quarta-feira, 17 de junho de 2015

El Baile (2014)

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El Baile de Galder Arriaga - também o argumentista - é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos relata a rotina diária de um homem solitário. Acorda sempre à mesma hora para efectuar todo um conjunto de acções já cronometradas ao segundo para sair de casa sempre no mesmo momento.
É, no entanto, no momento em que Ela surge na sua vida que todos estes pequenos rituais que ele pensava ter adquirido se vão questionar e pôr em causa.
Ainda que o argumento de El Baile remeta o espectador para os pequenos gestos e movimentos que diariamente cada um de nós efectua como se realmente de uma dança se tratasse, com a precisão cronometrada de uma peça já ensaiada, não será menos correcto afirmar que esta história se prende com algo mais profundo.
A questão que realmente deveremos colocar ao assistir a esta curta-metragem prende-se sim com esse ritual diário mas, ao mesmo tempo, o que acontece quando um elemento exterior - aqui na pele de uma outra personagem - interfere na coreografia já delineada ao transferir os seus próprios hábitos e movimentos para uma peça já tida como garantida. Ou seja, quão permeável é o ritual que "Ele" tem ao ponto de se deixar influenciar por "Ela" com quem agora parece estabelecer uma ligação - ou relação. Assim, se é justo questionar a referida dança que cada um de nós faz sózinho a um ritmo diário, não é menos verdade constatar que a mesma se transforma quando tida a dois cedendo, cada um, um pouco do seu espaço para que este novo elemento se apodere um pouco do espaço do "palco" - que mais não é do que a vida.
Mas ainda mais importante é a última questão de Arriaga nos deixa no final ao questionar-se (-nos) sobre o que acontece quando as pequenas adaptações se transformam em grandes problemas, sobre a forma como estes podem ser ultrapassados e acima de tudo o que fazer para que a reconciliação seja uma confirmação para que a dança - e o caminho - sejam feitos a dois.
Simpática pela sua mensagem e pela engenhosa e inovadora forma como é dirigida onde os actores mais não são do que mãos que compõem movimentos, El Baile recria sem uso directo de actores, uma relação a dois... o seu início, a sua adaptação e o seu ponto ideal onde duas pessoas podem pensar em constituir-se como uma potencial família.
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7 / 10
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