sexta-feira, 5 de junho de 2015

Chicos que Lloran (2015)

.
Chicos que Lloran de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção e o mais recente filme do realizador de Seis Puntos Sobre Emma (2006), Al Final Todos Mueren (2013) - colectivo de realizadores - e Los Amigos Raros (2014).
Quatro amigos partem para um passeio pelo floresta quando um deles (Javier Zapata) avisa que se vai casar com Marga com quem está junto há seis meses. Mas é quando grava um pequeno vídeo para lhe enviar que todos os segredos se descobrem.
Os filmes de Pérez Toledo têm ao longo dos anos denotado uma característica muito especial, ou seja, a atenção que o realizador e argumentista deposita nas relações de amizade entre as suas mais variadas personagens. Com um cuidado especial a filmá-las, Pérez Toledo conta-nos através das suas histórias as mais diferentes formas de amizade e de como estas se compõem de segredos, de silêncios, de proximidade e também - neste caso - de como nem sempre todos eles funcionam de forma a favorecer aqueles elos primários que estabelecemos com as pessoas que nos são mais queridas. Em Chicos que Lloran aquilo que é realçado é a capacidade de dizer ao nosso melhor amigo aquilo que mais ninguém é capaz - por desinteresse ou simples omissão - mesmo que essas revelações levem a uma quebra de amizade, a desentendimentos ou até a algum tipo de agressão que, também eles, marcarão um percurso.
Ainda com a interpretação de David Mora, Sergio Wolbers e Andrés Acevedo, Chicos que Lloran oferece ao espectador o passado, o presente e o futuro de um instante determinante de três amigos que ao assistirem a um ponto de viragem de um outro decidem quebrar o silêncio que pode ser transformador na sua vida. Sob a premissa de que a amizade não é um bem absoluto que pode a qualquer momento ser colocada à prova, esta curta-metragem reflecte ainda sobre aquilo que eles são e o que sonharam em crianças poder vir a ser. Existirá alguma semelhança ou, por sua vez, os seus percursos levaram-nos a percorrer caminhos diferentes? Estará esta amizade a salvo face a todos os elementos exteriores que ao longo dos tempos foram surgindo? Será amizade nunca alertar aqueles que nos estão próximos ou será que a intromissão nos assuntos dos nossos amigos, protegendo-os de alguma desilusão, não é a prova maior de que estamos sempre do seu lado mesmo que eles possam ficar ressentidos com o que dizemos ou fazemos?
Quase sempre num registo semi-cómico mas com uma acentuada dramatização típica de um momento de viragem, Chicos que Lloran apresenta ainda uma inteligente e motiva música original de Alejandro Ventura que alerta o espectador para todas essas pequenas e quase invisíveis transformações de (mais) uma inteligente direcção de Pérez Toledo sobre as relações humanas.
.

.
8 / 10
.

Sem comentários:

Publicar um comentário