terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sagnant (2014)

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Sagnant de Tatiana Dunyó - também a autora do argumento - é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos conta a história de Virgi (Roser Vilajosana) uma jovem estudante que mantém em segredo um caso com Luc (Christian Guiriguet), o seu professor de História.
Ela com uma vontade de estabelecer uma relação que é, para ele, impossível de manter ou confirmar principalmente devido a ainda não ser adulta como também por manter outra relação, a qual o irá fazer entrar no novo papel da paternidade.
Poderá Virgi compreender a impossibilidade desta relação ou terá Luc de lhe revelar a mesma?
Tido como um drama ligeiro, Sagnant esconde por detrás de um romântico cenário de entardecer uma perigosa história de traição, assédio, mentira e um suposto amor proibido que algumas palavras e intenções mais bonitas abafam como potencialmente "normal". Para lá da traição exercida por um homem em relação à sua mulher grávida e com quem partilha a vida, o espectador não se pode esquecer daqueles mais óbvios elementos que percorrem os quinze minutos desta curta-metragem, ou seja, a evidente relação desse mesmo homem com uma menor que é sua aluna... Aqui poderíamos ainda analisar as questões de assédio e privilégio inerentes a esta relação que por chantagem e proveito - numa união directa - poderiam favorecer a menor que, no entanto, poderá estar a ser coagida para uma intimidade com aquele com quem se cruza todos os dias na sala de aula.
Se a nível de argumento Sagnant levanta todas estas questões - a serem analisadas pelo espectador - não é menos verdade que ainda a nível técnica apresenta alguns elementos de qualidade nomeadamente a sua direcção de fotografia de Victor Català que facilmente incute a esta despedida (?) um clima tão tórrido como aquele que ambos eventualmente viveram.
Executada com profissionalismo e com uma notada qualidade de argumento, Sagnant oscila entre a curta-metragem dramática e aquele de cariz mórbido que vive - e esconde - os podres de dois seres que vivem uma relação moralmente proibida e eventualmente vergonhosa.
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7 / 10
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