domingo, 10 de junho de 2018

Omega (2014)

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Omega de Peter Ninos (Austrália) recupera, nos seus escassos quinze minutos, o universo da invasão do planeta Terra por parte de seres não identificados com o conluio de algumas entidades terrestres cujo interesse não é, no entanto, revelado ao espectador. Por detrás de uma conspiração terrena... o que poderá acontecer àqueles que desafiam uma ordem instalada?
O realizador e Trent Ninos escrevem o argumento desta curta-metragem e exploram a mais antiga e profunda das conspirações que o cinema alguma vez entregou - e fomentou - ao espectador... e se não estivermos sózinhos no Universo? Mais, e se para lá de não estarmos sózinhos existir a possibilidade de uma qualquer outra forma de vida (potencialmente mais inteligente) que pretenda conquistar o espaço que temos único e no qual habitamos? Se a esta trama adicionarmos a sempre eterna conspiração - governamental ou não! - que pressupõe que no planeta alguém se prepara para acolher esta nova espécie, então encontramos não só o fundamento desta história que, no entanto, deixa mais perguntas no ar do que propriamente aquelas a que pretende dar resposta.
Omega é uma curta-metragem com aparentes boas intenções e que não só homenageia o género como se denota a intenção do realizador em explorar todo este universo de pré-concepções sobre o "não estarmos sózinho nesse espaço imenso e desconhecido"... mas, no entanto, os enredos aqui expostos são não só conhecidos do espectador como deixados em aberto mantendo apenas a premissa de um "cometa" em rota de colisão com a Terra - que depois sabemos serem os ditos extra-terrestres a viajar para a mesma - como a chegada dos ditos seres, como os únicos momentos com algum interesse e cativantes pelos seus efeitos especiais, em todo o um filme que, pelo meio, explora momentos nunca concluídos ou francamente interessantes para a demais dinâmica.
Com interpretações que arriscaria apelidar de medíocres e incapazes de explorar a dinâmica psicológica das personagens que aqui são expostas, o interesse (relativo) desta obra permanece no desconhecido - literalmente - na medida em que explora a hipótese de vida para além da terrena, no pressuposto de que o espectador vai ver e "conhecer" algo mais que se aproxima e finalmente nos brevíssimos efeitos especiais que corroboram a hipótese de que algo, ou alguém, está para chegar. Das interpretações extremamente frágeis ao argumento que parece ter ideias a mais e tempo a menos, Omega (sobre)vive pela suposição de que o espectador vai esperar por algo (que nunca acontece) e de uma igual expectativa de que todas as questões encontrarão finalmente uma resposta.
Intrigante - pelo pressuposto - mas fragilizada pela inexistente concretização e finalização das suas inúmeras "pontas soltas", Omega compreende-se como todo um conjunto de boas intenções e "vontade de fazer" de uma equipa que poderia ter ido mais longe e entregue algo mais coerente e original.
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4 / 10
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