sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Alien: Specimen (2019)

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Alien: Specimen de Kelsey Taylor (EUA) é uma das curtas-metragens que celebram o quadragésimo aniversário do início da saga Alien (1979), de Ridley Scott aqui no universo do LV-492, um planeta com um património botânico diverso e onde, numa estufa, Julie (Jolene Andersen) se vê encerrada depois de detectado pela sua cadela alguns resíduos estranhos. Mas, como seria de esperar, Julie não está sozinha...
Existe sempre alguma suspeita por parte do espectador quando um novo título surge na saga iniciada no final da década de '70. No entanto, é a curiosidade que fala mais alto e a esperança de que esse mesmo universo seja respeitado faz com que qualquer um de nós se deixe levar pela esperança de que "este" - independentemente de qual seja -, volte a deixar-nos colados ao ecrã em mais uma história onde a luta pela sobrevivência impera e comanda os destinos dos menos afortunados que se deparam com os resistentes xenoformos.
Cedo, ainda que com apenas uns curtos dez minutos de duração, percebe o espectador que Alien: Specimen tem merecidamente o seu lugar neste universo. O argumento de Federico Fracchia não só consegue ser fiel ao esperado espírito do género mantendo sempre o suspense e a incerteza a cada esquina como também surpreende com os inesperados twists que espreitam em pequenos e subtis detalhes nomeadamente no destino entre vítimas e predadores que "trocam de lugar" à medida que o tempo avança sem que o espectador nunca suspeite de quem é quem.
É neste ambiente de suspeita tensão que tudo acontece e a relação entre Humano, Animal e Xenoformo desenvolve-se numa dependência mútua transformando cada um destes protagonistas numa peça fundamental de uma história que, compreendemos no final, não acontece com os contornos que esperamos principalmente pela diferente dinâmica das mesmas em relação às longas-metragens que conhecemos e que foram brilhantemente protagonizadas por uma personificação de heroína que foi (É!!!) Sigourney Weaver. Estes três protagonistas têm assim uma relação diferente, ainda que cúmplice e mesmo dependente, mas nem tudo ocorre como tradicionalmente seria de esperar. Para tal inicial ilusão do espectador contribuem de forma determinante em primeiro lugar a perfeita direcção de fotografia de Adam Lee que o confunde fazendo ignorar pequenos elementos que apenas um segundo visionamento esclarecem e transformando todo aquele recinto num grande labirinto onde gato e rato se observam, avaliam e escondem esperando pelo momento certo para finalmente revelarem a sua presença. Interessante como a não tão subtil biodiversidade aqui ganha, também ela, o seu próprio lugar quase como que uma personagem silenciosa que contribui para uma camuflagem sempre necessária quando se (tenta) escapa de um perigo desconhecido ou, por sua vez, como este o utiliza para a construção da sua própria teia. A isto acresce todo um particular ambiente que os efeitos sonoros criam deixando toda a dinâmica num tempo suspenso e incerto que deixam o espectador desconhecedor do decorrer dos segundos.
Ainda que Jolene Andersen não seja a "Ripley" de Sigourney Weaver - nunca ninguém o será -, a actriz consegue firmar-se num daqueles desempenhos de heroína improvável que, já bem perto do final, se revela também ela como um inesperado predador que utiliza os meios ao seu redor para uma sobrevivência num espaço que, afinal, também não é seu. Perguntamos neste momento... quem será o verdadeiro predador... Humano ou Xenomorfo?! Ainda que, na realidade, todos nós tenhamos a nossa clara preferência que será sempre anti-xenomorfo... ou, pelo menos, compreender que todo o invasor, assuma ele que forma assumir, não passa disso... um invasor em território desconhecido e onde as suas vantagens são claramente menores.
Inteligentemente criado e digno emissor de uma homenagem a uma das maiores e mais intensas sagas do cinema de ficção científica, este Alien: Specimen é um dos mais bem estruturados e elaborados filmes curtos do género e um daqueles que irá, com toda a certeza, figurar nas mais sentidas homenagens à mesma deixando o espectador e, muito particularmente aquele que segue esta saga desde 1979 com a eterna questão... quando é que regressa a nova entrega... e quando é que a "Tenente Ripley" marca finalmente o seu regresso?!
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8 / 10
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