sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Pride (2013)

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Pride de Pavel G. Vesnakov é uma curta-metragem búlgara de ficção que esteve presente na secção competitiva de curtas-metragens da décima-oitava edição do QueerLisboa - Festival Internacional de Cinema Queer a decorrer no Cinema São Jorge, em Lisboa.
Manol (Mihail Mutafov) é um general reformado e o patriarca de uma família que pretende ter com valores e costumes tal como aqueles com que foi educado. No entanto, um dia descobre que Georgiy (Aleksandar Aleksiev), o neto que educa desde jovem idade, é homossexual.
Num mundo muito próprio em que as mudanças e as diferenças do seu ego são uma ameaça à sua própria integridade, Manol será obrigado a enfrentar um mundo que lhe foge dos seus pés... ou que nunca esteve sob o seu controlo.
Vanya Rainova e Pavel G. Vesnakov criam um argumento onde espelham um claro conflito de gerações e falta de comunicação entre um avô e um neto que entendemos serem, até certo ponto, o mundo um do outro. Num misto de suspeitas e desconfianças que são aprofundadas pela imagem de valores e princípios de outros tempos, "Manol" é um homem devastado não pela sexualidade do seu neto mas sim pela ideia de que não controla os destinos, as vontades e a essência dos demais, principalmente daqueles com quem partilha o seu espaço e a quem incutiu um conjunto de valores - os seus - sem se preocupar em saber se estes eram do interesse alheio.
É então que "Manol" entra num combate psicológico que primeiro assume como seu mas que, a seu tempo, transpõe para o seu "Georgiy" o seu neto que de coração despedaçado por ver no homem que sempre admirou um "inimigo" de rosto familiar. As maiores ofensas ou desilusões - dizem - chegam não daqueles que não conhecemos mas sim daqueles a quem entregámos o nosso coração e afecto e num silêncio absoluto "Georgiy" vive uma revolta que o impede de verbalizar qualquer tipo de sentimento, angústia ou até mesmo raiva perante aquele homem que desde jovem o educara e que era agora nada mais do que um estranho.
E é no momento em que pensamos que este "combate" está perdido, pelo menos para "Georgiy" que se vê então condenado a uma fuga que lhe permita viver a sua própria vida, que percebemos que afinal é "Manol" que o perdeu. E esta perda é não pelo abandono daqueles que lhe são próximos como reacção à sua violência verbal - e potencialmente física - mas sim pela inevitabilidade dos acontecimentos que se desmoronam ao seu redor - tal a imprevisibilidade que esta história proporciona ao espectador que vive uma tensão constante. Entrado num mundo novo distante de uma Bulgária ditatorial onde todos os seus valores foram uniformizados e Estado e cidadão andavam de mãos dadas, "Manol" tem então de enfrentar tudo o que não conhece (esperamos) e desejar que não seja ele o abandonado por aqueles que sempre o amaram... mas também temeram.
Um tenso - e intenso - filme curto que desperta o ser mais violento que existe dentro de uma magnífica interpretação de Mihail Mutafov que se destaca numa história já de si conflituosa que tem na sua origem o mais nobre - e tão pouco aceite - dos sentimentos... o amor.
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9 / 10
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