segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Children, Madonna and Child, Death and Transfiguration (2016)

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Children, Madonna and Child, Death and Tranfiguration de Ricardo Vieira Lisboa é uma curta-metragem experimental portuguesa que esteve presente na competição In My Shorts da vigésima edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer que decorreu no Cinema São Jorge, em Lisboa, entre os passados dias 16 e 24 de Setembro.
Nesta curta-metragem o realizador recorre às obras Children (1976), Madonna and Child (1980) e Death and Transfiguration (1983), de Terence Davies nos quais o espectador encontra três momentos na vida de "Robert Tucker". O ecrã apresenta os três momentos num equilíbrio notável como se a história interligasse todos eles - ainda que temporalmente distintos - revelando uma sucessão de momentos como que o actual mostrasse a continuidade daquele vivido anteriormente.
No primeiro destes segmentos - Children - o espectador conhece a infância de "Tucker", num colégio para rapazes onde a violência impera a todos os níveis. No segundo momento - Madonna and Child -, o espectador acompanha a vida da mesma personagem, agora mais velho, vivendo com a mãe e ocultando a sua homossexualidade. Finalmente, no terceiro e último segmento - Death and Transfiguration - acompanhamos "Robert" após a morte da sua mãe e a solidão como uma rotina de um agora presente.
Da infância à velhice, dos momentos marcantes de uma juventude vivida às experiências sócio-afectivas que atravessou, todos estes segmentos apresentam etapas distintas na vida de um homem que (no final) se encontra solitário e desamparado sem ninguém que o recorde ou por ele chore. Numa interligação de momentos de filmes distintos - que têm, no entanto, uma ordenação cronológica entre os mesmos - Vieira Lisboa constrói uma história (não sendo original per si) que parece comunicar entre os diversos segmentos escolhidos apresentando uma história distinta mas que "fala" para uma espectador como se tivesse sido editada naquela mesma ordem questionando a obra no seu sentido lato sem, no entanto, colocar em causa os originais nos quais se inspirou.
Diferente na abordagem e subversivo pela forma como desconstrói uma obra já publica, esta função de três curtas-metragens de Terence Davies consegue conquistar um lugar próprio e entregar ao espectador um novo olhar sobre as mesmas.
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6 / 10
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