sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Indispensável Treino da Vagueza (2014)

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O Indispensável Treino da Vagueza de Filipa Reis e João Miller Guerra é um documentário em formato de média-metragem cujo conteúdo é desenvolvido através de imagens de arquivo da Ar.Co - Centro de Arte e Comunicação Visual assim como de pequenas conversas caseiras tidas entre a dupla de realizadores.
Se inicialmente O Indispensável Treino da Vagueza nos apresenta um conjunto de noções e categorias de espaço básicas que se opõem entre si como, por exemplo, fora e dentro ou interior e exterior cedo o documentário leva o espectador à observação de imagens de arquivo sobre as mais diversas manifestações artísticas que têm passado pelo referido centro.
Ao mesmo tempo escutamos alguns excertos de gravações de aulas de Manuel Castro Caldas que devidamente enquadradas na execução deste documentário explicitam muita da vontade criativa inerente a cada artista nomeadamente se escutarmos os desabafos íntimos da dupla que procuram uma certa validação da sua arte. Validação essa que como Miller Guerra a certa altura diz, reside no simples e único facto de querer ou sentir vontade de continuar a criar independentemente de se alguém de seguida quer apreciar aquilo que criou.
A Vagueza - como é a certa altura definida - é um tipo particular de trabalho e esforço ou a própria modalidade do ser, ou seja, analisando à luz do título, estamos perante uma constante necessidade de adaptação e criação (ou criatividade) que apenas se valida pela constante movimentação do ser. Aquele "bichinho" ou a tal "voz" que cada artista sente em criar e elaborar a sua próxima obra sem pensar no facto de se irá ser - ou não - lucrativa ou aceite aos olhos dos demais. No fundo, um trabalho artístico será, segundo Castro Caldas, o "fazer chegar algo novo através de coisas que não são necessariamente novas", ou seja, a sua constante mutação e reutilização e, como tal, adaptação às necessidades do momento.
Habituado que estou enquanto espectador a assistir a obras com um cariz mais social - e também documental - da dupla de realizadores como Orquestra Geração (2011), Nada Fazi (2011) ou Bela Vista (2012), confesso que O Indispensável Treino da Vagueza que estreara em Outubro último no DocLisboa não preencheu as minhas medidas. Percebo em certa medida este documentário como um eventual ponto de reflexão - seja ele ou não - sobre as suas "carreiras" (palavra utilizada não num sentido formal) de um artista mas que, para além disso, tem um sentido prática enquanto cinema muito vago e pouco presente.
É um facto que o artista cria conforme aquilo que se sente utilizando a sua obra enquanto veículo de comunicação sobre a sua percepção da sociedade mas, ao mesmo tempo, para o espectador que espera encontrar aquela peça de onde irá retirar o seu próprio elemento identificativo irá aqui encontrar-se igualmente perdido e sem um certo rumo. Academicamente poderá ser uma interessante obra de homenagem à Ar.Co mas enquanto objecto cinematográfico... não será sedutor ou apelativo ou tão pouco aquilo que o espectador está acostumado a ver por parte desta dupla de realizadores que já nos deu muito mais.
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4 / 10
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