quarta-feira, 1 de julho de 2009

Anche Libero Va Bene (2006)


Não minto quando digo que adoro cinema italiano. Não exagero quando uso a palavra "ADORAR". E se alguma vez estivesse em causa o uso desta palavra, exemplos que o refutassem não faltariam com toda a certeza.
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Anche Libero Va Bene que em Portugal recebeu o nome de À Beira do Precipício, é um filme realizado e interpretado, magistralmente em ambos os casos, por Kim Rossi Stuart pelo qual recebeu o Donatello de Melhor Novo Realizador, justamente acrescento. E é um dos tais perfeitos exemplos a que me referia anteriormente.
Novo cinema italiano ? O antigo cinema italiano ? Não sei a que se referem quando usam estas expressões, nem quero. Para mim, e para os meus gostos há bom cinema italiano... e mau cinema italiano seja qual fôr a sua época, e ainda assim sou apenas mais uma opinião no meio de tantas que amam o cinema. O cinema... PONTO.
Voltando ao filme...
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Tudo gira à volta de um pai e os seus dois filhos... A sua existência e a "presença" da ideia de uma mãe ausente que um dia regressa. Regressa ?
O realizador, e também actor Kim Rossi Stuart, tem um desempenho fenomenal como o pai desta família. Terno, firme.. bruto... Tem uma carga dramática muito intensa, no entanto, Alessandro Morace, o jovem filho, que tem o papel principal deste filme. Mostra toda uma carga psicológica intensa e dramática através do seu olhar e da sua expressão muitas vezes vazia e crua. É pelos olhos dele que vemos o desmoronar e o renascer de uma família e é através principalmente dele que sentimos toda a tensão que o filme nos quer de facto mostrar.
Está assim no jovem Alessandro Morace toda uma força que sustenta um por si só já muito bom filme. Não tenho qualquer problema em dizer que está ali, caso continue (espero que sim) um dos próximos pesos pesados da representação Europeia, e estou certo que quem já assistiu, ou assistirá, a este filme, concordará comigo a 100%.
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A música, da qual não me poderia esquecer, concebida pela Banda Osiris, apenas acrescenta algo ao que já é francamente agradável. Os tons correctos para cada momento interpretativo se tornar ainda mais carregado e dramático.
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Como todo o bom cinema, não é um filme fácil de digerir, não pela sua história que está muito bem conseguida, mas pelo realismo do filme, pelos momentos dramáticos extremamente tensos e pelos desempenhos carregados de um igual realismo que nos deixam ao longo de todo o filme num grande estado de tensão e graças ao qual esperamos a qualquer momento ter uma reacção onde o consigamos extravasar. Não vai aparecer... mas está lá!
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Sem revelar mais (?) nada, acrescento só que se todo o filme foi magnífico, os últimos 15 minutos, especialmente a subida final no elevador onde vão os dois filhos com o pai é de cortar a respiração.
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Este é um filme a NÃO perder.



"Renato Benetti: Anche Libero va Bene"

(vão entender porque escolhi esta frase do filme)

10 / 10

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