quinta-feira, 11 de junho de 2015

The Crow: City of Angels (1996)

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O Corvo - Cidade dos Anjos de Tim Pope é uma longa-metragem norte-americana sequela de The Crow (1994), de Alex Proyas que não ressuscita a personagem "Eric Draven" interpretada por Brandon Lee mas dá sim corpo a "Ashe Corven" (Vincent Perez), mais uma vítima da violência de uma Los Angeles futurista e degradada onde reina o crime.
Tempos depois de Ashe e o seu filho terem sido selvaticamente assassinados por um gang do submundo da droga, este ressuscita para vingar a morte do seu filho e limpar as ruas de uma cidade que há muito encontrou a sua perdição.
Primeira, e única à data, longa-metragem de ficção de Tim Pope, este The Crow: City of Angels faz jus àquilo pelo qual o realizador mais tem destacado a sua carreira... os videoclips. Esqueçamos por momentos a dificuldade que é dirigir uma sequela de um filme de culto como o foi The Crow e concentre-se o espectador naquilo que assiste nesta longa de Tim Pope. Aquilo que aqui é entregue e com alguns apontamentos positivos no que ao aspecto técnico diz respeito, é um elaborado videoclip cujo cenário é brilhantemente apimentado com ideias e transformações quase pós-apocalípticas deixando para trás o tal cenário de uma cidade devastada pela violência que poderia, muito facilmente, ser o resultado de uma sociedade perdida e destruída por algo maior que não é mencionado.
Em The Crow: City of Angels temos uma cidade completamente dominada pela escuridão, pela noite, pela violência, pela marginalidade, droga, homicídios e gangs que controlam os passos e a existência de todos aqueles que por ali ousam permanecer. Temos os ocasionais criminosos e aqueles que, mais organizados, impõe as regras e as leis, e uma total ausência de existências ditas normais até que chega o nosso protagonista "Ashe Corven" que metido nos seus próprios assuntos - se é que alguns - se vê involuntariamente envolvido num acontecimento que lhe irá provocar - e ao seu filho - o trágico destino de uma morte antes de tempo.
No seio desta cidade alternativa e que não dá sinais de outra existência que não a da perdição, The Crow: City of Angels tenta revitalizar o espírito do seu predecessor de 1994 e criar a tal dinâmica de que o "corvo" - personagem central mas quase ignorada, não fossem as suas breves aparições e era perfeitamente secundado - procura as vítimas injustiçadas de uma cidade que não dorme e não perdoa. No entanto, e sem qualquer dinamismo, o realizador falha na construção das personagens envolvidas removendo-lhes qualquer sentido ou carisma que Brandon Lee ou Michael Wincott haviam conferido anos antes aos seus "alter-egos" cinematográficos - e que bem que vão - tendo os mesmos contribuído e muito para o já mencionado estatuto de "culto" que esta obra adquiriu (não exclusivamente claro está, pois o trágico desaparecimento de Brandon Lee isso consolidou).
Assim o que pode o espectador esperar de The Crow: City of Angels? Na realidade... pouco! Temos a tal construção de uma cidade "perdida" bem executada... o retrato de um mundo do crime interessante mas que, bem visto, acaba por ser suficientemente forçado para que não se sinta o ar tenebroso que aparenta querer fazer chegar ao espectador mas, com tudo isto, temos sim aquele ambiente de "videoclip" bem executado e, com uma música bem escolhida... eventualmente até estaríamos perante um intenso e bem elaborado videoclip que poderia, inclusive, servir de referência para o género. Fora isso, temos uma pobre tentativa de fazer subir a fasquia para igualar a obra de Proyas e um conjunto de desempenhos que ficam muito longe do melhor de Vincent Perez - sem grande dinamismo ou entrega ao seu "Ashe" - um Iggy Pop que quase arriscaria dizer... igual a si mesmo, ou até Thomas Jane aqui quase como um pobre figurante de uma obra que... pouco tem ou guarda a seu favor.
Repleta de lugares comuns sobre a marginalidade e o tal "submundo" do crime organizado, sobre o que é ser "alternativo" ou com um rumo próprio, The Crow: City of Angels permanece, no entanto, com um ponto positivo pela sua direcção de fotografia a cargo de Jean-Yves Escoffier que capta o essencial de uma cidade tenebrosa e perdida nessa mesma escuridão, que serve como um potencial passatempo para o espectador desejoso de não perder muito do seu tempo a pensar nas dinâmicas desta história ou então para os assumidos fãs desta saga que, no entanto, não irão ter uma longa-metragem tão coerente como aquela tida com a de Alex Proyas.
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3 / 10
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