quarta-feira, 10 de julho de 2013

The Little Shop of Horrors (1960)

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A Pequena Loja dos Horrores de Roger Corman é a versão original do filme que, anos mais tarde e com um conjunto de actores que se firmou como grandes talentos da comédia nos anos 80, deu pelo nome de A Lojinha dos Horrores que ao som de uma comédia musical fez a delicia de muitos com a sua invulgar mas cativante história.
A versão original que agora comento, conta-nos a história de Seymour (Jonathan Haze) um jovem empregado de uma florista que tenta manter o seu trabalho à custa da criação de uma nova variante de plantas que se possam vender na loja. No entanto, tudo corre mal até que ele consegue criar uma planta a quem ninguém fica indiferente quer pelo seu exotismo, quer pelo facto de ser original e atrair todos à loja. Mas há um pequeno problema... Esta planta é carnívora e tudo fará para ter a próxima "dose".
Seymour que se vê a braços com um enorme problema que pretende esconder, tenta ainda conquistar Audrey (Jackie Joseph), a sua colega, e manter as boas relações com Mushnick (Mel Welles), o seu patrão ávido de dinheiro e que procura uma simples desculpa para o despedir. Seymour parece ser um jovem frágil e quase impotente mas conseguirá ele resistir a tantas provas?
Inegavelmente a mesma história que todos conhecem, muito provavelmente graças ao título mais recente dos anos 80, este A Pequena Loja dos Horrores é um filme feito à medida da sua época em que os momentos de comédia tentam ser o mais ligeiro possíveis, e o suposto "terror" da planta carnívora com dotes assassinos são, também eles, quase inocentemente retratados.
Aqui, ao contrário do que aparece no já referido título, a empatia existente entre "Seymour" e a sua pequena grande planta que o próprio baptiza como "Audrey Junior" é praticamente inexistente. Ele caça para a alimentar e faz o mais número de malabarismos para conseguir escapar sem que ninguém o detecte mas, na prática, ao chegar à loja alimenta-a sem que com isso pareça ter nenhum rebate de consciência que o leve a pensar qual o rumo que a sua vida está agora a levar, agindo quase inconscientemente face às necessidade extremas da sua "criação". É este o principal problema com este filme... a falta de alma que as suas personagens têm, e que estão de certa forma entregues à sua própria sorte e a um conjunto de frases feitas e momentos previsíveis que não nos convencem ao contrário do remake feito mais de vinte anos depois, onde o nosso "Seymour" tinha os seus problemas de consciência, debatia-se com o facto da criação ter ultrapassado o mestre tentando, ao mesmo tempo, conquistar a mulher da sua vida que este sempre ao seu lado como a amiga incondicional.Assim é justo dizer que lhe falta alma... falta ter personagens que tenham personalidade mais ou menos vincada, e principalmente atitude (concordemos com ela ou não) que seja dinâmica ao ponto de conseguir levar a bom porto uma comédia musical sem que o espectador desespere com nenhum dos momentos a que assiste.
E por falar em "alma"... a tê-la necessitaria ser a própria planta "Audrey" que aqui, em relação ao remake, sofre por um excessivo defeito e falta (inexistência?) de ritmo, tornando todo este filme numa experiência quase penosa a partir do momento em que ela deveria ganhar a sua própria vida dominando o filme com a sua vontade extrema por carne humana. Mas não... nem alma, nem vontade... aqui mantém-se impávida e serena todo o tempo excepto quando pede alimento que lhe é prontamente fornecido.
Destaque pela positiva só mesmo o facto de termos um muito jovem Jack Nicholson numa das suas primeiras interpretações e que dá uma certa cor e alegria macabra a um filme que, no seu todo, não convence o espectador mais "benevolente".
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2 / 10
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