terça-feira, 5 de julho de 2016

Father and Daughter (2000)

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Father and Daughter de Michael Dudok de Wit é uma curta-metragem de animação naquela que é uma co-produção britânica/belga/holandesa e a vencedora do Oscar na respectiva categoria em 2001.
Um pai despede-se da sua filha ainda criança e parte num barco. Tal como passam as estações, assim passam os anos que fazem aquela jovem criança tornar-se numa adolescente, numa mulher casada e mãe e finalmente numa mulher de idade avançada que nunca esqueceu o local no qual se despediu do seu pai.
Com uma sentida e intensa dramatização da passagem do tempo, dos anos e de certa forma da vida como um momento pleno das suas diversas etapas, momentos e estações, Michael Dudok de Wit - realizador e argumentista de Father and Daughter - cria uma história que assenta essencialmente em duas premissas fundamentais. A primeira, que está directamente relacionada com a passagem do tempo e deste sobre o desenvolvimento e crescimento de uma jovem criança, compara as estações do ano aos diversos momentos de uma vida. Da infância à paixão, da maternidade à velhice, Father and Daughter não esquece que o tempo passa marcando não só o meio como principalmente o indivíduo.
O segundo momento desta curta-metragem está directamente relacionado com o primeiro na medida em que diz respeito à memória. Como os locais marcam os momentos e como estes se transformam em representações de uma saudade sentida e experimentada que, independentemente do tempo cronológico passado, persiste na mente, nos sentimentos e nas vontades que (in)voluntariamente ganham a sua própria forma. Ao mesmo tempo, e por muito que se viva e experimente... todos acabam por regressar àquele local onde sentem - e eventualmente compreendem - terem sido (um dia) plenamente felizes.
Numa animação sem diálogo e que se assume ao espectador como um traço semelhante ao de uma pintura - como no fundo é o vestígio de uma memória ida no tempo - Father and Daughter termina com a confirmação (para o realizador) que existe algo para lá de um desconhecido apenas vivido numa determinada altura e que mais cedo ou mais tarde todos compreender que terá de ser ultrapassado e confirmado podendo apenas desta forma reencontrar aquilo que se perdeu.
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8 / 10
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