terça-feira, 30 de julho de 2013

Versus (2000)

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Versus - A Ressurreição de Ryûhei Kitamura, que assina o argumento em parceria com Yudai Yamaguchi, é uma longa-metragem japonesa que me havia sido apresentada como sendo de terror.
A história prevê que existam 666 portais que ligam o nosso mundo ao lado lado... um mais negro. Portais esses que se encontram escondidos dos olhares humanos e um deles encontra-se no Japão, portal esse conhecido como o da Floresta da Ressurreição.
É nesta floresta que nestes nossos dias se vão cruzar um grupo de criminosos, um condenado que escapou da prisão e uma misteriosa mulher que despertam a ira daqueles que uma vez mortos e ali enterrados resolvem agora regressar à vida com a ajuda de um espírito das trevas dando assim lugar a uma batalha entre o bem e o mal sem precedentes e da qual dificilmente alguém conseguirá escapar.
Este filme quando me fora apresentado pela primeira vez deixou a ideia de que daqui iria sair uma pérola do terror do cinema asiático onde não só iria assistir a uma verdadeira batalha entre o bem e o mal como principalmente entre dois mundos que conviviam harmoniosamente estando, no entanto, um deles afastado dos olhares da Humanidade. Um mundo das sombras por e para onde as almas atormentadas tinham sido enviadas e que para ali entrar existiam apenas um conjunto de portais que lhe dariam acesso. Portais esses que não só ninguém os via como também ninguém por eles poderia passar a não ser que já tivesse a sua sentença lida.
Se a este conjunto de factores juntarmos a ideia de que vamos assistir a um conjunto de momentos repletos de artes marciais e misticismo samurai ao mesmo tempo que temos um moderno filme de violência urbana e gangsters armados, então só podemos esperar um dos mais intensos e artísticos filmes japoneses de que pode haver memória, e um filme que dificilmente algum fã dos referidos géneros pode sequer imaginar não ver.
No entanto, à medida que o filme decorre percebemos que pouco daquilo que fora prometido nos está a ser revelado e o que vemos nas imagens é um conjunto de segmentos mais ou menos amadores, muito para dizer a verdade, que apenas contém pequenas e quase invisíveis partículas de um filme de terror onde o bem e o mal se enfrentam na realidade. Começamos por ter um filme integralmente filmado numa qualquer floresta que poderia facilmente ser a mata que se encontra nas traseiras de qualquer casa no campo, pouco mística, pouco assustadora e ainda menos um local onde centenas de almas penadas tivessem encontrado o seu túmulo final. Na realidade, qualquer filme passado em Las Vegas consegue ser mais assustador se pensarmos que no deserto em seu redor muitos já lá devem, de facto, ter sido enterrados. Os que regressam à vida têm de facto mau aspecto não por uma caracterização do estilo em que se insere mas sim pelo facto de os recursos com que este filme foi realizado devem ter sido menos do que aqueles que mensalmente gastamos no supermercado em superficialidades que pouco ou nada nos farão. E finalmente, a única coisa que parece ser fiel ao género mas que na prática pouca atenção lhe damos pois tudo o resto é desanimador demais, é o facto de ainda nos serem revelados alguns aspectos mais artísticos nas lutas dos actores mas que, ainda assim, estão longe de prometer um espectáculo merecido e que nos satisfaça.
Percebo que de tão mau que é consiga fazer as delícias e entreter uma boa parte de fãs e de apreciadores do estilo, mas se pensarmos bem na forma como o filme é apresentado e aquilo que depois temos do mesmo, facilmente temos de admitir que estamos perante uma desilusão a vários níveis que passa pelas interpretações dos actores ao próprio local escolhido para as filmagens e principalmente pelos demais aspectos técnicos que estão longe de satisfazer, ou fazer justiça, ao potencial fílmico que aqui existe... ou existia.
Talvez fique na história como um daqueles filmes maus de que todos gostam... mas nunca como um bom filme do género ou menos ainda uma obra de arte que marca como sendo uma referência.
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2 / 10
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