Turned de Adam Bolt (EUA) é uma curta-metragem que recupera a trama tradicional do género ao inserir uma família - ou o que resta dela - num mundo onde a sobrevivência face a uma invasão zombie é o objectivo último.
Mãe (Ryan Driscoll) e Filho (Zackary Arthur) tentam fugir numa cidade dominada pelos mortos-vivos. Quando refugiados numa casa com outro sobrevivente (Benjamin Busch), Lisa descobre que foi mordida. No momento em que percebe que a sua vida está perto do final, qual o legado que poderá deixar para que o jovem Cameron sobreviva?
Adam Bolt cria a tradicional história de apocalipse zombie. Uma cidade dominada pelos mortos-vivos que a ocuparam sem qualquer causa aparente que seja explicada, a dinâmica ultrapassa o interesse em descobrir os motivos mas sim compreender como é que os poucos sobreviventes não infectados que restam resistem num mundo onde tudo está contra as suas necessidades.
Das supostas alianças à memória para o futuro, Turned é contado através de um conjunto de flashbacks da protagonista que oscilam entre aquilo que recorda, o que deseja transmitir ao seu jovem filho que brevemente irá ficar orfão e ainda sobre o conjunto de memórias que lentamente vai perdendo enquanto o seu corpo cede perante o vírus que agora percorre o seu corpo.
Com alguma previsibilidade - a certa altura - à mistura, esta curta-metragem consegue manter um certo suspense sobre os destinos do jovem "Cameron" que embarca nas vontades da mãe que compreende estar perto do fim. Num último desejo de preservar a vida do seu jovem filho, "Lisa" terá de começar por eliminar as ameaças mais latentes... a sua "transformação" e claro, o outro sobrevivente que vê no seu filho um empecilho que não irá ajudar a salvar. No momento em que lhe faltam as forças físicas e psicológicas para conseguir manter o discernimento e a vontade, "Lisa" terá apenas uma última escolha... lutar sem propósito ou abraçar a condição de alguém que irá estar, para sempre, ligada a um filho que quer sobretudo salvar... mas a que custo?!
Dinâmico na sua elaboração e capaz de manter o ritmo e a incerteza até aos últimos instantes - falhando apenas no momento em que mais necessário era -, Turned consegue nos seus breves minutos contar uma história com princípio, meio e fim sem atropelos, exageros ou tempos mortos (sigh)... mesmo que para isso recorra a um sem fim de momentos desse passado já perdido e criar uma interessante atmosfera (em tão pouco espaço) do aspecto de um pequeno mundo destruído e onde reina o caos.
Phoenix 9 de Amir Reichart (Alemanha/EUA) é uma curta-metragem onde o tema central volta a ser o pós-apocalipse onde, após um conflito nuclear de proporções devastadoras que destrói o planeta Terra, um grupo de sobreviventes encontram um pequeno santuário que lhes proporciona um novo começo. Mas, nem todas as boas intenções chegam sem uma contrapartida...
Seguindo uma já longa tradição de filmes em que a linha condutora da história é a iminente - ou já consumada - destruição do planeta, o argumento de Phoenix 9 pelas mãos de Peer Gopfrich surpreende não pela temática em si que, na prática, já é bem conhecida de todos nós, mas sim pela capacidade que tem de suscitar curiosidade nos pequenos e não explorados detalhes que povoam toda a sua dinâmica. Começando logo pelo princípio, esta história apresenta uma aparente convulsão civil que insere o espectador naquela dinâmica de "fim dos tempos" onde todos parecem querem fazer valer uma vontade que, na realidade, lhes escapa do seu controle. Como em todas as dinâmicas do género, quem tem poder económico escapa, quem não tem... arca com as temidas consequências aqui sob a forma de um holocausto nuclear. É no âmago destas convulsões civis que o mundo, tal como o conhecemos, termina e no qual os escassos sobreviventes que continuam a povoar a Terra caminho rumo a um destino sem nome onde, talvez, possam encontrar o seu esperado santuário. Se nesses mesmos segmentos iniciais é dada a informação ao espectador que o mesmo existe de facto, a porta nunca fecha a uma conclusão óbvia que o faça adivinhar quando e onde é. É esta incerteza que permanece na mente do espectador que, desconhecendo a sua resposta, se mantém curioso e fiel àquilo que está porvir.
Na continuidade destas saudáveis incertezas, é ainda apresentado ao espectador um espaço onde este se pode refugiar das aparentes intempéries que assolam o planeta mas, ao mesmo tempo, todos parecem esconder-se de "algo mais" que os persegue com as mesmas nunca revelando os porquês de tantos aparentes receios que trazem os (julgamos) esperados tornados com forças mais destruidoras do que qualquer um que alguma vez tenham conhecido. Aqui, e como todo o bom filme que se preze de digno representante do género, Phoenix 9 apresenta aquilo que todos nós esperamos... encontrar um pouco de esperança num pequeno aglomerado populacional que espera a sua salvação e claro... o eterno membro do grupo de revela toda a sua mágoa, desespero e frustração por perceber que nada melhor que aquilo existirá... mas, no entanto... e se existir?
É neste momento que, finalmente, se levanta a questão essencial... e se este grupo unido e sobrevivente perante a catástrofe desconhecida, se vir confrontado com a possibilidade de salvação mas... apenas para um deles? Quem poderá garantir a continuidade da espécie humana e quem irá ceder à fraqueza de ambicionar esse mesmo "lugar" eliminando os demais? Resistirá o com mais recursos intelectuais? Aquele que detém conhecimentos informáticos? Algum dos casais aparentemente formados e que podem garantir as futuras gerações? Ou o elemento conciliador que, entre todos, consegue manter a paz e a estabilidade? Todas estas questões - sem resposta - aguçam o interesse deste trabalho e da dinâmica criada para com o espectador constituindo-se, no fundo, como o elemento mais forte e aliciante desta obra mas, ao mesmo tempo, também se assume como o seu mais frágil na medida em que todas estas questões poderiam encontrar uma potencial resposta e criar toda uma nova esperança (ou falta dela) nos destinos da aparente Humanidade. Se é verdade que nem todas as respostas são necessariamente desejadas para a construção da dinâmica de uma história, não deixa de ser verdade que, por vezes, são elas que contribuem para o esclarecimento daquilo que vem "depois" para essa mesma Humanidade até então - julgamos - perdida.
Phoenix 9 é assim uma curta-metragem oscilante na criação de uma empatia com o espectador na medida em que levanta questões pertinente sobre a sobrevivência e o pós conflito devastador da Terra e da sua população mas, ao mesmo tempo, incapaz de fechar todos esses pequenos subterfúgios que levam o espectador por caminhos que não serão explorados e, como tal, manter todo um conjunto de incertezas nunca resolvidas. Dinâmica e forte na recriação do tempo e do espaço bem como surpreendente pelo seu inesperado e irónico desfecho, Phoenix 9 tem tudo para ser algo mais do que uma curta-metragem incapaz de esclarecer o espectador sobre todos estes pequenos grandes inuendos que a sua narrativa abre não deixando, ainda assim, de cativar pela sua construção.
Com Amor, Simon de Greg Berlanti (EUA) é uma longa-metragem e possivelmente uma das primeiras comédias românticas de Verão a estrear, apresentando a história de Simon (Nick Robinson), um jovem adolescente que vê a sua homossexualidade exposta perante todos os seus colegas e amigos depois de uma breve relação online com outro colega da escola que desconhece.
Num momento determinante do seu desenvolvimento, Simon terá não só de se assumir perante a sua família e amigos como principalmente perante si próprio. Irá ele encontrar o amor verdadeiro?
Baseado no romance de Becky Albertalli, Elizabeth Berger e Isaac Aptaker escrevem o argumento de Love, Simon, uma comédia romântica que tem tudo de tradicional... menos o par protagonista. Ao contrário de todas as comédias adolescentes que estreiam nas salas de cinema onde os protagonistas são um casal do sexo oposto, esta longa-metragem não só prima pela diferença em apresentar no seu centro um jovem adolescente homossexual como principalmente privá-lo de um par... "Simon" é assim, o protagonista de uma história onde tudo o que o espectador vê se centra nos seus sentimentos, na sua descoberta, nos seus momentos e principalmente na sua evolução sentimental onde primeiro se compreende, depois se aceita e finalmente se assume ao mundo ao seu redor enquanto, pelo caminho, espera encontrar aquilo que possivelmente todos procuram... um verdadeiro amor (seja lá isso o que fôr em tão jovem idade).
Num mundo em constante mutação e no qual a aldeia global tudo e todos aproxima, a relação (ou potencial) que aqui se desenvolve inicia-se através de tantas nestes dias... online. Apenas chega um computador com ligação à "rede", para que tudo seja possível e aconteça. Mas, ao mesmo tempo que se esperam os efeitos positivos, é também uma realidade que tudo o que é de mau pode entrar pela porta... Mas, afastando os riscos da "rede" neste momento, concentre-se o espectador no potencial desta história que prima, de facto, pela diferença.
Longe de qualquer gratuitidade dos contos românticos e adolescentes de Verão, Love, Simon apresenta a história de um jovem que sente ter vivido tempo demais longe da sua própria felicidade onde, por medo ou por desconhecimento de outra pessoa como ele, escondeu os seus verdadeiros sentimentos e sexualidade, respondendo apenas aos lugares comuns de todos os demais que, contrariamente a ele, encontram a "naturalidade" dos afectos no sexo oposto. Num momento em que o mundo atravessa todas estas pequenas convulsões sociais onde os afectos e o direito à sexualidade são também um Direito Humano, Love, Simon surge então como a normal resposta às evidências... o amor, independentemente do género, é natural e acima de tudo... um Direito. Ainda que alguns momentos em que esta longa-metragem pareça querer exibir uma certa missão de ensinamento versus aprendizagem, Love, Simon consegue ao mesmo tempo criar o clima romântico esperado para uma história do género e ainda mostrar às mentes mais centradas num qualquer passado que independentemente da sexualidade, esta história contém o principal... todos têm o direito de amar.
Missão de aprendizagem à parte o que resta a Love, Simon? Uma história de amor, de descoberta, de aceitação, de ultrapassagem de obstáculos, de compreensão e sobretudo do poder da amizade e da união numa família que apenas deseja viver numa harmonia que sentida fragilizada apenas a quer ver reforçada pela compreensão de que naquele espaço tudo o que revela a positividade e garantia de amor é respeitado e bem-vindo. Love, Simon concentra-se ainda na história de amizade entre aqueles que sempre o foram (amigos), bem como na reacção em que estes reagem à descoberta de um segredo - até então - inconfessado. Poderão aqueles com quem partilhámos todos os momentos da vida aceitar e perceber que "Simon" é o mesmo de sempre apenas com um aspecto da sua vida agora assumido ou ver nele uma pessoa totalmente diferente, que desconhecem e com quem não querem voltar a conviver?
Expostos todos os argumentos narrativos desta história, Love, Simon é então a típica história sobre os últimos momentos da vida de um adolescente que encontra a sua vida dita "normal" (até então) ameaçada pelo bullying de um dos seus pares mas que, ao mesmo tempo, revela ter todo um potencial para continuar a acreditar na possibilidade do amor, em esperá-lo até, e manter não só o seu lugar junto dos seus amigos bem como - e principalmente - de uma família que ama... e que o ama.
Nick Robinson é extremamente convincente como o protagonista desta história assumindo-se capaz de espelhar todo um conjunto de emoções, surpresas, receios e alegrias típicas de um jovem da sua idade sem nunca perder o sonho, a ilusão, o desejo e a vontade de experimentar a sua sexualidade como algo normal - como o é - livre de preconceitos e medos que apenas fazem parte de um momento negro de um passado que, embora não distante, está ultrapassado. Com um elenco secundário coeso que passa não só pelos jovens actores que interpretam os seus amigos (e até o chantageador) sem esquecer aqueles que compõem a sua família - brilhantes e simples interpretações de Josh Duhamel (pai) e Jennifer Garner (mãe) capazes de criar todo um conjunto de emotividade e sofrimento por um filho que querem ver bem (mantenho a minha opinião sobre todo o potencial dramático de uma emotiva e belíssima Garner) -, Love, Simon é, tal como o seu nome indica, uma belíssima, pertinente e actual história de auto-descoberta e amor essencial para o grande ecrã e para o grande público capaz de se deixar prender por uma dos mais nobres sentimentos de sempre... o amor... onde residem as primeiras paixões, as primeiras expressões do mesmo e a compreensão de que o mundo pode ser vivido a dois... e livre de preconceitos.
Depois de uma celebração da centésima edição, o Shortcutz Viseu chega com a Sessão #101 que irá decorrer no próximo dia 8 de Junho.
No habitual - e de regresso - segmento de Curtas em Competição, o Shortcutz Viseu irá ter a presença de Manuel, de Bruno Carnide e ainda Norley y Norlen, de Flávio Ferreira estando ambos os realizadores presentes na sessão para a apresentação das suas obras cinematográficas.
Ainda nesta Sessão #101 está também de regresso o segmento Projecto Convidado recaindo, desta vez, o convite ao FEST - New Directors New Films Festival que decorre anualmente em Espinho - e em Viseu com a presença da direcção do festival -, que apresenta dois filmes, sendo eles, Adeus à Carne, de Julia Anquier (Brasil) e Happy End, de Jan Saska (República Checa).
Assim, e na próxima sexta-feira dia 8 de Junho, a Sessão #101 do Shortcutz Viseu irá decorrer novamente na Quinta da Cruz - Centro de Arte Contemporânea a partir das 22 horas.
Pretty Boy de Cameron Thrower (EUA) é uma curta-metragem de ficção que revela a história de Sean (Nick Eversman), um jovem adolescente cujo pai conservador o leva para um motel para ter a sua primeira relação sexual com Katie (Rebekah Tripp), uma prostituta. Por detrás desta acção está a vontade de John (Jon Briddell) em curar a sua homossexualidade.
Cameron Thrower cria aqui uma história - também assina o argumento - que não só se foca no relato na primeira pessoa de uma personagem que não só é vítima de bullying como ainda da rejeição familiar (na pessoa do seu pai) sentindo-se, dessa forma, isolado em todo o seu sofrimento e falta de aceitação naquele que deveria ser o seu núcleo principal e primário. No entanto, nem tudo é tão terminal como aparenta...
Depois de um breve e desastroso encontro, "Sean" recolhe a empatia de "Katie" (belíssimo desempenho de Rebekah Tripp), a prostituta que o deveria "converter" a uma vida socialmente e familiarmente mais aceite do que aquele define, no fundo, a sua própria personalidade sexual. As breves horas - aqui minutos - que o espectador partilha com a dupla são reconfortantes e, em certa medida, mágicas. E é nas mesmas que se conseguem encontrar duas vidas perdidas num mundo que não está preparado - e aparenta não querer - aceitá-los pelas suas diferenças, estilos de vida, escolhas ou comportamentos remetendo-os a uma ostracização que os força (contrariamente ou não) a encontrar o seu "par" no local mais improvável do mundo encontrando, um no outro, o primeiro acto de amor e afecto que não conseguiam encontrar em anos... Para "Sean" esse amor fora apenas encontrado na dedicação e compreensão da sua mãe já falecida e para "Katie" encontrado num filho que já não está à sua guarda.
Numa reflexão sobre duas pessoas que se encontram no mais improvável dos locais, fruto de um acaso e do preconceito, Pretty Boy consegue entregar uma interessante alma às suas personagens, humanizando-as através dos seus dramas, vulnerabilizando-as pela sua dor e mágoa mas garantindo-lhes aquilo que se espera dessa mesma humanidade intrínseca a cada um de nós revelando a capacidade de perceber que as diferenças - voluntárias ou não - transformam-nos em algo de único e que compõe apenas mais um pouco do universo multicolor em que todos nos encontramos, sem esquecer a eternamente desejada esperança de que o dia de "amanhã" possa ser um pouco melhor do que todos os demais que já passaram e que foram vividos.
Simples, eficaz e dotada de uma enorme sensibilidade, esta curta-metragem de Cameron Thrower consegue ainda revelar duas intensas e sentidas interpretações do par protagonista que se assume como uma força em sintonia, capaz de levar o espectador a ignorar tudo o demais que está ao seu redor... dos adereços às demais interpretações - ainda que relevantes para a dinâmica da história ao recriar o espaço em que se encontram -, tudo o que encontramos leva-nos a encontrar refúgio em "Sean" e "Katie"... a empatizar com as suas mágoas mas, ao mesmo tempo, em esperar (e talvez saber) que o futuro lhes poderá reservar algo de bom.
The Surface de Willem Kampenhout (EUA) é uma curta-metragem centrada num cenário pós-apocalíptico onde a Humanidade reside no subsolo escondida de uma nova espécie robótica que povoa o que restou das cidades como as conhecíamos.
Liz (Liz Christensen) tem de arriscar tanto a sua vida como a sua segurança para salvar a vida do filho, aventurando-se na superfície onde os monstros espreitam pelo mínimo deslize depois de terem forçado a Humanidade para os subterrâneos das antigas cidades.
Também autor do argumento, o realizador Willem Kampenhout cria uma história centrada num mundo diferente daquele que conhecemos não através da dinâmica humana onde a solidariedade e compreensão parecem cada vez mais escassas quer pela força do lucro quer pela escassez de bens essenciais que, na realidade, ninguém aparenta ter, mas sim pela percepção (do espectador) que o mundo tal como o conhecera já não existe. No entanto, as necessidades para uma constante sobrevivência... não cessam. É então que começa a aventura por um espaço (des)conhecido - dependendo se se é espectador ou personagem desta história -, lançando-se "Liz" - protagonista - numa perigosa viagem pelo mundo tal como fora tentando dessa forma encontrar uma forma de sobrevivência e subsistência para o seu filho que... precisa de uma diferente fonte de alimentação.
Nestas histórias o elemento predominante é que a Humanidade, ou o que dela resta, já não é aquilo que conhecemos. O mundo destruiu-se e a população teve de encontrar refúgio longe da pouca luz solar que ainda resiste e da sociedade tal como anteriormente a idealizara. No subsolo - parco em elementos que garantam essa sobrevivência - a sociedade é marginal, indiferente e indiferenciada e uma réstia daquilo que em tempos fora limitando-se cada um a conseguir ver o dia seguinte da melhor forma possível. A sobrevivência (a existir) é garantida então pelos poucos aventureiros que se lançam numa caminhada pela superfície habitada por aqueles que chamam de "monstros"... seres humanoides robotizados que se alimentam das mesmas baterias que alguns dos "humanos"... lá em baixo. Assim, e num universo onde todos aprenderam a temer-se e odiar-se, The Surface acaba por transformar-se num relato onde a sobrevivência se define nas margens da confiança (perdida) do antigamente, ou seja, até que ponto poderá existir um novo amanhã quando todos aprenderam (com os erros do passado), a temer a diferença e a outra espécie como a causadora do mal próprio quando, na realidade, todos haviam contribuído para o mal de alguém nesse antigamente agora tão distante.
Os mitos e lendas urbanas de um mundo destruído são assim a principal barreira para que a sociedade e a comunidade diversa e diversificada que habita os dois lados desta nova realidade possa dar o passo em frente para a sua própria regeneração, e apenas a extrema confiança no"outro" por parte daqueles que estão numa situação limite poderá ser esse momento transformador para todos. Apenas quando se compreende a "perda" como uma realidade, poderá esta confiança subsistir. Assim, e numa interessante e não tão bacoca analogia com o nosso presente, poderá o espectador compreender que as ânsias, receios, expectativas e vontade de sobreviver em todos os lugares de um mundo que já não é assim tão distante como se pensa, são idênticas e alimentam-se das mesmas necessidades. Para lá dos lugares comuns... será a vontade de viver tão diferente no local em que o espectador está daquela que outros no extremo oposto do mesmo mundo sente?
Para lá das diferenças é a necessidade de sobreviver e ver o novo amanhã que todos une. É a compreensão de que sózinho nunca se conseguirá sobreviver e que apenas na comunhão de esforços e na noção de que todos somos iguais independentemente das diferenças que o primeiro olhar expõe se obterá a reconstrução do espaço destruído (o que pressupõe futuramente a sua partilha), na qual este The Surface faz centrar a sua principal mensagem, impondo de forma ficcionada a noção de que as diferenças não são assim tão evidentes em espécies supostamente distintas revelando que entre Humanos e Humanoides... as necessidades de energia centram-se nos mesmos elementos.
Ainda que presente na dinâmica habitual das histórias do mesmo género, The Surface distingue-se por uma interessante dinâmica de espaço - urbano e cosmopolita -, e por uma bem sucedida caracterização dos actores que os embrenha na dinâmica de pós-apocalipse ou de um mundo perdido na própria imagem de um passado que já não existe.
Zombiehagen de Jonas Ussing (Dinamarca) é uma curta-metragem de terror centrada na ocupação de Copenhague pelos mortos-vivos.
Uma rapariga (Simone Lykke), percorre as ruas da capital até chegar a uma praça onde estão centenas de pedidos de ajuda e de notícias sobre os desaparecidos. Um rapaz (Casper Sloth) que chega ao mesmo local minutos depois. Os dois cruzam-se no estádio da cidade onde ela tenta encontrar o namorado. Poderão eles os dois ser os últimos sobreviventes que ali se encontram e os responsáveis pela continuação da Humanidade?
O realizador e argumentista Jonas Ussing entrega ao espectador uma das inúmeras histórias de mortos-vivos (ou zombies) aqui num cenário urbano e Europeu que contrariando o tradicional rural norte-americano, insere o espectador num espaço que fora - em tempos - densamente povoado e agora mais não é do que uma miragem desse passado. Mas, se nesse espaço rural os mortos parece que abundam pelas ruas, em Zombiehagen - uma Copenhague literalmente mortificada - as ruas parecem desprovidas de qualquer forma de "vida" (ironicamente falando), conferindo a toda esta curta-metragem uma certa sensação de que para lá do perigo de um qualquer ataque, é aquele que se prende com a solidão que ameaça os nossos protagonistas.
Assim, e para lá da dinâmica de perigo que está instalada, é aquela que se prende com a relação dos dois protagonistas que fica sob atenção do espectador que deseja ver na relação de ambos uma qualquer salvação para aquilo que poderá restar dessa Humanidade agora semi desaparecida. O encontro entre "Ela" e "Ele" - provocado pela personagem interpretada por Casper Sloth - deve-se, pensa o espectador, por uma necessidade extrema de se poder estabelecer uma nova relação numa cidade que está literalmente perdida. Assim, o segmento dentro do estádio da cidade repleto daqueles poucos que ainda caminham mas que já não têm qualquer réstia de vida, impressiona não só pela magnitude do espaço e da dinâmica ensombrada por uma direcção de fotografia de Andrew Grant-Christensen que lhe confere todo uma atmosfera de morte, mas principalmente pela esperança depositada naquelas duas pessoas cujo encontro mais ou menos casual faz adivinhar todo um novo começo.
Saídos das ruas da cidade e agora dentro da casa d'"Ele", Zombiehagen revela os trágicos passados desta personagem masculina e um vislumbre do seu desejo em poder voltar a ter companhia depois da trágica morte da mãe da qual o próprio se responsabiliza. Mas poderão estar os propósitos deste jovem corrompidos de alguma forma? Se a sua rápida intervenção junto d'"Ela" se revelou crucial para que a mesma fosse salva, é um pequeno e muito súbtil detalhe que deixa o alarme instalado e são os breves mas intensos momentos finais que revelam que de facto, num momento de crise extrema, nada é como parece... ou pelo menos... nada é como aquilo que se poderia fazer esperar.
Original pelo seu desfecho que revela que a Humanidade está perdida não necessariamente pela catástrofe mas sim pela desgraça em querer sobreviver mantendo os parâmetros e ideais de uma vida que já não é, Zombiehagen é uma curta-metragem atípica pela sua concepção fora dos locais tradicionais que o espectador tão bem conhece e, como tal, um ponto que joga a seu favor e, apesar de recorrer a todo um conjunto de elementos que, de certa forma, o espectador já conhece, consegue vencer pela forma como se livra dos lugares comuns do género surpreendendo com um desfecho não só inesperado como mortalmente inspirador para aqueles que julgam que a perda determina a capacidade de cada um avançar mais além do esperado. Porque por vezes a morte faz laços tão ou mais fortes do que a própria vida.
Alone Time de Rod Blackhurst (EUA) é uma curta-metragem de ficção baseada em factos verídicos que revela um breve momento na vida de Ann (Rose Hemingway), uma jovem mulher saturada da sua agitada existência em Nova York e que decide retirar uns dias na floresta. Encantada por poder relaxar e tirar algumas horas de prazer junto da natureza, estará Ann assim tão solitária quanto a vida que deixará para trás?
O realizador e David Ebeltoft deixam com esta obra um marco do terror moderno ao qual o espectador está incapaz de fugir pela sua intensa dinâmica de inevitabilidade face aos comportamentos sociais de um mundo moderno que não só não se controlam como podem facilmente ganhar proporções que estão para lá do controlo de cada um de nós. Por outras palavras, quando é que uma vida vivida no meio de toda uma constante agitação diária deixa, realmente, de ser vigiada? E, dentro desta suspeita do controlo alheio sobre os nossos próprios comportamentos... até que momento está cada um de nós livre dos olhares mais ou menos indiscretos dos infindáveis anónimos com quem nos cruzamos diariamente?
Partindo desta premissa encontramos "Ann", uma jovem mulher saturada das rotinas e das obrigatoriedades diárias que a deixam assoberbada e entregue a um incapacidade de fugir à tal rotina que a condiciona em todos os seus desejos... Afinal, alguém havia confirmado que a tal vida "adulta" iria ser assim tão aborrecida? Ao acompanharmos a sua rotina, compreendemos que a sua realidade é banal e desinteressante... comportamentos sociais vividos num perfeito anonimato e uma quase inexistância de amigos condicionam-na a uma vida em que o trabalho é o mais real substituto de qualquer contacto humano - per si -, e os poucos momentos que percebemos - sem nunca os confirmar - em que poderá existir vida para lá das quatro paredes do escritório ou até da sua casa, são rapidamente substituídos pela sua crescente vontade de viver uma aventura... sózinha. No entanto, até que ponto algo ou alguém não a estará a seguir da cidade para a floresta? Sob que realidade estará ela realmente sózinha considerando que as provas de que na cidade é observada por alguém que a persegue incansavelmente e que, também ali, poderá estar a ser silenciosamente perseguida?
Alone Time é assim a lenta constatação de que quer no campo quer na cidade, "Ann" é o rosto de um conjunto de vidas vividas num semi-anonimato apenas interrompido por breves momentos ou situações nas quais poucos - se é que alguns! - a conhecem de facto e que podem testemunhar, com segurança, a sua existência. Assim, e dominando o seu destino (assim o pensa), "Ann" tentará viver uma nova experiência confiante na sua segurança e que apenas será abalada no momento em que percebe que a sua solidão é, afinal, vivida na companhia de alguém que desconhece mas que a conhece melhor do que ela poderia imaginar de alguém que partilhasse todos os seus momentos in loco. "Ann" é então ensombrada com a realidade de que existe mais alguém na sua vida... mas alguém que conscientemente nunca viu... alguém que conhece os seus hábitos, os seus locais, os seus momentos e instantes e sobretudo que a acompanha a todo o momento. Desta forma, o verdadeiro terror não chega sob uma qualquer forma sobrenatural mas sim pela imediata percepção de que existe (mais) alguém a seu lado para lá dos inúmeros anónimos - ainda que não deixe de o ser - que a capta na sua mais intensa vulnerabilidade sem nunca se fazer anunciar.
Ainda que Rose Hemingway tenha uma sólida interpretação enquanto uma jovem mulher "perdida" na grande cidade, é o argumento da dupla Blackhurst e Ebeltoft que prende o espectador a um imaginário de mundo globalizado - que é pequeno - e à compreensão daqueles pequenos grandes indícios que revelam que existe mais para lá do óbvio mas ao qual, na realidade, poucos de nós prestam atenção e principalmente que neste mundo moderno onde a solidão é o modus vivendi das grandes cidades, o perigo espreita do mais inesperado local pelo momento certo para se fazer notar destruindo todas as convicções que qualquer um de nós tem sobre o seu ideal de segurança.
Centrado no seu próprio passo mas intenso pela dinâmica em que revela o seu lado mais negro, Alone Time é sem sombra de dúvida um daqueles filmes curtos que o espectador não irá esquecer pela sua assustadora realidade e intimidante presença.
Intromissão de Francisco Morais e Miguel Pinto (Portugal) é uma curta-metragem que revela um dia de trabalho aparentemente normal na vida de Simão (Ricardo Pinto de Magalhães) mas que um dia recebe uma misteriosa chamada exigindo-lhe que confesse os seus mais escondidos segredos ou irá pagar as consequências.
Esta história assinada pela dupla de realizadores em colaboração com Mariana Morais é um ensaio sobre as consequências da revelação dos segredos inconfessáveis... Uma história que se prende com a chantagem, com a ameaça e com o desabar de toda uma vida de enganos quando presa nas mãos de um predador anónimo e implacável levando, no entanto, o espectador a ficar dividido entre uma qualquer empatia entre o protagonista e este carrasco. Se o primeiro é um indivíduo com uma vida dupla que oculta tudo àqueles com quem decidiu formar uma família e, como tal, condiciona o seu natural desenvolvimento e confiança que é, ao momento, cega, e um segundo que se assume como um justiceiro mas, ao mesmo tempo, não por um bom sentido na medida em que para obter a responsabilização dos actos de "Simão", exige que este termine com a sua vida familiar ou profissional como uma sentença anunciada sem julgamento prévio.
Assim, e divididos entre um protagonista presente e uma voz que de forma anónima controla os seus destinos, o espectador centra-se nas regras de jogo ditadas por este último e na decisão do primeiro que vê a sua vida a ruir a cada instante que passa. No entanto, se esta dicotomia entre personagens nos leva a criar os referidos polos opostos, é a interpretação de Ricardo Pinto de Magalhães que, no entanto, não deixa o espectador criar grande empatia com a sua personagem. Longe de qualquer sensibilização para com a sua história fruto eventual de uma qualquer pressão social que o levou a "mostrar ao mundo" aquilo que o mundo queria ver, Pinto de Magalhães concentra-se em pequenos exageros e tiques representativos para demonstrar a sua aflição mas pouca expressividade num rosto que parece descontrolado mas pouco emotivo, enervado e pouco sentido e sobretudo quase tão vilão como o próprio que o ameaça. Ao telefone, do outro lado, temos sim alguma expressão... um intenso e constante desdém, uma ameaça velada, sentida e marcada à qual o espectador não fica indiferente... e se esta compõe muito para a tensão dramática que aqui se espera, é Pinto de Magalhães que rapidamente a faz perder necessitando de mais concentração para espelhar esse medo, desespero e sobretudo noção de perda que a sua personagem faz adivinhar.
Com alguma intensidade pela sua mensagem e pela forma como é filmada que lança no pânico um homem que vê toda a sua vida a fugir-lhe das mãos, Intromissão vale pela sua narrativa mas fragiliza por uma interpretação pouco sentida e assumidamente exagerada desde os primeiros instantes em que se impõe como figura... mas pouco pela expressão dos seus sentimentos.
Foram anunciados os nomeados aos Nastri d'Argento, prémios entregues anualmente pelo SNGCI - Sindicato Nazionale di Giornalisti Cinematografici Italiani, em Roma.
São os nomeados:
. Melhor Filme A Ciambra, de Jonas Carpignano Call Me by Your Name, de Luca Guadagnino Dogman, de Matteo Garrone Lazzaro Felice, de Alice Rohrwacher Loro, de Paolo Sorrentino . Melhor Comédia Ammore e Malavita, de Manetti Bros. Benedetta Follia, de Carlo Verdone Brutti e Cattivi, de Cosimo Gomez Come un Gatto in Tangenziale, de Riccardo Milani Io Sono Tempesta, de Daniele Luchetti Metti la Nonna in Freezer, de Giancarlo Fontana e Giuseppe G. Stasi Smetto Quando Voglio: Ad Honorem, de Sydney Sibilia . Melhor Realização
Paolo Franchi, Dove Non Ho Mai Abitato
Matteo Garrone, Dogman
Luca Guadagnino, Call Me by Your Name
Gabriele Muccino, A Casa Tutti Bene
Susanna Nicchiarelli, Nico. 1988
Ferzan Ozpetek, Napoli Velata
Paolo Sorrentino, Loro . Realização Revelação
Dario Albertini, Manuel
Valerio Attanasio, Il Tuttofare
Donato Carrisi, La Ragazza nella Nebbia
Fabio D'Innocenzo e Damiano D’Innocenzo, La Terra dell'Abbastanza
Annarita Zambrano, Dopo la Guerra . Melhor Produtor
Matteo Garrone e Paolo Del Brocco, Dogman
Nicola Giuliano, Francesca Cima, Carlotta Calori e Viola Prestieri, Il Ragazzo Invisibile: Seconda Generazione
Marco Belardi, A Casa Tutti Bene e Hotel Gagarin
Carlo Macchitella, Antonio Manetti e Marco Manetti, Ammore e Malavita
Giampaolo Letta, The Place
Agostino Saccà, Maria Grazia Saccà e Giuseppe Saccà, Dove Non Ho Mai Abitato e La Terra dell'Abbastanza
Marta Donzelli e Gregorio Paonessa, Nico. 1988 e Figlia Mia . Melhor Actor
Giuseppe Battiston, Dopo la Guerra e Finché c'è Prosecco c'è Speranza
Alessio Boni, La Ragazza nella Nebbia e Respiri
Marcello Fonte e Edoardo Pesce, Dogman
Valerio Mastandrea, The Place
Toni Servillo, Loro . Melhor Actor - Comédia
Antonio Albanese, Come un Gatto in Tangenziale
Carlo Buccirosso e Giampaolo Morelli, Ammore e Malavita
Sergio Castellitto, Il Tuttofare
Edoardo Leo, Smetto Quando Voglio e Io c'È
Marco Giallini, Io sono Tempesta
Massimo Popolizio, Sono Tornato
Carlo Verdone, Benedetta Follia . Melhor Actriz
Valeria Golino e Alba Rohrwacher, Figlia Mia
Lucia Mascino, Amori che non sanno stare al Mondo
Giovanna Mezzogiorno, Napoli Velata
Luisa Ranieri, Veleno e La Musica del Silenzio
Elena Sofia Ricci, Loro . Melhor Actriz - Comédia
Sonia Bergamasco, Come un Gatto in Tangenziale
Barbara Bouchet, Metti la Nonna in Freezer
Paola Cortellesi, Come un Gatto in Tangenziale
Claudia Gerini e Serena Rossi, Ammore e Malavita
Miriam Leone, Metti la Nonna in Freezer
Ilenia Pastorelli, Benedetta Follia
Sara Serraiocco, Brutti e Cattivi . Melhor Actor Secundário
Peppe Barra, Napoli Velata
Stefano Fresi, Smetto Quando Voglio: Ad Honorem e Nove Lune e Mezza
Vinicio Marchioni, Il Contagio e The Place
Riccardo Scamarcio, Loro
Thomas Trabacchi, Amori che non sanno stare al Mondo e Nico. 1988 . Melhor Actriz Secundária
Adriana Asti, Nome di Donna
Nicoletta Braschi, Finché c'è Prosecco c'è Speranza
Sabrina Ferilli, The Place
Anna Foglietta, Il Contagio e Il Premio
Kasia Smutniak, Loro . Melhor Argumento Original L'Esodo, Ciro Formisano L'Equilibrio, Vincenzo Marra Figlia Mia, Laura Bispuri e Francesca Manieri Io c'È, Alessandro Aronadio, Renato Sannio e Edoardo Leo Made in Italy, Luciano Ligabue L'Ordine delle Cose, Marco Pettenello e Andrea Segre Una Famiglia, Andrea Cedrola, Stefano Grasso e Sebastiano Riso . Melhor Argumento A Casa Tutti Bene, Gabriele Muccino, Paolo Costella e Sabrina Impacciatore Dogman, Ugo Chiti, Massimo Gaudioso e Matteo Garrone L' Intrusa, Leonardo Di Costanzo, Maurizio Braucci e Bruno Oliviero Loro, Paolo Sorrentino e Umberto Contarello Nico. 1988, Susanna Nicchiarelli . Melhor Montagem
Claudio Di Mauro, A Casa Tutti Bene
Walter Fasano, Call Me By Your Name-> já anunciado como vencedor
Giogiò Franchini, Made in Italy e Riccardo va all'Inferno
Marco Spoletini, Dogman-> já anunciado como vencedor
Cristiano Travaglio, Loro . Melhor Fotografia
Francesca Amitrano, Ammore e Malavita
Marco Bassano, Made in Italy
Luca Bigazzi, Loro e The Leisure Seeker
Gian Filippo Corticelli, Napoli Velata -> já anunciado como vencedor
Vladan Radovic, Figlia Mia e Smetto Quando Voglio: Ad Honorem . Melhor Música
Pasquale Catalano, Napoli Velata
Antonio Fresa e Luigi Scialdone, Gatta Cenerentola
Gatto Ciliegia Contro il Grande Freddo, Nico. 1988
Luciano Ligabue, Made in Italy
Lele Marchitelli, Loro
Nicola Piovani, A Casa Tutti Bene
Pivio De Scalzi e Aldo De Scalzi, Ammore e Malavita . Melhor Canção Original “Stories of Love That Cannot Belong to This World”, Amori che non sanno stare al Mondo “Arrivano i Prof”, Arrivano i Prof “Bang Bang”, Ammore e Malavita “Durango Blues”, Benedetta Follia “Fidati di Me”, Riccardo va all’Inferno “Ho Cambiato i Piani”, Nove Luna e Mezza “Proof”, Il Premio “Sconnessi”, Sconnessi “The Place”, The Place “Tiemp’e Poison - The Land of Fires”, Veleno . Melhor Som
Lavinia Burcheri, Ammore e Malavita
Stefano Campus, Figlia Mia
Fabio Conca, Napoli Velata
Adriano Di Lorenzo, Nico. 1988
Maricetta Lombardo, Dogman e L'Intrusa -> já anunciada como vencedora . Melhor Direcção Artística
Giorgio Barulo, Dove Non Ho Mai Abitato
Dimitri Capuani, Dogman-> já anunciado como vencedor
Emita Frigato, Lazzaro Felice
Ivana Gargiulo, Napoli Velata
Rita Rabassini, Il Ragazzo Invisibile: Seconda Generazione . Melhor Guarda-Roupa
Massimo Cantini Parrini, Dogman e La Terra dell'Abbastanza
Alessandro Lai, Napoli Velata
Carlo Poggioli, Loro
Daniela Salernitano, Ammore e Malavita
Nicoletta Taranta Agadah, A Ciambra-> já anunciada como vencedora .
Os vencedores serão conhecidos no próximo dia 30 de Junho numa cerimónia a realizar em Taormina, na Sicília.
A Associazione della Stampa Estera in Italia anunciou os nomeados aos seus prémios anuais, os Globo d'Oro bem como o troféu atribuído a toda uma carreira para Gianni Amelio, o Grande Prémio para L'Esodo, de Ciro Formisano e ainda uma Menção Especial para a curta-metragem Numeruomini, de Gianfranco Ferraro.
São os nomeados:
. Melhor Filme Brutti e Cattivi, de Cosimo Gomez Dove Non Ho Mai Abitato, de Paolo Franchi L'Intrusa, de Leonardo Di Costanzo L'Ordine delle Cose, de Andrea Segre Tutto quello che Vuoi, de Francesco Bruni . Melhor Primeira Obra Brutti e Cattivi, de Cosimo Gomez Il Cratere, de Luca Bellino e Silvia Luzi Cuori Puri, de Roberto De Paolis Finché c'è Prosecco c'è Speranza, de Antonio Padovan Maria per Roma, de Karen di Porto . Melhor Documentário Caravaggio: The Soul and the Blood, de Jesús Garcés Lambert La Fortuna degli Etruschi, de Marzia Marzolla e Matteo Bardelli Fuga per la Libertà, de Emanuela Gasbarroni Oltre il Confine. La Storia di Ettore Castiglioni, de Andrea Azzetti e Federico Massa La Porta Aperta, de Domenico Iannacone, Luca Cambi e Francesco Castellani . Melhor Comédia Ammore e Malavita, de Manetti Bros. Benedetta Follia, de Carlo Verdone Brutti e Cattivi, de Cosimo Gomez Come un Gatto in Tangenziale, de Riccardo Milani Sono Tornato, de Luca Miniero . Melhor Curta-Metragem Colapesce, de Vladimir di Prima Così in Terra, de Pier Lorenzo Pisano La Giornata, de Pippo Mezzapesa La Giraffa senza Gamba, de Fausto Romano Keep Calm, de Daniele Stocchi . Melhor Actor
Luca Marinelli, Una Questione Private
Giuliano Montaldo, Tutto quello che Vuoi
Massimo Popolizio, Sono Tornato
Claudio Santamaria, Brutti e Cattivi
Tony Servillo, La Ragazza nella Nebbia . Melhor Actriz
Cristiana Capotondi, Nome di Donna
Paola Cortellesi, Come un Gatto in Tangenziale
Valeria Golino, Emma
Lucia Mascino, Amori che non sanno stare al Mondo
Alba Rohrwacher, Figlia Mia . Melhor Argumento
Stephen Amidon, Francesca Archibugi, Francesco Piccolo e Paolo Virzì, The Leisure Seeker
Antonio Padovan, Fulvio Ervas e Marco Pettenello, Finché c'è Prosecco c'è SperanzaDonato Carrisi, La Ragazza nella Nebbia
Fabio Grassadonia e Antonio Piazza, Sicilian Ghost Story
Paolo Genovese e Isabella Aguilar, The Place . Melhor Fotografia
Luca Bigazzi, The Leisure Seeker
Massimo Moschin, Finché c'è Prosecco c'è Speranza
Stefano Falivene, I Figli della Notte
Fabrizio Lucci, The Place
Simone Zampagni, Una Questione Privata . Melhor Música
Pivio De Scalzi e Aldo De Scalzi, Ammore e Malavita
Pino Donaggio, Dove Mon Ho Mai Abitato
Battista Lena, Gli Sdraiati
Andrea De Sica, I Figli della Notte
Dario Marianelli, Nome di Donna
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Os vencedores serão conhecidos numa cerimónia a realizar no próximo dia 13 de Junho na Villa Medici, em Roma.
Terminou há instantes cerimónia da segunda edição dos Prémios Fugaz entregues às melhores curtas-metragens do último ano numa iniciativa CortoEspaña, que decorreu Cine Palacio de la Prensa, em Madrid.
São os vencedores:
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Curta-Metragem: Madre, de Rodrigo Sorogoyen
Documentário Curta-Metragem: La Pureza, de Pedro Vikingo
Curta-Metragem de Animação: Un Día en el Parque, de Diego Porral
Longa-Metragem: Muchos Hijos, Un Mono y un Castillo, de Gustavo Salmerón
Realização: Rodrigo Sorogoyen, Madre Realização Revelação: Joan Vives Lozano, El Escarabajo al Final de la Calle
Actor: Carlos Kaniowsky, Adivina
Actriz: Marta Nieto, Madre
Argumento: Madre, Rodrigo Sorogoyen
Direcção de Produção: Nuestro Viejo (Y el Mar), Gorka Zalacaín
Gatita de Mar de Luisma Lostal (Espanha) expõe, para o espectador, uma vontade de interligar as formas femininas de uma banhista com a ondulação da água numa praia revelando, dessa forma, uma ideia de sensualidade e sedução que (se espera) ambas partilham.
Se esta curta-metragem experimental dificilmente se enquadra naquilo que qualquer um de nós pode, à partida, considerar como um objecto cinematográfico em potência, a realidade é que o desenrolar exaustivo desta obra a única noção que rapidamente se apodera do espectador é que estamos perante um exercício sim... mas de exibicionismo versus voyeurismo. Até aqui tudo bem... quantas obras cinematográficas não existem que exploram, por vezes à exaustão, o imaginário de observar o fruto proibido, aquele que dificilmente ou tardiamente se alcança e que, como tal, desenvolve todo um momento de adulação, de adoração e até mesmo de cobiça? No entanto, será isso que aqui encontramos? De resposta breve... vagamente sim.
Gatita de Mar vive com a noção primária de que a mulher (aquela) existe para ser adorada. Que as suas formas existem para ser celebradas mas, mais que isso, não chega apenas um minuto para cobiçar todo a sua forma. Não, pelo contrário, aqui temos de perder diversos minutos com a mesma imagem e uma banda-sonora quase série B para compreender que o objecto de desejo - do realizador - está vivo e onde a água (fonte da vida) poderá ser o elemento exponencial de uma adoração que - compreendida ou não -, parece não ter limites e que as poses desta mulher... esqueceram também que o que é demais... enjoa.
Decadente, ao ponto de o considerar quase miserabilista ou redutor, o intuito deste filme ultrapassa a noção de obra cinematográfica chegando ao limite de o considerar um pequeno exercício de bajulação sentimental/sexual sentida pela figura que se filma e nunca se identifica... será a mulher como um todo... uma mulher em particular... qualquer mulher independentemente de quem ela seja na realidade? Pouco importa... o tempo foi pouco (para o realizador) e muito (para o espectador) para sequer tecer outras considerações sobre o muito (ou absolutamente nada) que esta curta-metragem poderá querer simbolizar...
Teaser de Luisma Lostal (Espanha) revela uma interessante originalidade quando se promove uma curta-metragem a partir de um projecto de teaser trailer - aliás, como o próprio título da mesma indica -, fazendo desta breve apreciação de um filme porvir o verdadeiro filme que se deve observar. Por outras palavras, na medida em que os teaser servem como porta de entrada para um qualquer filme por estrear, aqui o mesmo apresenta-se como o verdadeiro filme deixando o espectador num impasse - ou não - sobre a história que se poderá esconder por detrás das breves imagens que aqui são reveladas.
Um morador encontra o inesperado numa noite de tempestade. Ao entrar em casa é puxado por uma figura enigmática que depois percorre um hall de entrada de forma fantasmagórica. A partir desta premissa o espectador poderia esperar por um qualquer conto amaldiçoado onde os protagonistas - aquele que é revelado e o que vive nas sombras -, se assumem como misteriosas figuras de uma qualquer história que já teve o seu início e que aqui observa o ponto de impasse onde ocorrem todas as transformações mas, se por um lado esta história assume contornos de conto assombroso que poderia revelar toda uma outra imensa história, a realidade é que termina no exacto momento em que o interesse do espectador se apresenta. Assim, se não deixa de ser original a forma como se apresenta o teaser como o filme em potência, por outro lado este mais não é do que o filme propriamente dito deixando de parte todo o demais desenvolvimento que poderia surgir.
Original... num momento em que a originalidade não basta para apresentar um filme coerente... Quando se encontra uma boa premissa há que desenvolvê-la como se toda a arte cinematográfica dela dependesse... algo que aqui o espectador não encontra.
Simbiosis de Luisma Lostal (Espanha) é uma das mais intrigantes (pela negativa) experiências cinematográficas que tive nos últimos anos. Com o pretexto de observar (ter?) uma experiência sensorial, esta não tão breve quanto deveria curta-metragem baseia toda a sua dinâmica, única e exclusivamente, na observação de dois cavaleiros numa praia que cavalgam de um lado... para o outro.
Quer em câmara lenta ou numa dinâmica normal, com imagem mais ou menos desfocada, o espectador observa largos minutos desta divagação sem fim (ou nexo), na esperança de encontrar um qualquer tipo de luz ao fundo do túnel que, na realidade, nunca irá chegar. É no momento em que essa confirmação chega (durante o filme), que o mesmo se pergunta sobre a pertinência - académica ou não - de uma história sem história, de um fim sem argumento ou de uma acção sem motivação desta "conto" (atrevo-me a chamá-lo de... ainda que não o seja...), e do intuito de um realizador que parece perdido na experimentação e não na dinâmica de poder contar uma história que, de facto, o seja.
Se numa única palavra tivesse de descrever esta "experimentação" em formato de curta-metragem, ela seria apenas... vazio. O vazio.
La Revelación de Javier Serna Cacho (Espanha) que relata o encontro de Victor e Santi num descampado onde o primeiro se lamenta por não ter feito bem o exame e, como tal, não poder ir de férias de Verão onde poderia ver Marta, a sua paixão. No entanto, os dois jovens têm um plano que poderá mudar o destino das suas férias.
Tido como um tradicional conto sobre o despertar sentimental de dois jovens - um para o amor e o outro para aquilo que o mesmo representa -, esta simpática curta-metragem de Javier Serna Cacho celebra o poder da amizade, a força transformadora das primeiras paixões e também todo um género cinematográfico que explora as vontades reveladoras de uma geração em pleno crescimento e desenvolvimento emocional.
Com o ênfase principal centrado na dinâmica entre os dois jovens estudantes e nos seus dilemas estivais e sentimentais, La Revelación começa por celebrar a proximidade entre ambos e a forma como decidem resolver os problemas de um deles de forma a que o seu futuro imediato possa ser melhor passado. Da rapidez com que discutem os seus destinos à forma como se zangam e facilmente resolvem a sua discórdia, esta curta-metragem dá corpo à forte e vivida imaginação de duas crianças que em nome do amor tudo fazem e a tudo recorrem. Mas, como duas crianças solitárias não resolvem os problemas do mundo, é através da figura do professor que dão corpo aos seus anseios, engendrando todo um esquema de salvação daquilo que poderia ser um tórrido e desinteressante Verão. Do engenho que origina a escapatória à capacidade do adulto em deixar que uma criança sonhe um pouco mais além do que o seu imediato permite, La Revelación prima pela capacidade de saber contar uma história com recursos limitados onde, também a imaginação do espectador se deixa levar pelo poder de um bom conto. No entanto, é o "Verão" do espectador que pode encontrar aqui o seu suplício.
La Revelación tem um argumento sólido na medida em que o espectador (re)conhece a história ali contada e vibra com as memórias de uma infância já ida na qual também teve todos os seus enredos, historietas e momentos nem sempre divertidos que (pela memória) se transformaram em recordações saudadas e saudosas desse passado tido. No entanto, são os próprios parcos recursos com que esta curta-metragem foi feita que limitaram a sua expansão para uma melhor execução da mesma na medida em que se compreende pelo pouco treino dos jovens actores como pelos cortes abruptos de um segmento para o outro que aqui existe muito que poderia ser limado e melhor executado. Não denegrindo todo o sonho e fantasia com que esta curta-metragem foi elaborada e a magia que nela se tentou criar, a realidade é que no final se sentem as suas fragilidades como potencializadoras de um conto que poderia ter tido um resultado final melhor, mais profundo e mais memorável. Não obstante, La Revelación consegue ser um trabalho terno, emotivo e até mesmo capaz de fazer o seu público recordar alguns dos seus momentos de infância com um sentido sorriso no rosto.
Inexistencia de Juan Miguel Alonso Hoyos (Espanha) é uma curta-metragem feita ao estilo de cinema mudo. A sua história apresenta Laura, uma modelo que fez um pacto com o Diabo por uma oportunidade de fama e sucesso mas que teve de pagar o preço mais alto... o da sua vida.
Com claras inspirações no conto de Dorian Gray de Oscar Wilde, Inexistencia acaba por reflectir sobre aquilo que o seu próprio título indica... até que ponto existimos de facto e de que poderão a suposta fama e estrelato contribuírem para uma maior compreensão do lugar individual no mundo e na sociedade que nos rodeia. No fundo, o que estará cada um de nós disposto a fazer para que, de forma ilusória mas não perceptível, todo o mundo esteja centrado na nossa presença? Sem que cada um compreenda, essa dinamização do "eu" no mundo e dos "outros" como meros espectadores de uma peça de teatro que cada um de "nós" protagoniza, mais não é do que uma ilusão granjeada por uma entidade misteriosa aqui encarnada pela figura de um "Diabo" bíblico. É esse mesmo "Diabo" que manobra e manipula todas as acções que nos envolvem de forma a cairmos no seu jugo pessoal de captura de almas indefesas, conferindo apenas sonhos e ilusões que na realidade nunca se poderiam concretizar.
Tendo esta premissa em mente, é exactamente na imagem desse sonho que reside a salvação da alma... se a vida mais não é do que um sonho, como poderá esse "Diabo" comandar uma vida que, na realidade, não existe? Entregues ao seu próprio destino, as vítimas - aqui a modelo "Laura" - mais não são do que elementos cativos do seu próprio subconsciente e não de uma figura mística que poderá aproveitar-se dessa inocência. Assim, e como relata a própria linha narrativa desta história... se o "Diabo" não existe (ou pelo menos assim estamos convencidos), fácil e alegremente poderemos entrar na sua morada.
Com clara inspiração na já referida obra de Wilde e, como tal, já de certa forma conhecida do espectador mais atento, esta Inexistencia peca pelo recurso excessivo a uma réplica de cinema mudo que se tenta explicar em demasia com as recorrentes legendas cinematográficas como se o espectador não compreende-se a dinâmica da história sem ter um guia que a acompanhe. Inteligente pela forma como capta - para os dias de hoje - um conto eterno sobre a sede de poder, de uma juventude eterna e de uma ilusão do "eu no centro do universo", esta curta-metragem não consegue, no entanto, sobreviver para lá das óbvias comparações que o espectador tece com as inúmeras versões da mesma nem tão pouco como desnecessariamente tudo tenta explicar com uma legenda que enquadre a cena.
Inexistencia é, dessa forma, uma curta-metragem que poderia centrar-se no "menos é mais" dando crédito ao seu próprio título pois nem tudo necessita de uma prévia explicação, e não tanto nos pequenos detalhes como se esse elemento fosse credibilizar de forma mais positiva todo um trabalho previamente construído.
El Amor de Álvaro Oliva (Espanha) é um brevíssimo conto sobre o curso (ou ciclo) do amor onde, tal como uma laranja - analogia aqui utilizada -, este é visto como um todo, separado para perceber quando conteúdo (ou sumo) tem e, finalmente, espremido para compreender a sua consistência, o seu sabor e essencialmente se pode saciar uma necessidade afectiva ou sentimental no seu pleno.
Interessante e inteligente pela analogia criada e pela forma como de uma laranja - ácida ou doce nunca saberemos - se transforma toda uma directa relação com o amor ou, pelo menos, com aquilo que dele se espera mas, ao mesmo tempo, a curta-metragem de Álvaro Oliva parece um anúncio publicitário sobre um qualquer produto que se irá comercializar mas do qual nunca se revela a marca. Intencionalmente inocente? Propositadamente pseudo-intelectual? El Amor é uma curta-metragem para lá da analogia coerente que reside apenas num imaginário de publicidade que nunca chegou a ser e, como tal, um igualmente filme curto que deixa o espectador com a dúvida sobre as reais intenções do realizador - ou pelo menos da sua substância e consistência - e que poderia ter explorado a mesma um pouco mais além.
O Shortcutz Viseu celebra finalmente a sua centésima sessão. Por entre curtas em competição e convidados especiais - tendo o CinEuphoria sido um deles - desde 2013, chegou finalmente a altura de celebrar o evento com um conjunto de curtas-metragens que já passaram pelo festival assim como uma estreia por um conjunto dos mais emblemáticos realizadores do panorama nacional.
Assim, a Sessão #100 contará com a exibição de Blue Floozy, de Yuri Alves (presente através de um vídeo de apresentação da sua obra) e ainda A Instalação do Medo, de Ricardo Leite, Coro dos Amantes, de Tiago Guedes e M, de Joana Bartolomeu. Para lá do vídeo de apresentação de Yuri Alves, a sessão contará com a presença dos realizadores Ricardo Leite e Joana Bartolomeu e ainda do responsável pela edição e montagem de Coro dos Amantes, o também realizador Jerónimo Ribeiro Rocha.
A Sessão #100 terá lugar a partir das 22 horas do próximo dia 25 de Maio, na Quinta da Cruz, em Viseu naquela que se será a primeira de muitas a realizar neste local nos próximos meses.
Terminou hoje a 71ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes cujo júri foi presidido pela actriz australiana Cate Blanchett.
Foram os vencedores da Selecção Oficial:
. Palma de Ouro:Manbiki Kazoku, de Kore-eda Hirokazu Grande Prémio:BlacKKKlansman, de Spike Lee Prémio do Júri:Capharnaüm, de Nadine Labaki Palma de Ouro Especial:Le Livre d'Image, de Jean-Luc Godard Realização: Pawel Pawlikowski, Zimna Wojna Interpretação Masculina: Marcello Donte, Dogman Interpretação Feminina: Samal Yeslyamova, Ayka Argumento: Alice Rohrwacher, Lazzaro Felice e Nader Saeivar, Se Rokh Caméra d'Or:Girl, de Lukas Dhont Palma de Ouro - Curta-Metragem:All These Creatures, de Charles Williams Menção Honrosa:Yan Bian Shao Nian, de Wei Shujun .
Inside the Van with The Bongo Club de Alex Esteve (Espanha) é um documentário em formato de curta-metragem que revela a tour da banda musical sueca The Bongo Club pela Andaluzia depois de mais de duzentos concertos pela Europa e a sua luta para encontrarem o seu lugar no universo musical mesmo que, na opinião de muitos, não sejam os melhores do género.
Composta por seis membros, o grupo sueco The Bongo Club é aqui essencialmente descrito pelas palavras do vocalista Jesper e pelo guitarrista Erik como mentores do projecto ao qual dedicam toda a sua vida. Para Jesper aliás, a banda e a música são caracterizados pelo próprio como a sua razão de viver e como o projecto de toda uma vida à qual dedicada não só todo o seu tempo livre como trabalha para que este sonho seja mantido com uma vida longa e para o qual efectua diversos sacrifícios.
O projecto que se iniciara como uma banda de escola, prolongou-se pelos tempos e agora é algo que se expandiu para lá da sua fronteira natal percorrendo, um pouco por todo o continente, pelas salas, bares e associações onde dão a conhecer não só o projecto e a música que criam.
Sempre na companhia de uma velha Volkswagen "pão-de-forma", que acaba por se transformar em mais um dos "membros" do grupo, na qual percorrem quilómetros de estrada por todo o continente, a história de Inside the Van with The Bongo Club acaba por se transformar num tradicional - mas próximo - documentário do género que une o sonho de duas artes que se cruzam... o cinema e a música deixando para o espectador a capacidade e privilégio de decifrar pequenas mensagens e momentos nomeadamente aquelas que se relacionam com a dedicação de um conjunto de pessoas para com o sonho de uma vida e algo que, no fundo, os define enquanto criadores, artistas e pessoas capazes de viver por, e para, aquilo que amam.
Simples e dinâmico, Inside the Van with The Bongo Club é um daqueles brevíssimos documentários que o espectador compreender ter deixado tudo bem explicado e compreensível mas do qual não se importaria de continuar muitas mais horas a apreciar a vivência dessa experiência e desse sonho.
La Píldora más Deseada de Magda Calabrese (Espanha) é um documentário em formato de longa-metragem que aborda a questão da doença celíaca e da busca de um medicamento que possa prevenir e tratar das doenças gastro-intestinais provocadas pelo consumo de glúten por parte dos que sofrem de alergias ao mesmo.
De forma claramente contra-pruducente enquanto obra cinematográfica, La Píldora más Deseada regista, enquanto um documentário de mais de noventa minutos, aproximadamente metade do seu tempo numa explicação francamente exaustiva que leva o espectador a dispersar no seu interesse para com esta temática que acaba apenas por interessar enquanto material de consulta para com aqueles que se debatem com este tipo de situação, ou seja, é essencialmente uma obra/folheto informativo.
Depois de minutos e minutos utilizados na explicação do que é realmente a doença celíaca, dos seus efeitos como reacção alérgica que provoca dores e problemas gastro-intestinais e demais alterações no sistema digestivo, esta indesejada alteração ao glúten provoca naqueles que dela sofrem, toda uma modificação nos seus hábitos comportamentais e alimentares que define todo um novo sistema de vida familiar, profissional e até mesmo social.
Se todas estas modificações comportamentais são dignas de registo enquanto objecto de atenção para uma alteração da vida de cada um são, no entanto, as consequências mais graves desta doença que acabam por ser relegadas para um segundo plano meramente exemplificativo que pecam pela sua falta de informação. De consequências "menos" graves como a perda de peso às mais problemáticas como a queda de cabelo, a depressão e até mesmo os abortos espontâneos, este longo documentário nem sempre consegue chegar ao espectador da melhor forma perdendo-se numa exaustiva descrição de efeitos utilizada exclusivamente como uma forma de informar - apenas os interessados - esquecendo o elemento mais importante (para mim) de uma obra do género... o factor humano... tão plasticamente utilizado para retratar os factos e não inserir o espectador na vivência diária daqueles que padecem desta doença.
Importante enquanto objecto de estudo para os menos informados, La Píldora más Deseada cumpre essa função informativa mas não consegue chegar à humanização da questão e, como tal, não conseguindo levar o espectador a identificar-se ou sentir-se "por dentro" do mesmo ou dos problemas daqueles que por ele passam.