segunda-feira, 1 de abril de 2013

Swing Vote (2008)

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O Último Voto de Joshua Michael Stern juntava dois elementos interessantes logo à partida ao colocar um relativamente desaparecido Kevin Costner numa interpretação principal de um filme cujo argumento ronda os temas político-eleitorais decorrentes de uma campanha que pretende eleger um Presidente dos Estados Unidos.
Conhecidas que são as simpatias Republicanas do actor, este filme tornava-se assim apelativo para um espectador como eu que "consome" o dito "cinema político".
Encontramo-nos em Novembro de 2004 quando decorrem as eleições presidenciais norte-americanas e todas as atenções do país, e também do mundo, se centram no gigante mundial e nas implicações externas que a dita eleição pode ter.
Bud (Costner), é um parolo de uma pequena cidade do Novo México a quem muito poucos (ou ninguém) dá qualquer atenção. Com uma filha jovem adolescente que mais parece ser quem toma conta dele, Bud é um adulto desligado e desinteressado com o mundo que o rodeia, para quem as frequentes noites de alcoól representam basicamente a sua vida diária. No dia das eleições fica combinado de Bud se irá encontrar com a sua filha Molly (Madeline Carroll) no local de voto para assim exercer o seu direito. Depois de mais uma tarde passada com o seu melhor amigo (o alcoól) e de perder literalmente os sentidos, Bud não aparece e Molly toma as rédeas tentando ela votar em se nome.
Depois de um pequeno incidente decorrido quando Molly tenta exercer o voto do pai, descobre-se que toda a eleição está pendente de um voto que não conseguiu ser registado... o de Bud, dando assim início a toda uma campanha eleitorar centrada num único voto vindo de um homem que, na prática, nunca o exerceu.
O argumento escrito por Stern e por Jason Richman toca em inúmeros pontos sensíveis que são dignos de reparo nomeadamente, e começando pelo eleitor em si, o facto deste "Bud" composto por Costner representar na prática aquilo que uma opinião pública mais elucidada tem do eleitor norte-americano que corresponde normalmente àquela figura que ou está pouco preocupada com uma eleição propriamente dita ou, na "melhor" das hipóteses vota de acordo com o meio em que está inserido, que é o mesmo que dizer vota de acordo com os seus preconceitos ou desinteresse social e para a comunidade no seu todo, respondendo a uma relação muito estreita entre os estigmas sociais que lhe são impostos pela própria propaganda eleitoral quer por aqueles que já fazem parte da sua própria formação mais fechada e antiquada, fruto desse mesmo meio em que se encontra, que é o mesmo que dizer... mais conservador, num perfeito ciclo que aparenta não ter fim.
Curioso é também a teia que se gera em volta da própria campanha eleitoral que aqui, caindo o absurdo, depende apenas de um único voto para decidir aquele que será o próximo presidente do país, levando a que os dois candidatos (sendo um o Presidente Republicano em exercício contra o candidato Democrata), defendam todas as ideias que pensam ser aquelas que agradam a "Bud", ao ponto de assistirmos a uma total subversão dos objectivos tradicionais de ambos os partidos com o único intuito de garantirem os próximos quatros anos na Casa Branca, tendo assim o candidato a defender a liberalização das drogas, e o Democrata a apelar contra a entrada de emigrantes no país. Campanhas eleitorais e sede de poder... a quanto obrigam.
No entanto, por detrás de todas estes esquemas partidários e shows televisivos, temos uma sempre atenta "Molly" que na rectaguarda recebe mihares de cartas de americanos preocupados com os mais diversos temas que funciona, essencialmente, como a consciência de "Bud" tentando alertá-lo, ou consciencializá-lo, para os reais problemas que afectam a sociedade norte-americana dos quais ele pouco sabe e aos quais deveria sim prestar atenção e perceber qual o candidato que partilhava das suas preocupações e assim depositar nele o seu voto. Toda a campanha está assim mediatizada e as verdadeiras preocupações, na maior parte do tempo, não o são.
Se todo este argumento é, assumidamente, interessante e rico para um filme intenso e interessante que mostra o melhor e o pior do que uma sociedade (e comunidade) têm para dar, não deixa de ser verdade que na sua quase totalidade funciona como um show de parolice que mostra um lado quase, arrisco dizer, subdesenvolvido de um povo, catalogando todos os demais como seus seguidores despreocupados sobre os quais se lança os destinos de um dos países estrategicamente mais importantes do mundo. E por aí ficamos na sua totalidade até que uma luz vinda dos céus desperta a consciência daquele homem para o que é realmente mais importante... os direitos civis, sociais e económicos de uma população que não os tem ou definha no seu último bafo para resistir e não ser engolida por um sistema que desespera por destronar "mais um". Mas tudo, sempre e sem excepção, recriado nesse mesmo ambiente de parolice do qual o filme insiste não descolar como se de uma comédia trágica, quase manhosa se tratasse, perdendo muito do impacto dramático ou credibilidade que deveríamos dar ao filme.
Não é um filme com o qual se crie uma grande empatia mas sim um com o qual exacerbemos nós próprios enquanto espectadores, muitos dos preconceitos que já temos para com uma sociedade norte-americana capaz de nos dar muito MUITO BOM, mas também muito... MUITO MAU. Vale quase na sua totalidade por alguns momentos de curiosa ironia que tão depressa não esqueceremos.
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5 / 10
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