terça-feira, 16 de junho de 2015

10 Sombras Douradas (2015)

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10 Sombras Douradas de Duarte Oliveira é uma média-metragem portuguesa de ficção numa adaptação livre de Ten Little Indians, de Agatha Christie.
Dez amigos são convidados para uma festa mistério na sua antiga escola tendo como única condição o uso de uma máscara para aquando da sua chegada. Uma vez iniciado o jantar de confraternização, recebem algumas mensagens indo um por um caindo às mãos de um misterioso assassino.
Ainda que o jovem realizador tente construir um filme com uma premissa suficientemente interessante para a construção de uma história de mistério e suspense, na verdade 10 Sombras Douradas encontra-se a milhas de uma qualidade aceitável para a história que se propõe recriar. No entanto, comecemos pelo seu lado positivo... Todo o segmento inicial das filmagens aéreas - feitas pelo realizador ou obtidas por outros meios - revelam uma qualidade muito interessante e apelativa para conseguir prender o espectador logo nos instante iniciais. No entanto, à medida que 10 Sombras Douradas ganha a sua própria "vida", percebemos que a qualidade ficou, também ela, pelos referidos instantes iniciais.
Se o espectador conseguir esquecer todo aquela instabilidade que a "câmara na mão" tráz à dinamização do filme mas que podem facilmente ser justificados pelos poucos recursos que o realizador eventualmente tenha, não é menos verdade que somos incapazes de esquecer o extremamente frágil e pouco livre argumento que nos remete para uma cópia "barata" da referida obra de Agatha Christie não tendo qualquer rumo próprio que se distancie da mesma ou conseguindo afirmar-se ou à sua originalidade. Mas, comecemos...
Após o simpático momento inicial onde o espectador é levado a uma interessante viagem pelo espaço geográfico e ao som de uma interessante banda-sonora - não original mas bem pensado há que dizê-lo - 10 Sombras Douradas apenas sobrevive com momentos pouco trabalhados de um argumento pobremente representado. Esqueçamos que estamos perante uma obra amadora onde todos os intervenientes não terão - em princípio - qualquer tipo de formação na área mas, na prática, uma boa parte do texto parece estar a ser lido à medida que é representado, sem qualquer espontaneidade ou descontracção.
Os erros interpretativos tidos em certos casos como extensões do argumento prendem-se com momentos como por exemplo aquando da primeira morte um dos intervenientes diz "ela não está a respirar"... Ora... se supostamente levou um tiro na cabeça estranho seria se respirasse... Se a isto juntarmos o facto da captação de som ser extremamente débil tendo por diversas ocasiões lábios que mexem e som que chega depois... passamos de uma história de mistério a uma que obrigatoriamente começa a fazer (sor)rir.
Existem ainda os cómicos de situação... Jovens (muito jovens) actores a interpretar adultos bem sucedidos e com carreiras empresariais e diplomáticas de sucesso que vestem Armani e afins ou até mesmo mulheres (jovens raparigas) que defendem a moral e bons costumes em ruas de prostituição com o único intuito de assassinar aquelas que "fazem pela vida". "Less is more" é um conselho sempre presente para um realizador em início de "carreira"... e quando os meios são poucos é preferível apresentar uma história, que mesmo tendo como inspiração um dos mais interessantes e intensos contos de suspense e mistério, se apresente como algo original e bem executado... algo que aqui não consegue ser.
Depois temos ainda as falhas técnicas que prejudicam a obra na sua credibilidade nomeadamente a captação de som que torna muitos dos diálogos imperceptíveis ou mesmo a caracterização que aquando do esfaqueado... se percebe o saco de "sangue" dentro do bolso da sua camisa. E finalmente o espectador pergunta-se... para quê a máscara com que todos chegam inicialmente se, na prática, ela é imediatamente removido revelando a identidade de todos? Não deveria estar ser mantida durante algum tempo? (pelo menos mais do que aquele que é!).
10 Sombras Douradas não diverte, não entretém ou tão pouco se afirma como uma média-metragem com algum detalhe de qualidade firmada. No entanto, e em defesa do jovem realizador há que dar-lhe os parabéns pela iniciativa, pelo espaço em que filmou que denota potencial para uma história do género (que é como quem diz parabéns pelos meios reunidos e pelos apoios que possa ter conseguido), bem como pela vontade de criar que teve neste filme o seu objecto de estudo... que se espera ser aperfeiçoado para um futuro novo trabalho.
Ainda como nota pessoal... parabéns pelos bloopers finais que conseguiram ser de qualidade bem superior ao resultado final de 10 Sombras Douradas conferindo alguma comédia a alguns momentos que supostamente seriam sérios mas que na realidade não passaram de aborrecidos.
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