domingo, 18 de setembro de 2011

Metropolis Ferry (2010)

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Metropolis Ferry de Juan Gautier é uma extraordinária curta-metragem sobre os enormes dramas associados à imigração ilegal.
Quando David (Sergio Peris-Mencheta) , Andrea (Olaya Martín) e Carlos (Pepe Lorente) regressam a Espanha depois de uma viagem por Marrocos ficam momentaneamente retidos no controlo fronteiriço onde vêem a detenção de um jovem imigrante ilegal e escutam o seu posterior espancamento.
Esta curta que retrata a difícil viagem e a detenção de muitos que tentam através de Espanha entrar no "sonho europeu", entrega-nos um interessante retrato da brutalidade que muitas vezes está inerente ao que se passa diariamente nestes locais. Muitos detidos pela violência e depois exaustos pelas intermináveis esperas a que são forçados nos postos de fronteira que quase assumem o lugar de um purgatório de onde nem se avança nem se retrocede.
Mas o aspecto mais interessante desta curta é exactamente aquele a que o europeu é sujeito... olhar para o lado e deixar a violência continuar ou olhar para as atrocidades que são cometidas em nome da segurança? E finalmente, talvez o mais importante de tudo... quando olhamos, será que adiantou algo?
Muito bom trabalho de Juan Gautier que nos faz estremecer face à injustiça e ao abuso de poder a que assistimos e para o qual não conseguimos controlar os nossos mais íntimos instintos.
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10 / 10
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sábado, 17 de setembro de 2011

Phenomena (1985)

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Phenomena de Dario Argento mestre do cinema de terror entrega-nos este filme onde Jennifer (Jennifer Connelly) uma jovem com uma invulgar capacidade de comunicar com os insectos, é enviada para um colégio interno na Suíça. Na localidade em questão, chamada a Transilânia dos Alpes, uma série de assassinatos ocorre e esta sua capacidade telepática talvez possa ajudar a resolver tão misteriosos crimes.
O filme está mais envolto na personagem de Connelly do que propriamente em qualquer outra questão. A sua personagem é praticamente a central e tudo o resto gira, no fundo, à sua volta. Mesmo a questão dos assassinatos pouco quase se adianta e, não fosse o seu "interesse" no assunto, pouco teríamos a pegar por esta ponta.
A curiosidade que tinha em volta deste filme prendia-se fundamentalmente com o facto de ser deste grande mestre italiano, e mundial, do cinema de terror e claro por ser com a participação de uma então muito jovem Jennifer Connelly que daqui seguiria depois para fazer outro filme da minha juventude chamado Labirinto.
O terror daqui proveniente é quase nulo e à excepção de algumas mortes um tanto ou quanto espalhafatosas, literalmente falando, e uma criança deformada de uma forma realmente medonha, o restante filme não consegue provocar uma reacção de medo ou sequer de tensão que faça justiça ao terror do qual Argento é de facto mestre.
Assim à excepção de uma muito breve caracterização feita a um jovem actor, o restante filme peca pela falta de momentos de tensão capazes de nos provocar repulsa ou de facto medo.
A banda-sonora é interessante apesar de não ser típica de um filme de terror mas sim de algo mais punk e alternativo, no entanto consegue reunir umas sonoridades apelativas se bem que algo descontextualizadas. Ainda assim do pouco que se consegue retirar deste filme que seja digno de um registo pela originalidade de estarem aqui inseridos.
A juntar-se a Connelly na interpretação temos, tal como Argento, uma das referências do cinema de terror, ou seja, Donald Pleasence que por estas alturas já tinha feito Halloween e se preparava para O Príncipe das Trevas, esse sim... medonho, que aqui interpreta o papel de um professor especialista em insectos que investiga tão estranhos assassinatos e que, como acaba por ser óbvio, estabelece uma forte empatia com Jennifer.
Àparte de ser um objecto de culto entre os amantes do cinema de terror este filme e ser uma referência neste género específico este Phenomena não é dos títulos que mais pode impressionar um espectador que goste de ter uns bons sustos enquando vê um filme. Ainda assim, para os apreciadores da obra de Argento este será com toda a certeza um filme a (re)ver.
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4 / 10
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Borboleta (2011)

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Borboleta de João Marco, de quem aguardo pela sua longa-metragem Além de Ti, é uma simpática e sensível curta-metragem que me despertou algumas diferentes leituras sendo a primeira delas a respeito da relação algo "fria" entre as duas personagens. Ela procura-o mas Ele sente-se indiferente à sua presença. Procura a distância que pode haver entre ambos.
A segunda leitura que lhe faço é a respeito da perda... Ao perdê-la num acidente, aí Ele sente realmente a importância que Ela tinha na sua vida.
Finalmente o desaparecimento d'Ele. Percebemos que está doente e (poderei estar errado), mas o final da curta deixa-me a sensação de que também ele se extinguiu. Sensação essa que é intensificada naqueles momentos finais quando Ele a reencontra e em que a própria intensidade da luz dentro do apartamento aumenta, tornando o ambiente mais alvo.
Devaneios meus talvez...
Gostei do facto de não serem necessários praticamente diálogos (à excepção de uma ou duas falas da actriz) para podermos conseguir compreender o quão estas duas personagens se estavam a distanciar uma da outra. Por vezes é através dos silêncios que se conseguem transmitir as maiores mensagens e penso que aqui isso resultou bastante bem.
João Marco que aqui assina não só a realização desta curta como também o argumento, banda-sonora e uma edição muito pessoal e intimista (e que eu desconhecia na totalidade) transformando-a numa interessante obra da qual muitos já me haviam falado positivamente e que agora confirma serem elogios bastante apropriados.
Por aqui aguardarei a estreia da longa...
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7 / 10
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

E Portugal selecciona para os Oscars...

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José e Pilar
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de Miguel Gonçalves Mendes
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O Lenhador Assassino II (2011)

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O Lenhador Assassino II de Rúben Ferreira é a continuação da curta que há algumas semanas disponibilizei e comentei aqui.
Normalmente suspeito sempre das sequelas pois habitualmente elas tendem a piorar na qualidade, no entanto aqui o suspense bem como a introdução de alguns momentos mais cómicos conseguem manter a qualidade inalterada.
A história segue as "aventuras" deste tão sanguinário lenhador que aqui perde um pouco o protagonismo em favor dos outros actores da história. No entanto tenhamos paciência pois tenho a certeza que ele nos virá brindar com mais banhos de sangue.
Perde o protagonismo o lenhador mas.. há sempre um mas... não posso deixar de referir o jovem actor Paulo Cardoso, que aqui interpreta a personagem Coelho, que com o seu ar "pintas" e as suas tiradas no sítio certo na altura certa conseguem dar alguma comédia a esta curta e abrandar um pouco o suspense sentido na primeira parte. A sua interpretação, ainda que amadora e em que se nota algum nervosismo, consegue ser um dos pontos altos e de destaque desta simpática curta-metragem.
Outro ponto positivo que tenho de destacar são alguns dos momentos de acção... Os efeitos causados pela ira daquele lenhador nomeadamente quando captura o Coelho estão de facto muito bem conseguidos e a banda-sonora consegue estar melhor e mais bem colocada do que na curta original.
Apenas deixo um pequeno apontamento para o som que em certos momentos torna um pouco mais dificil a percepção de alguns diálogos dos actores.
Ao Rúben Ferreira não deixo conselhos nenhuns... Tenho a certeza que ele ainda nos vai surpreender com o regresso do Lenhador Assassino e com mais uns quantos banhos de sangue.
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"Coelho: Se esse lenhador me aparece à frente, eu derreto-o!"
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6 / 10
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Shadows (2011)

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Sombras de Nuno Dias é daquelas surpresas estrondosas que o panorama nacional de curtas continua a entregar sem cessar.
Ela (Rita Martins, de quem não me canso de falar bem pelo seu enorme potencial) vagueia por uma planície quando vislumbra um homem a cair no chão. O seu primeiro instinto é ver o que ele transporta e não propriamente ver se existe alguma réstia de vida naquele homem. O que vê agrada-a e rapidamente tenta desaparecer quando percebe que aquele homem estava a ser seguido por Ele (Ruben Garcia).
Ela foge... aparentemente consegue... até ao momento em que ele surge novamente. Lutam... E o resto têm de ver...
Esta curta que já vi por duas vezes é francamente interessante. A fotografia é logo o primeiro dos aspectos a considerar pois é ela muitas vezes que impede os actores e a história de brilharem. Aqui tudo está bem colocado. Especialmente os momentos passados à noite que com a quantidade de luz suficiente não nos deixa perder com outros detalhes pouco relevantes para a história. Ali seguimo-la até ao fim.
A interpretação de Rita Martins está àquilo que sempre espero dela... o melhor. A sua expressividade é excelente e conseguimos perceber e sentir os seus pensamentos a todo o momento.
O desfecho desta extraordinária curta não poderia ser melhor e não consigo deixar de tecer um paralelismo entre a sua situação e a do homem que ficou na planície... Acabam os dois da mesma forma... sem ajuda... aqueles que testemunham o seu fim ficam indiferentes à sua situação.
Ao realizador Nuno Dias... se esta curta é dos primeiros trabalhos... não posso deixar de esperar pelos próximos pois com esta... promete. Venham mais e rapidamente!
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9 / 10
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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Stake Land (2010)

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Stake Land - Anoitecer Violento de Jim Mickle filme de encerramento do MOTELx 2011 é muito mais do que um simples filme de terror com vampiros.
Martin (Connor Paolo) e Mister (Nick Damici) viajam por uma paisagem desolada por um apocalipse sócio-económico e que transformou boa parte da população numa praga de vampiros sedentos de sangue humano para sobreviver.
Mas não são só os vampiros que ameaçam a segurança dos que se aventuram em viagem. Vários gangs raciais e grupos armados espalham também eles o terror de forma a manterem o controlo sobre grandes áreas terrestres e assim ameaçarem a passagem daqueles que querem chegar ao Canadá, o Novo Eden como é agora chamado.
Este filme que era para mim aquele que mais aguardava de toda a programação do MOTELx 2011 foi uma agradável surpresa em todas as frentes. Em primeiro lugar porque esperava acima de tudo mais uma história da caça e fuga aos vampiros que dominavam o planeta de uma forma sanguinária e aquilo que tive foi o oposto. Esta história relega os vampiros quase para um segundo plano evidenciando antes a componente humana das relações entre aqueles que sobrevivem e esperam algo mais para as suas vidas. Para aqueles que sonham e ambicionam algo de melhor.
As dinâmicas que as várias personagens criam são de facto excelentes e quase nos esquecemos que existe um perigo à espreita para pensarmos apenas que numa dura situação onde o mundo que conheceram um dia já não existe e agora têm de criar novos laços e ligações com pessoas que numa situação normal nem sequer quereriam cruzar o mesmo caminho. E ali estão eles unidos num apoio que rapidamente se transforma num alicerce semelhante àquele que encontramos numa família.
A dinâmica e a química existente entre estas personagens e estes actores consegue ser bastante credível e convincente como se de uma "road-trip" pós-apocalíptica se tratasse na realidade.
A dar corpo e alma a estas personagens temos um conjunto de actores mais ou menos desconhecidos onde a cara mais "cinematográfica" é a de uma muito transformada Kelly McGillis de quem todos se devem recordar do Top Gun e d'Os Acusados, a interpretar uma freira num mundo sem religião capaz de salvar as almas dos mais crentes.
No entanto há sim uma alma neste filme através de Connor Paolo que interpreta "Martin", o rapaz que assistiu à morte dos seus pais e irmão às mãos de um vampiro, consegue ser aquele que une este grupo de estranhos ao longo da viagem que fazem por uns Estados Unidos devastados. As suas reflexões sobre o mundo em que agora vivem e as transformações a que se viram sujeitos são dignos de transportar para este filme de terror uma carga dramática que em muitos aspectos nos pode deixar a nós espectadores pensar no quão idênticas são algumas das situações a que assistimos, retirando obviamente o lado fantasioso de vampiros que andam à caça do próximo pescoço.
Para um filme de terror, suspense e clima pós-apocalíptico ele está com interpretações grandes e superiores à grande maioria daquelas a que assistimos neste género específico de filme.
Não posso igualmente deixar de referir o excelente desempenho de Michael Cerveris como líder de um grupo sem religião e muito menos moral que destrói, corrompe e elimina todos aqueles que lhes fazem frente numa razia não só psicológica como física. E não pense o comum espectador que este filme vê dele pouco... As surpresas só terminam quando os créditos começam...
A banda-sonora, em muitos segmentos semelhante a várias passagens d'A Estrada, é brilhantemente composta e enquadrada por Jeff Grace que não se limita aos lugares comuns de um filme de terror mas fá-los evoluir para um conjunto de sonoridades reflexivas e emotivas.
Mas nem só de graciosidade ou reflexão este filme é feito. Na sua essência é, claro está, um filme de terror e é nessa perspectiva que também o temos de encarar. E também aqui não falha. Todos os momentos que podemos começar a achar de agradáveis e que mostram o lado humanos dos "homens" é abalado quando menos esperamos, e os vampiros de que todos fogem, rapidamente aparecem para dar um ar da sua (pouca) graça.
A devastação criada não só pela tal crise não anunciada que devastou o planeta como é também agora provocada por uma população vampirizada é perfeitamente reflectida nos cenários devastados pelos quais toda a acção do filme decorre. Cenários desolados, casas abandonadas, bloqueios de estrada e a falta de ligações a lugares ou pessoas são recorrentes durante todo o filme.
Para mim este original filme consegue de uma forma harmoniosa unir dois géneros distintos sem que um se sobreponha ao outro. Existe momentos e espaço para os dois. Drama e terror. Humanos e vampiros. Esperança e morte. Tudo em doses bem equilibradas conseguem fazer deste um dos melhores filmes de terror a que assisti em muito tempo sem com isso cair nos lugares comuns do terror onde apenas predominam um conjunto de mortes e sangue sem que seja baseado ou fundamentado com uma história profundamente humana. Simplesmente genial.
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7 / 10
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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Wake Wood (2011)

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Wake Wood de David Keating, um dos filmes que passou no último dia do MOTELx 2011, conta-nos uma história diferente daquilo que temos normalmente como terror.
Este filme, como o próprio realizador presente durante a projecção do filme fez questão em dizer, trata em primeiro lugar sobre a perda. A perda de um filho e aquilo que os seus pais estariam dispostos a fazer para poder passar umas últimas horas, minutos ou até mesmo segundos com o seu filho ou sua filha e poder nesses breves instantes dar-lhe todo o amor do mundo.
Patrick (Aidan Gillen) e Louise (Eva Birthistle) é isso que prentendem. Alguns últimos instantes com Alice (Ella Connolly), a sua filha que fora violentamente morta por um cão que o seu pai tentava tratar. Desesperados e a tentarem construir uma vida nova noutra localidade, uma oferta muito tentadora apodera-se deles... Viverem mais três dias com a sua filha. O que irá acontecer depois deles aceitarem é algo para o qual não estavam preparados.
Como disse David Keating muito bem ao apresentar este seu filme prende-se com o facto de que nenhum pai está preparado para viver para além do seu filho. Todos estão preparados, apesar de não ser um assunto em que se pense racionalmente, para partir deste mundo primeiro do que aqueles que viu nascer. O sentimento de perder um filho deve ser de tal forma devastador que para o "remendar" qualquer progenitor estaria disposto a tudo para voltar a ter o seu filho nos braços. Esta apresentação fez-me recordar algo que em tempos li, já não recordo onde, sobre o facto de um filho perder o pai tem um designação "orfão"... No entanto, um pai que perde o seu filho é algo de tal forma devastador que nem uma palavra para o designar tem.
Dito isto, e depois de uma breve reflexão sobre o assunto, resta então passar àquilo que faz mover este filme... o terror. E ele está muito bem presente durante uma boa parte do filme. A parte séria prende-se, claro está, com o que comentei umas linhas atrás enquanto que a parte fantasiosa prende-se com todo o restante filme, no qual, após uma decisão daqueles pais de trazerem de volta a sua filha através de um ritual deveras misterioso e o qual não vou aqui referir, percebem que por desrespeitarem algumas regras (elas existem para serem respeitadas mas por algum motivo todos tendem a não o fazer), percebem que aquele ser que ali têm com o rosto da sua filha mais não é do que a próxima encarnação do mal. E pior... é um mal com um rosto de anjo que é como quem diz o mais mortífero de todos.
O ambiente muito negro faz valer a publicidade que se gerou à volta deste filme relativamente ao facto de ser o primeiro filme com o "selo" Hammer, que faz regressar a velha "máquina cinematográfica" de histórias de terror que durante muitos anos impressionou uma legião extensa de fãs e que aqui regressa de forma genial e com grande vigor. Temos um ambiente tendencialmente negro, assustador, pesado e para ajudar a recriá-lo... sempre com o elemento floresta perto de uma pequena e isolada localidade onde todos se tentam refugiar, e claro, mistério por perto (todos nós sabemos como uma boa floresta fica sempre bem no meio de um filme de terror onde as diversas personagens se podem perder enquanto tentam fugir de algo que os persegue.
É certo que o mal pode não resistir e ser derrotado por aqueles que cá ficam e mostram ter sempre muitos recursos para lhe sobreviver. Mas é igualmente certo que esse mal não se deixa cair sem fazer uns quantos espalhafatosos estragos e levar algumas pessoas do reino dos vivos atrás. E é também certo que é muito bem sucedido nesta tarefa e claro.. sempre, mas sempre, com a última grande surpresa que nos consegue assustar.
Interessante, competente e respeitador das regras do "velho" cinema britânico de terror este filme é uma agradável surpresa não só pela sua componente humana e com quem muitos se podem de certeza identificar como também pelo seu lado de terror negro e com muito poucos "sentimentos" que faz do mais inocente o mais cruel.
Muito bem realizado e mais um dos bons filmes que este interessante festival de cinema lisboeta trouxe aos seus fãs.
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8 / 10
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European Film Awards 2011: pré-seleccionados

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Almanya - Willkommen in Deutschland, de Yasemin Samdereli
América, de João Nuno Pinto
The Artist, de Michel Hazanavicius
As If I Am Not There, de Juanita Wilson
Attenberg, de Athina Rachel Tsangari
Ave, de Konstantin Bojanov
Balada Triste de Trompeta, de Álex de la Iglésia
Beli Beli Svet, de Oleg Novkovic
Cirkus Columbia, de Danis Tanovic
Cirkus Fantasticus, de Janez Burger
Drei, de Tom Tykwer
Eldfjall, de Rúnar Rúnarsson
Elena, de Andrey Zvyagintsev
Essential Killing, de Jerzy Skolimowski
Le Gamin au Vélo, de Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Habemus Papam, de Nanni Moretti
Haevnen, Susanne Bier
Halt auf Freier Strecke, de Andreas Dresen
Le Havre, de Aki Kaurismäki
Hitganvut Yehidim, de Dover Kosashvili
The King's Speech, de Tom Hooper
Lidice, de Petr Nikolaev
Loverboy, de Catalin Mitulescu
Majki, de Milcho Manchevski
Melancholia, de Lars Von Trier
Neds, de Peter Mullan
Noi Credevamo, de Mario Martone
Oslo, 31. August, de Joachim Trier
Ovsyanki, de Alexey Fedorchenco
Pa Negre, de Agustí Villaronga
La Petite Chambre, de Stéphanie Chuat
Les Petits Mouchoirs, de Guillaume Canet
La Piel que Habito, de Pedro Almodóvar
Play, de Ruben Östlund
Prezit Svüj Zivot, de Jan Svankmajer
Rundskop, de Michaël R. Roskam
Sala Samobójcòw, de Jan Komasa
Svinalängorna, de Pernilla August
También la Lluvia, de Icíar Bollaín
Tilva Ros, de Nikola Lezaic
Tirza, de Rudolf van den Berg
Tomboy, de Celine Sciamma
A Torinoi Lo, de Béla Tarr
Die Unabsichtliche Entführung der Frau Elfriede Ott, de Andreas Prochaska
We Need to Talk About Kevin, de Lynne Ramsay
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MOTELx 2011... the end...

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Finalizada que está a edição deste ano do MOTELx, apenas aqui venho deixar umas breves palavras sobre a edição deste ano do festival, a primeira vez que aqui o CinEuphoria o cobre de um ponto de vista mais "profissional".
Um grande, justo e merecido destaque à excelente organização e acompanhamento daqueles que chegam meio perdidos a este certame. Há que reconhecer que a informalidade resulta de facto e que a disponibilidade e apoio por parte daqueles que pertencem à organização foi de facto muito boa e positiva e que me deixa vontade para que chegue muito rapidamente a edição do próximo ano.
O segundo aspecto a referir foi a brilhante escolha de fazer uma retrospectiva ao trabalho de Eli Roth e de, claro, ter a presença do mesmo durante o festival. Penso que de muitas possíveis escolhas esta foi de facto muito acertada e que deixou qualquer cinéfilo apaixonado pelo género bastante satisfeito.
Em terceiro e último lugar há que deixar uma clara, evidente e igualmente justa referência à extraordinária selecção de filmes que foram exibidos em qualquer uma das selecções que consguiram primar pela excelente qualidade.
E falando em filmes era obviamente indispensável referir aqueles que na cerimónia de encerramento saíram vencedores. Refiro-me como é claro às curtas-metragens nacionais onde Conto do Vento de Cláudio Jordão e Nelson Martins, uma brilhante animação, venceu o prémio de Melhor Curta-Metragem de Terror Portuguesa e Banana Motherfucker de Pedro Florêncio e Fernando Alle recebeu uma Menção Honrosa.
Excelente festival em todos os aspectos... só tenho a acrescentar que no próximo ano lá estarei.
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domingo, 11 de setembro de 2011

Andy Whitfield

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1974 - 2011
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Conto do Vento (2010)

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Conto do Vento de Cláudio Jordão e Nelson Martins foi a vencedora do MOTELx 2011 como a Melhor Curta-Metragem Portuguesa de Terror e um prémio justo e merecido.
Esta original curta conta-nos a história de uma mãe acusada de bruxaria que é queimada num estilo de auto-da-fé e da sua filha que é acusada do mesmo anos mais tarde após se ter isolado da restante comunidade. Digo original porque toda esta história nos é contada pelo vento. Exactamente... pelo vento.
É esta força da Natureza que nos mostra como era a vida desta mãe e desta filha e do seu afastamento de uma sociedade preconceituosa que as excluia e perseguia.
Os dois realizadores entregam-nos não só uma curta de animação bastante original pela sua história como principalmente pela forma como é filmada onde assistimos aos acontecimentos pelos "olhos" do vento que envolve todo o cenário e as respectivas personagens.
Durante o MOTELx não tinha assistido a esta curta e hoje quando a vi pela primeira vez após ter recebido o respectivo prémio confesso que é daqueles filmes que conseguem facilmente conquistar o seu público pela excelência da sua concepção.
Aos dois realizadores desta excelente curta-metragem só posso dar os meus parabéns e deles espero pelos próximos trabalhos pois após ter assistido a esta só posso esperar mais e melhor.
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8 / 10
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Haikai Diamante (2011)

Haikai Diamante de André da Conceição Francioli era uma das curtas-metragens portuguesas em competição no MOTELx 2011 para a Melhor Curta Metragem de Terror.
Esta história leva-nos para o interior de uma floresta onde encontramos um homem em fuga. Depois de percorrer a mesma pára... e começa a regorgitar algo que será digno de um dos momentos mais... nojentos (sim, pode aplicar-se esta palavra) que tenho visto nos últimos tempos em cinema.
Algo mística e com um digno trabalho de fotografia que cria um ambiente perfeitamente misterioso e sinistro, esta curta não vai muito mais longe do que isso remetendo a narração/voz-off para uns monólogos que acabam igualmente por pairar no vago.
Muito interessante na atmosfera que pretende e consegue recriar mas um pouco vago e nulo nas restantes perspectivas.
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3 / 10
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The Shrine (2010)

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O Altar de Jon Knautz foi o único filme do MOTELx que ia ver sem saber o que me esperava. Escolhi vê-lo apenas como forma de preencher um dia para o qual nada tinha programado. A apresentação feita remetia-nos para influências e inspiração em variados filmes, nomeadamente O Exorcista. Apesar da minha curiosidade suspeitei um pouco considerando que "filmes inspirados em..." normalmente dão sempre um resultado bastante duvidoso e com muitas lacunas que só estragam é ainda mais um filme do que propriamente lhe darem alguma credibilidade.
Quanto ao filme propriamente dito, este começa com o violento rapto e desaparecimento misterioso de um jovem americano numa aldeia remota da Polónia.
É então que Carmen (Cindy Sampson), uma repórter, decide investigar este caso e perceber porque motivo desaparecem pessoas naquela mesma localidade há vários anos. Desafiando a sua colega Sara (Meghan Heffern) e Marcus (Aaron Ashmore) o seu namorado com quem tenta restabelecer a sua ligação sentimental.
Uma vez chegados à tão bizarra localidade onde todos parecem retirados de um cenário antigo e por onde a civilização ainda não passou deparam com uma estranha névoa no meio da floresta que, com o espírito curioso que têm, decidem investigar. Nessa mesma névoa, na qual se vêem obrigados a entrar após fugir a uma implacável perseguição por alguns dos rufias da aldeia, encontram uma estranha estátua que irá para sempre modificar os seus destinos.
Este filme que comecei por achar duvidoso e de fraca qualidade vai, aos poucos, aumentando o nosso gosto por ele. Inicialmente duvidamos e estranhamos. Achamos mesmo que está mal intepretado e que vai ser daquele tipo de filmes dos quais desistimos mal os começamos a ver mas, no entanto, aqui o que acontece é exactamente o contrário. Aquilo que achamos dele inicialmente transforma-se. Aos poucos vamos gostando da intriga que se apodera de nós e queremos, tal como eles, perceber o que se passa naquela tão estranha localidade que parece perdida e parada no tempo.
Mal Carmen entra naquela tão estranha névoa e encontra a estátua eu percebi logo do que se tratava e aí sim, as influências d'O Exorcista foram suficientemente óbvias. A estátua que elas ali encontram é, nada mais nada menos do que Pazuzu, o demónio que iria possuir a, à altura, tão jovem Linda Blair. O que mais me impressionou neste momento não foi a névoa nem tão pouco encontrarmos uma estátua perdida no meio de uma floresta mas sim o facto de essa mesma estátua, sem que nós nos apercebamos disso, ganhe vida e faça notar que sabe que está ali alguém a "admirá-la". Este momento é, de longe, um dos mais intimidantes durante todo o filme.
A partir daqui nada mais seria o mesmo durante o resto do visionamento. Se até aqui apesar de repleto de acção nenhuma tinha assustado... com esta pequena grande transformação a única coisa que não poderíamos esperar agora eram momentos de calmaria.
Confesso sem qualquer pudor que o momento na floresta com a dita estátua foi para mim algo de incomodativo e pensei que a partir daqui o filme iria tornar-se assustador. Não poderia estar mais... certo! Aqueles vinte minutos finais em que ficamos a perceber como funciona toda aquela povoação e especialmente o que se passa entre Carmen, Marcus e aquela família de três à casa dos quais a repórter e o seu namorado vão dar é no mínimo medonho... É aqui que a semelhança entre este filme e O Exorcista se torna mais evidente não só pelos comportamentos... como pela pequena fatiota que Carmen usa e também pelo ataque de verborreia que tem e a caracterização muito bem realizada que me trouxeram de novo à memória a tão saudosa menina Linda Blair.
No mínimo foi um susto e senti-me quase a colar à cadeira onde me encontra pois de facto a tensão foi a partir dali... MUITA!!!
A transformação deste filme que passa de algo "mal feito" para um interessante e bem pensado filme de terror é evidente. Todo o ritmo, história e mesmo as interpretações que eram inicialmente mais fraquitas compensaram e bem com o passar do tempo tornando este num dos melhores filmes de terror que vi nos últimos tempos, chegando mesmo a compará-lo à sua fonte de inspiração já aqui várias vezes referida como também ao mais recente [REC].
Chegado o final e dou por mim a pensar que mesmo nos momentos em que parece ser mais amador, este filme está realmente muito bem pensado e que conseguem, de certa forma, enganar-nos e iludir-nos de que vamos assistir a algo mais "fraquito". Não poderiamos estar mais enganados e aquilo que nos espera é realmente um forte e muito intenso filme de terror que nos revela que as primeiras impressões, não só do filme como dos seus intervenientes, podem por vezes estar muito enganadas e que aquilo que pensamos ser a raíz do mal mais não é do que a única forma de o manter afastado dos olhares mais curiosos de uma civilização que não se encontra preparada para certas... realidades. E que se destaque também a forma como o mal é exterminado, aqui muito bem retratado em tão interessante e original cartaz... e mais não digo.
Forte, intenso, com um bom argumento, caracterização e um ambiente tenebroso muito próprio, este filme tem ainda a curiosidade de ter no meio dos seus actores... um português... Paulino Nunes que encarna um dos "medonhos" habitantes daquela tão amaldiçoada aldeia.
Aconselho vivamente este filme... e aos mais nervosos... que se preparem...
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8 / 10
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9/11 The Day That Changed the World (2011)

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11/9 - O Dia em que Mudou o Mundo é um extraordinário documentário sobre o dia mais filmado e fotografado de toda a História. Dia esse que mudou para sempre todas as perspectivas que poderíamos ter sobre o mundo e pessoas que nos rodeiam.
Este documentário além de nos mostrar algumas imagens novas numa montagem perfeita de segmentos de vários outros documentários, consegue ainda testemunhos e entrevistas de alguns dos intervenientes daquele tão trágico dia.
Aqui não existem relatos sobre possíveis teorias da conspiração nem tão pouco sobre o que poderá ou não ter acontecido. É um documentário que relata apenas os factos que todos nós infelizmente conhecemos à medida que é acompanhado por interessantes relatos sobre as experiências pessoais que pessoas como Rudolph Giuliani ou Laura Bush, entre outros, tiveram.
Muito bem realizado, montado e com uma banda-sonora tocante e comovente, este documentário é um elemento histórico que não devemos perder.
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10 / 10
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sábado, 10 de setembro de 2011

Veneza 2011: palmarés

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SECÇÃO OFICIAL
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Leão de Ouro: Faustde Aleksander Sokurov
Leão de Prata Realizador: Shangjun Cai, Ren Shan Ren Hai
Prémio Especial do Júri: Terraferma, de Emanuele Crialese
Coppa Volpi Actor: Michael Fassbender, em Shame
Coppa Volpi Actriz: Deanie Yip, em Tao jie
Prémio Marcello Mastroianni: Shôta Sometani e Fumi Nikaidô, em Himizu
Osella Fotografia: Robbie Ryan, Wuthering Heights
Osella Argumento: Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou, em Alpis
Leone del Futuro - Premio Venezia Opera Prima “Luigi De Laurentiis”: Là-bas, de Guido Lombardi
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ORIZZONTI
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Premio Orizzonti: Kotoko di Shinya Tsukamoto
Prémio Especial do Júri: Whores’ Glory, de Michael Glawogger
Prémio Orizzonti Mediometraggio: Accidentes Gloriosos di Mauro Andrizzi e Marcus Lindeen
Prémio Orizzonti Cortometraggio: In attesa dell'avvento, de Felice D'Agostino e Arturo Lavorato
Menções Especiais: O Le Tulafale, de Tusi Tamasese, All The Lines Flow Out, de Charles Lim Yi Yong
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CONTROCAMPO ITALIANO
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Premio Controcampo (longa-metragem): Scialla!, de Francesco Bruni
Premio Controcampo (curta-metragem): A Chjàna, de Jonas Carpignano
Premio Controcampo Doc (documentário): Pugni chiusi, de Fiorella Infascelli
Menções Especiais: ao documentário Black Block, de Carlo Augusto Bachschmidt, a Francesco Di Giacomo pela fotografia de Pugni chiusi
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Leão de Ouro Carreira: Marco Bellocchio
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Jaeger-LeCoultre Glory to the Filmmaker Award 2011: Al Pacino
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Prémio Persol 3D per il più creativo cinema stereoscopico dell'anno: Zapruder Filmmakers Group (David Zamagni, Nadia Ranocchi, Monaldo Moretti)
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Prémio L'Oréal Paris per il cinema: Nicole Grimaudo
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Cliff Robertson

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1923 - 2011
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Jack (2009)

Jack de Kryshan Randel foi uma agradável surpresa do MOTELx 2011 não tanto pelo seu conteúdo de terror mas sim pela comédia que está aqui em força.
A história resume-se essencialmente a um grupo de amigos que se reune no Halloween... a questão que agora toma conta da restante curta é sobre o que aconteceria se as célebres abóboras decidissem elas próprias dar aos humanos um pouco daquilo a que estes as sujeitam ano após ano.
Se todos os momentos desta curta estão hilariantes, aquele que me fez rir com bastante vontade foi quando, quase no final, elas tomam a decisão de capturar uma vítima para o seu maquiavélico plano.
Toda esta curta parece feita de uma forma perfeitamente amadora mas ao mesmo tempo conseguimos perceber que assim é de uma forma intencional e planeada o que dá o ar de sua graça e a tornar muito mais divertida do que assustadora.
Muito bem conseguida e uma pérola do género. Magnífica!
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7 / 10
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Fase 7 (2011)

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Fase 7 de Nicolás Goldbart era um dos filmes que mais aguardava ver no MOTELx deste ano e do qual não me arrependi nada de ver.
Esta história cruza uma época em que uma pandemia está prestes a ocorrer num mundo que se prepara para assistir a uma "nova ordem mundial", que desconhecemos qual será, mas que é tão anunciada ao longo do filme.
Logo de início acompanhamos uma normal ida às compras de um casal que aguarda o seu primeiro filho. Coco (Daniel Hendler) e Pipi (Jazmín Stuart) estão com um pequeno arrufo normal num jovem casal que vive os últimos dias de gravidez. Subitamente enquanto estão preparados para pagar as compras assistem a uma invasão, literalmente falando, do supermercado por pessoas que estão prestes a fazer um razia aos mantimentos. Espantados com a situação mas de certa forma indiferentes à mesma continuam com as suas vidas rumo a casa como se nada fosse.
Uma vez em casa, as notícias sobre o alastrar da pandemia são constantes até que para sua surpresa recebem a notícia de que o seu prédio vai ficar isolado do resto do mundo. Afastados do que se passa "lá fora" durante dias e dias sem fim, os seus bens alimentares, a sua paciência e principalmente a sua confiança começam a escassear e o que os espera a partir daqui não é só uma luta contra a pandemia que ameaça dizimar milhões mas especialmente pela sua sobrevivência junto dos seus vizinhos em quem agora não confiam.
Este filme correspondeu a todas as minhas expectativas. Em primeiro lugar por ter fugido ao tradicional filme de terror onde temos toda a história povoada por um conjunto de monstros, transformando o Homem na única criatura que se deve realmente temer. E podemos constatá-lo em diversas ocasiões... A primeira situação prende-se logo com o facto do enquadramento em que a história decorre onde somos induzidos a pensar que a dita pandemia que dizima o planeta é "criada" pela mão do Homem com o objectivo de estabelecer uma nova ordem mundial. A segunda é praticamente óbvia pois prende-se com a mudança de comportamento daquele conjunto de pessoas que apesar de viverem no mesmo edifício rapidamente se tornam hostis entre si e lutam para tomarem o controle sobre os demais, num mundo que está aparentemente a ruir. E finalmente nos momentos finais onde se torna claro que os poucos sobreviventes que existem começam a fazer das pilhagens uma prática dita normal.
A ideia de que não precisamos de monstros, vampiros ou zombies para fazer um filme do género está aqui mais do que provada que é possível e real... afinal o verdadeiro monstro está dentro de cada um de nós e nas acções que podemos tomar para com o nosso semelhante. Dentro de um contexto não apocalíptico este filme fez-me recordar A Comunidade de Álex de la Iglésia que transforma a ideia de viver num edifício com mais pessoas num verdadeiro pesadelo.
Agradou-me igualmente o facto de dentro de uma história que até tem um fundo bem sério, a realização e o argumento terem harmoniosamente aglutino um humor mordaz e corrosivo que por um lado mostra a transformação de Coco um jovem homem que ainda não assumiu as responsabilidades de um marido e futuro pai, numa personagem sólida, madura e com a experiência de vida suficiente (nem sabe ele como) para conseguir sobreviver a um tão trágico fim da sociedade tal como a conhecemos.
O humor aqui consegue ser quase constante e certeiro nos momentos certos para nos descomprimir com tantos que são os momentos bem tensos deste filme. Sorrimos é certo, mas facilmente percebemos o quão séria seria uma situação como estas onde não só deveríamos recear o contágio de uma pandemia a nível global como deveríamos recear aqueles que vivem na porta ao lado.
O argumento também a cargo de Nicolás Goldbart é bom. Aliás, muito bom. Consegue fazer uma mescla perfeita dos géneros de terror e comédia sem esquecer o pano de fundo "real" e dramático que originou toda a situação a que assistimos. Mas este filme não poderia ter sido tão bom se não tivesse a dar-lhe rosto um conjunto tão forte e coeso de actores como aqueles que aqui estão presentes.
Apesar do par se querer protagonista, o que é certo é que a dupla Daniel Hendler e Jazmín Stuart rapidamente se dissipam para dar total protagonismo a Hendler naquela que é a interpretação fundamental e central de todo o filme. Como já referi mais atrás, a transformação de Coco (Hendler) é francamente notória. Inicialmente conhecemos um tipo despreocupado e com pouca vontade de assumir qualquer tipo de responsabilidades quer como marido quer como pai. Mas também é certo que a sua personagem sofre uma reviravolta por força das circunstâncias que faz dele um protagonista assumido que de "menino" passa a "homem". Um perfeito anti-herói... Aquele que sem querer se transforma no salvador de um conjunto de pessoas que sem ele estariam perdidas e que não reune qualquer característica que o identifique como tal.
Pipi (Jazmín Stuart) que inicialmente aparece como uma protagonista cedo se desvanece à medida que o desenvolvimento da história prossegue. A sua importância é sempre constante pois ela é, afinal, a mãe daquela criança que irá nascer num mundo totalmente diferente daquele que conhecemos até então. No entanto, a relação que teve até então com Coco é substituída por aquele que este mantém com Horacio (Yayo Guridi) como os defensores das suas próprias vidas dentro daquele prédio numa história que se tornou de literal sobrevivência.
Finalmente a completar o leque de protagonistas temos um Zanutto (Federico Luppi) que graças à sua idade, experiência de vida e no contexto em si desenvolve uma personalidade bem desconfiada de tudo e todos que acabará por lançar o terror nas vidas daqueles indivíduos. Muito bom desempenho deste veterano actor que mostra como se faz um bom vilão. O homem que está disposto a tudo para defender o que é seu e ainda assim mostrar aos outros que é preciso lutar para justificar que se merece estar vivo naquele mundo enlouquecido.
Igualmente boa é a banda-sonora de Guillermo Guareschi que transmite na perfeição a tensão e o clima que se sentem com todas aquelas transformações constantes ao mesmo tempo que são notórios os momentos em que para aliviar toda aquela tensão nos são entregues acordes ligeiros e muito subtis que ilustram a quase sempre presente trapalhada provocada por "Coco".
Finalmente a última coisa que tenho a dizer deste grande filme é a capacidade de interligar uma história que se quer em contornos de ficção científica nos dias e numa sociedade moderna com factos que todos nós temos bem presentes (pandemia da Gripe A), e ficcionar uma trama política internacional numa só história e a funcionar de uma forma harmoniosa sem que nenhum item se perca pelo meio. Como disse, para isso muito ajudou o facto de existir um argumento coerente e interpretações de grande nível com as quais todos nós nos deliciamos.
Um grande filme não só do género fantástico mas sim do cinema em geral e em particular de uma filmografia argentina que com passos bem fortes e firmes começa a afirmar-se como de ter em grande consideração. Este é daqueles filmes que ninguém deve perder e do qual todos, sem excepção, irão gostar. Um dos melhores do ano... e que o diga a sala do São Jorge que estava cheia.
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9 / 10
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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Outcast (2010)

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Outcast de Colm McCarthy foi o primeiro filme que vi no MOTELx 2011 e para a primeira experiência gostei do que vi.
Este filme conta-nos a história de Fergal (Niall Bruton) que está em fuga na companhia de Mary (Kate Dickie), a sua mãe, de Cathal (James Nesbitt) por motivos que inicialmente desconhecemos mas percebemos estarem relacionados com algo oculto.
Chegados a uma nova localidade Fergal conhece Petronella (Hanna Stanbridge) e sente por ela uma paixão, algo que até então nunca tinha vivenciado. No entanto para Mary este amor é proibido e percebemos que algo de errado está prestes a acontecer.
Este filme junta um conjunto de conceitos francamente interessante e de vários estilos. Começando pelo suposto drama familiar que põe esta mãe e filho em fuga obrigando-os a esconder nos locais que acham mais seguros.
Temos igualmente a componente de romance e do amor proibido versus a curiosidade pelo sexo oposto que o colocam num patamar mais sentimental quase a roçar a fábula.
E finalmente temos o elo que liga tudo e lhe dá bastante coerência que é, como é óbvio, a componente mais negra e mística. Começamos logo por ter várias invocações de magia negra e de espiritismo/bruxaria que por várias ocasiões tornam o filme sinistro demais. De seguida temos as práticas per si que roçam o grotesco e o macabro com a mutilação deliberada de animais e finalmente temos, a óbvia ligação quase sempre presente em filmes deste género entre o sexo e o despertar do verdadeiro mal.
E é por falar em verdadeiro mal que destaco a personagem interpretada por Kate Dickie. "Mary" é acima de tudo uma bruxa. É certo que protege a sua cria de todos os potenciais males que se avizinham mas certo é também que ao fazê-lo desenvolve para com ele uma estranha ligação que quase roça a incestuosa tão subtilmente filmada em várias ocasiões deste filme. Se a este aspecto conseguirmos ainda juntar as inúmeras práticas de feitiçaria que esta pratica em várias ocasiões, e qual delas a mais explícita, então temos aqui a verdadeira encarnação do mal... maior ainda do que aquele que haveria de despertar lá mais para o final do filme.
O argumento do próprio Colm McCarthy e de Tom K. McCarthy prima pela diferença em adaptar uma história de antigas tradições e mitos aos tempos modernos e de adaptá-lo a muitas situações com que facilmente nos poderemos cruzar, exemplo flagrante disso é a presença de uma assistente social que pretende resolver alguns problemas do bairo e que tem um trágico final... tão trágico que só um mal maior poderia pôr-lhe termo. No entanto nem só de elogios este argumento pode "viver", pois se por um lado prima por alguma interessante originalidade, também peca pelo desfecho previsível e de certa forma aguardado que tem e que a dado momento qualquer um de nós percebe ir suceder.
Não deixa de ser um filme bem conseguido e dar uma nova dinâmica à ideia de fábula urbana ou de fábula moderna, com uma excelente caracterização e um ambiente negro muito intenso durante todo o filme. Consegue dar um certo estilo próprio ao cinema de terror e de suspense e gostei da história de uma forma geral apesar dos momentos mais esperados estarem lá, especialmente o final. Mas sem dúvida terá o seu lugar próprio dentro da filmografia do género.
Bastante interessante e provoca uns quantos sustos (que o diga o senhor que na mesma fila que eu dava saltos no banco) e é uma aposta interessante para aqueles que apreciam este género cinematográfico.
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7 / 10
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Nocturna (2010)

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Nocturna de Francisco Carvalho é uma curta-metragem de ficção onde uma mãe (Custódia Gallego) procura na noite a sua desaparecida filha.
Um homem que vagueia pela noite encontra-a primeiro e é surpreendido por um trágico fim que podemos apenas imaginar.
Quando mãe e filha se reencontram a raiva inicial que assola uma mãe desesperada dá lugar a um incondicional amor e aceitação.
Esta curta-metragem portuguesa que recebeu uma Menção Honrosa no MOTELx 2010 termina com um curioso segmento onde depois dos pecados cometidos a chuva que cai parece estranhamente limpar qualquer tipo de vestigio que tenha permanecido.
Curta demasiado curta que convictamente afirmo poder ter dado uma longa de terror muito interessante e sugestiva. Mais uma prova mais do que certeira de que o panorama do cinema de terror nacional tem muitas e bem longas pernas para poder andar.
E ao realizador Francisco Carvalho... aguardo pelo próximo trabalho!
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7 / 10
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Spirale (2009)

Espiral de Michael Guerraz que passou hoje no MOTELx e foi mais uma agradável surpresa no que ao cinema de terror diz respeito.
Esta curta com um cenário quase idílico vai ao encontro de dois apaixonados que se encontram no meio de um belo campo.
De forma a terem mais privacidade encontram-se num moínho abandonado no meio do campo que, de repente, parece ganhar uma misteriosa vida através de um moleiro que pretende ceifar as vidas alheias...
Esta curta que adianto já ter achado genial e que julgo teria dado uma muito forte longa-metragem do género, vence logo pelo ambiente criado. Primeiro através de um cenário perfeitamente idílico que a todos consegue seduzir e de seguida pelo ambiente completamente claustrofóbico que surge após a primeira aparição do moleiro.
Tenho também de fazer uma menção ao magnífico trabalho de fotografia de Nathalie Lao que confirma exactamente o que comentei anteriormente. A passagem entre o idílico e o assombroso são feitas de uma forma tão harmoniosa que sentimos a tensão criada pela passagem entre os dois momentos.
E o mesmo se passa com a fabulosa banda-sonora da autoria de Clémence Fabbricotti e Louis Rouah que aumentam este mesmo terror.
Destaco ainda a caracterização de Claire Arnou que dá um aspecto perfeitamente medonho ao tão terrível moleiro e consequentemente a... bom, não digo mais senão é revelar muito da sua história.
A quem tiver oportunidade de ver esta curta que não a perca. É perfeita demais para se perder e consegue em tão poucos minutos criar um perfeito clima de terror e de tensão que são, normalmente, difíceis de conseguir neste género respectivo.
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8 / 10
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Ella (2010)

Ella de Dan Gitsham foi a primeira curta-metragem que vi no MOTELx 2011 no cinema São Jorge em Lisboa e, para começar, foi uma agradável surpresa.
As primeiras imagens desta curta transportam-nos para um cenário algo macabro onde vemos uma mulher morta na cozinha da sua casa enquanto o homem está coberto de sangue.
Este ao sair para a rua persegue Ella, a filha, e pensamos por momentos que a quer matar como à sua mulher. A questão modifica-se rapidamente quando assistimos ao primeiro encontro entre pai e filha... para nossa surpresa.
Esta curta que sem diálogos e aparentemente calma centrada num cenário campestre consegue criar um perfeito ambiente de tensão e medo foi perfeita para a minha primeira experiência no MOTELx.
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7 / 10
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Life in Bubbles (2009)

A Vida numa Bolha de Nadine Lüchinger retrata-nos uma sociedade argentina que era, para mim, completamente desconhecida.
Este interessante documentários dá-nos uma visão da actual Argentina onde uma classe endinheirada vive em exclusivos country-clubs onde apenas os moradores podem entrar e disfrutar de um estilo e nível de vida bem elevados e afastados da realidade do país.
Conscientes de que o mundo "lá fora" está de facto complicado e difícil para muitos desde a grave crise financeira que abalou o país no início do novo século, o que é certo é que esta classe rica não pensa em abdicar da sua tranquilidade, segurança e boa qualidade de vida em nome de uma sociedade mais igualitária.
Este documentário que assisti no âmbito do curso "América Latina Hoje" foi um pequeno grande achado que ilustra uma interessante faceta e realidade de um país e que, como documentário que é, cumpre na perfeição a sua missão.
Como observação pessoal apenas tenho a relatar um aspecto em particular que fixei como mais representativo deste elevado "estilo" de vida... Não discordo de uma possibilidade de se viver com conforto e segurança mas, no entanto, espantou-me pela negativa ao verificar as primeiras imagens de Highlands, o country-club referido, em que a mesma entrada estava dividida em dois muito específicos portões... o primeiro para os moradores e o segundo para todo o pessoal "externo" que passa desde os simples jardineiros até às empregadas domésticas. Esta imagem muito caracteristica e que guardo na memória faz-me lembrar um certo movimento, pensava eu já extinto, chamado de apartheid.
Muito interessante e revelador aconselho-o a todos aqueles que têm curiosidade sobre outras formas e estilos de vida em países dos quais temos, infelizmente, poucos conhecimentos.
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7 / 10
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

MOTELx 2011

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7 a 11 de Setembro de 2011
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e o CinEuphoria estará por lá...
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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Presunto Culpable (2008)

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Presumível Culpado de Roberto Hernández e Geoffrey Smith é um filme documentário mexicano que nos mostra as enormes falhas nomeadamente aquela apresentada aqui.
Toño é acusado de ter morto um homem, detido, julgado e sentenciado a vinte anos de prisão sem que fossem apresentadas provas concretas da sua culpa. Habitualmente todos somos considerados inocentes até prova em contrário. O sistema judicial mexicano aqui abordado considera todos culpados até uma prova em que a inocência de um indivíduo seja considerada.
O mundo em que vivemos e as transformações que os últimos dez anos nos têm apresentado poderiam justificar este sistema que considera todos culpados. No entanto há que refletir sobre um aspecto demasiadamente importante para nos passar "ao lado". Pensemos então na facilidade com que um determinado indivíduo pode ficar com o seu nome manchado tão facilmente e mesmo "um dia" provada a sua inocência terá ele o seu nome reabilitado ou, em continuidade, será sempre o tal "homem que foi suspeito de...".
A incerteza gerada por uma acusação débil e sem provas pode ser bem mais penalizadora do que uma certeza inegável. Afinal a dúvida pode estabelecer laços bem mais fortes do que uma simples confirmação. A dúvida é, em última análise, aquela que determinará para sempre aquilo que cada um de nós quiser pensar, e também julgar, sobre aquilo que nos foi apresentado.
Este documentário feito por dois advogados que tomaram conhecimento deste caso e o investigaram, feito de uma forma simples mas bem abrangente e esclarecedora, especialmente os momentos da repetição do julgamento de Toño bem como a forma como ele é feito praticamente em sala "aberta" são reveladores de um sistema judicial e penal com muitas falhas que dificilmente, apesar das boas intenções, será resolvido e modificado.
Digno de ser visto por todos os que se preocupam com Direitos Humanos bem como por aqueles que pretendem obter sempre maior conhecimento este documentário não sendo uma obra-prima do género é, no entanto, uma obra que não deve ser perdida.
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8 / 10
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Para Lá da Linha (2009)

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Para Lá da Linha de Ana Azinhais e Pedro Horta é uma curta-metragem portuguesa do género de terror que me consegue impressionar pela sua interessante história.
Sandra que procura o seu primeiro trabalho, encontra-o através de um anúncio para ser babysitter. Ao deslocar-se para a entrevista aquilo que a deixa surpresa e impressionada é o aspecto algo estranho da "criança" de quem vai tomar conta... Criança... de 18 anos que é mais do que aquilo que aparenta ser.
Gostei do ambiente e da banda-sonora criados com esta curta-metragem que me fez em diversos momentos recordar o bom suspense de filmes como Halloween e Sexta-Feira 13 e deixa-me principalmente a pensar no quão bom seria ter filmes como esta curta transformados em longas-metragens que explorassem muito mais do potencial que esta história tem. Algo que nos explicasse as origens do problema que esta rapariga tem... o porquê da linha branca... Aspectos que apenas numa longa-metragem seria possível desenvolver.
Ainda assim gostei do que vi e acho que está uma curta consistente e interessante. Gostei do trabalho de caracterização feito e as interpretações para actores que julgo serem amadores estão igualmente consistentes e bem conseguidos.
O único "mal" é, repito, o facto desta curta não ser uma longa pois "para lá dessa linha", tinha potencial apenas com o seu argumento para desenvolver um filme de maior duração.
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6 / 10
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domingo, 4 de setembro de 2011

Dá Cá o CD (2011)

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Dá Cá o Cd de Action Team Productions (na falta do nome do realizador) é uma curta-metragem muito MUITO amadora que pode ter muito boas intenções mas não chega a vencer no que respeita a ter uma história interessante.
Começa pelo simples facto de lhe faltarem todos os créditos iniciais onde acaba por não se saber muito sobre os intervenientes na sua produção passando depois pela história previsível e os desempenhos algo descontextualizados.
Os actores estão lá... mas limitam-se a "passear" e reproduzir uns quantos movimentos e acções previsíveis e que já vimos em tantos e tantos filmes do género de espionagem acabando assim por não surpreender em nada.
O momento que ainda poderia ter uma certa graça, caso tivesse sido explorado com mais uns minutos de duração foi o seu preciso final onde descobrimos que aquele tão mal-fadado cd tinha uma gravação com uns póneis que mais pareciam saídos de um filme de terror...
Com boas intenções está com certeza mas a execução é bastante fraca e, por sua vez, igualmente bastante previsível e antecipada.
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1 / 10
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sábado, 3 de setembro de 2011

Pasajero (2010)

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Pasajero de Miguel Gabaldón com interpretações de Pablo de la Chica e Aitor Lizarribar é uma curta-metragem com temática homossexual que foge às tradicionais histórias de "engate" que costumamos ver neste género dando lugar a uma interessante história de amor não correspondido.
Arturo (Lizarribar) telefona a Manuel (de la Chica) para se voltarem a encontrar. Manuel já tem um companheiro mas cede em ir ao encontro de Arturo em nome do amor que ainda sente por ele. Uma chamada interrompe-os.
Esta curta-metragem com duas perspectivas distintas cruza aquilo que para um dos intervenientes é uma história de amor não correspondido e que para outro não passa de um encontro de ocasião numa Madrid à noite totalmente oposta da movida que tão bem caracteriza a cidade, numa filmagem competente e que consegue capturar muito bem as pré-disposições e intuitos de ambas as personagens.
Tranquila, interessante e com uma fotografia bastante competente não deixa de ser digno de registar que é o primeiro trabalho como realizador de Miguel Gabaldón.
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7 / 10
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Fruity Fighting (2010)


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Fruity Fighting de Luís M. Ferreira é uma curta-metragem de comédia que em boa parte me fez relembrar certos filmes que vi há muitos e muitos anos.
Em primeiro lugar nunca vi bananas a serem utilizadas como arma... bom... tudo é possível é um facto, mas a originalidade começou aí. De seguida, os "violentos" golpes nesta tão assustadora luta fazem-me lembrar os filme do Bruce Lee ou da dupla Spencer/Hill em que se ouviam mais os movimentos dos socos do que propriamente se viam os socos em si...
Finalmente... os pequenos toques de comédia com o casaco estão de facto bem pesados. Divertida e com bom humor teria sido uma boa ideia fazer desta curta... um pouco mais longa.
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7 / 10
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Horse Sense (1999)

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Um Cowboy de Beverly Hills de Greg Beeman é o típico filme da Disney que passa nos nossos canais de televisão num qualquer domingo de tarde.
Michael (Joseph Lawrence) é um tipo mimado e com a vida facilitada que fica encarregado de tomar conta do seu primo Tommy (Andrew Lawrence). No entanto os planos de Michael passam por tudo menos por fazer o seu primo passar umas boas férias.
Como castigo aplicado pelos pais Michael vai ter de passar uma temporada no rancho da tia onde vai ter de ajudar em todas as tarefas da sua manutenção bem como dos animais não sabendo que a sua família está em risco de perder toda a propriedade facto que o fará mudar de opinião e de postura perante a vida.
Típico filme Disney em todas as perspectivas possíveis e imaginárias. A irresponsabilidade inerente a um jovem que de repente vê toda a sua vida mudar por conseguir perceber os verdadeiros valores familiares e passar assim para a maioridade com responsabilidades... basicamente é o tipo que passa da adolescência prolongada para a idade adulta com tudo o que isso trás de "atrelado".
Alguma desta ironia, que até pode parecer exagerada, não significa que não tenha achado piada ao filme pois, na realidade, até achei. O filme é engraçado e consegue distrair e fazer-nos abstrair da realidade... Faz-nos passar bem o tempo e considerando a sua simplicidade consegue ter uma história algo apelativa e com a dose certa de valores (repito... não fosse este um filme da Disney). No entanto não será nenhuma obra máxima mas também não é isso que pretende ou que ambiciona... Acaba por ser um bem-disposto filme de família que resulta e consegue despertar o interesse de todos.
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6 / 10
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