quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Panorama (2013)

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Panorama de Francisco Ferreira é uma curta-metragem portuguesa de ficção onde na cidade do Porto dos nossos dias, Lois (Sofia Duarte Silva) é uma mulher melancólica e amargurada dividida entre memórias de um passado e a eventualidade de um reencontro que poderá ocorrer.
Tudo na cidade a faz lembrar Clark... conseguirá ela voltar a vê-lo?!
Com um argumento também da autoria de Francisco Ferreira que se aproxima - pelo que já é evidente - da história de Clark Kent also known as Super-Homem e Lois Lane, Panorama reflecte sobre a dinâmica dos espaços na vivência daqueles que os percorrem ou, por outras palavras, como a cidade - neste caso o Porto - está intimamente ligada pela sua panorâmica e arquitectura aos espaços percorridos (quem sabe voados!!) por duas das suas personagens... mais emblemáticas. Desaparecendo um deles... como se reflectirá a sua ausência na metamorfose da mesma? Quais as marcas visíveis no espaço, nas formas ou, até mesmo, no vazio que era outrora percorrido?
No fundo Panorama é um estudo do espaço e sobre a perspectiva do mesmo - da cidade - através do olhar daqueles que os percorrem e a sua eventual "reacção" aquando da ausência destes... "Sentirá" a cidade a falta de alguns dos seus?
A arquitectura enquanto um momento da narrativa, uma certa personagem silenciosa de um jogo de acções e reacções, de movimentos e manifestações que moldam - à sua própria forma - um estado de espírito, uma forma de estar e toda uma história que é, também ela, contada em redor desses mesmos elementos e estruturas que se incorporam nos hábitos de tradição oral e visual compondo o horizonte e transformando... o panorama.
Interessante sob um ponto de vista estético e eventualmente filosófico na medida em que uma cidade e as suas acabam por ser uma parte integrante dos seus personagens - habitantes - Panorama fica, no entanto, relativamente distante de uma imediata aceitação do público que demora a integrar-se não com a sua ideia mas com uma personagem pouco dinâmica e por vezes pouco inspirada que parece deambular por um espaço que lhe sendo familiar a faz parecer perdida e desamparada.
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4 / 10
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