quinta-feira, 4 de junho de 2015

Poltergeist (2015)

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Poltergeist de Gil Kenan é o mais recente remake de uma obra de ficção/terror numa época em que os mesmos parecem abundar. Desta vez o revivalismo leva-nos até à obra homónima de Tobe Hooper de 1982 mas com alguns elementos modernos que não ajudam à revitalização do género.
Os Bowen - Eric (Sam Rokwell), Amy (Rosemaria DeWitt), Kendra (Saxon Sharbino), Griffin (Kyle Catlett) e Madison (Kennedi Clements) - chegam a uma nova casa depois da mais recente crise económica e desemprego afectar a família. Enquanto tentam adaptar-se à nova casa, Griffin nota que a jovem Madison começa a apresentar um comportamento diferente à medida que o próprio percebe que pequenos fenómenos ocorrem um pouco por toda a casa.
Quando Madison desaparece após estranhos acontecimentos ocorrerem, os Bowen tentam lutar contra o desconhecido e recuperar a sua jovem filha.
Com uma clara inspiração na história original de Steven Spielberg, David Lindsay-Abaire escreve o argumento de Poltergeist depois do brilhante Rabbit Hole (com algumas outras entregas pelo meio) naquilo que é uma clara e esforçada tentativa de recuperar um género e uma trilogia adormecidos há quase trinta anos e que assim deveria ter continuado. Ainda que Poltergeist inicie bem e com alguns momentos de tensão relativamente bem construídos, não é menos verdade que a tentativa de fazer algo "diferente" através de uma réplica daquilo que o espectador mais atento rapidamente identifica como parte fundamental do original, não abona a favor deste remake.
Por um lado Lindsay-Abaire faz desta família a nova vítima da crise, do desemprego e de um estatuto social que se perde - ao contrário dos já nossos conhecidos "Freeling" que só encontram esses problemas pós-entidades sobrenaturais - ou até mesmo estabelecer uma relação próxima entre os pequenos fenómenos que ocorrem dentro daquela casa com as linhas de alta tensão que passam perto da comunidade mas isto só funcionaria se o espectador não soubesse aquilo que o espera ou nunca tivesse assistido à obra original. E as "inovações" terminam por aqui.
Aquilo que temos de seguida é uma rápida, e por vezes desastrada, recuperação do fenómeno sobrenatural e da desvirtualização de algumas personagens e dos seus papéis, nomeadamente da mãe de família que aqui deixa de ser a heroína protagonista para dar lugar a um filho que se assume como o salvador de uma irmã perdida às mãos das entidades do além, ou até mesmo o pai de família que teria em Sam Rockwell um interessante protagonista mas que aqui pouco mais faz do que vaguear também ele fantasmagoricamente por um filme que lhe escapa pelos dedos muito fácil e rapidamente.
Não temos a magia sobrenatural à volta dos investigadores do mesmo, nem tão pouco o regresso de alguém capaz de possuir o carisma de uma Zelda Rubinstein que nos cativava pela enorme personalidade que depositava à sua "Tangina", cedendo aqui também à evolução do meio televisivo e trazendo para este Poltergeist as modernices de uma reality-TV desinteressante e oca que sobrevive apenas e só graças aos momentos pop que consegue recriar. Com o devido respeito a Jared Harris e ao seu "Carrigan Burke"... no thanks!
A Poltergeist versão 2015 falta alma, apesar de ser um filme que pressupõe ter a existência de muitos no seu enredo, falta personalidade para as suas personagens que vivem de alguns clichés e de uma tentativa hipster de se tornar a nova porta de entrada às respectivas sequelas - que eventualmente vão surgir ainda com menos força do que este - e ainda que aqui existam alguns momentos inicialmente bem pensados... nada assustará mais do que aquilo que tivemos em 1982 com o dedo mágico de Spielberg - se é que me entendem!!!
Rockwell não chega à interpretação de Craig T. Nelson e DeWitt não consegue ser a mãe coragem que JoBeth Williams foi. A jovem Kennedi Clements não estabelece uma empatia natural com o espectador como o fez Heather O'Rourke nem tão pouco conseguimos esquecer Oliver Robins e a sua saga pessoa com um palhaço ou com o aparelho dos dentes e que aqui através da interpretação de Kyle Catlett deixa de ser algo secundário para assumir ele a postura de "salvador da nação". A magia, muita ou pouca, perde-se e Poltergeist mais não é do que um daqueles filmes que entretém agora no Verão toda uma nova geração que, muito possivelmente, jamais se dignará a conhecer os títulos originais, que irá chegar aos Prémios MTV mas que nunca conseguirá estabelecer o estatuto de culto como a trilogia original conseguiu. Nunca as piscinas, as árvores ou os palhaços foram tão assustadores como no Poltergeist original e o espectador fã do mesmo sente-se um tanto atraiçoado com a recuperação tão insonsa de um título que reservou boas experiências e sustos àqueles que foram "criados" com o bom cinema de terror dos idos anos 80.
Poltergeist distrai... tem os seus momentos... mas também exagera - por vezes ao absurdo (aquela árvore... enfim...) - não estabelece qualquer empatia com as personagens e no fim... bom, no fim bocejamos porque percebemos que isto era perfeitamente dispensável.
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5 / 10
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