terça-feira, 5 de julho de 2016

Por un Beso (2016)

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Por un Beso de David Velduque é uma curta-metragem espanhola de ficção que nos conta a breve história de amor entre Tomás (Pelayo Rocal) e Andrea (Fernando Hevia) desde o instante em que os seus olhares se cruzam até ao momento em que um deles é vítima de um crime de ódio.
Com argumento de Pelayo Rocal que aqui é também um dos dois actores presentes nesta curta-metragem, Por un Beso é não só a tal história de amor como principalmente uma história que quer mostrar este amor como qualquer outro, livre de preconceitos alertando, no entanto, para a crescente onda de crimes de ódio contra a comunidade LGBT a que a cidade de Madrid tem assistido nos últimos tempos.
Sem complexos, insinuações ou sugestão, Por un Beso capta o amor tal como ele é. O amor pela forma como inesperadamente surge na vida dos seus dois intervenientes que, desarmados, trocam um primeiro e intenso olhar. Um olhar que se repete marcando uma certa ironia do destino que comunica que aquele é o "tal" momento que deve ser agarrado e vivido. Desde esse primeiro olhar ao primeiro encontro onde a curiosidade inunda de perguntas banais o tal "encontro", passando pela primeira ida a uma discoteca, o primeiro beijo e o primeiro contacto sexual que os confirmam como o próximo casal, Por un Beso concentra-se quase exclusivamente na ideia de que o espectador está perante uma história de amor... como qualquer outra. No entanto, é esta mesma história de amor que acaba - pensamos - por um acto de incompreensão e violência extrema característicos do crime de ódio que a mesma denuncia nos seus instantes finais.
Com a colaboração na produção da revista Shangay, Por un Beso é para além de um relato de amor a necessidade da denuncia de um crime que ocorre muito num silêncio e na sombra da realidade dos dias que se vivem e por esse mesmo motivo, necessária para o conhecimento de todos, e com duas interpretações inspiradas e cúmplices que se completam deixando o espectador conhecer o "depois" dos instantes que não deveriam ser finais... porque o amor deveria ser sempre triunfante.
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8 / 10
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