quarta-feira, 27 de julho de 2016

Doce o Trece Tequieros al Mes (2016)

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Doce o Trece Tequieros al Mes de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção onde Ele (Yerai León) e Ela (Elena Martínez) falam sobre o "viver juntos" enquanto estão no supermercado. Enquanto para Ele este será um processo normal da vida a dois... para Ela... a conversa é outra. Poderá este casal resistir ao primeiro prenúncio de um desentendimento?
Pérez Toledo que como já aqui referi anteriormente é um mestre a filmar pequenas e não tão simples histórias de amor, volta a esta temática com Doce o Trece Tequieros al Mes onde sob a perspectiva de um casal, o espectador fica a conhecer as diferentes dinâmicas e pontos de vista sobre o amor, a liberdade e o primeiro e mais importante "passo seguinte": o viver juntos.
Ao contrário das tradicionais histórias sobre relacionamentos onde a mulher encarna o papel daquela que pretende uma relação estável, duradoura e cúmplice sob o mesmo tecto onde a vida se constrói - nada mais, nada menos - a dois, nesta curta-metragem Pérez Toledo reverte os papéis conferindo à personagem interpretada por Elena Martínez, a descrença e desconfiança para um romantismo que, na sua opinião, já não existem. Tudo prova o contrário - afirma algures - e as estatísticas revelam que as relações sob o mesmo tecto têm mais probabilidade de terminar do que aquelas que se têm e vivem a uma distância "saudável" onde persiste a vontade de estar com o outro. Mas será que "Ele" pensa de igual forma?
Num espaço público onde se assistem aos comportamentos dos demais que, de certa forma, comprovam a teoria que "Ela" tem, conseguirá o seu par não formal convencê-la de outra coisa quando nem a um jantar romântico de São Valentim a consegue levar? Poderão eles resistir juntos ao tempo? Às adversidades que, na prática, nunca serão comuns? Ao tempo - esse que tudo confirma ou separa e que segundo "Ela" também irá estabelecer os limites da sua relação?
Num mundo em que tudo parece controlado a um parâmetro de sociabilização aceitável e onde uma mensagem a mais pode significar uma quebra de liberdade para quem a recebe, Doce o Trece Tequieros al Mes tenta - positivamente - quebrar os tabus modernos e estabelecer que o romantismo (quando espontâneo) ainda existe, é recomendado e sobretudo... desejado.
Com todo o fulgor de uma carreira cinematográfica que já confirmou que as relações, a vida a dois - e não só - o sentimento, o amor, o desejo e o sexo são o seu elemento fundamental, Roberto Pérez Toledo assume-se naturalmente como um mestre num novo cinema sentimental... espanhol e não só.
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8 / 10
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