sábado, 13 de julho de 2013

Brocéliande (2003)

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Sombras da Mente de Doug Headline é um simpático mas pouco eficaz filme de suspense/terror que tenta unir alguns elementos tradicionais do género.
Chloé (Elsa Kikoïne) chega a uma Universidade especializada em história celta. Esta Universidade encontra-se perto da floresta de Brocéliande que, segundo reza a lenda, era o local onde os druidas se reuniam para preparar muitas das suas poções mágicas.
Uma vez aqui chegada, Chloé depara-se no meio de um conjunto de trágicos e misteriosos assassinatos que fazem desaparecer todos aqueles que estão aparentemente a estudar as lendas e tradições celtas, e é nas escavações na floresta que ela faz importantes descobertas sobre quem pode estar por detrás dos assassinatos bem como qual as suas reais intenções.
É então que não só ela deve preparar-se para enfrentar o misterioso assassino como também perceber que ele pode ser alguém que tem estado muito perto de si. Assim Chloé terá de recorrer aos seus conhecimentos da mitologia celta e também conseguir escapar da misteriosa floresta que parecer capturar todos aqueles que nela entram.
Doug Headline e Benoît Lestang acertam na ideia de recuperar para o cinema a mitologia celta que é tão mística como sedutora, e que não tem recebido a devida atenção por parte de nenhuma filmografia em particular. Os druídas e as suas poções bem como o conjunto de lendas que roçam muito de perto o misticismo, as lutas e por sua vez alguma inerente violência, têm ficado afastados da atenção do mais entusiasta espectador que poderia literalmente "devorar" filmes com este pano de fundo.
No entanto, uma coisa é ter um bom potencial para adaptar uma ideia e outra é consegui-lo fazer de forma coerente e entusiasmante que é algo que aqui não acontece. É um facto que este filme tem elementos que nos conseguem cativar e despertar o interesse que se prendem na sua maioria com aquilo que referi anteriormente, e com a capacidade que tem de recriar alguns momentos mais tensos e seguros das intenções que se pretendem recriar, mas ao mesmo tempo aquilo que aqui temos é um filme que agarra nas bases que tem e as adapta da forma mais previsível e, no fundo sem graça, misturando a mitologia celta com assassinatos universitários, alunos potencialmente interessados numa qualquer obtenção de poder para pertencerem a um culto e claro, "entidades" que ninguém percebe muito bem como aparecem mas que cometem as maiores e mais inexplicáveis proezas mesmo à frente dos nossos olhos.
Curiosamente são estes mesmos actores que representam os alunos mais "dúbios" que conseguem obter as interpretações mais interessantes e centradas naquilo que eles realmente pretender ser... os vilões do momento. Por um lado temos "Erwann" (Mathieu Simonet) e por outro temos "Gilles" (Cédric Chevalme) que ora parecem ser boas pessoas ora aparentam ser mais do que aquilo que mostram, confirmando já bem perto do final aquilo que realmente são sendo que nos deixam com vontade que o filme tivesse girado mais em torno das suas personagens do que propriamente na de "Chloé".
No final, e há excepção de um conjunto de interessantes e originais cenários fiéis ao ideal celta e o tal misticismo que nos é incutido ao longo de todo o filme, aquilo que ele nos dá não é muito. Ao contrário do que esperamos aquilo que nos é de forma geral apresentado é um conjunto de clichés de filme campal/universitário onde todos são suspeitos de tudo, e por vezes até a suposta vítima não escapa desta premissa, ao mesmo tempo que percebemos claramente que quem aparenta ser vilão... o é na prática.
É um filme com um claro potencial e que promete ser algo interessante se o usar, desafiando a nossa curiosidade num universo ainda pouco explorado mas, na prática, cai nos mesmos erros e elementos típicos do género "teen-movie" sem conseguir assim apresentar nada de relevante e fresco que possibilite ao espectador criar uma empatia com o ambiente,  com as suas personagens que estão assim gastas de outros tantos filmes do género, ou com a sua história que aparentava ser mais fiel.
Assim dito isto, como última análise apenas se pode acrescentar que é um filme que entretém sem conseguir convencer o mais exigente, ou atento, espectador.
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4 / 10
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