terça-feira, 9 de setembro de 2014

Prisoner (2007)

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Prisioneiro de David Alford e Robert Archer Lynn é uma longa-metragem que relata umas horas na vida de Derek Plato (Julian McMahon), um reputado e algo insensível realizador de cinema que vive na sombra de uma fama planetária graças à sua obra irreverente.
Na pesquisa de um local para o seu mais recente trabalho, Plato investiga uma prisão agora abandonada que poderá servir de cenário para a sua nova história. No entanto, estranhos e inesperados acontecimentos desencadeiam um conjunto de reacções que trarão surpresas reveladoras de um passado escondido.
Com um argumento também assinado pela dupla de realizadores, Prisoner é, no fundo, uma reflexão sobre as origens da inspiração pouco divina da mente criativa do "homem-realizador". Prisoner inicia com uma apresentação da obra de um homem cujo único propósito foi - até à data - o choque e a irreverência com todas as instituições ditas confirmadas na sociedade. Da Igreja à estrutura familiar, algo falta a "Plato" para que o espectador compreenda toda a sua origem enquanto o homem de cinema que lhe é dado a conhecer. No entanto, aquilo que parece destacar-se em toda esta história é, ao mesmo tempo, a sua imensa prepotência revelada através de inúmeros flashbacks que a sua viagem àquela fantasmagórica prisão faz surgir.
"Plato" é um homem indiferente, centrado no seu sucesso e na fama que todas as publicações da especialidade ditam sobre o seu percurso. Mas, na prática, permanece a questão final... quem é realmente este homem? Aos poucos, e de forma mais ou menos coesa, o espectador vai conhecendo um passado relativamente traumático não pela violência de uma infância vivida mas sim pelo esquecimento que os acontecimentos proporcionaram. Conhecemos um passado familiar cúmplice mas que parece esconder a tragédia e será este - eventualmente - que esconde a raíz do problema. Daqui a um conjunto de eventuais relações turbulentas e a um elevado sentido de posse e de controle sobre a sua obra, "Plato" revela-se como um homem pouco disponível para a cedência e compromisso - da sua obra e com as demais pessoas com quem se poderá envolver mais ou menos de forma sentimental - assumindo-se, no final, como alguém que é essencialmente ensombrado por esse tal passado e por uma extrema solidão que (in)conscientemente fomenta.
É durante aquela visita à prisão que é violentamente "apresentado" a um enigmático e proto-psicopata carcereiro (Elias Koteas) que o leva a entrar numa viagem ao seu passado e às suas memórias para que os eventos traumáticos que o trouxeram até àquele preciso momento sejam, finalmente, revelados. Da relação conflituosa que ambos desenvolvem, o espectador apenas fica melindrado com algumas deduções ou até mesmo noções que se desenvolvem de forma espontânea e pouco fundamentada mas que, muito rapidamente, confirmam não só esse passado como uma desordem - ou desequilíbrio - que "Plato" denota interiormente e claro, com todos os demais com quem priva.
Do seu passado à revelação surpresa que (não) se faz adivinhar, Prisoner é então uma viagem à origem do homem, do seu passado, da sua obra, dos seus tormentos desconhecidos - até do próprio - e até mesmo sobre a sua incapacidade de se relacionar no seu presente mas que, no entanto, falha pelo conjunto de lugares comuns e não tão poucos momentos já experimentados em diversas outras obras do mesmo género que apenas se dissipam pela capacidade que a dupla de realizadores e argumentistas teve em manter em suspenso - e também algum suspense - o desfecho final que surpreende o espectador pela forma como este havia sido induzido por um caminho que, afinal, não se confirma.
Prisoner é portanto, uma obra essencialmente de "momento" que não se afirma pela sua direcção ou tão pouco pelo seu nível de representação que se mantém sempre muito regular dentro do mediano. O espectador deixa-se encantar por algumas das suposições que (o próprio) tece e até mesmo por alguns momentos em que se supõe ir acontecer "algo mais". Mas, no entanto, quando tudo se dissipa e são apresentadas as verdadeiras nuances desta história, aquilo que permanece é um momento relativamente bem passado de hora e meia de cinema que... facilmente cairá no esquecimento.
No final o que resta.. pouco. Uma história que melhor limada teria apresentado um filme mais cativante - bastaria o seu cenário "natural" para isso - mas que no fundo apenas se limitou a todos aqueles lugares comuns das ditas mentes criativas e atormentadas que o espectador irá esquecer dada a frequência com que este tipo de histórias são dirigidas. Vale pelo momento... e pouco mais.
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4 / 10
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