sábado, 6 de junho de 2015

Shaun the Sheep Movie (2015)

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A Ovelha Choné - O Filme de Mark Burton e Richard Starzak é uma longa-metragem britânica de animação e a mais recente a dar vida às aventuras da ovelha mais conhecida dos mais novos.
Quando Shaun - a Ovelha Choné - decide tirar um dia de folga das aborrecidas tarefas da quinta todos os caminhos levam à confusão e ao desaparecimento do Agricultor na grande cidade. No entanto, é quando os porcos da quinta decidem tomar o controlo da casa, que Shaun ruma à cidade para encontrar o seu dono agora com amnésia.
Como as confusões não acabam por aqui, o restante rebanho segue Shaun enquanto todos são perseguidos por um imparável funcionário do canil que detém todos os animais com quem se cruza. Conseguirá Shaun regressar aos verdes pastos da sua quinta?
Ainda que uma animação pouco típica numa sala de cinema - muito também graças à conotação que o nem sempre feliz título português conferiu a esta série animada - Shaun the Sheep é assumidamente uma animação não só para crianças. Longe de uma história banal, esta longa-metragem cujo argumento ficou também a cargo da dupla de realizadores, é um interessante estudo sobre as pequenas tarefas rotineiras do dia-a-dia que inicialmente nos parecem constrangedoras e aborrecidas mas que, na sua ausência, assumem uma proporção curiosa ao serem elas que caracterizam aquilo que todos nós conhecemos como lar.
Ao mesmo tempo Shaun the Sheep Movie tece sérias e interessantes considerações - sempre de forma bem divertida - sobre a independência ao sairmos do nosso espaço e da nossa casa, sobre o crescimento e amadurecimento mas principalmente sobre a amizade e como só existe um espaço ao qual chamamos lar apesar de todos os percursos que seguimos ao longo da nossa vida, e tudo isto tendo ainda tempo para uma simpática reflexão sobre os milhares de animais que se encontram em abrigos prestes a ser adoptados e a encontrar, também eles, a sua própria família.
Com um humor cortante e ao qual o espectador não consegue resistir - independentemente da sua idade - Shaun the Sheep Movie reserva ainda simpáticos momentos de emotividade e emoção que fazem tanto miúdos como graúdos sonhar um pouco com aquele tipo de animação que infelizmente já não são muito comuns onde as histórias podem ser contadas sem o recurso à violência gratuita sem que por isso percam o seu lado mais frenético, louco e agitado que apenas personagens bem construídas, com história e o seu próprio "passado" conseguem entregar.
Aqui os protagonistas são os animais... Todos eles. São eles que interagem com uma história que pretendem contar, com as frustrações que os desanimam e desmotivam e são também eles que pretendem mostrar e obter um novo rumo para as suas vidas desinteressantes. Não falam, mas expressam-se através de ruídos característicos que lhes são atribuídos, e as suas preocupações são por demais evidentes para o espectador... Até mesmo os seus comportamentos que são por momentos mais "humanos" do que aqueles tidos pelos próprios. As poucas personagens ditas humanas conseguem ser menos expressivas do que os supostos animais, e as poucas formas "verbalizadas" que denotam são ainda mais incompreensíveis do que as produzidas pelas ovelhas, cães, tartarugas, lagostas ou peixes... Mas todos eles, sem excepção, têm a sua própria mensagem para contar.
Com uma passada certa e constante sem que, no entanto, seja uma "fábrica" de produção em massa, a Aardman Animation consegue produzir histórias credíveis, fortes e divertidas, assumindo-se assim como um nome de peso na animação europeia e com a sua marca característica que foge à criação computorizada e sem que isso face as suas personagens perder qualquer tipo de expressividade... bem pelo contrário... "Shaun the Sheep" não poderia ter naquele "rosto" todo um conjunto de expressões... até mesmo a ironia.
Para mim uma das mais bem sucedidas animações dos últimos tempos. Talvez não chegue longe face às inúmeras outras histórias cujo marketing funciona em peso e mais eficazmente mas por aqui a diversão consegue ser tão boa - por vezes melhor - quando livre de preconceitos o espectador arrisca assistir a uma história que está muito para além de um título que nem sempre é muito feliz.
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8 / 10
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