sábado, 8 de janeiro de 2011

Dead Silence (2007)

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Silêncio Mortal de James Wan é um daqueles filmes de terror que consegue, por diversas ocasiões, mete realmente algum medo.
Normalmente, há sempre excepções à regra é certo, há filmes que por uma ou outra componente conseguem assustar-nos. Filmes de terror que envolvam bonecos/marionetas ou então palhaços são disso prova. Para não ser exagerado, em 98% dos casos se um filme de terror tiver um dos anteriores elementos é quase garantido que vai ser uma experiência perturbadora.
Nesta história temos Jamie (Ryan Kwanten) que regressa à sua cidade natal para descobrir o que está por detrás do assassinato da sua mulher que poderá ter a ver com a própria lenda da cidade relacionada com a morte de uma ventríluqua que enlouqueceu algumas décadas antes.
Dito isto, é certo e sabido que vamos ter a deambular por este filme um conjunto de bonecos com umas caras pouco amistosas, muito ao estilo daquele horripilante que cruza a saga Saw, que nos deixam, no mínimo, agarrados ao sofá com receio do que vai sair daquelas caras tão pouco... "católicas".
Sem revelar o que acontece, pois se o fizesse tirava imediatamente grande parte do interesse e do suspense do filme, mas aquilo que posso adiantar é que tanto a história como o ambiente e atmosfera gerados pela mesma e pela credibilidade dos actores que o representam cria aquilo que muitas vezes falta a estes filmes... o terror.
Tanto o trabalho de fotografia da autoria de John R. Leonetti como a música ambiente (pesado) de Charlie Clouser criam toda uma atmosfera que apenas adensa e nos assusta do início ao final.
Escusado será portanto dizer que, ter um filme pesado do início até ao final e que ainda por cima nos cria uma atmosfera de terror com a presença de marionetas (sim... acabamos por perceber que são mais do que uma...) deixam-nos literalmente em transe durante todo o filme.
E como todo o filme de terror que regra geral não acaba em "bem", este... bom... este também não é excepção e entrega-nos um dos finais mais surpreendentes dos últimos tempos neste género cinematográfico. Perfeitamente alucinante e para com o qual não deixamos de ter o nosso momento de êxtase quando percebemos que afinal... não, não digo... fica para verem...
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7 / 10
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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Varsity Blues (1999)

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Balada dos Campeões de Brian Robbins transporta-nos para uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos e para a vida de um conjunto de estudantes que faz do futebol americano a sua vida diária e a sua possibilidade de um futuro melhor não só para si próprios como para a comunidade que representam.
Bud Kilmer (Jon Voigt) o treinador desta equipa quer mais uma vitória custe o que custar e quando Lance Harbor (Paul Walker) a estrela da equipa se lesiona num dos jogos, a liderança da equipa é atribuída a Moxon (James Van Der Beek), um jogador mais rebelde que Kilmer não encara com bons olhos.
Através deste filme assistimos quer dos olhos da comunidade, dos próprios jogadores assim como das suas famílias, a sonhos desfeitos e outros tantos por realizar que preenchem as vidas de uma pequena comunidade norte-americana.
Comunidade esta que, para além do próprio futebol, pouco mais vê ou pensa alcançar. Uma comunidade que assiste à sua sobrevivência apenas com as pequenas vitórias desportivas que vai alcançando. E é essa mesma comunidade que tenta alcançar novos caminhos através do desporto mas que bloqueia qualquer um que queira alcançar os seus sonhos através de outras vias.
Se por um lado nos dá um retrato de uma sociedade aberta ao futuro, ao mesmo tempo mostra que essa abertura só pode ser alcançada através de um único caminho e que ninguém o poderá sequer questionar.
Com um James Van Der Beek acabado de sair do seu sucesso televisivo, seguro mas ainda "verde" e um Jon Voigt seguro no papel de vilão de serviço ao servir de tirano e intolerante perante os seus jovens atletas, o elenco do filme compõe-se com tantos outros nomes como Amy Smart, Scott Caan ou Ali Larter em pequenos mas consistentes papéis secundários.
Temos aqui então o típico filme norte-americano assente nos ideais do desporto, que reflete sobre o facto de como um trabalho feito em equipa contribui para a vitória individual de cada um. Bom enquanto entretenimento mas não será um filme que fique para a memória.
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7 / 10
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Riparo (2007)

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Abrigo de Marco Simon Puccioni realizou este filme em que conta com Maria de Medeiros num dos principais papéis e secundado por Antonia Liskova (nomeada ao Donatello de Melhor Actriz) e por Mounir Ouadi.
Este filme conta-nos a história de Anna (Medeiros) e da sua companheira Mara (Liskova) que no regresso de uma viagem à Tunísia trazem, sem saber, Anis (Ouadi) um imigrante ilegal que quer recomeçar a sua vida na Europa.
Aquilo que de início começa como sendo uma relação de amizade onde Anna tenta ajudar Anis a encontrar um emprego e a legalização no país, rapidamente se torna numa situação em que Anis se insinua e seduz Mara lançando assim a desordem entre o casal e na sua própria vida.
O pressuposto do filme criado pelas mãos do próprio realizador em parceria com Monica Rametta e Heidrun Scheleef é interessante, e antevia ser um filme que poderia não só reflectir sobre o fenómeno da imigração ilegal e como esta está cada vez mais presente nas sociedades Europeias bem como poderia ser uma reflexão sobre as relações modernas e como estas se trnasformam sucessivamente.
No entanto, e como diz o ditado, de boas intenções está o Inferno cheio pois este filme acaba por falhar praticamente em todas as frentes. Medeiros, bem como Liskova, que venceram inúmeros prémios de Actriz com este filme, nomeadamente em Lecce e pelo Sindicato de Jornalistas Italianos, têm interpretações que podem ser ditas, no mínino, como sendo medianas. Não se retira grande "sumo" dos seus trabalhos que são, no essencial, muito pobres e quase ao ritmo do mesmo bar onde Mara dança com Anis... decadente.
Dito isto, e à excepção de algum interesse em vermos como funciona a imigração ilegal para a Europa, de uma forma pouco desenvolvida mas que ainda assim resulta como ilustração da situação, o filme não nos consegue impressionar de uma forma significativa.
Tudo acaba por ser um lugar comum e nada de relevante surge daqui. Nem mesmo a relação entre Anna e Mara que também poderia ter sido aproveitada de uma forma mais positiva.
No entanto, para os curiosos e apreciadores do trabalho da actriz portuguesa, este é mais um dos seus trabalhos que pode e deverá ser visto com alguma atenção.
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5 / 10
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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Cowboys & Angels (2003)

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Vaqueiros & Anjos de David Gleeson é uma pequena comédia que nos conta a história de Shane (Michael Legge), um funcionário público que insatisfeito com a sua vida refugia-se no apoio do seu novo companheiro de apartamento Vincent (Allen Leech), um estudante de moda que transforma a sua vida social.
Aquilo que à partida parecia ser uma amizade impossível entre um mais conservador Shane e um Vincent mais libertino e com experiências de vida diferentes acaba por, com o tempo, dar frutos como uma sólida e sincera amizade.
Pelo meio de uma história que passa pelos pré-conceitos que todos nós criamos a respeito dos outros, pela secualidade, pela droga e pela aventura e mudança de comportamento, aquilo que temos essencialmente neste filme é a capacidade que todos temos de, quando queremos, formar sinceras amizades com base no respeito mútuo.
Não será um filme dito "maior" nem sequer para se levar muito a sério com aquelas histórias profundamente dramáticas ou de momentos de comédia reflexiva. É apenas e só um simples filme que consegue cumprir aquilo a que se propõe... distrair o espectador. Aí é eficaz a 100%.
Os desempenhos dos actores principais bem como de David Murray são bem conseguidos e dão um retrato de uma juventude típica dos nossos dias onde os diversos opostos conseguem quase sempre encontrar pontos de concordância comuns.
Divertido, bem-disposto e muito "light", reune o essencial para ser um interessante filme do género que nos consegue distrair. Cowboys pela sua irreverência... Anjos pelo facto de no meio de tantas aventuras e esquemas não serem mais do que duas almas simples que tentam apenas (sobre)viver e conquistar sonhos.
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7 / 10
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Green Street Hooligans (2005)

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Rebeldes do Bairro de Lexi Alexander é uma interessante história sobre a importância da nobreza e do orgulho que cada um sente em si próprio.
Matt (Elijah Wood) é um estudante de Harvard injustamente acusado e expulso após ter sido encontrada droga no seu quarto que pertencia ao seu colega filho de um importante homem de negócios.
Desiludido com tudo e com vontade de fugir, Matt dirige-se para Londres onde vive a sua irmã Shannon (Claire Forlani) para poder passar por lá algum tempo.
É em Londres que Matt conhece Pete (Charlie Hunnam), cunhado de Shannon e um respeitado hooligan, com quem inicialmente tem uma relação mais tensa e desinteressada mas que pela força das circunstâncias em que se vão vendo envolvidos se tornam amigos e entre quem se desenvolve uma relação de respeito mútuo.
E é esta a principal mensagem do filme. O respeito aliado à necessidade urgente de, em sociedade, haver orgulho próprio e de como tanto um como outro são indispensáveis entre si para a sobrevivência nas diversas "selvas urbanas".
Gostei deste filme por não ser mais uma entre tantas histórias em que parece que apenas impera a violência sem qualquer tipo de justificação. Não é a violência gratuita aquela a que assistimos aqui mas sim a violência como uma forma de sobreviver aos diversos desafios que aparecem. Quase ao estilo de morrer ou ser morto aqui o recurso ao uso da força mais não é do que uma forma de afirmação e de sobrevivência face aos diversos grupos de hooligans que vão surgindo não só nos jogos de futebol como também os que aparecem durante a vida dita "social" que têm fora dos campos.
Não é então o uso da força apenas pela força mas sim o seu recurso como forma de (sobre)viver com dignidade face a todos aqueles com quem convivem diariamente, e especialmente com a cabeça erguida por se terem afirmado como individuos defendendo sempre a sua imagem e a sua posição.
Por vezes violento por vezes dramático este filme, que quase passou despercebido por Portugal, é um interessante relato repleto de acção sobre a necessidade de defendermos posições pessoais e principalmente o bom nome que carregamos.
As interpretações maioritariamente secundárias são boas e bem conseguidas. As protagonistas a cargo de Elijah Wood e de Charlie Hunnan são francamente arrebatadoras.
Hunnan, que era para mim praticamente um desconhecido, tem aqui a interpretação forte. É ele que é basicamente a alma do filme. A sua postura ao substituir o seu irmão como líder do "clã" e se tornar num tipo duro capaz de enfrentar tudo e todos é de longe o motor que faz avançar o filme.
Quanto a Elijah Wood tem neste filme uma sólida e forte interpretação de um indivíduo que é inicialmente incapaz de se defender ou de proteger a sua imagem e bom nome mas que, com o tempo e convivência com alguém habituado a fazê-lo, consegue também ele saber impôr-se perante as adversidades. Wood começa então a dar sinais de poder fazer algo que o transporte além da saga Senhor dos Anéis, e continuar com a sua sólida carreira enquanto um jovem e bom actor.
Filme digno de registo e de ser visto e que aposto não irá deixar nenhum dos espectadores indiferente à sua qualidade.
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"Steve Dunham: There comes a time when the best reputation you can have is with your family."
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8 / 10
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segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Manuale d'Amore (2005)

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Manual de Amor de Giovanni Veronesi foi o maior sucesso de bilheteira do seu ano em Itália e filme que saiu vencedor dos Donatello para Actores Secundários, mais concrectamente para Carlo Verdone e Margherita Buy, do total de doze nomeações que alcançou.
Este filme cruza várias histórias. Todas elas relacionadas com o amor. Se calhar seria até melhor dizer que todas elas começam exactamente com a sua falta. A falta de amor e a vontade que cada um tem em o alcançar e perseguir.
Seguimos então a história de Tommaso (Silvio Muccino que também foi nomeado ao Donatello de Actor Secundário) que num dia azarado conhece Giulia (Jasmine Trinca) por quem desenvolve, de imediato, uma grande paixão. No entanto Giulia não está disposta a ceder...
Desta história passamos à de Marco (Sergio Rubini) e de Barbara (Margherita Buy) um casal quarentão em plena crise matrimonial que está à beira da ruptura. Esta história liga-nos ainda à de Ornella (Luciana Littizzetto), uma mulher polícia traído pelo seu marido e que desenvolve a partir daí uma cruzada contra todos os homens que considera traidores.
Um destes homens é Goffredo (Carlo Verdone), com quem um dia se envolve num pequeno problema ao passar-lhe uma multa e a dirigirem-se a uma sessão judicial. Aqui seguimos então a história deste homem abandonado pela sua mulher e que procura incansavelmente alguém que a substitua pois não consegue, e se calhar nem sabe, viver sózinho.
Este não será, nem de perto, o melhor filme filme da Península Transalpina, no entanto não deixa de ser um curioso olhar sobre as relações. Relações estas referidas no filme como sendo "tipicamente" italianas mas que muitos de nós conhecerão certamente exemplos semelhantes.
Típica "dramédia" em que tanto elementos de comédia como de drama se misturam e em que nos mostram um olhar por vezes recompensador e por outras solitário da condição humana. Um olhar sobre as pessoas que vivem por dar e receber afecto e como este pode ser tão enriquecedor como destrutivo.
Temos neste filme algumas interpretações muito bem conseguidas, e a de Carlo Verdone será sem dúvida a que reune mais elementos tanto de comédia como de drama. Drama por nos mostrar a real solidão de alguém que procura desesperadamente enquadrar-se numa relação, e de comédia por nos fazer ver que com tanta procura só acaba por se meter em situações desastrosas que mais depressa humilhariam do que necessariamente preencheriam o seu coração.
Este filme tem já duas sequelas. A primeira já estreada e a segunda por estrear agora em 2011. Ambas com alguns dos actores do primeiro capítulo, e com algumas presenças novas onde se destacam Monica Bellucci, Riccardo Scamarcio e Robert De Niro.
Ficamos então a aguardar por mais desenvolvimentos sobre as relações amorosas, sentimentais e sexuais deste conjunto de italianos que tanto nos consegue fazer rir com os cómicos de situação que criam, como emocionar com alguns relatos solitários que conseguem criar e mostrar que todos são, acima de tudo, muito humanos.
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7 / 10
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domingo, 2 de janeiro de 2011

Pete Postlethwaite

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1946 - 2011
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João e o Cão (2008)

João e o Cão (2008) de André Marques é mais uma das pequenas grandes preciosidades da cinematografia portuguesa ao apresentar-nos uma excelente história que nos conta que aquilo que aparentemente é uma realidade aos olhos de uns pode, muitas vezes, conter uma história escondida.
Aqui conhecemos João (Chandra Malatitch, vencedor de uma menção especial no Festival de Cinema de Huesca) que percebemos ser um rapaz algo solitário e violento. Se inicialmente não percebemos os porquês, estes rapidamente desaparecem quando conhecemos o seu meio familiar e o seu pai (João Saboga), um violento alcoolatra abandonado pela mulher que descarrega as suas frustrações quer em cima do seu cão como do seu filho.
O cão um dia desaparece... e João olha o céu e percebemos que a sua vontade de liberdade é crescente e possivelmente teve o seu início naquele mesmo momento.
André Marques, que escreveu o argumento, realizou e editou esta curta está, para mim, de parabéns pois entrega-nos uma história muito bem escrita, dirigida e interpretada que mostra que o cinema português está vivo e bem vivo e que apenas espera que apareça quem conte boas histórias.
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8 / 10
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sábado, 1 de janeiro de 2011

Wallace and Gromit in 'A Matter of Loaf and Death' (2008)

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Wallace & Gromit: Um Caso do Cacete de Nick Park é uma curta, mas muito intensa, metragem britânica que uma vez mais se centra nas aventuras de Wallace e do seu inteligentíssimo cão Gromit.
Aqui Wallace e Gromit são dois padeiros numa cidade onde os mesmos andam a ser mortos a um ritmo acelerado por um assassino difícil de apanhar.
Wallace, atadinho como sempre, numa distribuíção de pão encontra Piella, um antiga actriz de um pão sem calorias, por quem sente uma enorme paixoneta, até ao dia em que ela revela ser mais do que aquilo que inicialmente aparenta.
Pelo meio das inúmeras aventuras a que tanto Wallace como Gromit estão sujeitos, tudo acaba em bem e com o duo protagonista prontos para outra.
Como sempre esta saga de filmes, curtas e longas metragens, dão do melhor que há no cinema de animação como no cinema de comédia. Esta dupla sai sempre, mas sempre, vencedora em tudo o que é puro e bom cinema aliados entre si.
É muito bonito falar de um filme que é bom, mas melhor é ainda destacar o grande, intenso e delirante segmento em que Wallace foge de uma Piella enraivecida que em tudo, mas tudo mesmo, nos leva a recordar o segmento final do Aliens em que a raínha-mãe dos ditos alienigenas persegue uma inofensiva Newt. E se restavam dúvidas das semelhanças, elas eram dissipadas quando chega uma Fluffles (a cadela de Piella) montada num equipamento tal e qual uma Ripley determinada a destruir o monstro agressor. Puro delírio de entretenimento e da mais pura comédia. Sem dúvida a não perder!!!
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8 / 10
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

CinEuphoria Prémios 2011: os filmes seleccionados

Chegado ao último dia do ano aqui deixo a listagem dos filmes que serão alvo dos votos do público e também da escolha oficial do Blog CinEuphoria.
Até ao final do dia todos os votos ainda serão considerados por isso para quem ainda não votou... Aqui ficam então os filmes seleccionados e umas óptimas entradas em 2011.
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(500) Days of Summer
Alice in Wonderland
An American Girl: Chrissa Stands Strong
An Education
Antichrist
Away We Go
The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans
A Bela e o Paparazzo
The Blind Side
The Book of Eli
Bright Star
Brothers
Celda 211
Cinerama
Clash of the Titans
Como Desenhar um Círculo Perfeito
The Crazies
Crazy Heart
Dear John
O Dez
Dorian Gray
Edge of Darkness
Estômago
Filme do Desassossego
Fish Tank
From Paris With Love
The Ghost Writer
Green Zone
Greenberg
Les Herbes Folles
Human Zoo
Humpday
I Love You Phillip Morris
The Imaginarium of Doctor Parnassus
Inception
Invictus
It's Complicated
John Rabe
The Kids Are All Right
The Last Song
Lebanon
Legion
The Lion Cub from Harrods
Looking for Eric
The Lovely Bones
The Messenger
Mine Vaganti
Mistérios de Lisboa
Momentos
Nine
A Noite do Fim do Mundo
Peacock
Percy Jackson & the Olympus: The Lightning Thief
Precious: Based on the Novel Push by Sapphire
Predators
Prince of Persia: The Sands of Time
The Private Lives of Pippa Lee
[REC] 2
Remember Me
República
The Road
Robin Hood
Salt
Sanguepazzo
El Secreto de Sus Ojos
O Segredo de Miguel Zuzarte
A Single Man
Shutter Island
Solomon Kane
The Sorcerer's Apprentice
Um Funeral à Chuva
Un Pophète
Up in the Air
Vicky and Sam
Vincere
Das Weisse Band
Where the Wild Things Are
The Wolfman
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Dorian Gray (2009)


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Dorian Gray de Oliver Parker é uma longa-metragem britânica cujo argumento de Toby Finlay tem como base a obra de Oscar Wilde e que aqui tem como protagonistas Ben Barnes e Colin Firth.
Dorian Gray (Barnes) chega à Londres vitoriana sedento de conhecer um mundo novo. Depois de convencido por Basil (Ben Chaplin) a posar para um retrato que a todos seduz, Dorian fica enfeitiçado pela beleza nele reflectida e numa conversa informal com  Lord Henry (Firth), afirma não se importar de estabelecer um pacto com o diabo para manter dessa forma a sua eterna juventude.
Mas o quadro desaparece - pelas suas mãos - e Dorian parece nunca envelhecer em contraste com todos os seus amigos londrinos pelos quais o tempo e as vivências passaram. É quando se apaixona por Lady Emily (Rebecca Hall), filha de Henry, que todas as verdades serão, finalmente, descobertas.
Tal como já muito discutido sobre a obra original, também esta longa-metragem levanta uma - apenas uma - grande questão; até que ponto está o Homem disposto a ir para alcançar a eterna juventude? Num meio consumido pela mudança, por uma vã ideia de modernidade e pelo claro choque entre urbano e rural tudo é, para este jovem "Dorian", uma novidade que não espera por ser descoberta. Tudo precisa - necessita - ser experimentado e vivido como se não existisse uma outra oportunidade; desde as drogas ao sexo, de uma ilusória experiência sobre o "viver depressa" sem, pelo meio, esquecer a paixão... a paixão ardente e sem complexos.
É neste ambiente que o nosso protagonista se vê lançado e no qual tenta sobreviver da melhor forma que pode... misturando-se nos demais e deixando-se levar pelas hipóteses que a experiência lhe proporciona. E é desta forma que o ideal de um fascínio pela beleza, pelo jovem e pelo eterno que "Dorian" encara como a sua missão se tornam na sua própria cela a céu aberto. Colhido por uma ambição desmesurada e por um sentido de "eterno" que só ele possui, os anos passam - mas não por ele - e sim na figura retratada de um quadro que se torna o símbolo do seu pacto com um diabo nunca visto. "Dorian" protege-o e vive para ele. Todos os que se colocam no seu caminho são peças dispensáveis de uma vida com a qual ele não se assume. A beleza pode ser eterna... e desta forma também o seu poder com os demais que o estranham mas que vivem fascinados com aquilo que os seus olhos presenciam esquecendo aquilo que, no fundo, nenhum deles parece (já) ter... uma alma.
É nesta ilusão que todos vivem... o que é eterno?! E vivem-na com uma duplicidade de considerações que se esfumaçam com o tempo. Se inicialmente todos parecem vibrar e sentir a juventude e frescura de um jovem não habituado a uma vida de opulência e de riqueza, gabando-lhe a mesma como se da dos próprios se tratasse, é também um facto que com o passar dos anos as amizades desvanecem - muito pela própria indiferença manifestada por "Dorian" - e, mais tarde, por todos repudiada como algo não natural. Desconfiados ou desinteressados, a sua presença começa a ser um incómodo com o qual têm de lidar ou distanciar para retomar a (sua) normalidade de uma sociedade que lentamente se tornava mais conservadora e moralista.
Da juventude ao ritmo dos bon-vivants, da opulência a uma degeneração que se lhes chega de forma proporcional sobre e na sua alma, Dorian Gray espelha - então tal como hoje - o reflexo de uma sociedade que se diz moderna mas que (se) defende com garras dos elementos que são, por si só, diferentes.
Com um sentido apurado de crítica social e comunitária, Dorian Gray pode ser esse tal espelho das sociedades tal como elas são transversalmente ao longo dos anos e das diferentes épocas. Existe sempre o culto de uma beleza ideal que será, mais tarde, desprezada pelos mesmos que a adoraram, invejada por aqueles que não a alcançam e vilanizada por aqueles que se sentem - pelos seus "portadores" - ridicularizados. A beleza seduz, até certo ponto, e transforma pelo seu excesso e exibição aqueles que a rodeiam das mais diversas formas. No entanto, e mesmo com esta dicotomia da diferença versus homogeneidade social, Dorian Gray - o filme - está longe de conseguir ser o tal filme referência no género mantendo-se em boa parte como um relato visualmente rico de uma sociedade vitoriana - magnífico guarda-roupa, caracterização e direcção artística - mas pobre na execução da mensagem bem como nos seus emissários (os actores) que por muito que tentem parecem, também eles, limitados no seu espaço e no seu tempo limitando-se a meras caricaturas do mesmo ou uma figuração especial que ali se resolveu fixar.
Pouco fluído e menos ainda concretizado, este Dorian Gray parece ser apenas um oportuno veículo de lançamento mediático para Ben Barnes então saído de The Chronicles of Narnia: Prince Caspian (2008), de Andrew Adamson e Stardust (2007), de Matthew Vaughn, esquecendo todos os demais actores britânicos que "pisam o palco" eventualmente com personagens igualmente ricas que poderiam ter sido melhor dinamizadas para este filme, não esquecendo os efeitos especiais relativamente ao "Dorian" retratado que estão longe de ser credíveis ou medonhos como seria de esperar dado que será (seria!) este o reflexo do seu envelhecimento não tão gracioso.
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4 / 10
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A Single Man (2009)

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Um Homem Singular de Tom Ford foi uma das revelações da temporada passada de prémios e um dos filmes revelação do ano na medida em que o seu realizador vem, nada mais nada menos, da área da moda.
Toda a história deste filme decorre num dia. Esta premissa inicial transportou-me imediatamente para um dos filmes da minha vida... As Horas.
Assim, num único dia percorremos aquelas que serão as últimas horas de George (Colin Firth), um professor universitário que perdera o seu amigo e companheiro num acidente de automóvel que decide não ter mais razão para viver e como tal irá pôr fim à sua vida.
George tem a vida perfeita... Uma relação baseada naquilo que percebemos ser confiança, amizade e amor. Tem uma profissão estável e respeitada. Tem uma amiga que o idolatra. No entanto, com a morte do homem com quem partilha a vida e impedido de comparecer no próprio enterro, George inicia aquele que será para ele o seu último dia de vida. Arruma o seu gabinete. Levanta os seus pertences do banco. Tem um último jantar com a sua amiga.
Tudo parecia resolvido para George. No entanto, aos poucos, pequenos acontecimentos ao longo do dia tendem a mostrar-lhe o quão desejado ainda é. Seja por Charley (Julianne Moore), a amiga que sempre o amou, seja por Kenny (Nicholas Hoult), um aluno que o admira devido ao seu intelecto, ou por Carlos (Jon Kortajarena), um estranho que simplesmente o deseja.
No entanto para George nada parece ter importância pois aquele que sempre amou e representava a sua vida, desapareceu. Tudo o que tinha, tudo o que fazia e todos os que conhecia deixaram de repente de fazer qualquer sentido.
A representação desta vida sem sentido está brilhantemente representada pelo trabalho de fotografia de Eduard Grau que nos mostra um panorama em tons mortos que oscilam entre os castanhos e os cinza e que, ao ser revelado a George alguma beleza que justifique a continuidade da sua vida explodem para cores vivas, vibrantes e fortes como o azul, o vermelho e o laranja. Por vezes estas oscilações de cor são subtis e precisamos de estar atentos ao filme para nos apercebermos delas. Quando de facto o fazemos sentimos no preciso momento que estamos ali naquele momento a assistir a uma transformação na mente de George. Algo que lhe diz que tem de viver e que tem ainda de sentir aquilo que lhe está a ser apresentado quer seja o sorriso de alguém, a atenção de outra pessoa ou simplesmente uma imagem com que se cruza. São estes mesmos elementos que justificam a vida. Que justificam a sua vida. Elementos que precisam de alguém que os testemunhe. Que os viva. Que os sinta. Que os veja.
A banda-sonora é um complemento, não secundário mas sim igualmente importante, da fotografia. O compositor polaco Abel Korzeniowski, nomeado ao Globo de Ouro e uma das maiores falhas dos Oscars 2010, que foi encarregue de compôr a música que deu vida a este filme, não poderia ter sido mais brilhante. Não nomeada a Oscar mas não deixa no entanto de ser a melhor partitura do ano, esta banda-sonora transborda emoção, sentimento, saudade, angústia e vida. Qualquer uma das músicas que a compõe é simplesmente magnífica e é, em anos, das melhores algumas vez compostas e arrisco-me novamente a fazer a comparação à d'As Horas. Correndo o risco de utilizar um cliché, é simplesmente de nos retirar o fôlego.
As interpretações são igualmente geniais. Colin Firth tem aquele que é de longe o seu maior desempenho bem como um dos melhores do ano. Desempenho este pelo qual venceu a Coppa Volpi em Veneza e o BAFTA e foi nomeado a Globo de Ouro Drama e Oscar. Toda a sua expressão é simplesmente magnífica. Assistimos através do seu olhar e do seu comportamento, àquela que é a despedida de um homem da sua própria vida. Depois de perder aquele que amava nada do que o rodeava fazia qualquer sentido. Tudo se tornou dispensável e irrelevante. Especialmente a vida. Como é que poderia vivê-la sem ter ao seu lado aquele que lhe dava sentido? Aquele com quem havia feito planos e cedências... Colin Firth interpreta todas essas angústias não só pelas suas palavras mas também pelo seu olhar. Um olhar que percebemos despedir-se aos poucos de tudo o que estava à sua volta.
No entanto sentimos o renascer da sua esperança à medida que o dia passa e encontra pequenas coisas que o despertam de novo para a vida. A sedução física de Carlos... A sedução intelectual de Kenny... A inocência de Jennifer... A simpatia da mãe de Jennifer ou a amizade sempre incondicional de Charley.
Já o disse e digo de novo... é uma das grandes interpretações do ano e, considerando aqueles que foram nomeados, deveria ter sido a vencedora do Oscar este ano.
Nicholas Hoult, para quem se lembra dele como o "stalker" de Hugh Grant num filme já com uns anitos, Era Uma Vez um Rapaz, tem aqui um grande regresso que deverá fazer dele um actor a ter em conta, e a sua importância no filme como aquele que dá esperança a George em poder encontrar outra pessoa com quem poder refazer a sua vida, é fundamental.
Quanto a Julianne Moore não se pode dizer muito. É simplesmente fantástico como em todo e qualquer filme que participe, e só a expressão de desespero e de solidão que sentimos apenas através do seu olhar é reveladora da intensidade com que esta actriz trabalha.
Tal como n'As Horas temos aqui um dia na vida de um homem... e nesse dia, toda a sua vida. Esta simples e complexa ideia caracteriza todo o filme. As transformações que podem ocorrer num dia e que podem transformar toda uma vida são de facto enormes. Aquilo que marca então o Homem enquanto tal, é a capacidade de as saber reconhecer por muito insignificantes que possam, à partida, parecer.
Estamos aqui perante um extraordinário filme com um brilhante argumento e igualmente tocantes interpretações por parte dos seus actores, muito em particular de Colin Firth que tem aqui o papel de toda a sua vida.
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"George: If it's going to be a world with no time for sentiment, it's not a world that I want to live in."
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10 / 10
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

HFPA's Golden Globes 2011: os nomeados

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FILME - DRAMA

Black Swan
The Fighter
Inception
The King's Speech
The Social Network
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FILME - COMÉDIA/MUSICAL
Alice in Wonderland
Burlesque
The Kids Are All Right
Red

The Tourist
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ACTOR - DRAMA
Colin Firth, The King's Speech
James Franco, 127 Hours
Jesse Eisenberg, The Social Network
Mark Wahlberg, The Fighter
Ryan Gosling, Blue Valentine
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ACTRIZ - DRAMA
Halle Berry, Frankie and Alice
Jennifer Lawrence, Winter's Bone
Michelle Williams, Blue Valentine
Natalie Portman, Black Swan
Nicole Kidman, Rabbit Hole
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ACTOR - COMÉDIA/MUSICAL
Jake Gyllenhaal, Love and Other Drugs
Johnny Depp, Alice in Wonderland
Johnny Depp, The Tourist
Kevin Spacey, Casino Jack
Paul Giamatti, Barney's Version
.ACTRIZ - COMÉDIA/MUSICAL
Angelina Jolie, The Tourist
Anne Hathaway, Love and Other Drugs
Annette Bening, The Kids Are All Right
Emma Stone, Easy A
Julianne Moore, The Kids Are All Right
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ACTOR SECUNDÁRIO
Andrew Garfield, The Social Network
Christian Bale, The Fighter
Geoffrey Rush, The King's Speech
Jeremy Renner, The Town
Michael Douglas, Wall Street: Money Never Sleeps
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ACTRIZ SECUNDÁRIA
Amy Adams, The Fighter
Helena Bonham Carter, The King's Speech
Jacki Weaver, Animal Kingdom
Melissa Leo, The Fighter
Mila Kunis, Black Swan
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REALIZADOR
Christopher Nolan, Inception
Darren Aronofsky, Black Swan
David Fincher, The Social Network
David O. Russell, The Fighter
Tom Hooper, The King's Speech
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ARGUMENTO
127 Hours, Danny Boyle, Simon Beaufoy
Inception, Christopher Nolan
The Kids Are All Right, Stuart Blumberg, Lisa Cholodenko
The King's Speech, David Seidler
The Social Network, Aaron Sorkin
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CANÇÃO
Burlesque, Diane Warren, "You Haven't Seen The Last of Me"
Burlesque, Samuel Dixon, Christina Aguilera, Sia Furler, "Bound to You"
The Chronicles of Narnia: The Voyage of the Dawn Treader, Carrie Underwood, David Hodges, Hillary Lindsey, "There's a Place For Us"
Country Strong, Bob DiPiero, Tom Douglas, Hillary Lindsey, Troy Verges, "Coming Home"
Tangled, Alan Menken, Glenn Slater, "I See the Light"
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BANDA-SONORA
127 Hours, A.R. Rahman
Alice in Wonderland, Danny Elfman
Inception, Hans Zimmer
The King's Speech, Alexandre Desplat
The Social Network, Trent Reznor, Atticus Ross
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FILME ANIMAÇÃODespicable Me
How to Train Your Dragon
L'Illusionniste
Tangled
Toy Story 3
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FILME ESTRANGEIRO
Biutiful, México/Espanha
Le Concert, França
Hævnen, Dinamarca
Io Sono l'Amore, Itália
Kray, Rússia
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

The Imaginarium of Doctor Parnassus (2009)

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Parnassus - O Homem que Queria Enganar o Diabo de Terry Gilliam foi a última longa-metragem protagonizada por Heath Ledger na qual haveria de ser substituído devido ao seu trágico desaparecimento.
Em Londres, Parnassus (Christopher Plummer) e o seu grupo, a filha Valentina (Lily Cole), o fiel amigo Percy (Verne Troyer) e o assistente Anton (Andrew Garfield), efectuam um pequeno espectáculo que promete uma viagem ao "Imaginarium", um mundo imaginado fruto da mente do próprio Parnassus onde os sonhos daqueles que lá entram se transformam em realidade.
Parnassus afirma ter mais de mil anos de idade mas foi quando se apaixonou por uma mortal que estabeleceu um pacto com o Diabo (Tom Waits) onde abdicava da sua imortalidade pela juventude que lhe garantia a possibilidade de uma relação afectiva. A troca foi a alma da sua filha quando esta completasse o seu 16º aniversário. É quando este dia se aproxima que Parnassus faz um novo acordo com o Diabo... Aquele que primeiro conquistar cinco almas fica com a alma de Valentina. Eis quando aparece Tony (Ledger), um recém enforcado perseguido por russos.
O universo Gilliam é por si só um desafio suficientemente grande para que o espectador tenha uma atenção redobrada a todos os pequenos grandes detalhes com que todos os cantos do ecrã são apimentados. Desde personagens marginais que habitam um espaço que pode ser mais ou menos alternativo até às suas próprias "personalidades" que são na maioria parte dos momentos maiores que a própria vida, um filme de Gilliam é por si só uma aventura psicadélica na qual apenas os bravos ousam entrar, facto que podemos constatar não só por esta obra como por todas as outras que já nos entregou desde Brazil e The Adventures of Baron Munchausen passando por The Fisher King, Twelve Monkeys e Fear and Loathing in Las Vegas.
The Imaginarium of Doctor Parnassus não seria assim uma excepção e é, desde o primeiro instante, uma povoação de personagens excêntricas, e até mesmo bizarras, numa explosão de cor, vida e uma esquizofrenia muito própria que nos fazem a todo o momento pensar que nós próprios perdemos um pouco da lucidez que supostamente nos guia.
Ainda que estéticamente desafiante pelo lado marginal do espaço e das personagens que Parnassus consiga ser, não deixa de ser verdade que a exploração das suas personagens se mantém sempre pelo lado excêntrico e muito "out there" que lhes confere, mantendo as suas motivações perceptíveis mas, ao mesmo tempo, desprovidas de uma sentida humanidade. Percebemos o que os move, quais os seus intuitos e até mesmo os fins que utilizam para alcançar o tal "bem" desejado mas, ao mesmo tempo, sentimos que estamos a viver dentro de uma sociedade fechada, ou seja, um núcleo muito próprio onde aqueles, e apenas aqueles, que nele vivem percebem os comportamentos tidos pelos demais. No fundo é como se nos encontrássemos dentro de uma realidade alternativa que apenas pode ser compreendida por aqueles que connosco a partilham. É aqui que reside a "desumanização" das mesmas... percebemos que existe toda uma entrega por amor, uma abdicação da liberdade por parte de "Parnassus" em nome daquela com quem se vê (viu) a amar mas não é menos verdade que é apenas depois desta percepção que o mesmo quer continuar num "jogo" que em última análise irá retirar-lhe graves consequências nomeadamente o fruto desse mesmo amor.
As aventuras percorridas durante este caminho são, por si só, alucinogeneas. Mundos imaginados, heróis improváveis, multiplicação de personalidades e espaços inexistentes onde apenas poucos - os tais que habitam naquele mesmo espaço - são capazes de existir. É esta mesma realidade, alternativa no entanto, que permite que todo um conjunto de aventuras e de lições morais sejam retiradas. A perda, a entrega, a dor e a alegria são um seu fruto e chegam por mais inesperadas que sejam ou até mesmo sob uma forma que inicialmente seja pouco compreensível. Elas existem, mas precisam de um código próprio para poderem ser traduzidas e ligadas àquilo que qualquer comum mortal considere como sendo "normal" (mas afinal a normalidade existe perguntamo-nos...).
No entanto se Gilliam e Charles McKeown controem um argumento e uma narrativa digna de nos levarem bem perto dessa tal loucura, e que por vezes não sai bem sucedida pela enorme quantidade de caminhos (todos possíveis é um facto) que querem dar aos destinos das suas personagens, não deixa de ser verdade que The Imaginarium of Doctor Parnassus é, tal como os demais filmes de Gilliam, um assombro visual que nos hipnotiza com sede de descobrir todos os pequenos recantos que são construídos justificando na íntegra a pequena viagem que aqui nos quer fazer ter às profundezas da nossa própria imaginação.
E ainda que seja o aspecto cénico de Imaginarium dê uma grande força ao filme (afinal as suas duas nomeações a Oscar foram para Direcção Artística e Guarda-Roupa) - ainda que na minha opinião não a suficiente para o tornar num filme memorável - o mesmo vive muito do factor "azar" do desaparecimento de Ledger, o seu actor principal, que teve então de ser re-interpretado de forma inteligente por um trio de igualmente iconoclásticos actores: Johnny Depp, Colin Farrel e Jude Law. Cada um deles à sua própria maneira interpreta a personalidade de "Tony" (Ledger) aquando das suas incursões no imaginário perdido de "Parnassus" e que dessa forma conseguiu originalmente dar continuidade a um filme que poderia estar condenado.
Assim, e ainda que inteligente pela sua originalidade (ninguém poderá dizer o contrário sobre que obra seja de Gilliam), The Imaginarium of Doctor Parnassus é um filme moroso e pouco pessoal na sua mensagem. Mensagem esta que que só se consegue concretizar pela aproximação (ou falta dela) para com o actor que de certa forma se pretendeu ser a sua alma deixando assim tudo o demais com um sabor agridoce - e seu dependente - e que apenas os fãs fiéis de Gilliam poderão encontrar uma identificação com o mesmo.
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"Tony: Nothing is permanent, not even death."
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5 / 10
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domingo, 26 de dezembro de 2010

Salt (2010)

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Salt de Phillip Noyce, o mestre dos filmes de acção e espionagem, tem desta vez como protagonista a actriz Angelina Jolie num registo de acção e intriga que não lhe ficam mesmo nada mal apesar deste papel não ter sido inicialmente escrito para ela mas sim para Tom Cruise. Detalhes...
E digo que são detalhes sem qualquer pudor pois esta excelente actriz não deve nada do seu talento a ninguém. Consegue suportar qualquer tipo de filme marcando vincadamente o seu próprio espaço sem servir de secundária ou de apoio a ninguém. Sim, foi o meu voto de apoio a Jolie (não que ela precise dele...).
Evelyn Salt, uma agente da CIA é, durante um interrogatório, acusada de ser uma agente russa infiltrada na agência norte-americana como forma de poder, sem suspeitas, assassinar o Presidente do país.
Até aqui nada de novo ou que separe este de tantos e tantos outros filmes do género que acabam por ter esta premissa como a principal... o assassinato do todo poderoso Presidente dos Estados Unidos. Dito isto, aquilo que poderá distanciar este de outros filmes, mesmo correndo novamente o risco de não ser novo, é o facto de ser inserido aqui uma tema interessante como o de agentes russos criados desde novos em território norte-americano (ou por Americanos) ao estilo de "agentes adormecidos" e que, um dia, despertam para cumprir a sua missão.
Noyce especialista neste género de filmes e que já nos entregou verdadeiras pérolas do género como O Coleccionador de Ossos ou Perigo Imediato bem como Calma de Morte e Violação de Privacidade, mostra que o estilo não está gasto e que ninguém como ele consegue dar vida a uma história cheia de tramas e de enredos e também que nos reserva sempre uma surpresa bem lá no final.
Do elenco credível e coeso fazem parte, além de Angelina Jolie, os actores Liev Schreiber e Chiwetel Ejiofor. O trio revela-se muito coeso e funcionam na perfeição. Todos contribuem de forma decisiva para os momentos tanto mais de suspense como nos de acção. Simplesmente funcionam algo que, neste género de filmes é por vezes complicado de conseguir parecendo que cada um puxa para o seu lado.
Retirando isto pouco há mais a dizer deste filme (não que isso seja negativo atenção), simplesmente há a acrescentar que está repleto de intensos momentos de acção, perseguições sem fim e uma banda-sonora à altura que completam aquilo que esperamos de um verdadeiro filme de acção sem que ele caia no banal ou em segmentos repetitivos.
Sem sombra de dúvida este é um filme a reter e, dentro do género, um dos melhores com que este ano nos brindaram no cinema.
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7 / 10
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sábado, 25 de dezembro de 2010

The Holiday (2006)

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O Amor Não Tira Férias de Nancy Meyers é daquelas comédias que são simplesmente irresistíveis. É impossível e inimaginável não gostar deste filme. Já deu para perceber o quanto me tornei fã? Pois é... gostei MESMO.
Motivos não faltam, aliás, para que seja um filme que desperte pelo menos a curiosidade a qualquer um. Kate Winslet, Cameron Diaz, Jack Black e Jude Law são os actores principais desta comédia dramática que conta ainda com a participação de Eli Wallach como um secundário merecedor de um grande destaque.
Temos então duas mulheres... Amanda (Diaz) e Iris (Winslet) que fartas das suas complicadas a tribuladas vidas amorosas decidem isolar-se e passar a época de Natal num local onde ninguém as conheça.
Amanda decide assim procurar através da internet alguém que esteja disposto a trocar de casa. Encontra assim Iris que, tal como ela, se encontra na mesma situação. Enquanto Iris parte para o sol da California, Amanda instala-se na gelada Inglaterra.
Enquanto Amanda conhece Graham (Law), o irmão de Iris, e vive com ele uma tórrida e momentânea relação, Iris conhece Miles (Black) por quem acidentalmente se apaixona e também Arthur (Wallach), o homem que iria literalmente modificar a sua vida e ensiná-la a auto-valorizar-se.
Aquela que ambas pensavam ser apenas uma viagem de sossego e reflexão tornou-se sim na viagem que iria literalmente modificar as suas vidas para sempre.
Escusado será de dizer, e muitos irão concordar comigo, que um filme em que a Kate Winslet entre é logo um sinal muito claro de que deve ser um filme a ver e a ter em consideração mesmo que, como é o presente caso, seja um filme mais ligeiro com muitos momentos de comédia e grandes doses dramáticas.
Sendo dela a interpretação principal, em parceria com Cameron Diaz, nada mais me resta dizer a não ser que como sempre Winslet está absolutamente fenomenal. Gostamos das suas imensas gargalhadas e da cara de "miúda" simpática que consegue conquistar o coração de qualquer um de nós. Sentimos a sua alegria e a sua tristeza... alias... a sua melancolia, perfeitamente. Sabemos que é genuíno todo o conteúdo pelo qual a sua personagem passa e conseguimos em inúmeras ocasiões transpôr esses mesmos sentimentos e emoções para a nossa realidade. O que fazer com uma traição ou com um objectivo não correspondido? Necessitamos de nos mudar para outro local sem resolver os nossos problemas? Conseguiremos alguma vez dar o passo em frente? Kate, a tudo o que perguntamos dá-nos uma resposta... mais lá para o final...
Aquilo que ainda me colocava algumas dúvidas era a prestação de Cameron Diaz e a relação com Winslet. Diaz, que percebo ser uma actriz ainda pouco valorizada naquilo que sabe fazer bem, tem tido na sua grande maioria, prestações razoáveis em filmes dito fracos, salvo raras excepções. Por isso, estes eram os aspectos que mais me preocupavam neste filme.
No entanto devo confessar que Diaz consegue ter um dos momentos mais fortes de todo o filme e aquele que consegue emocionar qualquer um de nós (e que atire a primeira pedra quem não se emocionou no momento em que ela juntamente com Law e as duas jovens actrizes se encontram na "tenda interior"). São momentos francamente enternecedores e humanos por excelência. Existe uma verdadeira química.
Química esta que, a bem da verdade, é sentida entre todos os actores do filme. As dinâmicas construídas entr eles são sinceras e autênticas. Sentimos isso entre Diaz e Law. Entre Winslet e Wallach e entre Winslet e Black. Este pequeno elenco não poderia ter sido escolhido de outra forma. Está simplesmente perfeito e muito convincente.
Gostei também da banda-sonora composta por Hans Zimmer que recria aqui um ambiente não só divertido como terno e cúmplice demonstrando assim na perfeição a interacção que esperamos ver entre as diversas personagens.
Não há nada que veja no filme e que possa dizer "menos bom". Tudo está no sítio certo e acontece a um ritmo bem planeado e que nos faz assistir a uma excelente comédia dramática que suplanta qualquer uma das do mesmo estilo feitas nos últimos anos.
É um filme simplesmente agradável com boas interpretações e uma história credível. Aliás... além de credível... Tem uma história que nos faz gostar de ver filmes. Muito bom.
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"Iris: I have found almost everything ever written about love to be true. Shakespeare said, "Journeys end in lovers meeting." What an extraordinary thought."
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8 / 10
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Joyeux Noël (2005)

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Feliz Natal de Christian Carion, nomeado ao Oscar de Filme Estrangeiro bem como ao César de Melhor Filme é, acima de uma história que decorre na época natalícia, uma verdadeira e intensa melodia sobre a amizade, o respeito e a dignidade.
A grande maioria do filme decorre durante a Primeira Guerra Mundial, mais concretamente na noite de Natal. Após alguns conflitos que opunham alemãs a franceses e ingleses que haviam sucedido algumas horas antes nas trincheiras, os alemães decidem colocar ao longo das mesmas as Árvores de Natal que haviam recebido. Um pequena e simbólica forma de trazerem até eles uma das mais bonitas épocas do ano e poderem assim esquecer o conflito que os cercava todo à volta.
Nikolaus (Benno Fürmann), um dos soldados, um tenor alemão, que havia sido recrutado para os conflitos decide que não deve deixar passar a noite sem trazer alguma alegria aos seus companheiros e juntamente com a tenor dinamarquesa Anna Sörensen (Diane Kruger), cantam melodias de Natal para os soldados alemães. O que eles não pensaram naqueles momentos é que estavam também a cantar para todos os outros soldados que se encontravam nas trincheiras vizinhas.
É neste exacto momento que se dá um click que os aproxima. É neste momento que de um ou de outro lado das trincheiras quer alemães, quer franceses e ingleses cantam em línguas diferentes as mesmas melodias fazendo a todos sentir que acima de qualquer ideal político e militar são principalmente homens de família com pais, mulheres, filhos e irmãos.
É precisamente neste momento que se dá a sua aproximação. O respeito entre si. A dignidade que sentem em si próprios e nos outros que combatem em nome de ideais que não deveriam ser apregoados ou sequer defendidos. É neste exacto momento que sob a missa de um padre escocês sentem o verdadeiro significado da época por que passam. O espírito da solidariedade... do amor... da amizade... e daquilo que a época lhes privara... a paz.
Com este breve resumo de um filme que é grande demais para apenas ser comentado, que é como quem diz vão a correr para o ver, fica a ideia de um extraordinário filme que é antes de tudo uma íntegra e sentida mensagem de apelo à paz e a uma harmonia que em tantas e tantas ocasiões tem faltado entre os Homens e neste nosso continente.
Além de Benno Fürmann e de Diane Kruger fazem parte do elenco deste filme actores como Daniel Brühl, Guillaume Canet, Gary Lewis e Dany Boon que foi inclusive nomeado ao Cesar de Melhor Actor Secundário. Todos eles, sem qualquer excepção, constituem um elenco forte e coeso e dão a este filme interpretações dignas de registo pela sua honestidade e entrega. Estão, todos eles, irrepreensíveis.
De destaque... aliás, de um grande destaque está igualmente a espectacular banda-sonora que abre imediatamente o filme com uma das mais belas sequências musicais dos últimos anos no cinema. Pela sua elaboração dou os meus sinceros parabéns ao compositor Philippe Rombi. Esta banda-sonora é, no mínimo, soberba, como aliás o é todo o filme que em diversas ocasiões é intensamente emocionante.
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"Palmer: Tonight, these men were drawn to that altar like it was a fire in the middle of winter. Even those who aren't devout came to warm themselves."
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10 / 10
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Scrooged (1988)

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S.O.S. Fantasmas de Richard Donner é uma adaptação moderna do conto de Charles Dickens em que um cruel e frio homem é visitado por três fantasmas na véspera de Natal... O fantasma do Natal Passado, o do Natal Presente e o do Natal Futuro. Após as três visitas... este homem outrora insensível e desinteressado para com as pessoas compreendo finalmente qual é o verdadeiro espírito e sentido da época festiva.
Nesta versão esse homem é Frank Cross, interpretado pelo literalmente imparável Bill Murray naquele que é mais um dos seus extraordinários desempenhos cómicos onde não falta a eterna mensagem que todas as suas personagens solitários lançam algures durante um filme... A mensagem em que pede a "mão" de alguém para deitar fora a solidão que o torna ora amargo ora indiferente.
Esta história, que toma lugar na estação de televisão que Frank dirige, decorre na véspera de Natal em que todos estão empenhados em ter no ar a própria história de Dickens. Com a devida pressão do programa e os Fantasmas a aparecerem a Frank sem avisarem, o normal de esperar desta história é, como já todos devem esperar, a confusão e o caos total.
Tendo já existido inúmeras adaptações desta história, uma mais outras menos bem feitas, é natural que a história em si possa já não despertar o devido interesse que esperamos. Já todos sabemos o que se vai passar, quando, como e porquê!
No entanto aquilo que torna este filme original é o facto de decorrer nos dias de hoje (não esquecer que o filme já é de 1988) e poder adaptá-lo ao cinismo e calculismo que invadem abruptamente as sociedades modernas. A avareza não é necessariamente para os mais carentes e com menos recursos mas sim para todos aqueles que desafiam a nossa palavra.
Mas como sempre... em todos os Natais... o espírito que este emana e a fraternidade que lhe deve estar sempre inerentes acabam por vencer. E aqui vencem da melhor forma possível com aquele que é, para mim, um dos filmes de Natal mais bem realizados.
Comédia é uma verdade... Mas se o analisarmos bem será que só nos conseguimos rir? Ou será que se prestarmos a devida atenção não verificamos e encontramos mais pontos sérios nos quais devemos reflectir e pensar que afinal o Natal é, e deve ser, mais do que aquele único dia no ano?!
Este filme tem inúmeros momentos delirantes. Os momentos entre Frank e Eliot (Bobcat Goldthwait) ou entre Frank e os três fantasmas... bom.. entre os dois primeiros, pois o Fantasma do Natal Futuro não é para brincadeiras... Todos estes momentos são da mais pura e delirante comédia a qual nenhum de nós consegue ficar indiferente.
Bill Murray, como sempre, tem aqui uma interpretação à sua medida em que consegue dar largas à sua imaginação e onde nada lhe fica mal... Nem os momentos mais delicados... e muito menos aqueles em que ele revela em alto e bom som o quão hipócritas todos podem ser face à magia que o Natal deve ter.
Igualmente brilhante é o trabalho de caracterização nomeado ao Oscar em que pelas mãos de Thomas R. Burman e Bari Dreiband-Burman alguns dos actores são transformados em criaturas perfeitamente... vamos dizer sombrias.
Não será o típico filme de Natal com muita neve e muitas melodias mágicas (se bem que tem de ambas), mas será de certeza um daqueles filmes que ninguém esquecerá depois de o ver e que tem igualmente um elenco de destaque em que, além de Bill Murray se destacam Karen Allen, Robert Mitchum, Alfre Woodward, John Forsythe e Carol Kane, entre muitas outras caras conhecidas.
Para aqueles que não conhecem e querem uma excelente aventura natalícia, este será de longe o filme que não se deverá perder.
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"Frank Cross: It's Christmas Eve! It's... it's the one night of the year when we all act a little nicer, we... we... we smile a little easier, we... w-w-we... we... we cheer a little more. For a couple of hours out of the whole year, we are the people that we always hoped we would be!"
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8 / 10
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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

The Bad Lieutenant: Port of Call - New Orleans (2009)

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Polícia Sem Lei de Werner Herzog é um dos últimos trabalhos de Nicolas Cage e uma das grandes interpretações que este actor teve de há dez anos para esta parte pois conseguimos notar nela alguma significativa qualidade.
No rescaldo do furacão Katrina encontramos o detective Terence McDonagh (Cage) que se lesiona nas costas quando tenta salvar um detido numa prisão inundada. Como consequência do seu acto passa a ter dores insuportáveis que apenas consegue acalmar recorrendo a todo o tipo de medicação e drogas ilegais que passam do cigarro de marijuana até ao consumo de cocaína sem limites.
Vítima não só desta sua nova dependência como também do seu vício de jogo, de esquemas e de sustentar Frankie (Eva Mendes), uma prostituta de luxo e a mulher da sua vida, Terence vê-se envolvido num conjunto sem fim de esquemas dos quais parece ser quase impossível salvar-se.
O filme que é por inúmeros vezes algo pachorrento e difícil de seguir sem sentir alguma impaciência, não deixa de ser dos melhores trabalhos que Nicolas Cage apresenta nos últimos anos. Se tivermos paciência para seguir todos os seus esquemas e tentativas de outos tantos, bem como os momentos em que temos de aturar as suas alucinações que mais não são que o reflexto da quantidade de droga que ingere ao longo do filme (e possivelmente alguns dos melhores segmentos do mesmo), percebemos que depois de assistirmos a tanta porcaria que aquele "polícia" fez teve no fundo um sentido.
Se a meio do filme desistimos de pensar que ele vai ser um justiceiro e um polícia ordeiro, poucos ou nenhuns são os momentos em que o vemos a agir nessa direcção, o final que não é mais do que surpreendente, agrada-nos de uma forma inexplicável. Ponto certo é que percebemos ser impossível atingir fins correctos sem, pelo meio, termos de infringir a lei não sei quantas vezes pois quando a tentamos seguir, tudo acaba por correr exactamente na direcção oposta àquela que queremos.
Resultado? Há que violar a lei vezes sem conta ultrapassando todos aqueles que nos podem fazer frente para, no final, a ver trabalhar e resultar na perfeição.
Cage? Perfeito e no melhor nível. Eva Mendes? Secundária mas aplicada. Jennifer Coolidge num registo mais sério mas tão boa como no seu registo "blonde".
Resultado final? O melhor papel de Cage desde há muito tempo e para o qual chegou a ser falado para a nomeação ao Oscar (não exageremos), mas que encarna e muito bem o retrato de uma América perdida e à deriva que espera sinais de redenção vindos eles não se sabe muito bem de onde.
Uma história que ora nos afasta ora nos atrai mas que, para aqueles que a aguentam, acaba por deixar um certo nível de satisfação no final mais que não seja por sabermos que tudo acaba em bem... apesar dos meios utilizados para lá se chegar não terem sido os mais correctos. No entanto ficamos a perceber que todas as boas acções são compensadas... Mais que não seja exactamente no final...
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7 / 10
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The Last Song (2010)

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A Melodia do Adeus de Julie Anne Robinson e interpretado pela estrela teen norte-americana Miley Cyrus é um filme adaptado do livro de Nicholas Sparks que também assina o argumento em colaboração com Jeff Van Wie.
Seguimos a chegada de Ronnie (Cyrus) e do seu irmão a casa de Steve (Greg Kinnear), o pai que não vêem há vários anos, naquilo que pensamos inicialmente ser o seu afastamento de uma vida algo sem regras em Chicago. A distância que existe entre pai e filha vem já de trás quando se deu o divórcio dos pais e aqui, aos poucos, temos a sua aproximação através de vários acontecimentos que tomam lugar inclusivé a música que sempre foi a paixão que ligou os dois.
A música que Steve agora compõe, e que dá título ao filme, mais não é do que a prova final de que pai e filha estarão para sempre ligados independentemente do que aconteça, nomeadamente a morte que é, neste momento, algo iminente.
Ao contrário de outras adaptações de Sparks ao cinema este A Melodia do Adeus não tem o mesmo impacto. Se pensarmos noutra obra que fora recentemente adaptada, Juntos ao Luar, temos uma distância abismal entre ambos começando não pelos argumentos que têm potencial como história dramática, mas sim pelas interpretações que deixam nesta "melodia" muito a desejar.
Miley Cyrus, que apesar de já conhecer bem pelo nome é o primeiro registo em que a vejo, é francamente pobre e pouco convincente. Cada linha que ela verbaliza mais parece que está a ler do cartão e como se isso não bastasse, parece que o faz ao mesmo tempo que sente sérias dores. Quanto aos restantes actores não se pode ter uma base fiel das suas interpretações pois a acção centra-se toda à volta de Miley, conseguindo ofuscá-los não pelos seus dotes mas pelo quão má consegue ser.
A banda-sonora, da autoria de Aaron Zigman, consegue ser ainda algo que safa e faz o filme fluir de uma forma mais natural, adaptando um registo moderno mas ao mesmo tempo sentimental conseguindo assim dar alguma vida às emoções que se esperam sentir (não sendo no entanto totalmente eficaz).
Esta história que tem algum potencial para fazer um filme credível, acaba por ser um pouco arruinada por um elenco que aparenta não ter grande química entre si, especialmente o par protagonista entre quem se passa a maior parte da acção. Quando temos o primeiro encontro entre ambos percebemos que é entre eles que se vai passar algo mas ao mesmo tempo vemos que não será nada de especial. Parece mais um daqueles encontros de ocasiao de "olá, como estás... ok...ciao"... Se entre o elenco em geral não se sente química... entre o par protagonista sente-se o frio do gelo e também, claro, os clichés e larachas pré-fabricadas que em nada nos fazem sorrir.
Ainda assim, e apenas como entretenimento para quem não tem muito mais para fazer, este filme consegue distrair e fazer passar o tempo. Apenas e só como isso vale a pena ver.
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4 / 10
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

How to Train Your Dragon (2010)

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Como Treinar o Teu Dragão de Dean DeBlois e Chris Sanders tornou-se instantaneamente um dos meus filmes preferidos do ano e um dos melhores de animação que vi nos últimos tempos e que será, seguramente, um dos candidatos a Oscar de Melhor Filme de Animação e quem sabe até ao de Melhor Filme, e que é já um forte nomeado ao Globo de Ouro de Filme de Animação do Ano.
Esta história desenrola-se numa Escandinávia povoada não só pelos seus Vikings como também por uma muito activa população de dragões que ameaçam constantemente as pequenas povoações marítimas.
Hiccup, um jovem e pouco tradicional Viking que pouco tem ou quer vir a ter com a caça aos dragões que constantemente perturbam a calma da pequena aldeia, vê-se um dia na situação de ter capturado um perigoso dragão sendo que ninguém acredita nele.
É a partir daqui que Hiccup forma através daquilo que é uma relação de suspeita entre humano e dragão, uma bela amizade que vai consistir e depender acima de tudo, na confiança que cada um deposita no outro.
E é neste âmbito que os filmes de animação são consistentes, fortes e sempre muito bem sucedidos. A componente de dar a conhecer, principalmente aos mais jovens mas atenção que não só a eles, que a amizade pode surgir vinda de qualquer parte e de qualquer pessoa é ponto fundamental.
Aqui esta amizade surge sob a forma de um humano e um dragão. Aquilo que parece impossível e inimaginável, torna-se numa realidade. Assistimos àquilo que é a desconfiança inicial entre dois seres de espécies diferentes e que com o tempo e com o hábito de se verem se transforma de uma relação de desconfiança e necessidade em respeito, admiração e cumplicidade.
Se por mais não fosse estes filmes de animação, os de qualidade claro está, são mestres em fazer mostrar os verdadeiros e bonitos sentimentos humanos... e não só.
Finalmente gostei de ver o final do filme. Não o tradicional final onde tudo acaba bem e os "maus" da fita são para sempre eliminados deixando os bons a viver em perfeita harmonia (que sim, é sempre bom que tudo acabe em bem), mas aquilo que me deixou mais espantado foi saber que mostram um "herói" sobrevivente mas... lesionado.
Sendo estes filmes tradicionalmente para as crianças, é bom de verificar que se lembram daqueles que nascem de alguma forma incapacitados e de como devem ser aceites em igualmente com todos os outros. Num tempo em que as diferenças pessoais de cada um são cada vez mais utilizadas como factor de uma diferenciação exclusiva, é reconfortante saber que há sempre alguém que se lembra de que é na aceitação das diferenças individuais e na sua inclusão que uma sociedade consegue realmente evoluir e crescer harmoniosamente.
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8 / 10
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Fundação GDA: galardoados 2010

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O Júri do III Prémio de Actores de Cinema Fundação GDA - 2009, composto por João Perry, Antonino Solmer e André Gago, designou a actriz Soraia Chaves, Melhor Actriz Principal no filme de longa-metragem Salazar - A Vida Privada e o actor Virgílio Castelo, Melhor Actor Secundário no filme de longa-metragem Um Amor de Perdição, estreados em 2009.
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