segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Wake Wood (2011)

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Wake Wood de David Keating, um dos filmes que passou no último dia do MOTELx 2011, conta-nos uma história diferente daquilo que temos normalmente como terror.
Este filme, como o próprio realizador presente durante a projecção do filme fez questão em dizer, trata em primeiro lugar sobre a perda. A perda de um filho e aquilo que os seus pais estariam dispostos a fazer para poder passar umas últimas horas, minutos ou até mesmo segundos com o seu filho ou sua filha e poder nesses breves instantes dar-lhe todo o amor do mundo.
Patrick (Aidan Gillen) e Louise (Eva Birthistle) é isso que prentendem. Alguns últimos instantes com Alice (Ella Connolly), a sua filha que fora violentamente morta por um cão que o seu pai tentava tratar. Desesperados e a tentarem construir uma vida nova noutra localidade, uma oferta muito tentadora apodera-se deles... Viverem mais três dias com a sua filha. O que irá acontecer depois deles aceitarem é algo para o qual não estavam preparados.
Como disse David Keating muito bem ao apresentar este seu filme prende-se com o facto de que nenhum pai está preparado para viver para além do seu filho. Todos estão preparados, apesar de não ser um assunto em que se pense racionalmente, para partir deste mundo primeiro do que aqueles que viu nascer. O sentimento de perder um filho deve ser de tal forma devastador que para o "remendar" qualquer progenitor estaria disposto a tudo para voltar a ter o seu filho nos braços. Esta apresentação fez-me recordar algo que em tempos li, já não recordo onde, sobre o facto de um filho perder o pai tem um designação "orfão"... No entanto, um pai que perde o seu filho é algo de tal forma devastador que nem uma palavra para o designar tem.
Dito isto, e depois de uma breve reflexão sobre o assunto, resta então passar àquilo que faz mover este filme... o terror. E ele está muito bem presente durante uma boa parte do filme. A parte séria prende-se, claro está, com o que comentei umas linhas atrás enquanto que a parte fantasiosa prende-se com todo o restante filme, no qual, após uma decisão daqueles pais de trazerem de volta a sua filha através de um ritual deveras misterioso e o qual não vou aqui referir, percebem que por desrespeitarem algumas regras (elas existem para serem respeitadas mas por algum motivo todos tendem a não o fazer), percebem que aquele ser que ali têm com o rosto da sua filha mais não é do que a próxima encarnação do mal. E pior... é um mal com um rosto de anjo que é como quem diz o mais mortífero de todos.
O ambiente muito negro faz valer a publicidade que se gerou à volta deste filme relativamente ao facto de ser o primeiro filme com o "selo" Hammer, que faz regressar a velha "máquina cinematográfica" de histórias de terror que durante muitos anos impressionou uma legião extensa de fãs e que aqui regressa de forma genial e com grande vigor. Temos um ambiente tendencialmente negro, assustador, pesado e para ajudar a recriá-lo... sempre com o elemento floresta perto de uma pequena e isolada localidade onde todos se tentam refugiar, e claro, mistério por perto (todos nós sabemos como uma boa floresta fica sempre bem no meio de um filme de terror onde as diversas personagens se podem perder enquanto tentam fugir de algo que os persegue.
É certo que o mal pode não resistir e ser derrotado por aqueles que cá ficam e mostram ter sempre muitos recursos para lhe sobreviver. Mas é igualmente certo que esse mal não se deixa cair sem fazer uns quantos espalhafatosos estragos e levar algumas pessoas do reino dos vivos atrás. E é também certo que é muito bem sucedido nesta tarefa e claro.. sempre, mas sempre, com a última grande surpresa que nos consegue assustar.
Interessante, competente e respeitador das regras do "velho" cinema britânico de terror este filme é uma agradável surpresa não só pela sua componente humana e com quem muitos se podem de certeza identificar como também pelo seu lado de terror negro e com muito poucos "sentimentos" que faz do mais inocente o mais cruel.
Muito bem realizado e mais um dos bons filmes que este interessante festival de cinema lisboeta trouxe aos seus fãs.
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8 / 10
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