segunda-feira, 25 de julho de 2016

Hola, Mamá, Hola, Papá (2016)

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Hola, Mamá, Hola, Papá, de Roberto Pérez Toledo é uma curta-metragem espanhola de ficção e o mais recente trabalho do realizador espanhol que se prepara para lançar Como la Espuma, a sua terceira longa-metragem - quarta se contarmos com o seu segmento de Al Final Todos Mueren (2013).
Ele (Daniel de Llano) viajou até Madrid para a exibição de um musical e, no quarto de hotel, grava uma mensagem em vídeo com todos os seus planos para poder enviar aos pais... Na capital espanhola decorre o Orgullo Gay e Ele não se encontra sózinho.
Em breves minutos Roberto Pérez Toledo consegue, uma vez mais, entregar uma curta-metragem que não só denota as habituais característica do seu trabalho no qual exibe com extrema sensibilidade a emotividade e o sentimentalismo de uma relação afectiva como, ao mesmo tempo, também retira dos seus actores sentidas e honestas interpretações que os faz "viver" momentos dramáticos e reveladores com a convicção de que o "amanhã" será sempre melhor.
A personagem interpretada por Daniel de Llano - perfeito no seu desempenho - é um jovem homossexual que vive na sombra do segredo que tem, até então, moldado a sua liberdade à boa convivência com os demais. Naqueles instantes e naquele quarto de hotel, "Ele" é um jovem que tenta suavizar todo o ambiente em que se encontra de forma a que aquilo que precisa e tem de dizer saia de forma menos assustadora - para ele e para aqueles a quem envia o vídeo - e o seu coração está (eventualmente) tão grande como aquele pequeno quarto de hotel. Num misto de confiança e insegurança, "Ele", firme do seu momento revela-se para uma câmara e apresenta "Mário" (Miguel Ángel Bellido), o seu namorado que conhecera meses antes e com quem agora se prepara para viver um momento... o seu.
O estilo de vídeo confessionário termina quando a gravação chega a um fim e num segundo momento desta curta-metragem - agora entre "Ele" e "Mário" - debate-se se poderá ou não enviar a mensagem que irá mudar radicalmente a sua vida. Decidido que está o espectador a presenciar os resultados desta mensagem de vídeo, o desfecho pode não ser aquele que espera mas, no entanto, não querendo isto dizer que se prepara para um drama existencial - esse sim vivido com o segredo que guardou durante anos - que possivelmente termina ali, mas sim pelo facto de Pérez Toledo não "permitir" ao espectador presenciar esse mesmo final que se espera... Afinal, há momentos que apenas estão reservados àqueles que realmente interessam e, neste caso - apesar da ficção -, esses são entre a família que se depara agora com uma revelação/confissão transformadora e que permitirá conhecerem-se uma vez mais... e melhor.
Como já referi - aqui e noutros comentários já efectuados à obra de Pérez Toledo - este realizador espanhol é não só do mais prolífero na entrega de sucessivos e brilhantes registos sentimentais e das relações afectivas entre amantes ou namorados e amigos conseguindo, normalmente em breves instantes, retirar uma intensidade e carga dramática desarmantes das suas personagens e dos seus actores (também eles do melhor que o país vizinho tem para oferecer) e com isso conquistar toda uma legião de seguidores confirmando - com segurança - que a sua obra irá resistir não só no tempo como naqueles que o irão acompanhar (serei seguramente um deles...).
Com um pulso firme, uma emotividade exemplar, um argumento irrepreensível e duas sólidas interpretações que cativam o espectador, Hola, Mamá, Hola, Papá e Pérez Toledo estão, sem sombra de dúvidas, em estado de graça.
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8 / 10
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