terça-feira, 30 de junho de 2015

A Minha Rua (2015)

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A Minha Rua de Rúben Ferreira é uma longa-metragem portuguesa de ficção e a mais recente do realizador da saga O Lenhador Assassino e O Estrondo.
Diego e Adrian são dois irmãos que desde jovem idade tudo fizeram juntos. Quando aos cinco anos de idade fogem de casa para viver na praia, conhecem Irina, uma menina por quem os dois se apaixonam e que ditará a sua separação para o resto das suas vidas.
Enquanto Adrian tem uma vida descansada junta da sua amada, Diego leva uma vida de tortura e miséria que o irão transformar num Líder do crime... de uma rua cujo futuro será incerto tendo, no entanto, uma única certeza... o passado irá reencontrá-lo para um ajuste de contas.
Rúben Ferreira e Alex Carvalho voltam a unir esforços para escrever o argumento desta longa-metragem que tem um início promissor... o registo docu-ficcional da história de vida de "Diego" entrega a A Minha Rua um início interessante e auspicioso por se inserir no campo do mockumentary despertando assim no espectador uma certa curiosidade para onde se dirige o rumo deste jovem desprezado que, sendo ficcional, consegue encontrar um elemento de "real" ao relatar a sua amarga história.
No entanto, e ainda que com um pequeno segmento que consegue cativar e permanecer seguro nos seus objectivos, não é menos verdade que rapidamente cai no habitual registo das obras previamente mencionadas repetindo a fórmula já conhecida em O Estrondo ou O Lenhador Assassino... aqui sem mortes devido a um qualquer psicopata mas sim graças a um "senhor do crime". Longe de grandes novidades ou de um enredo que fuja às já habituais cenas de gangs mafiosos ou carochos com a mania que são batidos no crime e na vida criminosa de rua que conhecemos dos demais filmes de Ferreira, A Minha Rua prima essencialmente por ser um filme cuja dinamização do seu realizador é o seu ponto forte.
A dinâmica entre as personagens já a conhecemos... vivem de alguns gags e momentos com algumas lutas e palavreado forte e feio bem à moda do norte - alhos e bugalhos que, sejamos honestos, até conseguem ter alguma piada - mas para além disso não existe nenhuma evolução ou crescendo nas personagens que seja digno da atenção que lhes prestamos sendo na sua essência o mesmo actor sem qualquer tipo de caracterização ou envelhecimento mesmo que passem meses ou anos entre segmentos. Os diálogos são - na sua essência - cópias fiéis daquilo que já vimos e há excepção do espaço em que estão inseridos que vai ocasionalmente mudando, A Minha Rua é... mais do mesmo. Mais do mesmo ao ponto de no final de tantos filmes já realizados encontrarmos ainda actores que olham directamente para a câmera, que se riem quando deveriam mostrar medo pela personagem que se tem como criminosa e que, na prática, mais parece um ensaio geral do que propriamente filme final.
Tecnicamente também não encontramos novidades ou até mesmo acréscimo de qualidade... Pelo contrário, A Minha Rua demonstra que o tempo que levou a ser feito não é proporcional à qualidade que se esperava ou encontra nas obras iniciais do jovem realizador que não só continham interessantes planos sequência e um cuidado extremo com aspectos como o som ou a fotografia e que são aqui esquecidos deixando a desejar quanto ao resultado final.
A Minha Rua é, no final, resumido a uma pequena frase ou pensamento... Um aplauso à iniciativa mas já não tanto ao trabalho aplicado que se esperaria ser muito melhor.
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2 / 10
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