sábado, 23 de novembro de 2019

Alien: Alone (2019)

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Alien: Alone de Noah Miller (EUA) é uma das curtas-metragens que celebram os quarenta anos de Alien (1979), de Ridley Scott numa história que nos apresenta Hope (Taylor Lyons), o único membro sobrevivente da nave Otranto, que ao longo de um ano mantém a estrutura e funcionamento da mesma com vista à chega a uma fronteira espacial onde possa ser salva. Solitária nesta sua expedição, Hope encontra e forma uma estranha amizade que poderá redefinir todos os seus objectivos de voltar a encontrar vida humana.
Com uma clara influência na obra que deu origem a toda esta saga Alien - a de Scott em 1979 -, este Alien: Alone de Noah Miller - seu argumentista e realizador - exibe desde cedo diversos elementos que remontam o espectador para essa memória. Da foto polaroid da tripulação aos pequenos comunicadores que nos levam a esses claustrofóbicos corredores da Nostromo, esta curta-metragem mais do que o espírito da saga tenta sim celebrar a memória e, de certa forma, as origens de todo o "movimento" Alien.
Se são os pequenos detalhes visuais que dão o mote para este revivalismo, não deixa também de ser um facto aqui verificado que é o sentimento de solidão que ganha forma quando a protagonista "Hope" manifesta todo um desesperado sentimento de abandono e perda - não sabemos em que condições - de uma tripulação agora ausente e de uma nave cujos sinais de degradação são por demais evidentes... um pouco como a sua alma. Esta ausência de vida e de alguém com quem compartilhar tão intensa e longa viagem cujo fim é incerto não só pelo distanciamento da tal fronteira do espaço profundo versus "territórios habitados" mas também pelo facto de não saber identificar qual será o ponto de ruptura absoluta da nave em que viaja, será colmatada com aquilo que se encontra por detrás de uma misteriosa porta e que poderá dar origem a uma amizade com "Hope".
O dilema aqui levantado em que Humano e Xenomorfo estabelecem essa improvável relação de cumplicidade é, no fundo, o elemento de maior destaque nesta curta-metragem sendo que, no entanto, já fora observado em Alien Ressurection (1997), de Jean-Pierre Jeunet. Relação essa estabelecida através de uma forma primária de maternidade que a obra do realizador francês decidiu explorar e que aqui é formada a partir de um desespero de isolamento sentido pela protagonista que decide "sobreviver" para chegar a território humano na companhia do xenomorfo e não tanto pela sua necessidade de lá chegar impedindo a propagação daquilo que será, no fundo, a contaminação desse mesmo espaço. Mas terá "Hope" os seus próprios planos para essa Humanidade à qual se dirige que podem, na realidade, estabelecer uma ideia daquilo que terá acontecido à sua tripulação?! Estará ela a esconder algo mais do que a sua própria sobrevivência?
Se Noah Miller cria esta curta-metragem com o recurso a diversos elementos de obras passadas - o espírito de isolamento, elementos de decoração de cenário e guarda-roupa ou mesmo a já mencionada relação entre a protagonista e o xenomorfo -, a realidade é que a esta curta-metragem falta, no entanto, toda a força e dinamismo recriadas até nas obras mais recentes - Prometheus (2012) e Covenant (2017) - consideradas as mais frágeis da saga, mas que conseguem enquadrar todo um sentimento claustrofóbico, labiríntico e de verdadeiro terror no espaço do qual ninguém poderá escapar ileso que aqui se limita a uma abordagem quase empática ou mesmo "espiritual" que colocam Homem e Xenoformo em patamares semelhantes de sobrevivência face ao mundo exterior (ainda que este seja inexistente)... até descobrirmos quem é, na realidade, esta sobrevivente "Hope".
Fiel ao género - ainda que francamente frágil na sua construção - Alien: Alone explora essa vertente do isolamento e da solidão pervertendo ambos e conferindo-lhes "alma" pela forma como esta - mesmo que inexistente - quando corrompida pode realmente enveredar por aquele lugar escuro e sinistro apenas comparável com a imensidão desse tal universo por onde a Otranto, a Nostromo, a Prometheus ou a Covenant viajaram e da qual trouxeram as suas próprias "memórias".
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6 / 10
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