sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Don't Kill It (2016)

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Don't Kill It de Mike Mendezé uma longa-metragem norte-americana presente na secção Serviço de Quarto da décima edição do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa e que conta com a participação de um ícone do cinema de acção como o é Dolph Lundgren.
Quando um mal ancestral é libertada nas florestas de um interior profundo dos Estados Unidos, apenas um caçador de demónios como Jebediah (Lundgren) o poderá travar. Conhecedor de todos os demónios que povoam os recantos mais sombrios do mundo, Jebediah vai, juntamente com Evelyn Pierce (Kristina Klebe), uma agente do FBI natural de Chickory Creek, tentar travá-lo e impedir o Inferno chegue à Terra.
O maior atractivo de Don't Kill It é, logo de imediato, a presença de um recuperado Dolph Lundgren, vedeta de grandes êxitos de acção dos anos 80, como o intragável, por vezes cómico, mas profundamente irónico "Jebediah", um temido caçador de demónios a quem literalmente nada assusta ou preocupa. A tranquila despreocupação com que "Jebediah" enfrenta não só o descrédito dos habitantes da pequena localidade como também aquela com que enfrenta o demónio que passa de corpo em corpo à medida que o seu hospedeiro perde a vida, apenas encontra par com a propositada indiferença com que todos parecem pactuar com este filme que não é "mau" na sua execução mas sim, tem uma execução que parece má. Numa clara homenagem ao cinema do género da já referida década de 80 onde tudo parece - aos olhos de hoje - envolto num misto paixão por todos aqueles que o celebravam, Don't Kill It nunca consegue ser um terror assustador mas sim uma comédia gore onde são desafiados os limites do grotesco em diversos segmentos bem como se percebe que o distanciamento entre actor protagonista e a sua personagem é infinitamente mínimo.
Num registo muito semelhante ao de The Evil Dead (1981), Evil Dead II (1987), Army of Darkness (1992) ou Ash vs Evil Dead (2015) no qual o protagonista "Ash" (de Bruce Campbell) é um claro bon vivant inadaptado e ausente das normais sociais implantadas, o nosso "Jebediah" repete a fórmula entregando uma personalidade muito própria a um evento profundamente assustador como o é a invasão da Terra pelas almas penadas de um Inferno que - aparentemente - existe. Lundgren, emocionalmente distante da catástrofe que se avizinha, mas empático com algumas das almas com quem se cruza, regressa ao seu registo natural com um rosto pouco expressivo e visivelmente saturado das "coisas pequenas" com que tem de lutar e enfrentar. Rosto esse que, no entanto, é determinante para o elemento cómico e descontraído de um filme que parece começar como uma história de terror tenebroso mas que rapidamente se revela como uma história de humor (negro) incapaz de deixar o espectador indiferente.
Com os tradicionais elementos de cinema de terror - pequena localidade afectada por um mal presente, o religioso versus o profano, o filho (renegado) da terra que regressa, o justiceiro descrente e desacreditado e um mal que parece nunca morrer, Don't Kill It conjuga todos com a ilusão de que estamos perante um filme feito de forma débil e frágil mas que vence por essa mesma sugestão que (se) revela que nada está ou foi feito ao acaso e que apesar da indiferença (ou amadorismo) com que todos parecem completar o espaço, nada é feito sem uma propositada intenção... nem mesmo quando se percebe que o mal - por muito combatido que seja - resiste estando sempre pronto a voltar e dar o ar da sua (pouca) graça sendo ele fugir... seja lá quem fôr.
Tendencialmente divertido e origem de uma potencial saga graças ao seu carismático protagonista, Don't Kill It não é necessariamente o grande filme do género mas sim uma simpática, bem humorada e bem executada obra do género que não deixará o seu espectador tradicional desiludido. Mais não seja porque é sempre bom receber um filme que recupera um actor com uma tão intensa carreira nas décadas passadas e que agora - depois de "adormecido" - regressa com uma personagem ao seu nível.
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6 / 10
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