quarta-feira, 22 de março de 2017

Post-Mortem (2016)

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Post-Mortem de Belmiro Ribeiro é uma curta-metragem portuguesa de ficção e uma das quatro nomeadas ao Sophia Estudante atribuído anualmente pela Academia Portuguesa de Cinema.
Edgar (Cristóvão Carvalheiro) é um fotografo cuja capacidade de executar um trabalho criativo parece estar a diminuir. Diana (Mafalda Banquart) está presente no seu estúdio onde parece sonhar com ilusões de uma fotografia perfeita que nunca mais é captada.
Um crime. Edgar fica impávido e ao observá-lo de mais perto compreende que ele próprio tem uma missão para poder alcançar aquilo por que tanto anseia.
O argumento de João Silva Santos prima por dar vida a uma história macabra e filmada a preto e branco cuja originalidade espreita por todos os cantos. Desde os instantes iniciais em que o espectador observa a relação assumidamente disfuncional entre fotógrafo e modelo que denota uma anterior ligação "agora" completamente deteriorada até ao seu confronto mais ou menos silencioso, todos percebemos que algo se prepara para ser consumada e que o destino - ou desfecho - destas personagens pode não ser o mais esperado.
Em Post-Mortem são também as sombras e os jogos de luzes que dinamizam toda uma trama que rapidamente se aproxima do film noir onde existem personagens de moral duvidosa - ou até amorais - nas quais impera uma certa violência física e psicológica mas que, no seu fundo, têm um objectivo que pretendem ver cumprido. No caso de "Edgar" este tem como fim único o alcance de uma foto perfeita... aquela pela qual será lembrado e, para a obter, vale tudo... inclusive recorrer ao crime - pessoal ou alheio - ou até mesmo sacrificar aqueles que lhe estão perto ou que amam (ou amaram) para a glória enquanto "artista" e profissional.
De história romântica - que poderia ter sido - a um conto sobre a perfeição máxima difícil - senão impossível - de alcançar, Post-Mortem deixa transparecer toda uma homenagem ao cinema do género dos anos 30 e 40 com vítimas, agressores e uma dualidade moral que lhes escapa e que o espectador observa na esperança de se colocar num dos lados.
Inteligente, subtil e com uma enorme qualidade técnica nomeadamente na direcção de fotografia de Ivan Markelov que dá uma alma muito própria a esta história utilizando todos os recantos criados pelas suas sombras e introduzindo o espectador na mesma através de uma quase mórbida curiosidade. Curiosidade sentida para observar todos os pequenos detalhes que parecem espreitar em cada um desses cantos e que, também eles, escondem pequenas histórias por contar... da caixa de música à máquina fotográfica que já captou inúmeros vultos e da vontade mórbida de "Edgar" registar tudo aquilo que - para ele - possa ser considerada a fotografia perfeita como que um último resquício de uma arte ainda (por ele) pouco explorada, ou seja, por outras palavras... falta-lhe captar aquele breve espaço temporal ao qual o próprio título desta curta-metragem faz referência.
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7 / 10
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