sexta-feira, 7 de outubro de 2016

21 Nuits avec Pattie (2015)

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21 Nuits avec Pattie de Arnaud Larrieu e Jean-Marie Larrieu é uma longa-metragem francesa de ficção presente na décima-sétima edição da Festa do Cinema Francês a decorrer em Lisboa até ao próximo dia 16 de Outubro no Cinema São Jorge que nos relata a viagem de Caroline (Isabelle Carré) à casa de campo da sua falecida mãe, onde num misto de auto-descoberta, prepara o funeral da mesma e conhece Pattie (Karin Viard), uma mulher libertina que lhe irá mostrar toda uma nova perspectiva sobre o que é viver.
O argumento, que é também da autoria da dupla de realizadores, gira essencialmente em torno da personagem interpretada por Isabelle Carré e da sua evolução psicológica e sentimental enquanto vive um momento de reflexão pela morte de uma mãe com quem - percebemos - não existia uma próxima relação ou afinidade. "Caroline" é uma mulher que chega relativamente indiferente à casa de uma mãe agora desaparecida da qual, na prática pouco parecia conhecer. A forma como conhece aqueles que com ela privavam ou até mesmo a casa habitada pela mãe revela ao espectador o sentido distanciamento físico que as afectava. No entanto, e sem uma explicação aparente, este distanciamento regista-se também ao nível de um desconhecimento na forma de estar e encarar o mundo e principalmente algo emocional que as separa. Não conhecendo o que levou a este distanciamento - para lá de uma aparente forma de estar no mundo -, daquilo que percebemos de "Caroline" é que esta é uma mulher reservada, fechada nos seus sentimentos e na sua sexualidade deixando-se levar por uma auto-repressão que a condiciona no trato com os outros - família incluída - e que esta auto-descoberta agora iniciada é o princípio de toda uma transformação que lhe chega através dos breves encontros que tem com "Pattie" (Viard), uma mulher que privou de perto com a sua mãe.
A casa de "Isabelle" - a falecida - é algures durante o filme citada como um espaço que "acolhe todos os ventos"... um local onde todos se dirigem e onde passam momentos de completa e total libertação - sentimental, sexual, emotiva e até mesmo social - comprometendo-se apenas com os seus próprios pensamentos e, no fundo, liberdade. É por estas palavras que acabam por ser caracterizadas estas duas mulheres... Uma mãe libertina e um espírito livre que criava elos sentimentais e emocionais com todas as pessoas que decidiam realmente viver a sua vida e uma filha que eventualmente dela se tenha distanciado - desconhecendo por completo todas as facetas da sua vida - e que desenvolve todo um comportamento social apático mesmo com um marido que a ama que mais os separa que aproxima.
Com um subtexto muito explícito no que diz respeito a uma liberdade sexual que aquele grande casarão faz florescer, 21 Nuits avec Pattie tenta a comédia ligeira e o drama sentimental fácil que, no entanto, não convence o espectador a criar uma acentuada empatia com nenhuma das personagens. Personagens essas que, na sua maioria, são meramente figurativas e complementares a uma história onde apenas brilha aquela interpretada por Isabelle Carré que dinamiza todo o filme - para o bem e para o mal - podendo apenas ela dar cor a este filme que nunca desenvolve para além do momento em que reflecte - a todos os instantes - sobre a repressão versus liberdade sexual da protagonista.
Com uma interpretação exaustivamente vulgar de Isabelle Carré - com cuja personagem dificilmente se consegue criar qualquer tipo de empatia - tendo alguns momentos com potencial para transformar esta história numa divertida comédia dramática, 21 Nuits avec Pattie é, no entanto, excessivamente longo para o conjunto de banalidades que entrega ao espectador caindo num conto monótono e aborrecido sobre uma descoberta - fora de tempo - daquilo que é, no fundo, o tema principal desta história, ou seja, sem sexo... livre e descomprometido... a vida é um aborrecimento.
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5 / 10
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