sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Outcast (2010)

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Outcast de Colm McCarthy foi o primeiro filme que vi no MOTELx 2011 e para a primeira experiência gostei do que vi.
Este filme conta-nos a história de Fergal (Niall Bruton) que está em fuga na companhia de Mary (Kate Dickie), a sua mãe, de Cathal (James Nesbitt) por motivos que inicialmente desconhecemos mas percebemos estarem relacionados com algo oculto.
Chegados a uma nova localidade Fergal conhece Petronella (Hanna Stanbridge) e sente por ela uma paixão, algo que até então nunca tinha vivenciado. No entanto para Mary este amor é proibido e percebemos que algo de errado está prestes a acontecer.
Este filme junta um conjunto de conceitos francamente interessante e de vários estilos. Começando pelo suposto drama familiar que põe esta mãe e filho em fuga obrigando-os a esconder nos locais que acham mais seguros.
Temos igualmente a componente de romance e do amor proibido versus a curiosidade pelo sexo oposto que o colocam num patamar mais sentimental quase a roçar a fábula.
E finalmente temos o elo que liga tudo e lhe dá bastante coerência que é, como é óbvio, a componente mais negra e mística. Começamos logo por ter várias invocações de magia negra e de espiritismo/bruxaria que por várias ocasiões tornam o filme sinistro demais. De seguida temos as práticas per si que roçam o grotesco e o macabro com a mutilação deliberada de animais e finalmente temos, a óbvia ligação quase sempre presente em filmes deste género entre o sexo e o despertar do verdadeiro mal.
E é por falar em verdadeiro mal que destaco a personagem interpretada por Kate Dickie. "Mary" é acima de tudo uma bruxa. É certo que protege a sua cria de todos os potenciais males que se avizinham mas certo é também que ao fazê-lo desenvolve para com ele uma estranha ligação que quase roça a incestuosa tão subtilmente filmada em várias ocasiões deste filme. Se a este aspecto conseguirmos ainda juntar as inúmeras práticas de feitiçaria que esta pratica em várias ocasiões, e qual delas a mais explícita, então temos aqui a verdadeira encarnação do mal... maior ainda do que aquele que haveria de despertar lá mais para o final do filme.
O argumento do próprio Colm McCarthy e de Tom K. McCarthy prima pela diferença em adaptar uma história de antigas tradições e mitos aos tempos modernos e de adaptá-lo a muitas situações com que facilmente nos poderemos cruzar, exemplo flagrante disso é a presença de uma assistente social que pretende resolver alguns problemas do bairo e que tem um trágico final... tão trágico que só um mal maior poderia pôr-lhe termo. No entanto nem só de elogios este argumento pode "viver", pois se por um lado prima por alguma interessante originalidade, também peca pelo desfecho previsível e de certa forma aguardado que tem e que a dado momento qualquer um de nós percebe ir suceder.
Não deixa de ser um filme bem conseguido e dar uma nova dinâmica à ideia de fábula urbana ou de fábula moderna, com uma excelente caracterização e um ambiente negro muito intenso durante todo o filme. Consegue dar um certo estilo próprio ao cinema de terror e de suspense e gostei da história de uma forma geral apesar dos momentos mais esperados estarem lá, especialmente o final. Mas sem dúvida terá o seu lugar próprio dentro da filmografia do género.
Bastante interessante e provoca uns quantos sustos (que o diga o senhor que na mesma fila que eu dava saltos no banco) e é uma aposta interessante para aqueles que apreciam este género cinematográfico.
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7 / 10
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