quinta-feira, 25 de abril de 2013

Senza Ritorno (2013)

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Senza Ritorno de Marco di Gerlando é uma curta-metragem italiana que narra a história de Alessio (Alessio Zavoli) e de Daniele (Daniele Conterini) dois irmãos que, ao longo dos anos foram sendo perseguidos por uma professora que tudo fazia para os prejudicar. Perseguição esta que afectou o mais velho que não conseguira concluir os estudos tornando-se assim mais complicado encontrar um trabalho e que continuou com o mais novo expulso da escola por responder ao assédio da professora.
Quando um dia Alessio juntamente com Daniele e um conjunto de amigos (interpretados por Nicola Gattino, Fabio Santamaria e Federico Rao) encontram a jovem filha da professora numa mata onde costuma fazer desporto, seguem a ideia de Alessio de lhe pregar um susto como vingança pelo comportamento da mãe. No entanto, aquilo que começa como uma partida acaba por terminar num acontecimento trágico que para sempre iria mudar não só a sua relação enquanto amigos como principalmente o rumo das suas vidas.
O início desta curta-metragem é de imediato cativante por um conjunto de factores nomeadamente a sua fotografia, também da autoria de Marco Di Gerlando que centrando todas as atenções em Alessio Zavoli enquanto actor principal, e eliminando todos os focos de luz que nos pudessem fazer distrair da sua angústia nos revela que o destino de pelo menos a sua personagem não será em nada brilhante ou promissor.
E não é menos correcto que aos poucos, à medida que os acontecimentos tomam lugar, vamos percebendo o quão difícil é poder resistir a um destino que parece, à partida, marcado pela tragédia. Se é verdade que "Alessio" até poderia ser um jovem dito rebelde (em jovem quem não o é?), não é menos verdade dizer que aquela professora numa gélida e forte interpretação de Aurora Bortolomai, de tudo fez para assediar sem limites não só o jovem como futuramente o seu irmão "Daniele", marcando o primeiro com a sua impossibilidade de ter um destino profissional e o segundo com a suspensão do colégio que poderia irremediavelmente afectar os seus estudos.
O argumento escrito a várias mãos é da autoria de Alessio Zavoli, Daniele Conterini, Nicola Gattino, Fabio Santamaria, Federico Rao, Aurora Bortolomai, Sara Iavarone e Elisa Minio, que é o mesmo que dizer os actores que compõe esta curta-metragem e que assim se pode depreender que compuseram as suas próprias personagens de forma a que com elas melhor se relacionem. O que funcionou pois percebemos claramente não só a química gerada entre os vários intérpretes como, principalmente, com a história a que dão vida de forma a com ele o espectador conseguir encontrar pontos de referência (todos nós tivemos uma professora daquelas na escola). Forte pela sua temática de violência psicológica exercida dentro das quatro paredes de uma escola, tantas vezes ignorada mas tão presente e assistida em silêncio, não só por aqueles que dela são vítimas mas também por parte daqueles que a vêem também eles em silêncio, como também pelos efeitos práticos que ela acaba por ter no futuro de cada indivíduo e, claro está, pelo verdadeiro teste de amizade e de confiança que é aqui colocado à prova quando, face a um acontecimento trágico, começam a ceder e a pensar no seu próprio, e talvez perdido, futuro.
A acompanhar esta curta-metragem está uma sempre presente banda-sonora da autoria de Zero Project que, ao contrário do que normalmente acontece noutros trabalhos, a complementa harmoniosamente. Com acordes suaves e que denotam umas vidas travadas pelas circunstâncias, pessoais inicialmente e colectivas com o desenrolar da acção, sentimos a todo o momento que estamos perante vidas interrompidas por uma tragédia. Se por um lado apenas um toma a acção nesse acontecimento, não é menos verdade que os outros colaboraram e assistiram. No entanto, também é um facto que todas as atitudes de desespero se iniciam como retaliação a uma provocação e a um assédio que levou anos a ser perpetrado.
Uma curta-metragem fria e concisa na abordagem dada à violência quer física quer psicológica e que ainda prima pela capacidade de uma grande equipa de actores trabalhar também como argumentistas das suas próprias personagens com as quais criam, inevitavelmente, uma relação de proximidade. Numa palavra: Bravo!
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8 / 10
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