domingo, 12 de julho de 2009

Irréversible (2002)

"Le temps détruit tout" foi assim que o filme Irréversible de Gaspar Noé se publicitou. E bem! Antes de o ver de tudo ouvi desde ser um "filme do demónio" (que seria isso?!) até dezenas de pessoas terem abandonado a sala durante a sua exibição em Cannes. Para mim não foi nada mais do que uma excelente campanha publicitária para um filme excelente.
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Da história nada vou adiantar pois sei que muitos daqueles que lêem este blog não viram ainda o filme e como tal não quero de forma alguma estragar a surpresa. No entanto a única coisa que vou adiantar é que se preparem pois vão ver o filme... a partir do seu fim. É verdade... As primeiras imagens que vos vão passar pelos olhos são o final do filme e por aí em frente... ou melhor... e daí para trás... ou seja, o filme acaba no seu início. Confuso ? Não é! Quando o começarem a ver percebem logo.
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Este é sem qualquer sombra de dúvida um dos aspectos mais inovadores que este filme trouxe aos meus olhos, e é também esse um dos factores que o faz ser tão bom. Em vez de vermos os factores que irão causar o decadência das pessoas... começamos logo por ver o que acontece e só depois os porquês!
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Os piores momentos do filme, não no sentido de serem maus mas de serem perturbantes e violentos começam quase no início do filme até à situação do tunel de passagem de peões... O que por lá se passa não revelo claro, mas preparem-se para 12 minutos bem agonizantes.
Uma fotografia também ela excelente sempre em tons escuros e violentos. A utilização do preto e do vermelho é aqui regra quase seguida à risca, o que resulta a meu ver muito bem para manter a carga pesada e extremamente violenta que o filme quer transmitir.
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Sem me querer repetir nesta temática mas a banda sonora carregada de sons pesados, alguns mórbidos, e que irritam o sistema nervoso de qualquer um só sobrecarregam o já por si muito pesado ambiente do filme transformando-o a cada momento mais enervante e desconcertante.
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No que às interpretações diz respeito só há que dar um aplauso de pé aos três actores principais. Albert Dupontel tem o papel mais contido ao longo do filme (menos no início que é suposto ser o final) e de todos o mais moderado. Vincent Cassel o mais louco e entusiasta por tudo o que é viver bem e rápido (um pouco menos no início... que como sabem... é suposto ser o final). E como já seria de esperar Monica Bellucci é a força deste filme, é por ela que tudo muda. É por ela que o tempo tudo destrói. É por ela que o tempo reconstrói. Os actores fazem um trio consistente e convincente nos seus papéis. É certo que não teríamos nenhum deles alguma vez a serem nomeados a um Oscar num filme destes e é se calhar por isso mesmo que são daquelas interpretações onde de facto o mereceriam.
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Se é preciso ter algum estômago para ver este filme... confesso que sim... não é fácil de digerir e existem situações francamente revoltantes, mas para aqueles que aguentam bem o stress e o mal-estar este é o filme perfeito para se ver. E se depois do Malèna ainda tinham dúvidas que a Bellucci fazia BOM cinema... espero que depois deste tenham abandonado esse ideia de vez. Afinal... o tempo destrói tudo.



"Philippe: Time destroys everything."


10 / 10

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