domingo, 5 de julho de 2009

The Reader (2008)

Para começar apenas posso dizer que Stephen Daldry realizou mais uma obra prima do cinema. A sua terceira depois de Billy Eiilot e As Horas é este O Leitor que tem como protagonistas Kate Winslet, Ralph Fiennes e David Kross.

A história centra-se em Berlim anos depois do final da Segunda Guerra Mundial onde se cruzam Kate Winslet e o jovem David Kross e que imediatamente desenvolvem uma invulgar atracção e onde ele lhe lê diversas obras literárias até ao dia em que ela misteriosamente desaparece.
Vemos uma vida, a dela, despojada de qualquer bem de grande importância. Sentimos uma vida vazia. Porquê ? Só mais tarde descobrimos.
Este que é um brilhante filme do qual não vou revelar nada da história pois para saber só mesmo ir vendo, e que até final do ano passado havia passado muito despercebido levanta igualmente questões que são a meu ver francamente importantes.
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  • Até que ponto é que num Mundo conturbado a ignorância justifica o seguidismo ? Até que ponto o analfabetismo é justificação para nos tornarmos seguidores e não pensadores ? Há sempre dois caminhos a seguir... Cada um deles com as suas consequências. Hanna Schmitz sabia (?) isso, e mais tarde o julgamento Michael Berg também o sabia. Ambas as decisões tomadas em alturas diferentes das suas vidas sabiam isso e as consequências seriam para os dois marcantes.
  • A culpa. Esta estaria presente para sempre de formas diferentes na vida de cada um. Para Hanna Schmitz no entanto, a culpa não se relacionava com as decisões que havia tomado, mas sim pelo segredo que escondia, e escondeu, de todos durante a sua vida. Apenas essa culpa. Tudo o resto seriam apenas ordens que cumpriu.
  • And finally... As oportunidades. Mereceria Hanna uma segunda oportunidade de voltar a trabalhar e a ter uma casa ? Teriam os segredos escondidos caso revelados, servido de atenuantes para ela restabelecer a sua vida e continuá-la numa Alemanha diferente daquela que ela havia conhecido ? Ela própria achou que não e por isso que desistiu antes de ceder a conhecer a nova Alemanha.

Uma vez assisti a uma entrevista da Kate Winslet sobre este não ser um filme sobre o Holocausto. Depois de o assistir não poderia concordar mais. Tem o Holocausto como pano de fundo e como alicerce da história, mas não é sobre ele. Este é um filme sobre a tomada de decisões e sobre como elas influenciaram o resto da nossa vida. É um filme sobre a escolha. Sobre como é tão (ou mais) fácil fechar os olhos do que tomar uma posição. Este é essencialmente um filme sobre a culpa.

Em tribunal quando questionada sobre a sua passividade em cumprir ordens ela responde "the dead are still dead"... A questão que permanece é se teria ela optado por outra decisão caso pudesse? Deveremos nós sentir que as condições e o contexto em que se encontrava servir-lhe-ia de atenuantes ? Resta-nos a dúvida.

Resta-me então dizer que Stephen Daldry nos presenteou novamente com um excelente exemplar cinematográfico onde voltou a colaborar com David Hare para o argumento, e onde se destaca também uma excelente banda sonora composta por Nico Muhly.

Um filme que não será ao contrário das obras anteriores de Daldry sensível ao ponto de nos poder fazer lacrimejar mas que tem uns breves momentos que por serem mais pesados conseguem ser muito emocionantes.



"Hanna Schmitz: It doesn't matter what I feel. It doesn't matter what I think. The dead are still dead."


10 / 10

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