sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Extraterrestrial (2014)

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Extraterrestrial de Colin Minihan é uma longa-metragem norte-americana presente na secção Serviço de Quarto do MOTELx - Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa a decorrer no Cinema São Jorge e que nos transporta para o imaginário da invasão alienígena do planeta Terra.
Quando um grupo de amigos se prepara para ir para a cabana de April (Brittany Allen) e disfrutar do espaço antes da família o vender.
É então que, nessa mesma noite, o grupo de amigos assiste a algo estranho a cair do céu... Quando decidem investigar, estavam longe de pensar que as suas vidas iriam ser alteradas para sempre.
O argumento assinado por The Vicious Brothers - Colin Minihan e Stuart Ortiz - segue a linha tradicional do típico filme onde um grupo de amigos se reune num local isolado onde qualquer espectador mais atento ao género sabe que o perigo não só espreita como se prepara para desencadear uma série de acontecimentos mais ou menos assustadores. Ainda que no seu geral de assustador este filme tenha muito pouco, não é menos verdade que consegue recriar alguns momentos mais intensos e repletos de suspense que conseguem recriar alguma da referida tensão sem nunca, no entanto, alcançar o tal terror que se espera do mesmo. Argumento este que consegue ao mesmo tempo "desvendar" uma interessante premissa ao colocar-nos (terrestres) na posição de meras cobaias ao dispôr dos seres vindos de fora para as suas mais ou menos tenebrosas experiências... "eles" estão por aí, sem qualquer piedade e dispostos a levar qualquer que seja de "nós"... o pacto foi assinado e "eles" apenas nos conferem a ilusão de que "nós" mandamos no planeta.
Sim, estamos perante um filme que se distancia em boa medida do tradicional filme de adolescentes onde todos correm desastradamente pelo meio do mato à espera de ser capturados mas, ao mesmo tempo, não se torna naquele que sabemos irá conseguir marcar pela diferença. A tensão reside essencialmente naqueles parcos segmentos onde sem se ver - para além de relance - o perigo, se sente a sua presença ao virar de cada esquina conseguindo identificar que estaremos na presença de alguns momentos onde o susto é inevitável. No entanto, Extraterrestrial é um filme que arrisco dizer exemplar pela forma como são recriados os espaços naturais destes extra-terrestres nada simpáticos e o design de produção de Scott Moulton é assumidamente um dos pontos mais fortes de todo o filme que raramente passa do "morno".
Brittany Allen e Freddie Stroma formam o par protagonista que pretende encontrar naquele fim-de-semana o momento perfeito para consumar a sua relação que pensamos ser perfeita. No entanto, esta relação é tão perfeita como o fim-de-semana se prepara para ser e em igualmente medida tão credível para o espectador como o amor que evidentemente está consumido pela vontade de um deles em não se comprometer. E é este mesmo romance - ou pelo menos aquilo que de pouco se assemelha a um - que acaba por estragar alguns dos momentos mais bem conseguidos deste filme com a entrega pouco credível e menos ainda real que os dois tentam consumar no mais improvável de todos os momentos... afinal, se tentam escapar dos "raptores" e tudo em seu redor parece irreal... entregam-se assim nas mãos dos eventuais "salvadores" que parecem tão ou mais ameaçadores que os anteriores? E isto para já não referir que é quando definham lentamente que se lembram (e têm tempo) para afirmar ao seu parceiro moribundo que "sim... afinal até se amam"...
Pelo meio safa-se um sempre intenso - e aqui até algo cómico - Michael Ironside como um improvável conhecedor das "visitas" de que o planeta Terra é alvo, e um Gil Bellows como o mais ou menos (des)crente polícia do vilarejo que deseja algo mais sobre o seu passado do que aquilo que ele aparenta ser. Ainda que não sejam interpretações nobres nem as suas personagens sejam suficientemente desenvolvidas acabam por, no entanto, ser das mais bem delineadas de todo o filme.
Fiel ao género por alguns segmentos inovadores e pela falta de esperança que entrega ao mundo tal como o conhecemos (afinal mais não somos do que meros peões a quem é conferida alguma vã esperança), Extraterrestrial é um filme que tinha potencial e aparentemente alguns meios para se tornar num filme muito intenso e uma referência do género graças aos elementos inovadores que apresenta mas que, ao mesmo tempo, resolve entregar-se à segurança que o género confere e que já está muito explorado, não investindo naquele pequeno passo mais distante que poderia ter dado e cedendo aos lugares comuns e ao gag cómico do final que arruina os feitos até então alcançados.
No final sabemos... poderia ter ido mais longe e com isso tornar-se um daqueles filmes que poderíamos recordar... na prática terminou como uma leve esperança interrompida por um breve bocejo.
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6 / 10
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