforma-se num imediato filme mais fragilizado e menos capaz de o prender desde o primeiro instante.
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6 / 10
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Fuera de Juego (2017)

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Fuera de Juego de Richard Zubelzu (Espanha) é um documentário em formato de longa-metragem que aborda a temática da homossexualidade no futebol em Espanha e de todo o tabu que se gera em redor da mesma.
Partindo do pressuposto de que existe um estereótipo instaurado na sociedade nas mais diversas áreas, desporto incluído, e à qual todos "respondem" aceitando e não questionando, como reagir quando aqui a expressão da sexualidade individual difere desse ideal previamente estabelecido e dominante? A sexualidade, direito civil consagrado na lei, não colide com os interesses ditos "de grupo" quando expresso de acordo com a corrente da maioria mas, no entanto, existe uma (suposta?!) minoria silenciosa que lentamente começa a assumir-se como detentora de direitos igualitários.
Assim, e conhecendo o espectador que o meio desportivo e muito particularmente aquele ligado ao futebol, a grande questão ou pensamento que este documentário pretende levantar e deixar presente na mente do mesmo é a ideia de que todas as formas de descriminação começam na vontade de inferiorizar a diferença. Dito isto, num meio onde a suposta masculinidade prevalece em detrimento dessa diferença, ou da expressão de uma sexualidade não dominante - partimos desta premissa apenas pelo desconhecimento da sexualidade/estereótipo associada ao grupo -, e tendo como ponto de partida que aqueles aqui inseridos "correspondem" ao ideal de família previamente instaurado, Fuera de Juego lança uma última ideia ligada ao facto de que o suicídio é acto que está tantas vezes ligada a este "preconceito de balneário" que inibe os atletas primeiro de se assumirem tal como são e depois agentes que reagem à pressão de pares pela impossibilidade dessa mesma expressão sexual individual.
No entanto, Fuera de Juego revela que lentamente e através de pequenos actos, algumas associações espanholas ligadas ao futebol têm vindo a tentar a sensibilização do grande público nomeadamente através do uso de atacadores multicolores durante as partidas de futebol bem como através do movimento que defende que o insulto - aqui sexual - não é um direito mas sim um acto de violência e agressão psicológica para com os atletas que assumem a sua sexualidade... não dominante. Se na rua não se ofende e agride verbalmente ninguém, o objectivo é então que em campo este insulto também não pode ser permitido.
Se toda esta dinâmica é equacionada num desporto dito "masculino" e, como tal, a questão aqui imposta é a homossexualidade masculina, Fuera de Juego questiona ainda esta expressão de sexualidade no campo feminino ou, por outras palavras, este documentário levanta ainda a questão através da exibição de pequenos elementos ou pensamentos que demonstram que num desporto dito "para homens", a descriminação já se encontra presente quando disputado por mulheres e, sobretudo, se estas se assumirem também como homossexuais estando, dessa forma sujeitas a uma pressão e violência (pelo menos) verbal e psicológica dupla ao serem vistas como "invasoras" de um desporto masculino e ainda pela sua expressão sexual "não dominante".
Se Fuera de Juego revela que a realidade é ainda negra apesar dos enormes progressos que lentamente - muito lentamente - se têm vindo a registar na área desportiva, não deixa de ser uma realidade que o efeito tabu já foi levantado e que os assuntos começam a ser discutidos ainda que com a resistência de muitos dos ditos "poderes instalados". No entanto, tem sido através da constante acção de muitos atletas e de muitas organizações e associações que consciencializam para a aceitação dessa diferença que a temática da homossexualidade no desporto, ainda que não total e livremente debatida, seja já encarada como uma realidade e um elemento presente na vida de muitos.
Quanto a esta documentário enquanto uma peça cinematográfica, aquilo que lhe falta não é tanto a abordagem a esta temática, sempre importante e muito pertinente, mas sim o facto das entrevistas ou mesmo das abordagens à homossexualidade dos atletas não ser levada mais a fundo explanando - para o espectador - através de momentos e experiências de muitos que pudessem estar dispostos a falar na primeira pessoa. Porque um documentário não pode ser apenas a documentação dos factos mas sim os relatos que humanizam as histórias, as experiências, os traumas e a própria violência a que muitos foram sujeitos. Importante enquanto peça cinematográfica que aborde esta questão - talvez - pela primeira vez mas ainda assim apenas um projecto embrião para um assunto que terá certamente ainda muito por abordar e explorar... Talvez a partir daqui exista a vontade de muitos - ou de apenas alguns - em começar a encará-lo como algo realmente relevante (e não apenas "existente") e, como tal, necessário de ser discutido e debatido. Ao realizador Richard Zubelzu os parabéns pela iniciativa e pela coragem de finalmente trazer esta temática à atenção do público.
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5 / 10
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Ñimbo (2017)

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Ñimbo de Ricardo Zavala (Espanha) é uma curta-metragem com um argumento escrito pelo realizador em parceria com Diana Estévez que conta a história de Matías (Sergio Viniccio) um homem que compreende tarde que a Humanidade se prende à relação com as coisas materiais fazendo delas o seu próprio mundo.
Num mundo onde mais nada para lá de uma praia deserta parece existir, "Matías" parece apenas manter conforto na relação que estabelece com um pequeno urso de peluche de nome "Ñimbo". Depois de um longo sono, "Matías" desperta para perceber que o seu objecto de conforto desaparecera da sua vista e compreender que a integridade de todo o seu mundo fora abalada.
Intencionalmente preocupada com uma analogia onde Homem e Mundo vivem num certo espaço temporal distante - pouca é a relação entre ambos para lá daquela de sobrevivência e subsistência a que o Homem está sujeito -, esta curta-metragem parece perder-se na sua dinâmica narrativa quando, ao mesmo tempo, tenta passar a mensagem de dependência do Homem em relação aos seus bens materiais que considera mais importantes do que todo o demais espaço que não sequer perde para contemplar.
Quando num espaço onde apenas reage para a sua sobrevivência e sustento se preocupa com um objecto que, na prática, o espectador nunca conhece a sua real importância para lá de uma potencial relação com o seu passado mais infantilizado - que não percebemos se já o perdera de facto -, o espectador questiona-se se a intenção do realizador é realmente a relação do Homem com o meio, do Homem com o seu passado ou ainda do Homem com o mundo material onde a riqueza e a posse determinam a importância social de cada um.
Algo dispersa na sua intenção e sujeita a uma múltipla interpretação do seu argumento - nem sempre pelos melhores motivos - Ñimbo revela ainda as suas fragilidades técnica nomeadamente na captação de som e na dinamização de um espaço natural sub-aproveitado que apenas parece servir de adorno para a fluência da história e não uma sua parte integrante. Compreensível, de uma forma geral, no que diz respeito às suas intenções é, no entanto, a execução e prática das mesmas que se faz perder na sua narração demonstrando um argumento algo fragilizado e pouco coerente que se deixa fluir pela força da necessidade de encontrar um final para esta história.
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5 / 10
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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tom Wolfe

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1931 - 2018
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Roberto Farias

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1932 - 2018
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Shortcutz Viseu - Sessão #99

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O Shortcutz Viseu chega para a sua Sessão #99 com uma edição especial dedicada aos mais jovens. Naquele que é o Dia Internacional dos Museus, o Shortcutz Viseu apresenta como convidado especial o MONSTRA - Festival de Cinema de Animação de Lisboa com a sua secção Monstrinha com filmes curtos vindos de Alemanha, Bulgária, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Reino Unido, República Checa e Rússia.
O dia estará dividido em duas sessões iniciando-se a primeira pelas 14 horas e, de seguida, uma segunda sessão pelas 15:30 realizando-se, ambas, no Museu Nacional Grão Vasco.
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Redención (2016)

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Redención de Marcos Sastre (Espanha) é uma curta-metragem onde a passagem do tempo e a vontade de vingança se cruzam deixando para o espectador toda e qualquer noção de justiça para com as atitudes das personagens aqui expostas.
Álex é um polícia atormentado pela memória da mulher Bárbara assassinada três anos antes. O seu único desejo é vingar-se daqueles que a assassinaram. Pelo caminho tenta eliminar das ruas todos os potenciais criminosos que podem eliminar a paz e a segurança das ruas.
A curta-metragem de Marcos Sastre parte de uma premissa que, já estando explorada em demasia no cinema independentemente do seu formato, deixa sempre um espicaçado interesse no espectador para com (mais) uma história que pode centrar-se na verdadeira dramatização de uma realidade que a todos preocupa... o crime (organizado) e o seu extenso braço que tantas vidas desfaz. Desta forma encontramos "Álex", um polícia cuja única missão é eliminar todos aqueles que se opõe ao braço da lei e da justiça retirando-os da "circulação" encontrando na imagem da sua mulher desaparecida às mãos do crime o motivo para todas as suas acções nem sempre respeitadoras da lei. No entanto... nem tudo é perfeito.
Redención cria desde cedo a ilusão de um sentimentalismo que as interpretações e o próprio argumento não se permitem para um normal e funcional decorrer da trama, deixando todos os lugares comuns expostos e revelando uma ligação afectiva e sentimental com um passado que já não existe como o único mote para que tudo aconteça. Resumindo, a ideia e a questão que se levantam a certo momento pelo espectador é simples... estaria este homem tão preocupado com o respeito pela lei se o crime não lhe tivesse batido à porta? A resposta a esta questão seria simples se fosse respondida por qualquer um de nós mas, no entanto, aqui encontramo-nos perante um agente da lei e da autoridade que, noutras circunstâncias... poderia nem estar preocupado com o que acontece na rua ao lado... mas aqui, tudo muda e a noção de sentimentalismo que se pretende criar... nem sempre resulta.
Com um enredo já muito explorado e de certa forma com inúmeros momentos que se poderiam evitar, Redención consegue ainda exibir algum déficit no espaço em que concretiza a sua dinâmica ao recorrer a um ambiente desertificado e abandonado como o "local ideal" para o crime quando, na realidade, bem sabemos que este é tantas vezes praticado em lugares aparentemente insuspeitos.
Recheado de boas intenções na sua tentativa de contar uma história de crime, de vingança, de morte e de memória por um passado feliz e sentimentalmente preenchido, Redención fragiliza-se, no entanto, por um conjunto de momentos banalizados e já suficientemente explorados que não transformam esta curta-metragem num filme inovador ou que traga - ao espectador - algo de novo e apelativo para permanecer na sua memória como "aquele" filme policial.
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4 / 10
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domingo, 13 de maio de 2018

Margot Kidder

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1948 - 2018
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sábado, 12 de maio de 2018

Antonio Mercero

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1936 - 2018
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Bill Gibron

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1961 - 2018
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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Shortcutz Viseu - Sessão #98

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O Shortcutz Viseu está de volta e desta vez com a Sessão #98 inteiramente dedicada a um convidado especial... o MONSTRA - Festival de Cinema de Animação de Lisboa.
A sessão, que será preenchida com uma selecção de filmes curtos internacionais seleccionados a partir do programa oficial do festival da edição de 2018, contará com a presença de Fernando Galrito, o Director Artístico do festival que estará disponível para a habitual conversa com o público presente.
As curtas-metragens, que terão legendagem em português, serão exibidas a partir das 22 horas da próxima sexta-feira dia 11 de Maio, no Museu Nacional Grão Vasco.
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terça-feira, 8 de maio de 2018

Anne V. Coates

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1925 - 2018
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

Maurane

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1960 - 2018
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Ermanno Olmi

 
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1931 - 2018
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European Film Awards - Young Audience Award 2018: o vencedor

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A longa-metragem de co-produção de França e Burkina Faso Wallay, de Berni Goldblat venceu a sétima edição do Young Audience Award atribuído anualmente pela Academia Europeia de Cinema e votado simultaneamente por jovens dos 12 aos 14 anos em várias cidades europeias incluindo Lisboa.
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Wallay conta a história de um jovem adolescente de treze anos que se vê forçado a sair da sua casa em França e passar a viver na casa rural da sua família no Burkina Faso onde terá de enfrentar uma precoce idade adulta transformando-se no homem que todos esperam que ele seja.
A trigésima-primeira edição dos European Film Awards irá decorrer em Sevilha, Espanha, no próximo dia 15 de Dezembro.
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domingo, 6 de maio de 2018

Horacio Valcárcel

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1932 - 2018
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Bloggers (2017)

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Bloggers de Ángel Manuel Chivite e Alber Estévez (Espanha) é uma longa-metragem que narra a história de Helena Durovic (Hortensia Chivite), comandante de uma tripulação vinda de missão de regresso ao planeta Terra depois da exploração de minérios em Mercúrio.
O ano é 2078. O planeta Terra está entregue a um conjunto de empresas energéticas mas em falência de minérios que as sustentem. A única possibilidade de sobrevivência da sociedade que conhecemos surge através da exploração de minérios que, no entanto, provoca graves deformações físicas naqueles que nela participam e que são transportados para o planeta à força. A grande questão que se coloca para uma resistência ameaçada prende-se com a continuidade desta exploração para recolha de provas ou expôr estas companhias e impedir o extermínio dos que restam da Humanidade...
A longa-metragem da dupla Chivite e Estévez centra todo o género de ficção científica muito ao estilo daquilo que em tempos o espectador já havia visto com Alien (1979), de Ridley Scott na medida em que toda a dinâmica da história se encontra a bordo de uma nave espacial, num futuro datado mas incerto onde a tripulação da mesma se vê ameaçada não por uma perigosa força alienigena mas sim pelos perigos que os esperam no seu regresso a um Planeta Terra refém das forças empresariais que dominam os destinos da população. Por entre os sobreviventes, sente-se o perigo. Um perigo que começa por ser psicológico na medida em que todos vivem amedrontados com os efeitos de uma nave tecnicamente não responsiva mas que, ao mesmo tempo, parecem viver amedrontados com alguns dos seus companheiros de viagem dos quais começam lentamente a duvidar. Entre um acérrimo instinto de sobrevivência, traições palacianas de um mundo que parecem já conhecer e dilemas existenciais que comprometem não só a sua integridade como a sobrevivência dos seus semelhantes na Terra, esta tripulação começa a sentir os efeitos de uma demência típica de alguém que se encontra preso e condicionado independentemente da escolha que tome.
Tecnicamente elaborada e fiel ao espírito de um filme que se propõe recriar o ambiente numa nave espacial - em todos os instantes que o espectador dedica a sua atenção à decoração tem presente no seu imaginário a já referida obra de Scott ou mesmo THX 1971 (1971), de George Lucas -, é esta atmosfera envolvente num elegante cenário sóbrio e frio que melhor se destaca em toda esta longa-metragem e que, de certa forma, também concentra toda a atenção do espectador. Ainda que eventualmente sofra dos males do pouco investimento num cinema que se compreende como independente, Bloggers consegue cativar por essa atmosfera e só depois pela sua narrativa enquanto história que mescla o pânico de clausura fruto desta viagem pelo espaço, a intriga palaciana que se vive nesta Terra de 2078 e, finalmente, pela história de luta de uma resistência que a tudo se dispõe como forma de desmistificar a ocultação de verdades que possam - talvez - salvar a Humanidade de uma extinção completa às mãos dos eternos agiotas económicas que se impõe (erradamente) como salvadores de um qualquer estilo de vida que, aparentemente, não se consegue manter.
Se esta dinâmica de cenário versus argumento já mostra as suas potencialidades que, no entanto, tendem a não ser exploradas na sua totalidade ficando-se por um lume brando incapaz de destacar Bloggers para lá da homenagem às obras já mencionadas, as interpretações acabam por sofrer da mesma fragilidade há excepção de Fidel Cornago como "Samuel", o inexperiente mas competente técnico que sofre desses mesmos males de isolamento e solidão numa missão especial que parece não ter fim e que condiciona o seu próprio juízo e sanidade mental destacando-se ainda de forma assumidamente positiva a direcção de fotografia que não só ilumina com os seus tons frios o referido distanciamento, solidão e perda de esperança que se pretendem nesta longa-metragem.
Cativante, inteligente e muito bem estruturado apesar de quaisquer limitações que uma obra de cinema independente acaba por sofrer, Bloggers deixa o espectador com a noção de que se encontra perante uma longa-metragem pensada e bem planeada capaz de fazer denotar uma narrativa coesa apesar das suas fragilidades e consciente de uma mensagem social que tenta fazer chegar ao seu público sobre um mundo que morre lentamente... mas que a bem desse poder económico de rosto oculto, está preparado para não se deixar morrer sózinho.
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6 / 10
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IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente 2018: os vencedores

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Terminou ontem a mais recente edição do IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente que decorreu na capital desde o passado dia 26 de Abril.
São os vencedores:
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Competição Internacional
Grande Prémio de Longa-Metragem Cidade de Lisboa: Baronesa, de Juliana Antunes e Lembro Mais dos Corvos, de Gustavo Vinagre
Grande Prémio de Curta-Metragem: Solar Walk, de Réka Bucsi
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Competição Nacional
Longa-Metragem: Our Madness, de João Viana
Curta-Metragem: Os Mortos, de Gonçalo Robalo
Prémio Novo Talento: Amor, Avenidas Novas, de Duarte Coimbra
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Silvestre
Longa-Metragem: O Processo, de Maria Augusta Ramos
Curta-Metragem: Braguino, de Clément Cogitore
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IndieMusic
Prémio IndieMusic: Matangi/Maya/M.I.A, de Steve Loveridge
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Prémios do Público
Longa-Metragem: O Processo, de Maria Augusta Ramos
Curta-Metragem: Stay Ups, de Joanna Rytel
Prémio do Público IndieJúnior: Professor Sapo, de Anna van der Heide
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sábado, 5 de maio de 2018

Festival Internacional de Cine de Piélagos 2018: os vencedores

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Terminou há instantes a nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que decorreu na Cantábria, em Espanha desde o passado dia 30 de Abril e no qual tive o prazer de estar presente pelo quarto ano enquanto seu programador oficial.
Foram os vencedores:
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Secção Oficial
Premio Dunas de Liencres
Longa-Metragem Puesta de Largo: Tarde para la Ira, de Raúl Arévalo
Curta-Metragem Internacional: Bomboné, de Rakan Mayasi (Palestina)
Curta-Metragem Nacional: Madre, de Rodrigo Sorogoyen
Curta-Metragem da Cantábria: Le Vivre Ensemble, de José Luis Santos
Documentário Curta-Metragem Nacional: Mot de Passe: Fajara, de Patricia Sánchez e Severine Sajaous
Documentário Curta-Metragem da Cantábria: Testigos Pétreos, de Jacobo Muñoz
Curta-Metragem de Animação: Decorado, de Alberto Vázquez
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Premio Costa Quebrada
Realização: Rodrigo Sorogoyen, Madre
Realização Revelação: Victor Luis Quintero e Sergio Rey Sanchez, El Casamiento
Actor: Daniel Grao, El Alquiler
Actriz: Marta Nieto, Madre
Argumento: Iván Sáinz-Pardo, Ainhoa
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Premio Canallave
Prémio Distribuição MailukiFilms: Abuelo, de Caque Trueba e Juan Trueba
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Premio Valdearenas: Pelayo Lopez - "Cinenterate Cantabria"
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Secções Paralelas
OneSequenceShot: Desaliento, de Pinky Alonso
UnoCortoyRapidito: Rosa, de Zoa Peña e Ana Herrán
NoTeCortesHazTuCorto: Mala, Malísima (Renedo)
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Pierre Rissient

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1936 - 2018
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Nove de Novembro (2018)

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Nove de Novembro de Lázaro Louzao (Espanha) revela a história de Roberto (Ademar Silvoso) e Miguel (Brais Yanek) que, no final da década de '80 cumprem dez anos de relação. Em quatro breves dias enquanto assistem às convulsões numa distante Alemanha, as memórias do passado entram em conflito com a sua realidade presente e aquilo que parecia ser uma união estável demonstra ser tão frágil como o Muro que, em Berlim, ameaça ruir.
O realizador e argumentista Lázaro Louzao cria com este Nove de Novembro um conto sobre a relação entre dois mundos aparentemente similares mas que têm de viver numa crescente incerteza que irá definir os seus destinos. Desde cedo que o espectador acompanha a relação entre o par protagonista percebendo as aparentes diferenças que caracterizam cada um deles e, do universo de 1978 àquele de 1989, compreendem-se as dinâmicas entre o casal desde o momento em que reinou a paixão, passando pelo amor, pela convivência e até mesmo pela inesperada traição que marcará um novo momento... o do final... mas não uma ruptura.
Numa constante oscilação entre épocas temporais - não esquecer que assistimos a um presente em Novembro de '89 mas com revisitação ao momento pós-ditadura franquista em 1978 -, Nove de Novembro começa por revelar o momento em que "Roberto" e "Miguel" se conhecem e trocam as primeiras (e pouco desejadas) impressões comuns. Por entre os problemas comuns a qualquer casal que cruzam a traição ou até questões financeiras, dos desentendimentos que tudo geram aos dissabores pelo confronto de realidades que são, em certa medida, distintos entre si, esta longa-metragem apresenta-nos também os momentos cúmplices entre este par protagonista que, ainda assim, parece fazer adivinhar uma iminente ruptura na sua convivência comum.
Mas não são só os esperados problemas enquanto casal que esta longa-metragem revela. Nove de Novembro tem ainda o contributo histórico de inserir o espectador numa determinada época da História contemporânea de Espanha e revelar que desses idos anos da década de '70 onde o país saíra de uma ditadura de mais de quarenta anos, existia toda uma esperança rejuvenescedora na dita "nova geração", onde todos os sonhos e desejos pareciam então possíveis e concretizáveis mas que, pela força de um conservadorismo e catolicismo muito enraizados na sociedade, se deixaram perder tornando-se nas frustrações daqueles que iriam (então) construir a nova Espanha. Entre as frustrações de uma família que nem sempre aceita a revelação da sexualidade de "Miguel", ao início da vivência a dois por este facto despoletada, esta história capta então o tal registo a dois, de dois perante um mundo em constante transformação - não só pela recente Democracia em Espanha como também numa Europa em convulsão e que se reformularia até violentamente - e principalmente a forma como todas as certezas do casal "sentem" (est)a transformação como algo determinante no seio da vida a dois.
Assim, as discussões que inicialmente se assumem como fruto de um conjunto de adaptações normais de uma vida onde dois decidem, começam lentamente a ganhar contornos mais profundos ao revelar dissabores sentidos em relação a uma educação mais conservadora - a de "Miguel" -, que resulta na queda da relação nos lugares comuns daquelas que se formam no início de uma liberdade recém adquirida onde o desejo pelo "proibido" se assume e ganha forma, lentamente minando a confiança, a existência pacífica e a sentida cumplicidade que (em tempos) havia marcado a sua convivência e o seu espaço comum.
Repleto de histórias sobre um passado comum, a consciência de um presente que já não o será podendo estar, inclusive, perdido até na própria amizade, com a certeza da doença que agora afecta o que resta dessa já ida cumplicidade, Lázaro Louzano cria uma história de um amor (não) perdido e ausente que transforma as realidades de dois homens - e da sociedade - num inesperado não tão admirável mundo novo que é vivido quase exclusivamente por detrás das quatro paredes de um quarto onde se conversa, se recorda o passado, se ama e principalmente se ganha consciência da realidade da desilusão. No fundo este não tão breve encontra versa sobre a compreensão daquilo que se perdoa e aquilo que já não se consegue suportar.
Com uma excelente direcção de fotografia de Maite Redondo e Iago Vilarinho que capta a essência de um espaço onde agora já pouca luz consegue brilhar e duas magníficas interpretações a cargo de um intenso Ademar Silvoso que se deixa levar pela força motora de um amor desencantado e de Brais Yanek como aquele que tudo teve e tudo deixou perder, Lázaro Louzao cria Nove de Novembro, uma inesperada e firme primeira longa-metragem onde a história do indivíduo se confunde com a do mundo, complementando-se nas suas diferenças e assumindo-se como idênticas na sentida transformação que ambas encontram... mesmo na liberdade onde tudo aquilo que se espera nem sempre se assume como garantido.
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8 / 10
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sexta-feira, 4 de maio de 2018

Knock (2018)

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Knock de Marcos Cabrero e Jorge Cimiano (Espanha) é uma das curtas-metragens das secções paralelas da nona edição do Piélagos en Corto - Festival Internacional de Cine numa história que revela um sofrimento vivido em silêncio quando o espectador conhece uma mulher (Consuelo Carravilla) que repete ciclicamente pequenos rituais domésticos que, à partida, parecem não fazer sentido até se reconhecer algo de profundo que os mesmos escondem.
Aquilo que aparentemente poderia parecer como uma casa igual a tantas outras, uma mulher habita e faz transparecer um dia igual a tantos outros mas que, na sua essência, assume uma marcante diferença pela expressividade e repetição dos seus actos. Mas esta não é uma repetição qualquer. Tudo, nos seus actos, faz evidenciar um latente desespero que transforma não só os mesmos como os comportamentos daí derivados como angustiantes acções que a lançam num espaço perdido independentemente do seu propósito.
O tempo passa. Passa sem um ritmo próprio o que a faz encontrar-se perdida numa azáfama que não tem fim como, ao mesmo tempo, assume a sua distância de um mundo que gira "lá fora". O seu, no entanto, perde-se num labirinto de pensamentos não compreendidos - eventualmente até pela própria - o que faz dela uma prisioneira primeiro da sua mente, depois do seu espaço e finalmente de, e para, o mundo que se encontra para lá dos seus domínios.
Num registo que oscila entre o controlo e o descontrolo, claro exercício de uma bipolaridade ou doença do foro mental possivelmente não diagnosticado, Knock - numa clara alusão às tentativas de "bater às portas" de uma mente presa em si própria -, esta dupla de jovens realizadores concentra a sua atenção neste que é um tema tantas vezes esquecido e que se "esconde" por detrás de uma vergonha não controlada mas assumida sim num silêncio constrangedor (para a vítima). Interessante sob uma perspectiva de alerta social, a curta-metragem da dupla Cabrero/Cimiano merecia mais tempo e mais exploração deste "dia" como tantos outros de uma mulher nas margens do seus próprio pensamento.

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6 / 10

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Carmen (2018)

Carmen de Charo Gutiérrez (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção paralela UnCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
Carmen é uma mulher como tantas outras que se dedica a uma vida de lida doméstica. Arruma e limpa a um ritmo quase mecânico até ao momento em que a sua vida se revela preparada para algo mais.
Charo Gutiérrez cria uma obra assumidamente feminista que inicialmente coloca a sua protagonista "Carmen" como uma mulher tolhida por uma vida de lides domésticas que ensombraram uma potencialmente vida diferente para, nos últimos instantes desta curta-metragem, a colocar como uma mulher que se liberta das suas amarras e dos estereótipos que lhe são tradicionalmente atribuídos e revelar-se como alguém preparado para enfrentar todo um mundo moderno com garra.
Filmado como uma curta-metragem experimental onde são explorados elementos e momentos tradicionalmente representativos e simbólicos de um género, Carmen tenta quebrar barreiras e destruí-los apresentando toda uma dinâmica diferente sobre o que é ser mulher.
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6 / 10
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Rosa (2018)

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Rosa de Zoa Peña e Ana Herrán (Espanha) é uma das curtas-metragens apresentadas na secção paralela UnoCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos a decorrer na Cantábria, em Espanha.
Este breve documentário conta ao espectador a história de Rosa, uma mulher que sempre ansiou poder fazer parte do mundo das artes, ao qual sempre dedicou toda a sua paixão mas que, pela passagem do tempo e dos anos viu o seu sonho ser perdido em nome de outras ocupações como o casamento ou a maternidade.
Cansada de esperar e de perder a sua oportunidade em favor de mulheres mais jovens por quem ainda não passaram os sinais do tempo, Rosa decide tentar sempre "uma vez mais", e esperar que a sorte lhe bata finalmente à porta.
Actual e pertinente numa sociedade que cada vez mais exclui na base do género e da idade, Rosa é um breve mas muito importante documentário que expõe as dificuldades de uma mulher em fazer cumprir o seu sonho de sempre e a sua vontade e desejo de não se limitar ao papel social que a comunidade lhe define como o primeiro e principal... o de mãe e esposa. Decidida, ainda que desiludida e desapontada, "Rosa" é uma mulher que, entre tantas outras, não se conforma com aquilo que é esperado dela decidindo lutar pelo desejo de uma vida no mundo artístico mesmo que para isso tenha de ser sucessivas vezes preterida até ao dia em que finalmente irá ver concretizado o que sempre ambicionou. Sem desejos aparentes de uma fama internacional, aquilo que esta mulher pretende é apenas sair do espaço que lhe foi previamente definido pelos demais querendo, portanto, encontrar o espaço próprio que ela sente e quer... que seja o seu.
Ainda que breve, Rosa é um documentário sempre actual, que define a inexistência de fronteiras ou limites para o sonho de alguém que deseja ser algo mais... alguém que deseja ultrapassar os entraves de uma sociedade dita jovem e feminina na aparência e masculinizada nas vontades impondo, livremente, que mais importante do que a concretização é a possibilidade de ver o tal sonho nascer, crescer e fomentar-se.
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7 / 10
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Retrato de una Ilusión (2018)

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Retrato de una Ilusión de Álvaro Oliva (Espanha) é uma das curtas-metragens seleccionadas na secção paralela UnoCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
Todos os dias uma jovem tira fotografias... Ela observa-a. E todos os dias a jovem lhe tira um retrato diferente.
Numa clara alusão aos sonhos perdidos de um passado que já não regressa, esta curta-metragem de Álvaro Oliva é o retrato breve de uma geração com sonhos grandes que nunca viu cumprir. Aqui a protagonista desta história é uma mulher perdida numa qualquer pequena povoação que observa os seus sonhos, ambições ou até mesmo desejos serem cumpridos por uma jovem nascida anos depois. Independentemente dos seus desejos serem por tirar fotografias ou por ser fotografada, compreende o espectador que observa aquilo que desejou - e que ainda sonha - vendo nas gerações futuras o cumprimento do mesmo. "E porque não eu?" pensara algures durante o seu dia vendo cumprir este sonho quando a jovem a observa e vê nela também um interessante modelo para as suas fotografias ou, até mesmo, para ajudar e ensinar a fotografar aquilo que apenas o olhar de cada um pode descobrir no mundo que a rodeia.
Intenso relato actual dos desejos perdidos de uma geração que não conseguiu cumprir as suas ambições, Retrato de una Ilusión é um breve conto sobre os sonhos nunca cumpridos de uma geração que nasceu na época "errada" num mundo que não estava preparado para que todos ousassem "sonhar".
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6 / 10
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María José (2018)

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María José de Francisco Javier G. (Espanha) é uma das curtas-metragens participantes na secção UnoCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na Cantábria, em Espanha.
María José é uma mulher solitária. Aproveita os breves momentos em que se cruza com desconhecidos nas paragens de autocarro para contar um pouco da sua história. Estará ela a viver os instantes mais felizes da sua vida?
De forma simples e com alguma alma, María José é um daqueles filmes curtos que desperta a curiosidade do espectador para os destinos - e passados - de uma mulher intrigante e repleta de uma inesperada energia com a qual contagia demais personagens e, obviamente, aqueles que observam os seus breves relatos.
Ora excêntrica ora comedida, esta "María José" é uma personagem intrigante e fascinante que exerce um inexplicável poder de atracção com o seu espectador. A curta-metragem é breve, mas permanece uma certeza de que os seus contos e relatos poderiam levar toda uma eternidade a ser revelados e, por entre uma bolachinha e dois dedos de conversa, confirma-se que esta mulher/personagem têm todo um mundo de histórias e muito poucas pessoas com quem as partilhar. Desta forma, a solidão sentida será apenas preenchida por um público sedento de a ouvir... e todo este sentimento por parte do espectador leva-o a uma sua própria incerteza... estaremos perante uma mulher real ou uma personagem ficcionada aqui utilizada para fazer rentabilizar toda uma história?! Seja qual fôr a resposta, a única certeza é que este filme curto teria todo um enorme potencial para se revelar com algo muito mais além dos seus breves instantes.
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6 / 10
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Maresía (2018)

Maresía de Manuel Pereda (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção UnoCortoyRapidito da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que termina amanhã dia 5 de Maio na Cantábria, em Espanha.
Ela espera num terminal de comboio. A sua espera quase parece ansiosa e demente. Os seus pensamentos cruzam-se com o que escreve no telemóvel mas... serão mesmo os seus pensamentos?
Quase exclusivamente centrada num único espaço geográfico e temporal, Maresía cruza a incerteza ao lançar o espectador numa história que tanto pode estar a decorrer para a personagem central da história como, inesperadamente, apresentar elementos que o podem lançar na convicção de que aquilo a que assiste não é necessariamente aquilo que acontece à mesma... ou mesmo equacionar sobre a sua (im)provável existência.
Filmado a preto e branco com breves apontamentos finais a cor, Maresía é a típica curta-metragem que não poderia ser tão breve para esclarecer mais sobre as pontas soltas que deixa para a livre imaginação de um espectador nem sempre certo dos destinos da sua personagem principal nem tão pouco sobre as intenções de um realizador e argumentista que (aqui) apenas deixam uma vaga incerteza sobre os limites do real e da ficção para a mesma.
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4 / 10
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Le Vivre Ensemble (2017)

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Le Vivre Ensemble de José Luis Santos (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção oficial Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na referida região espanhola.
Julien dirige uma escola nos arredores de Paris. Depois do atentado ao Bataclan, recebe do Ministério as novas directrizes face às ameaças com que agora se deparam e, entre elas, a obrigatoriedade de efectuar simulacros com as crianças dos 3 aos 11 anos de idade. Num momento em que tudo está em risco, Julien tem de decidir entre preservar as duas vidas ou a sua inocência...
A brilhante curta-metragem Le Vivre Ensemble, cujo argumento é também da autoria do realizador José Luis Santos, é um daqueles filmes que apanha e prende o espectador num estado de perfeito suspenso. Num mundo em que as histórias de amor já não são o que eram e onde todos os riscos de uma sociedade moderna estão invariavelmente ao "lado" de todos nós, aquilo que seria inqualificável é, nestes dias, a mais triste e dura realidade... Assim, num mundo onde os conflitos eram coisa de "adultos", como equacionar que a até então inocência das crianças seja agora ameaçada pela extrema necessidade de lhes ensinar que o "lobo mau" existe de facto... e que pode atacar a qualquer momento?
Le Vivre Ensemble é portanto aquela curta-metragem que tem como ponto de partida os trágicos acontecimentos dos atentados terroristas de Paris e que os exporta para esse imaginário infantil da forma mais crua e dura imaginada. Quando todos nós imaginamos que o perigo está lá longe do outro lado do mundo, eis que ele espreita e revela que pode estar aqui na porta ao lado... assim, como fazer destas tão jovens crianças elementos fundamentais de uma história que pode ser trágica mas da qual se necessita que retirem lições de vida que, um dia podem de facto salvá-la?!
A dureza dos momentos a que o espectador assiste não estão necessariamente num qualquer massacre pois este está - para todos nós - como uma peça fundamental de um passado ao qual não se assiste. No entanto, quando no reboliço de uma Paris ferida de morte se tentam capturar criminosos que se aproveitam da vida comum e diária de todos nós para espalhar o terror, eis que surge a necessidade de resguardar e proteger aqueles que são mais frágeis, inocentes e incapazes de se defender... as crianças. Crianças que se encontram em espaços públicos como o são as escolas e que pela política de "porta aberta" são um alvo fácil para aqueles que pretendem espalhar esse (que lhes é) tão desejado terror. O terror com rosto humano, tão difícil de ser identificado, mas que pode entrar sem ser anunciado e ameaçar a existência dos mais inocentes como forma de afectar adultos. O terror pela eliminação das gerações futuras que perpetuarão aquilo que (para o terror) é considerado um modo de vida corrompido e indesejado mas que se estabelece nos princípios de uma igualdade inata entre todos. Esta inocência que poderá deixar de o ser (ou ter) quando confrontada com os malefícios de políticas fundamentalistas daqueles que não desejam a comunhão igualitária e que definem fronteiras e leis ditas "sagradas" como a única forma de vida que pode existir.
Neste Le Vivre Ensemble o espectador assiste portanto a um conjunto de momentos que, de forma súbtil e bem encenada, se apresentam como as novas normas de seguranças e principalmente de sobrevivência numa sociedade já ameaçada e ferida pelo terror daqueles que procuram a desordem e o caos. Mas estas novas regras de ensino são levadas às crianças não como um alerta sobre o medo que espreita mas sim de forma a que estas possam aprender, através de velhos fantasmas das histórias infantis, como sobreviver sem perderem aquilo que mais as caracteriza na sua jovem idade... a sua inocência. Num mundo dramaticamente alterado, a vontade de preservar uma inocência que se desvanece de dia para dia é, em certa medida, uma necessidade tão grande como aprender a ler, escrever e contar...
Assim, e por entre esta nova forma de viver, de ensinar, de aprender e até mesmo de sobreviver... o "lobo" do qual tantas histórias infantis falavam não é apenas uma figura mitológica representativa de um mal etéreo e simbólico mas sim uma figura real e possivelmente tão mais ameaçadora ao poder surgir sob a forma de alguém que é, na prática, tão igual a estas crianças às quais se tenta preservar a sua inocência não sem antes as fazer entender que esse perigo existe... e pode estar mais próximo do que aquilo que qualquer um de nós imagina. No final o espectador questiona-se... o que fazer se o tal "lobo" aparecer?! A resposta não poderia ser tão ou mais assustadora como a própria pergunta em si...
Drástica e compulsivamente emocionante, Le Vivre Ensemble é seguramente um dos mais intensos e fortes "guias" dramáticos para a triste realidade em que este nosso novo mundo se encontra, fazendo dos antigos contos infantis uma inesperada realidade e da sobrevivência uma constante necessidade... mesmo que para tal tenhamos de, finalmente, compreender que o tal "lobo mau" existe de facto.
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9 / 10
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Desaliento (2018)

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Desaliento de Pinky Alonso (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção oficial Cantábria e na paralela OneSequenceShot.
Depois de uma intensa relação sexual um casal discute tornando realidade todos os inconfessáveis segredos que, até então, escondiam e que resultarão num inesperado final.
O argumento de Sara Márquez revela duas intensas personagens numa história com contornos negros e um desespero latente. "Ela" (Itziar Castro) é uma mulher casada e revela que está grávida a um amante que se assume traído. Se "Ela" está disposta a tudo abandonar para começar uma nova vida ao seu lado, já "Ele" (David F. Mayora) revela, com a descoberta desta notícia, ter perdido todo o interesse pela mulher que, até então, amara.
Se esta história parece assumir contornos que cruzam o humor negro com uma história de duas personagens desesperadas com uma aparente vida exterior e que encontram naqueles breves momentos a razão para a sua existência, não é alheio ao olhar do espectador que ambos se encontram num espaço que tem tanto de excelência como de decadente. As paredes exteriores daquela casa expõem - para os demais - a excelência de um espaço abastado e senhorial que, no entanto, apenas escondem a desordem e decadência de uma vida que se encontra nas margens. O desconforto exposto pelos dois protagonistas contrasta igualmente com os diversos manequins que estão aleatoriamente dispostos pela casa. Nada faz adivinhar um ambiente tranquilo ou "legal". O pecado - a existir - está por todos os recantos de uma casa que tem sido o palco para encontros fortuitos e extra-matrimoniais que ambos ali cumprem. No entanto, é nos comportamentos destas duas personagens que encontramos os maiores "podres"...
Se "Ela" é uma mulher preocupada com esta sua relação ilegal que aparenta querer manter como a única possível na sua vida, é a notícias que transmite a "Ele" que tudo poderá colocar em risco revelando que, um deles, estará a viver uma vida dupla - ou tripla - que o outro desconhece. O encontro entre ambos, longe de parecer próximo ou cúmplice, mais revela ser o escape para uma qualquer vida na qual parecem não se sentir inseridos e o plano sequência aqui escolhido para tudo filmar aparenta querer revelar ao espectador que tudo mais não é do que uma relativamente breve passagem para ambos... ou, pelo menos, para um deles.
A iminente separação para a qual nos parece levar o argumento de Sara Márquez, será apenas o abrupto final para um deles e o sentido de humor negro aqui revelado parece fazer adivinhar que estas vidas tão igualmente tristes, mais não são do que o reflexo de toda uma existência desconexa e desligada de um mundo dito "normal" que os obriga a encontros casuais num espaço, também ele, marginal. Da marginalidade do espaço àquela das (suas) vidas, Desaliento é, portanto o retrato de um desânimo... de uma falta de ligação ao outro ou, por outro lado, de um desespero por essa extrema necessidade de pertença que a sempre intensa Itziar Castro revela através dos seus breves olhares dispersos no espaço.
E como todas as tragédias porvir tendem a fazer terminar uma história cujo futuro das suas personagens desconhecemos - ou talvez não! -, eis que este Desaliento termina com contornos tragicómicos e a certeza de que por detrás de toda a potencial ilegalidade sentimental e amorosa está a vontade, a necessidade e o desespero de poder tentar ser amado.
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8 / 10
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El Rifle de Chéjov (2017)

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El Rifle de Chéjov de Guillermo Ruíz Rodríguez e Cristobal Bolãnos López (Espanha) é uma das curtas-metragens presentes na secção oficial Cantábria da nona edição do Festival Internacional de Cine de Piélagos que amanhã termina na região espanhola.
Antón Tchekov disse... "se uma espingarda aparece no primeiro acto... no terceiro tem de ser disparado". Ele e Ela discutem sobre dinheiro e decoração. Aqui que completa um deixa o outro insatisfeito. Até que ponto poderá durar esta relação... Será que o é?!
"Carmen" e "Fidel", os dois protagonistas desta invulgar história, desafiam os limites naquela que é uma inesperada relação sentimental que o espectador assume, desde os primeiros instantes, como algo que está à beira da ruptura. Entre discussões e ameaças de ultrapassagem de limites que parecem nunca antes ter sido estabelecidos, o espectador depara-se com uma história dentro da história completando todo um ciclo de elementos que apenas a conclusão poderá desvendar como determinantes para o caos que o par protagonista aparenta  querer revelar. Assim, e entre uma relação que tudo aparenta ser tensa, caótica e até mesmo desastrosa e aquilo que os seus intervenientes dela esperam, parece querer revelar-se como algo cuja dinâmica está longe de ser pacífica e onde as surpresas podem rapidamente chegar e manifestar-se da pior forma.
No entanto, e como tudo parece estar no seu exacto lugar e onde todos os elementos se conjugam para dar corpo a uma desgraça anunciada... eis que a surpresa chega e revela-se como ponderada e distante dos pensamentos iniciais de um espectador mais desatento... porque a vida, tal como a ficção, revela que afinal... nem tudo é como inicialmente se manifesta.
Inicialmente algo frágil e até momentaneamente amadora, El Rifle de Chéjov revela uma interessante construção a nível narrativo e limadas todas as suas arestas esta teria sido uma curta-metragem mais resistente e dinâmica e possivelmente uma das mais fortes desta edição do festival.
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6 / 10
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