terça-feira, 9 de julho de 2013

Clarisse (2013)

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Clarisse de Luciano Sazo, que também é o autor do argumento, é uma das curtas-metragens que saiu do 48 Short Media que decorreu no final do mês de Junho em Viseu.
Clarisse (Francisca Figueiredo), é uma jovem mulher que percebemos estar a viver uma nova e desconfortante realidade que a lança não só numa amargura para si desconhecida, como dela resulta também uma incerteza e insegurança que a aprisionam lentamente.
A sua espera por alguém que não chega fazem-na sentir-se enclausurada e esse sentimento de claustro fazem-na perceber que não sabe o que fazer nos momentos seguintes. O que irá ser esta sua nova realidade?
Num misto de incerteza temos factos que são de facto garantidos. O primeiro é a inspirada interpretação da jovem Francisca Figueiredo que retrata uma jovem abandonada e perdida por alguém que nunca chegamos a conhecer. Terá existido? Terá desaparecido? Tudo é uma possibilidade em aberto que nunca chegamos a confirmar mas que na prática também não é relevante para a seguirmos e tentarmos descobrir o que lhe irá suceder nos momentos seguintes.
A sua interpretação é não só cativante por si como também graças à igualmente inspirada realização de Luciano Sazo que graças à sua sempre presente câmara faz sentir-nos que aquela jovem encontra-se à beira de um desespero que tenta a todo o custo esconder e agir como se nada de diferente lhe estivesse a acontecer., tornando todos os instantes não só tensos como claustrofóbicos pois percebemos que dê por onde der nós não a vamos abandonar... estaremos sempre ali a acompanhá-la em todos os seus pequenos gestos e acções. A sua solidão, ou tentativa de, é apenas interrompida pelo espectador que em conjunto com "Clarisse" adensa a tensão, a inquietude e a própria solidão que ela tenta esquecer.
A completar o trio temos a extraordinária direcção de fotografia a preto e branco de André Correia, que nos obriga a acompanhar todos os pequenos grandes detalhes desta jovem, ignorando tudo o demais que a rodeia, contribuindo assim para a tal crescente sensação de claustrofobia que faz desta curta-metragem um filme sólido e, correndo o risco de me repetir em relação ao que já disse sobre outros trabalhos provenientes do 48 Short Media, um daqueles que dá vontade de ter mais.
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8 / 10
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