quarta-feira, 17 de junho de 2015

Marioneta Ciega (2013)

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Marioneta Ciega de Jaime Fidalgo é uma curta-metragem de ficção de produção mexiano-espanhola e que leva o espectador para uma viagem a uma mente atormentada por um crime do passado.
Tommy (Tomás Pozzi) é um marionetista depressivo e por vezes até maníaco que já no extremo das suas capacidades actua pelas ruas da cidade como forma de expiar os seus tormentos. Por detrás de uma profissão que fará - em princípio - rir os demais, Tommy esconde um terrível passado ensombrado por um segredo que o condiciona.
Conseguirá ele dominar as memórias que o atormentam ou, por sua vez, irá ele ceder ao monstro que tem dentro de si?
Por vezes em narração ou entrevista directa quase documental, por vezes como uma encenação de um passado e presente traumático, o argumento de Marioneta Ciega da autoria do realizador Jaime Fidalgo, Paco Martínez e Tomás Pozzi confere ao espectador uma interessante experiência e descida aos infernos de uma mente perturbada não só pela sua própria decadência como principalmente pelos actos bárbaros cometidos na sua espiral descendente. Com um constante medo presente em todos os seus actos e acções, "Tommy" é um homem perdido na memória de um passado rico em afecto mas que devido aos seus próprios demónios e excessos lançou num rumo de perdição do qual alguma vez conseguiria sair.
No seio de uma vida de alcoól e alguns problemas mentais e de afirmação, "Tommy" apenas conseguiria afirmar-se pela libertação do animal que tinha dentro de si. Os afectos e os laços estabelecidos com aqueles (aquela) com quem de mais perto vivia e estabelecia o seu porto seguro ruíam sempre que se aproximava de alcoól. Ao libertar o tal monstro desconhecido do qual tanto se refere, "Tommy" dava lugar ao irracional, à violência e à brutalidade de um ser que aparentava não existir. É então que num breve mas violento momento condena não só a sua sanidade como a segurança da mulher que lhe trazia conforto numa experiência traumática para ela e reveladora da sua verdadeira essência.
Marioneta Ciega vive num constante recriar de um espírito carnavalesco, feirante ou até mesmo burlesco. No seio de artistas de rua sempre tão místicos como exagerados, esta curta-metragem dá lugar ao tal "outro eu" presente dentro de cada um destes seres que semeiam os sorrisos mas vivem dentro de uma psique desconhecida e instável - brilhante a inserção de um actor tão característico como é Javier Botet como um "Peter Pan" não tão simpático quanto aparenta mas sim uma mente igualmente alheada e que testa - e tenta - o lado escuro dos demais.
Grande a interpretação de Tomás Pozzi que desde o primeiro instante revela o corpo e alma de uma mente atormentada e perdida nos seus pensamentos e pecados, assim como grande é a direcção de fotografia de Jorge Delgado e Lucas Romeo que juntamente como a direcção de arte de Deborah Deneo, David Bermejo, Enma Domínguez e Diego Duarte recriam as luzes, as cores e o espírito de um ambiente circense sem esquecer, no entanto, todo o lado negro que se apodera de um conjunto de almas que aparentam estar perdidas nos seus próprios pecados.
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8 / 10
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