quarta-feira, 3 de setembro de 2014

O Corpo de Afonso (2012)

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O Corpo de Afonso de João Pedro Rodrigues é um documentário em formato de curta-metragem português e um dos últimos trabalhos do realizador de O Fantasma (2000), Odete (2005), Morrer como Um Homem (2009) e A Última Vez que Vi Macau (2012) - este último em colaboração com João Rui Guerra da Mata.
Em O Corpo de Afonso João Pedro Rodrigues tenta efectuar uma análise ao imaginário da Portugalidade e também ao do primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, através da leitura de alguns textos sobre o mesmo bem como sobre o seu corpo através do exibicionismo dos seus descendentes galaico-portugueses.
Mais de oitocentos anos depois da sua existência e do seu reinado, O Corpo de Afonso teoriza portanto sobre como seria a fisionomia do primeiro rei da Nação, sobre a própria formação do Reino e também sobre o presente onde, graças às entrevistas efectuadas aos seus "descendentes", se percebe também uma crítica social ao actual momento político, económico e social de uma Ibéria em crise - de recordar que muitos dos entrevistados são galegos. Vários são os que revelam a sua situação profissional - maioritariamente desempregados - e que, ali expostos aos olhares do espectador - o voyeur -, se revelam o fruto de um território outrora proeminente e com olhares postos no futuro mas que agora cede face a um momento de acentuada crise financeira onde tudo se tenta, espera e ambiciona mas onde pouco - se é que algo - se alcança.
Com uma elevada noção de uma Portugalidade aparentemente perdida, O Corpo de Afonso cede então ao imaginário de um Portugal adormecido por anos de constante mutação e uma ditadura que utilizava a propaganda para difundir a imagem de um Estado-Nação com nobres ambições morais.
Ousado e original, O Corpo de Afonso é assim uma das mais recentes obras cinematográficas de João Pedro Rodrigues que continua a marcar por um conjunto de elementos físicos onde o corpo e a sua - arrisco dizer - "idolatração" se mantêm como um dos seus principais elementos.
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7 / 10
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