domingo, 15 de janeiro de 2017

Left Behind (2014)

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Left Behind - A Última Profecia de Vic Armstrong é uma longa-metragem norte-americana e um dos últimos trabalhos de um muito apagado Nicolas Cage.
Num mundo onde os valores ditos tradicionais parecem estar cada vez mais ténues, Ray (Cage) embarca em mais um vôo para não ter de lidar com a mais recente reunião familiar. Enquanto Chloe (Cassi Thomson) a sua filha mais velha, fica para trás, o mundo é misteriosamente assolado pelo estranho e inexplicável desaparecimento de milhões de pessoas anunciando aquilo que pode ser o princípio do fim da civilização tal como a conhecemos.
Inserido numa já longa lista de filmes cujo propósito parece ser a destruição de um percurso que parecia intocável de Nicolas Cage, Left Behind não é apenas um filme fraco. É, para lá disso, um filme que parece ter sido concluído porque a uma certa altura percebeu-se que o prejuízo por não ser terminado seria superior àquele de o lançar em sala - com sorte! - ou directamente para o mercado DVD como aconteceu em alguns mercados internacionais.
A temática de "fim do mundo" onde um qualquer apocalipse parece (não) espreitar ao virar da esquina, fascina qualquer espectador que deseja e aguarda por um conjunto de efeitos especiais fora do normal que compensem a por vezes fraca ou inexistente linha narrativa que entregue uma história coerente e credível. No entanto Left Behind não prima nem por uma nem por outra vertente deixando ao acaso e à imperfeição a esperança de uma suposta redenção para um filme que se anuncia... mau.
Paul Lalonde e John Patus assinam assim o argumento desta longa-metragem - que mais parece uma colagem de pequenos momentos - onde o mundo de facto parece estar à beira do fim quando milhões de pessoas desaparecem dos quatro cantos do planeta de forma misteriosa deixando para trás todos os seus pertences (roupa incluída) e um mundo que entra imediatamente num caos. Desespero, acidentes, assaltos e vandalismo invadem as ruas onde todos parecem querer lucrar de forma fácil com os pertences daqueles que "ficaram". Sem motivo ou explicação aparente, todos se questionam sobre os porquês até que um Nicolas Cage - iluminado que é neste desempenho muito abaixo da qualidade a que outrora nos habituou - descobre que o factor "religioso" salvou os "desaparecidos" de um mundo agora à beira da extinção.
No entanto, e por muito fraca que seja esta linha condutora, são todos os demais elementos que arruínam aquilo que já de si... estava péssimo. A forma como se explora este apocalipse religioso ou mesmo as vozes que lhe dão "corpo" parecem estar apenas a debitar algumas frases feitas e pensamentos (re)tidos na igreja lá do bairro onde, sem qualquer convicção possível e imaginária, apenas contribuem para um desfecho tão ou menos inspirado como aquilo que nos é oferecido ao longo de pouco mais de oitenta minutos. Se por um lado assistimos a toda uma história pobremente "enriquecida" e com interpretações que oscilam entre o medíocre e o péssimo, com uma música constante e constantemente deprimente como se de uma ida à aldeia se tratasse onde todos os problemas de uma catástrofe fossem alegremente esquecidos e isto sem esquecer a evidente - mas ausente - dramatização que faz qualquer espectador desejar que (aquele) mundo desapareça rapidamente, Left Behind mais não é do que um aparente veículo para a descredibilização de um conjunto de profissionais que se esperam com uma futura carreira mas que, para a sua concretização, é melhor que omitam esta "peça" do seu percurso.
Se uma palavra pode caracterizar todo o trabalho feito em Left Behind essa palavra seria risível. A longa-metragem de Vic Armstrong apenas faz com que o espectador se ria das inúmeras gaffes e momentos amadores que não conferem nenhuma empatia com esta história e, bem longe de Knowing (2009), de Alex Proyas também protagonizado por Cage, Left Behind não convence em nenhum momento por esse fim que apenas brevemente se testemunha momentos antes desta longa-metragem terminar. Resumido a uma viagem de avião preenchida de lugares comuns e que correu mal que tenta enquadrar o grupo de sobreviventes neste novo mundo ao mesmo tempo que se acompanha a viagem da solitária "Chloe" que espera pelo pai e por um potencial novo namorado em "Buck" (Chad Michael Murray) é um verdadeiro desastre que tem ainda a seu (des)favor o facto de não conseguir ter um justo final.
Da pobreza da sua narrativa àquela das suas personagens - e de actores que parecem caídos numa espiral de decadência - sem esquecer todas as componentes técnicas que vão desde o som à música original (?), dos (d)efeitos especiais aos àqueles de espaço - todos nós percebemos que estamos, a todo o momento, dentro de um estúdio a céu aberto - Left Behind apenas deveria ter feito jus ao seu título original e ter sido deixado para trás num mundo que certamente terá histórias bem mais interessantes, coesas e entusiasmantes para contar sem necessitar de recorrer a cataclismos bíblicos que são - tão pouco - explorados e apresentados como deveriam ser.
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