domingo, 7 de junho de 2015

Maggie (2015)

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Maggie de Henry Hobson é a mais recente longa-metragem de Arnold Schwarzenegger a ter estreia comercial este mês em Portugal e que nos remete para um cenário pós-apocalíptico onde a perda e a sobrevivência se mesclam numa história que é, de alguma forma, familiar.
Maggie (Abigail Breslin) encontra-se separada da sua família aquando de um vírus infecta uma boa parte da população do Midwest. Wade (Schwarzenegger), o seu pai, procura-a por entre as ruínas de uma cidade para a encontrar num centro de detenção dos infectados.
Depois de a levar para casa, Maggie começa lentamente a transformar-se num zombie caníbal e, como tal, numa ameaça para a segurança da sua família e da sua comunidade.
O argumento de Maggie está longe de fugir aos elementos fundamentais de um filme onde os mortos-vivos tomaram conta da Terra mas, no entanto, também não se aproxima da premissa original do género onde o espectador está perante uma intensa e longa viagem de fuga, de medo e de perda. Aqui o que se pode encontrar é principalmente uma história de despedida, de redenção e principalmente uma em que se pretende encontrar um qualquer tipo de paz em tempos conturbados que possibilitem uma tranquila passagem para "outro lado".
Longe de encontrarmos o típico filme em que Schwarzenegger protege o mundo de uma qualquer ameaça, Maggie mostra-nos uma faceta pouco explorada do actor como um pacato pai de família que percebe ir perder uma parte significativa da mesma. Quase sempre contido, é o lado dramático de Schwarzenegger que se vê explorado. Aquela faceta de duro com uma arma que elimina tudo à sua volta dá lugar a uma introspecção sobre o lar, a família e os tempos que para lá da janela de casa insistem em transformar-se ao mesmo tempo que cada um dos membros daquela família procuram - também eles - o seu próprio lugar.
Quando o mundo que conhecem - campos, cultivo, subsistência e trabalho - são postos em causa por uma ameaça desconhecida, o que fazer ou de que forma perceber que é necessário a partir daquele momento equacionar toda uma nova existência? O que fazer quando, durante esse processo, se percebe que uma parte importante da vida está prestes a desaparecer para sempre não deixando qualquer tipo de lembrança ou memória?
Ao mesmo tempo Maggie reflecte - de forma quase silenciosa - sobre as novas ameaças ecológicas ao relacionar o início deste vírus bem como o contágio humano, com a presença de novos químicos utilizados nos campos de cultivo, motivo pelo qual os mesmos são imediatamente incendiados e destruídos lançando assim a população com uma nova crise - a alimentar e a laboral - que os coloca numa posição de desconfiança e resistência a tudo o que ameace o pouco que têm. É nesta época de incerta mudança - que claramente não é para melhor - que "Maggie" se transforma. Uma transformação que leva à desconfiança, à suspeita, à ostracização e eventual perseguição. Até que ponto se torna a sociedade mais segura quando ninguém está - aparentemente - livre das suspeitas de um vizinho?! O tempo não pode ser desperdiçado pois todo o que existe é importante para a segurança comum.
Se Abigail Breslin entrega uma interpretação inspirada para o género - também a sua personagem com a percepção de que o tempo é limitado e, como tal, importante demais para ser desperdiçado -, não é menos verdade que é Schwarzenegger que detém toda a relevância ao longo desta longa-metragem que surpreende por se manter fiel ao género mas fugindo dos tradicionais clichés do grupo de sobreviventes que vagueia pelas cidades abandonadas à procura de alimento e refúgio. Aqui o alimento apesar de escassear a acção é, no entanto, centrada toda no mesmo espaço: uma casa. A casa de família. Aquela onde "Maggie" nasceu, cresceu, onde a sua mãe morreu e onde o seu pai voltou a casar e ter mais filhos. A casa onde todas as recordações estão gravadas e onde tudo pode - e vai - terminar sem qualquer ausência ou fuga. Sem desesperos, gritos, perdas ou separações. A casa que (como se diz) guarda as memórias de todos aqueles que por ela passaram ganhando assim a sua própria vida e alma.
Schwarzenegger é seguro neste seu regresso ao grande ecrã com uma interpretação contida - tanto quanto necessário num filme em que o que está implícito é a perda de um ente querido - com uma história onde a agressividade se vê mais nas acções de uma nova sociedade do que propriamente no cataclismo que a fez cair.
Seguro ainda pelos seus aspectos técnicos nomeadamente a caracterização e a direcção de fotografia de Lukas Ettlin, é curiosamente através da protagonista Abigail Breslin que Maggie cai num cliché algo absurdo mesmo nos instantes finais com a solução por si encontrada para terminar com o seu martírio. Ainda assim é, no seu geral, um filme interessante que foge aos variados lugares comuns que normalmente abundam pelo género e que se afirma como um interessante regresso de "Arnie" à Sétima Arte.
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7 / 10
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